<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-6296516219389701823</id><updated>2011-09-24T13:38:08.692-07:00</updated><category term='charles gray'/><category term='gótico'/><category term='Herbert Lom'/><category term='lon chaney'/><category term='frankenstein'/><category term='dennis wheatley'/><category term='Jess Franco'/><category term='Soledad Miranda'/><category term='terence fisher'/><category term='Sam Peckinpah'/><category term='Superman'/><category term='drácula'/><category term='Marlon Brando'/><category term='Stephen King'/><category term='william levey'/><category term='Richard Lester'/><category term='hammer horror'/><category term='Richard Donner'/><category term='coppola'/><category term='daliah lavi'/><category term='trash'/><category term='blaxploitation'/><category term='Christopher Reeve'/><category term='al Adamson'/><category term='Ilya Salkind'/><category term='bram stoker'/><category term='horror italiano'/><category term='satanismo'/><category term='mario bava'/><category term='gary oldman'/><category term='anthony hopkins'/><category term='christopher lee'/><title type='text'>MONSTER?! We're British, you know.</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://monsterwerebritishyouknow.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6296516219389701823/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://monsterwerebritishyouknow.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Kurt Breichen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11129034358393773414</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sm3V5ffY7YI/AAAAAAAAAXY/2_hYe6Hm6tU/S220/Cool+Guy5.JPG'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>14</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6296516219389701823.post-7562935724208950636</id><published>2009-08-11T20:20:00.000-07:00</published><updated>2009-08-11T20:50:05.439-07:00</updated><title type='text'>Final Cut: Entendendo como Hollywood Acabou Sendo Comandada por um Bando de Debilóides</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Escrever sobre "Heaven's Gate", o épico que afundou a United Artists e arruinou a então promissora carreira de Michael Cimino, exigiria um post grande demais até para meus padrões, de modo que não sei se vou chegar a fazê-lo em detalhes um dia, mesmo porque até hoje não formei uma opinião definitiva sobre a obra. Tendo, em síntese, a achar que o filme, por um lado, é um triunfo técnico e uma demonstração de domínio da arte cinematográfica em sua dimensão puramente visual e, por outro, a considerá-lo um fracasso narrativo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Seja como for, sempre me emputeceu o fato de que o filme, ao contrário de outras obras infames, praticamente não foi visto por ninguém, embora seja quase universalmente desprezado com uma porcaria. Meu conselho (que ninguém solicitou, mas estou dando assim mesmo, porque o blog é meu e eu digo o que quiser) portanto, é o seguinte: deixe de ser maria-vai-com-as-outras e assista à porra do filme antes de proferir qualquer juízo. Seja qual for sua opinião, é inegável que a obra de Cimino foi um marco na história do cinema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lamentavelmente, "Heaven's Gate" foi um marco porque serviu de desculpa para transformar a Hollywood transgressora dos anos 70 na bosta pasteurizada que ela, essencialmente, é hoje. O que nos leva ao tópico deste post: "Final Cut: The Making and Unmaking of 'Heaven's Gate'", um fantástico documentário sobre a produção do filme, como a coisa saiu de controle, como os defeitos da obra e os prejuízos que esta gerou foram exagerados muito além do razoável pela mídia e resultaram no fim da United Artists, transformaram Cimino num pária e serviram de pretexto para a indústria de cinema americana ser monopolizada por um bando de executivos e contadores retardados que não fazem a menor idéia do que é qualidade. É, também, um retrato fascinante da personalidade de Cimino. Pode-se dizer tudo sobre o homem: que ele era um porra-louca, um megalomaníaco e um desequilibrado arrogante sem a menor noção de razoabilidade. Uma coisa, porém, é inegável: o homem era (e continua sendo), sem dúvida, um Artista com "A" maiúsculo, com um domínio ímpar de seu ofício, uma visão única e convicções inflexíveis. Era, enfim, o tipo de cineasta que, salvo raríssimas excessões, hoje não consegue um orçamento decente para dirigir um filme, a não ser que seus últimos dez filmes tenham rendido o quíntuplo do que custaram. Por tudo isso, é um indivíduo que, apesar de seus inúmeros defeitos (que o documentário também exibe sem frescuras), merece imenso respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Final Cut&lt;/span&gt; (assim como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Heaven's Gate&lt;/span&gt;), é, portanto, filme obrigatório para qualquer amante do cinema. E está disponível de graça no youtube, dividido em oito partes. Portanto,  vá ver o documentário &lt;span style="font-style: italic;"&gt;agora&lt;/span&gt;. Só de estímulo, eis a primeira parte:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/hdcRiPLp4oU&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/hdcRiPLp4oU&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6296516219389701823-7562935724208950636?l=monsterwerebritishyouknow.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://monsterwerebritishyouknow.blogspot.com/feeds/7562935724208950636/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://monsterwerebritishyouknow.blogspot.com/2009/08/final-cut-entendendo-como-hollywood.html#comment-form' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6296516219389701823/posts/default/7562935724208950636'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6296516219389701823/posts/default/7562935724208950636'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://monsterwerebritishyouknow.blogspot.com/2009/08/final-cut-entendendo-como-hollywood.html' title='Final Cut: Entendendo como Hollywood Acabou Sendo Comandada por um Bando de Debilóides'/><author><name>Kurt Breichen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11129034358393773414</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sm3V5ffY7YI/AAAAAAAAAXY/2_hYe6Hm6tU/S220/Cool+Guy5.JPG'/></author><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6296516219389701823.post-8076090402276449487</id><published>2009-07-30T22:50:00.000-07:00</published><updated>2009-08-04T18:17:34.350-07:00</updated><title type='text'>Vlad Tepes (ou "Drácula Segundo Marx")</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SmD8bJDCSfI/AAAAAAAAAVQ/AVoxCYjJ7RE/s1600-h/V1.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5359561099786209778" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 400px; cursor: pointer; height: 202px; text-align: center;" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SmD8bJDCSfI/AAAAAAAAAVQ/AVoxCYjJ7RE/s400/V1.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Para ir direto ao ponto, acho comunistas/marxistas/marxista-leninistas/etc (até hoje não entendi a diferença e, francamente, não me interessa - como diria o soldado tailandês, é tudo a mesma merda) um bando de debilóides. A picaretagem de Karl Marx era tão óbvia que nem sei como alguém pode discordar de mim. Tudo bem, o materialismo dialético até que tem certa utilidade no estudo de História, mas que se foda. Um ponto positivo não justifica uma saravaivada de besteiras. Temos que considerar, em primeiro lugar, que o homem não era um cientista político. Ele era um economista e sua "obra" deve ser vista com tal fato em mente. Assim, não devemos encarar, por exemplo, "O Capital" como um manifesto político, mas como um tratado de economia. Sob este prisma, o tijolão é um fracasso completo. O valioso calço para segurar portas rebeldes escrito pelo alemão não estava conclamando as massas a se rebelarem contra as elites monopolizadores dos meios de produção. Ele estava dizendo que isso era inevitável - como um hippie depois de fumar um quilo de barunga, Karl Marx estava afirmando, cheio de autoridade, que "a revolução vem por aí, bicho. É só uma questão de tempo." E que a "ditadura do proletariado" se iniciaria nos Estados industrializados e acabaria resultando, organicamente, após um longo processo, no comunismo, onde a coletividade dos meios de produção seria adotada espontaneamente e o Estado deixaria de ter fim ontológico. É verdade que algumas dessas teorias se concretizaram. Onde é que houve mesmo a tal "revolução socialista"? União Soviética, China, Cuba, Coréia do Norte... países que, à época de suas revoluções, eram potências industriais e que hoje são paraísos para o trabalhador, onde a riqueza, ao contrário do que ocorre entre nós, burgueses decadentes, não fica concentrada na mão de uma minoria opressora, enquanto a maioria sofre na mais abjeta miséria. Peraí... não, nenhuma das teorias do mané se concretizaram. As tais "ditaduras do proletariado" ocorreram em países de economia preponderantemente agropecuária (a China e a Rússia eram praticamente feudais, puta que o pariu!), o Estado se tornou a oligarquia opressora, muito mais cínica e truculenta que a anterior, e o tal "comunismo" nunca se concretizou em lugar nenhum. Nem vai. Por que? Porque era uma teoria idiota. E como se chama um economista que só formula teorias asininas que nunca se concretizam? Um picareta. No meu entender, quem elaborou os Planos Cruzado I, II e Collor eram bem menos incompetentes que o barbudo. Nenhum deles, pelo menos, inspirou massacres de milhões de pessoas, cubanos hirsutos e xaropes discursando por horas a fio, venezuelanos que falam uma merda atrás da outra, sempre com um incompreensível ar de superioridade, ou ditaduras surreais comandadas por psicopatas com óculos de vovozinha. Eu até entendia que certas pessoas acreditassem nas abobrinhas de Marx (embora elas sempre tenham me parecido intrinsecamente antagônicas à natureza humana e fruto da mente de quem passou pouquíssimo tempo interagindo com gente de verdade) nos tempos da Guerra Fria, quando era impossível para o "mundo capitalista" saber ao certo o que se passava atrás da Cortina de Ferro, e achassem que a União Soviética era um paraíso trabalhista. Mas desafia minha compreensão o fato de, ainda hoje, mais de quinze anos após a queda de Muro de Berlim, existirem cretinos na América Latina que defendem o marxismo como se fosse uma espécie de vanguarda do pensamento político e encontram a aceitação de uma legião de tetraplégicos intelectuais, que engolem tudo com o maior entusiasmo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="justify"&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O que tem isso a ver com &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vlad Tepes, &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;um obscuro filme romeno de 1979?&lt;/span&gt; Muita coisa. Mas é claro que eu vou divagar um bocado antes de chegar aos finalmentes. Afinal, duvido que alguém leia este troço buscando concisão. E, se lê, não posso fazer nada por tal pessoa, além de recomendar que continue lendo, pois, segundo inúmeras fontes de autoridade indiscutível (minha mãe e, de vez em quando, minha mulher), trata-se de um dos blogs mais relevantes da história da internet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho que deixar claro, de plano, que o voivode Vlad III da Valáquia, o Vlad Drácula ou Vlad Tepes (O Empalador) é meu personagem histórico favorito, embora passe longe da grandeza de um Júlio César, Alexandre ou Genghis Khan (em minha opinião, o maior, e mais injustiçado, líder militar e político da história da humanidade). Embora o homem não fosse perfeito, acredito que, essencialmente, suas motivações eram sincero amor à sua pátria e desejo de vê-la progredir, prosperar e escapar da posição humilhante de província do Império Otomano ou capacho da Hungria. Trata-se de um indivíduo que passou a maior parte da vida em cativeiro e, nos poucos anos em que permaneceu no poder, não se deixou seduzir pela aristocracia corrupta e mercenária que o cercava e buscou (em condições espetacularmente adversas) manter a independência de seu principado e ministrar a aplicação da lei sem distinção de classe. Acredito sinceramente (e já horrorizei um bocado de gente defendendo isso em público) que é graças, em grande parte, aos esforços do Empalador que as mulheres ocidentais de hoje podem usar fio-dental ao invés de sair por aí de burca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Claro que o sujeito cometeu monstruosidades de intensidade e quantidade incalculáveis. Não sou idiota de negar o óbvio. Além de inimigos políticos, prisioneiros de guerra e criminosos, Dracula torturou e matou mulheres, crianças e coitados que simplesmente tiveram o azar de falar a coisa errada quando o monarca estava em "um daqueles dias". Além de utilizar empalamento (dã!), que, em minha opinião, é a forma de execução mais horripilante já concebida, em escala então sem precedentes, o príncipe também esfolava, cozinhava, queimava e esquartejava vivas suas vítimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coloquemos, porém, as coisas dentro de suas devidas proporções: em primeiro lugar, o número de vítimas de Drácula tende a ser exagerado (nem a pau ele executou 100.000 pessoas, como algumas fontes indicam; números mais plausíveis variam entre 25 e 45 mil, incluindo inimigos mortos em guerra), graças a propaganda política disseminada por seus inimigos (principalmente alemães e turcos) desde a época em que ele ainda estava em atividade; em segundo, o comportamento dele, dentro de seu contexto histórico, não era nada excepcionalmente fora dos parâmetros - basta olhar os exemplo de Henrique VIII e Catarina de Médici, por exemplo. E pouco mais de um século depois, nossos antepassados europeus fariam escrotices tão horríveis, muito mais numerosas e bem menos justificáveis ao conquistar o Novo Mundo. Além disso, por mais que os atos do voivode romeno causem repugnância, é inegável que a maioria deles tinha um fim utilitário - ainda que, dentro de uma perspectiva contemporânea, fossem completamente desproporcionais aos fins visados. Drácula cometeu várias atrocidades por simples acesso de ira, mas a maioria de suas barbaridades tinham um propósito preventivo ou pedagógico (e, ao que tudo indica, produziam os resultados desejados). Assim, diante do excesso de frescuras e melindres que assomam toda vez que alguém menciona Vlad Tepes, minha reação habitual é dar de ombros e fazer minhas as palavras do Drácula de Mel Brooks: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;They had it coming&lt;/span&gt;. Ademais, fica bem mais fácil compreender o comportamento do personagem quando se analisa as condições em que ele cresceu e viveu. Não sou adepto do sociologismo - de grande aceitação, atualmente - que prega que todo comportamento desviante pode ser explicado como produto do meio em que a personalidade do indivíduo se desenvolveu (e.g., foda-se quem tentar me explicar que Elias Maluco ou Fernadinho Beira-Mar mandavam esquartejar gente viva porque não podiam comprar tênis Nike quando eram crianças ou porque não eram abraçados por mamãe e papai), mas estamos falando de um sujeito que viveu em cativeiro turco dos 12 aos 16 anos, graças a um tratado celebrado entre seu próprio pai e seus inimigos islamitas (o qual, diga-se de passagem, foi quebrado pelo paizão enquanto Vlad ainda estava em cativeiro); que foi traído por aliados políticos, amigos próximos e parentes e viu seu irmão mais novo (com quem ficou preso durante a adolescência) se tornar um de seus maiores inimigos; e que chegou ao poder em um país comandado por uma aristocracia que fazia Paulo Maluf parecer um monumento à ética e à lealdade. Para parafrasear o Al Capone do De Niro, tratava-se de um meio onde eram bem mais fácil conseguir as coisas com uma palavra gentil e tortura excruciante do que só com uma palavra gentil. Eram circunstâncias, enfim, onde a única maneira de se impor e concretizar alguma coisa como governante era através do máximo de terror possível. Nem fodendo ele teria durado o tempo que durou (45 anos, um idade avançada para os homens públicos de sua família) se tivesse adotado a filosofia de "give peace a chance" que muitos manés acham que é sempre a melhor atitude.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez sejam as complexidades e contradições do personagem, o contexto histórico de intrigas bizantinas onde ele viveu (e, como eu disse, viveu bastante e governou por muito tempo para os parâmetros da Valáquia) ou a própria brutalidade e intransigência do homem diante do que julgava lapsos morais (com a qual, admito, sinto certa afinidade às vezes, como creio que ocorre com a maioria das pessoas, embora pouquíssimas confessem) que tornem Vlad Tepes minha figura histórica preferida. Ou talvez seja porque o primeiro livro "de verdade" que eu li foi o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Drácula&lt;/span&gt; de Stoker, quando tinha nove ou dez anos de idade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que nos leva à visão demonizada com que a figura histórica costuma ser vista: tende-se a achar que o vampiro de Stoker foi fortemente inspirado pelo personagem histórico. Como o Drácula de Stoker era, basicamente, o mal encarnado, a consequência é o Drácula histórico (de quem, justiça seja feita, pouquíssimas pessoas fora da Europa Oriental tomariam conhecimento se não fosse pela romance gótico do irlandês) ser visto, igualmente, como o mal encarnado. A verdade, contudo, é que Stoker já tinha o livro praticamente delineado (o nome do vilão, sutilmente, seria Conde Wampyre) quando ouviu falar no monarca romeno, colheu alguns eventos históricos (alguns citados corretamente, outros nem tanto) e os incluiu na história para lhe dar um verniz de autenticidade, e mudou a primeira porção do livro da Styria para a Transilvânia. Embora discorde, entendo os motivos da imagem vilanesca que o personagem histórico assumiu para o público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre me frustrou, contudo, o fato de nunca terem feito um filme decente sobre o personagem, pois a biografia da figura é matéria prima fuderosa para um bom roteirista e um bom diretor. Nem precisava ser um filme excelente - afinal, figuras históricas muito mais relevantes, como os supracitados Alexandre, o Grande e Genghis Khan (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mongol&lt;/span&gt; foi um dos negócios mais broxantes que vi este ano, embora não seja propriamente um filme ruim) até hoje não tiveram uma cinebiografia que lhes fizesse justiça. Júlio e Ótavio César precisaram de uma série de 25 episódios de uma hora (o fantástico &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Roma&lt;/span&gt;, da HBO) para explorar parte de suas vidas com a riqueza merecida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando li sobre o telefilme americano &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Dark Prince: The True History of Dracula&lt;/span&gt; (lançado no Brasil com o título &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Princípe das Trevas&lt;/span&gt;: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Verdadeira História de Drácula&lt;/span&gt;), em 2000, me empolguei. O fato de ser um telefilme já não era bom presságio, mas preferi esperar o melhor;- o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Salem's Lot&lt;/span&gt; de Tobe Hooper também foi feito para a TV, numa época em que os níveis de tolerância a violência na televisão americana eram bem mais rígidos, e é um de meus filmes de vampiro preferidos. A informação, que surgiu, depois, de que o filme tinha apenas 90 minutos de duração, também não foi muito encorajadora, mas continuei otimista. Afinal, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Witchfinder General&lt;/span&gt; é um filme histórico excelente, sobre um período igualmente complexo e focado num personagem igualmente infame, e tem duração menor do que isso. Quem sabe não podia acontecer coisa semelhante? A escolha do magricela alemão Rudolf Martin também não inspirou muita confiança. Afinal, além de não ter a menor semelhança física com o personagem histórico, o ator só precisava de uma cabeleira black power para se enquadrar no conceito clássico de "cotonete de orelhão". E uma coisa sobre Vlad Tepes é indiscutível - o sujeito tinha que ter um porte físico razoavelmente parrudo. Porque, obviamente, ninguém consegue participar de vários combates de armadura e espada (com bons resultados, pelo menos) se tiver a massa muscular da Kate Moss. Mas permaneci indevidamente otimista - de repente baixava o De Niro no cara, pensei, e ele ganhava uns dez quilos de músculo para interpretar o personagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois é. Meu otimismo foi completamente idiota. O filme, embora tenha suas virtudes, passa boa parte do tempo numa frescura sobre a Igreja Ortodoxa apoiar ou não o filho de Drácula para ser sucessor ao trono (nada a ver: quem decidia isso era um conselho de boyars [a aristocracia romena]).&lt;span style="font-style: italic;"&gt; &lt;/span&gt;Tal frescura é explicada pelo fato de o príncipe ter se convertido ao catolicismo romano (outra bobagem: a conversão de Drácula ao catolicismo romano, para conseguir apoio político e militar do rei húngaro, Matthias Corvinus, causou alguma antipatia, mas nada muito relevante) e pelas suspeitas dos sacerdotes ortodoxos de que ele seja o Anticristo (!), devido, além de suas atrocidades, a uma lenda (completamente inventada pelo roteirista do filme) de que uma imagem da Virgem chorou sangue quando ele nasceu (além de inventada, idiota; se eu estiver errado, podem me corrigir, mas creio que Igrejas Ortodoxas tem ícones, não estátuas de santos). A história também se atém muito à relação entre Drácula e sua esposa, Lídia (o que também não faz muito sentido, pois era comum os voivodes da Valáquia terem uma cacetada de concubinas, de modo que a relação entre os dois é só uma maneira anacrônica de tornar o personagem mais "contemporâneo"), a princesa que, reza a lenda, cometeu suicídio se jogando no rio (o filme também conta uma versão totalmente infiel ao folclore romeno); passa muito tempo explorando a inimizade entre Vlad e seu irmão Radu, que se tornou um vassalo do sultão turco e passou boa parte da vida tentando tomar o trono da Valáquia (igualmente sem propósito: Radu, o Belo, como o rapaz era chamado, acabou destronando o irmão, mas morreu de sífilis, bem antes de Drácula; além do mais, a história do Empalador tinha intrigas bem mais interessantes do que o manjado "irmãos que se tornam inimigos"). O pior de tudo, entretanto, é que o roteiro se desdobra (a história da virgem chorando sangue é só um exemplo) para associar o Drácula histórico a vampirismo e ao Drácula de Stoker, coisa que, como já mencionado, não tem o menor cabimento. Enfim, o filme passa uma hora e meia tentando fazer o que o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Drácula&lt;/span&gt; de Coppola fez em cerca de cinco minutos (e, por mais defeitos que tenha, o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Drácula&lt;/span&gt; de Coppola nunca alega ser um relato fidedigno da vida do Drácula real). O &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Dark Prince&lt;/span&gt;, apesar de ser "a verdadeira história de Drácula", passa a maior parte do tempo tentando ser prólogo de um filme de vampiro - e filmes de vampiro com o Drácula já existem de sobra. E, puta que o pariu, dava pro Rudolf Martin, se não queria levantar peso, pelo menos ter colocado um bigode postiço? A imagem mais conhecida de Vlad III mostra um cidadão com um bigode de deixar o Belchior com inveja, e nem isso os caras puderam providenciar? O filme não é horrível, apesar de minhas críticas; se tiver oportunidade, veja. Trata-se apenas de um filminho mediano que tinha potencial para ser excelente, o que me deixa muito mais frustrado que um filme simplesmente fuleiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SmNft2sV0GI/AAAAAAAAAVY/Ry_RqhHy7GE/s1600-h/V2.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360233222881267810" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 387px; cursor: pointer; height: 210px; text-align: center;" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SmNft2sV0GI/AAAAAAAAAVY/Ry_RqhHy7GE/s400/V2.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;"Bom", pensei, "a vida é assim mesmo. Quem sabe inventam uma forma de congelar as pessoas criogenicamente antes que eu morra e, daqui a 103 anos, façam um filme decente baseado na vida de Vlad Tepes e eu possa ser ressuscitado para vê-lo..." Conformei-me com o fato até que, alguns anos mais tarde, descubro que, em 1979, foi feito um filme romeno sobre a vida do personagem. Aí me animei. Afinal, na Romênia, Vlad Tepes é visto como um herói patriótico. E o filme foi feito durante o regime de Nicolae Ceausescu, outra preciosidade inspirada pela "obra" de Marx. Ceausescu era um filho da puta que, embora com menos notoriedade no ocidente, perpetrou atrocidades da mesma qualidade que as de Stalin, Mao, Pol Pot e aquele filho da puta com óculos de vovozinha da Coréia do Norte e "governou" a Romênia de 1974 até 1989, quando a moçada finalmente surtou, derrubou o escroto e o fuzilou (junto com a besta-fera de sua esposa, Elena) em público, para a alegria geral de todos (&lt;span style="font-size:100%;"&gt;um detalhe hilariante, para os amantes do humor negro&lt;/span&gt;&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/Nicolae_Ceausescu#Execution"&gt;: o casal era tão querido que centenas de pessoas se ofereceram para participar do esquadrão de fuzilamento; o esquadrão, na hora do vamos ver, estava com tanta boa vontade para fazer o serviço que nem esperou o casal ser amarrado e vendado, como é de costume, mandando bala logo que os dois entraram na linha de fogo)&lt;/a&gt;.  O fato de o filme ter sido feito durante seu regime, entretanto, me serviu de alento em um ponto: pelo menos a obra era menos propensa a demonizar o protagonista, já que estava sendo feita num país que o tinha como herói e durante o governo de um indivíduo que, francamente, fazia o Empalador parecer Martin Luther King.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, levei um tempão para finalmente ver o filme, pois ele nunca foi lançado oficialmente no ocidente e a única maneira de vê-lo era fazendo o download de um bootleg em romeno e sem legendas. Felizmente, há alguns meses, algum romeno bem-aventurado teve a cortesia de fazer legendas em inglês e disponibiliza-las na internet. As legendas são péssimas (o tradutor obviamente tinha um conhecimento limitado de inglês), mas não vou esculachá-las, pois é um daqueles casos em que se aplica o ditado popular sobre cavalo dado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem, de fato, o filme não demoniza o príncipe. E esse é o problema. O filme não apenas não demoniza o príncipe, como se esforça para fazer o espectador crer que todas as histórias sobre suas tendências mais anti-sociais foram distorcidas ou inventadas descaradamente pelos boyars, pelos turcos e pelos comerciantes alemães da Transilvânia (que, aqui, fazem o papel do "burguês reacionário e decadente", em contraponto à "ditadura do proletariado" de Drácula). Eu sempre achei que o personagem até que se prestava a propaganda comunista (tendo em vista sua repugnância à aristocracia, respeito pelos camponeses e completa desconsideração de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;status&lt;/span&gt; na hora de impor penas), mas o roteiro de Mircea Mohor forçou a barra. Além do mais, a exemplo da obra brasileira &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu Matei Lúcio Flávio&lt;/span&gt; (objeto de &lt;a href="http://filmesparadoidos.blogspot.com/2009/06/eu-matei-lucio-flavio-1979.html"&gt;excelente resenha&lt;/a&gt; no blog Filmes para Doidos) o filme é meio difícil de compreender para quem não tem muita noção do contexto histórico em que se passa. A diferença é que, para quem conhece o contexto, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Eu Matei Lúcio Flávio &lt;/span&gt;é espetacular, ao passo que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vlad Tepes&lt;/span&gt; é irritante. Mas vamos ao filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A história começa com um letreiro que explica que é 1456 e o Império Otomano acaba de ser frustrado em sua tentativa de invadir o continente Europeu graças aos esforços de Iancu de Hunedoara, que dá uma sova nos turcos em Belgrado. Três dias depois da vitória, contudo, este morre de peste bubônica, deixando o caminho livre para novas investidas do sultão Mehmed II, o Conquistador (chamado de Mahomed II no filme) e a Valáquia, enfraquecida pelas disputas internas entre os boyars, particularmente vulnerável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corta para um bando de cavaleiros que marcham de encontro a um cidadão grisalho que não sabemos quem é (e, mesmo depois de ver o filme umas três vezes, não logrei identificar o indivíduo por nome). Os cavaleiros anunciam que são cidadãos de Tirgoviste e desejam se unir ao exército de Iancu de Hunedoara. O grisalho anuncia que vai levá-los ao "capitão" de Iancu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SmNpr6mbCFI/AAAAAAAAAVg/o6mRS-Hv7LE/s1600-h/V3.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360244184686725202" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 400px; cursor: pointer; height: 172px; text-align: center;" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SmNpr6mbCFI/AAAAAAAAAVg/o6mRS-Hv7LE/s400/V3.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O "capitão" de Iancu de Hunedoara é ninguém menos que Vlad Drácula. E sua primeira aparição já me deixou otimista - além da semelhança física razoável, Stefan Sileanu tem porte físico e interpreta o personagem com maneirismos que, imagina-se, um líder político e militar do período tivesse. Drácula resmunga, pragmático, que, com a morte de Hunedoara, qualquer esperança de ajuda externa se foi e ele agora vai ter que se virar sozinho. Sem tempo para choramingar, o aspirante a príncipe manda seu escudeiro grisalho (de quem, repito, até agora não sabemos o nome) sair pelas vilas conclamando todos aqueles dispostos a morrer pela pátria a se unir ao seu exército.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A estratégia parece funcionar, pois na cena seguinte, Drácula já está partindo para o quebra-pau, comandando um exército de cavaleiros rumo ao combate com seus inimigos (que, também, não sabemos quem são) a toda velocidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SmNtTSBkNtI/AAAAAAAAAVo/f857mhw9c0g/s1600-h/V4.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360248159524370130" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 400px; cursor: pointer; height: 180px; text-align: center;" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SmNtTSBkNtI/AAAAAAAAAVo/f857mhw9c0g/s400/V4.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Antes que o combate comece, entretanto, o líder do exército inimigo é sacaneado e a batalha acaba preliminarmente: numa cena que, não sei por que motivo (acho que lembra as batalhas de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Monty Python and the Holy Grail&lt;/span&gt;), me mata de rir&lt;span style="font-style: italic;"&gt;, &lt;/span&gt;um de seus próprios homens, sem a menor cerimônia, acerta o vilão pelas costas com uma lança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SmNuPLl5bVI/AAAAAAAAAVw/BOfzS76qF30/s1600-h/V5.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360249188589858130" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 400px; cursor: pointer; height: 191px; text-align: center;" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SmNuPLl5bVI/AAAAAAAAAVw/BOfzS76qF30/s400/V5.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O exército do falecido não perde tempo e logo se rende a Drácula, jurando vassalagem ao novo monarca. O engraçadinho que deu cabo do príncipe anterior ainda se apresenta contando vantagem e esperando recompensa por ter "aberto o caminho de Vossa Alteza ao trono". Vlad, entretanto, não enxerga a situação de forma tão irreverente: ele manda enterrarem o defunto rival com "as honras devidas a um Lorde" e "matar o assassino com a mesma lança que ele usou para assassinar". "Se eu não tivesse feito isso, Vossa Alteza o teria", desespera-se o traidor, acabando de perceber que vai tomar onde o sol não bate e tentando evitar desaconchego de tamanha gravidade. "Eu não jurei lealdade a ele", replica Drácula, secamente. Como diria Jorge Amado, "se fodeu".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Drácula aceita os juramentos de vassalagem dos boyars, poupa o exército do inimigo, liberta os prisioneiros de guerra deste e, mostrando logo que não gosta de fazer corpo mole, convoca uma reunião do conselho de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;boyars&lt;/span&gt; para dar as ordens.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Faço aqui uma pausa para começar minhas ladainhas. Em primeiro lugar, trata-se de uma sequência inicial em que os defeitos e virtudes do filme são sintetizadas. As virtudes: boa direção, edição, fotografia e interpretações. Os defeitos: Drácula é mostrado como um indivíduo bem mais generoso do que ele realmente era e a trama só é compreendida por quem sabe alguma coisa sobre a biografia do personagem. Quem não sabe, a essa altura do filme, já deve estar se perguntando coisas como "quem caralho era Iancu de Hunedoara", "quem era aquele sujeito com quem Drácula ia lutar" e "qual era o motivo da luta?" Para isso fazer sentido, é necessária uma superficial lição de História ministrada pelo tio Kurt.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em 1456, o Império Otomano estava, de fato, em franca expansão. A maioria dos Estados Europeus, contudo, tendo suas próprias broncas internas para resolver (e.g., A Guerra das Rosas na Inglaterra e a recuperação dos prejuízos da Guerra dos 100 anos na França), ficou indiferente à ameaça otomana; mesmo após o pontificado de Pio II, que considerava os turcos a "maior ameaça à Cristandade" e tentava veementemente ressuscitar o espírito das cruzadas na luta contra os otomanos, a maior parte da Europa permaneceu, basicamente, de pau na mão. João Hunyadi/Hunedoara Janos/Iancu de Hunedoara era um nativo da Transilvânia que, não obstante suas origens humildes, conseguiu, graças a muita habilidade política e militar, se tornar um dos mais prestigiosos líderes da Europa Oriental, alcançando a posição de príncipe da Transilvânia e chegando a se tornar, durante a menoridade do rei húngaro Ladislau V, o "Póstumo" (alcunha decorrente de seu suspeito nascimento após o óbito do pai), regente e governador-geral da Hungria. Hunyadi foi um dos poucos a concordar com o ponto de vista do papa e se tornou um dos principais combatentes à ameaça otomana. Foi também, um dos mentores políticos e militares de Drácula, o que, em si, é um fato dos mais interessantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso porque tudo indica que o levante de boyars que resultou na morte de Vlad II e Mircea, irmão mais velho de Drácula, enquanto este se encontrava em cativeiro turco, foi articulado por Hunyadi, que não via com bons olhos a política "em cima de muro" de Vlad Dracul em relação aos turcos e preferiu colocar Vladislav II no trono da Valáquia. O sultão, apesar da inutilidade dos reféns, cujo pai agora estava morto, preferiu manter Drácula e Radu vivos e "cultivá-los", considerando a possibilidade de tê-los como aliados caso um dos dois viesse a conquistar o trono da Valáquia posteriormente. Em 1448, aos 17 anos, Vlad foi libertado do cativeiro e colocado pelos turcos no trono da Valáquia; o primeiro reinado durou pouco tempo, sendo o príncipe destronado pelo próprio Hunyadi, que invadiu o país e reempossou Vladislav II. Drácula fugiu para o principado da Moldávia, ficando sob a proteção de seu tio, o príncipe Bogdan, até este ser assassinado por inimigos políticos em 1451 (pois é, a vida desse pessoal era repleta de fortes emoções). Vlad, então, decidiu optar pela filosofia do "mandando o bom senso às favas" e fugiu para a Hungria, então controlada por seu inimigo Hunyadi. Este acabou ficando impressionado pelos conhecimentos que o rapaz tinha sobre o funcionamento do Império Otomano (adquirido graças aos anos que passou como refém do sultão) e pelo ódio deste por Mehmed II, e acabou se tornando seu padrinho político. Contribuiu para o início dessa bela amizade o fato de o até então preferido de Hunyadi, Vladislav II, estar adotando uma política progressivamente pró-otomana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada disso explica, contudo, como Vlad conseguiu ignorar o fato de que seu novo mentor havia sido, pelo menos, um dos autores intelectuais do homicídio de seu pai e seu irmão. Em minha opinião, foi basicamente lógica e pragmatismo político: Hunyadi estava simplesmente cuidando dos próprios interesses e não tinha nenhuma dívida de lealdade para com Vlad Dracul, ao contrário dos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;boyars&lt;/span&gt; vira-casaca que de fato o executaram. E suspeito que foi mais a falta de lealdade dos boyars e menos o amor ao paizão (que, como já mencionei, o deixou como refém dos turcos e, posteriormente, violou tratados, colocando sua vida em risco) que suscitou o ódio de Drácula pela aristocracia de seu país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim... em 1456, Mehmed II tentou invadir a Hungria através de um ataque náutico via Belgrado. A defesa desta ficou a cargo de uma força militar comandada por Hunyadi, enquanto Drácula, comandando um exército majoritariamente composto por mercenários romenos, ficou incumbido de proteger o flanco oriental da Hungria, na Transilvânia. Ficou implícito que Drácula tinha carta branca para destronar Vladislav II quando achasse conveniente, reforçando a resistência à invasão turca, e foi exatamente isso que ele fez: logo que os turcos foram derrotados por Hunyadi em Belgrado, Vlad não perdeu tempo lamentando a morte de seu padrinho político. Ele avançou Valáquia adentro e, após uma série de baculejos, capturou e matou Vladislav II e assumiu o trono. É essa a batalha que inicia o filme e já vou começar a reclamar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro: porra, nada é abordado sobre a infância de Drácula, sua vida de refém no Império Otomano nem sua complicada relação com Hunyadi (como já disse, o espectador sem interesse histórico na região provavelmente nunca nem ouviu falar neste indivíduo). Segundo: não houve nada de "convocação dos camponeses a se unir a Drácula", prontamente atendida pelo campesinato - isso é só picaretagem típica de propaganda política. Como mencionado, Vlad III conquistou o trono com um exército de mercenários, coisa que o governo comunista romeno certamente não admitiria que fosse mostrado no filme. Então, vá lá, até que dá pra entender. Terceiro: embora a reação do Drácula do filme ao sacana que matou Vladislav II pelas costas realmente tenha muito a ver com a personalidade do voivode (o homem tinha uma intolerância inflexível com deslealdade), o evento é totalmente inventado. A verdade é que Drácula capturou Vladislav e o executou (provavelmente depois de torturá-lo barbaramente). Quarto: a boa-vontade de Drácula para com os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;boyars&lt;/span&gt; que viraram a casaca rapidamente... bom isso tem a ver com outro trecho do filme onde a história é completamente distorcida, então cheguemos lá primeiro. Só posso adiantar que os partidários de Vladislav II teriam um destino bem menos aprazível que o mostrado no filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como dito, o príncipe recém-coroado não perde tempo comemorando e parte logo para o trabalho, reunindo os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;boyars&lt;/span&gt; e dando as ordens. Primeiro, ele indaga quantos príncipes cada um deles já viu no trono da Valáquia e cada um se sai com um número maior que o outro. Emputecido, Drácula passa na cara dos cretinos que a culpa é deles, que vivem virando a casaca (não nesses termos, mas trata-se de um diálogo que, segundo várias fontes, realmente ocorreu) e deixaram o país no estado lastimável em que se encontra. Em seguida, determina que todos os presos devem ser libertados e os crimes esquecidos; a partir de agora, contudo, aqueles que violarem a lei serão punidos severamente. E é nesse momento que eu digo, "vão pra porra". Aí já é querer transformar o homem num santo. A parte sobre a violação da lei ser punida severamente procede, com toda a certeza; já a parte sobre "vamos ser legais e perdoar a quem nos tenha ofendido" é tão ridícula que não tem nem graça. Isso nunca aconteceu. O príncipe determina a formação da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;armaş, &lt;/span&gt;sua guarda pessoal. Após a reunião, o voivode chama o sujeito que escolheu para chefiar a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;armaş&lt;/span&gt; e manda que este despache homens de confiança para serem "seus olhos" em todos os povoados do país (mais ou menos como o regime que financiou o filme tinha a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Securitate&lt;/span&gt;, por coincidência, mas esse detalhe, pelo menos, é verídico).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;boyars&lt;/span&gt; já estão reclamando das ordens do novo governante e ponderando se mudar de lado foi realmente a melhor decisão. Acabam decidindo que, mais cedo ou mais tarde, vão acabar domando o rapaz...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SmOqK_PKelI/AAAAAAAAAV4/4f8s-ikh_GI/s1600-h/V6.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360315087251470930" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 400px; cursor: pointer; height: 193px; text-align: center;" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SmOqK_PKelI/AAAAAAAAAV4/4f8s-ikh_GI/s400/V6.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Após várias cenas de Drácula passeando pela zona rural da Valáquia (que, de fato, é muito bonita) e observando o trabalho dos puros, inocentes e sofridos camponeses (demonstrando qual é a verdadeira afinidade do príncipe: ele está ali para governar pelos trabalhadores, não pelas oligarquias opressoras, companheiros), surge o primeiro momento de conflito: comerciantes da cidade de Braşov, ao passear pela Transilvânia, têm sua mercadoria furtada e vão se queixar com o príncipe. Drácula promete resolver o problema e dá uma esporro nos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;boyars&lt;/span&gt;, que só querem começar as reuniões ao meio-dia (mostrando que são um bando de parasitas indolentes, vivendo do trabalho suado dos camponeses. Vá lá, a alegoria é pouco sutil, porém válida: os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;boyars &lt;/span&gt;realmente eram assim). Em seguida, através da &lt;span style="font-style: italic;"&gt;armaş&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:0;"&gt;, &lt;span style="font-size:100%;"&gt;localiza os ladrões e devolve a mercadoria roubada aos comerciantes, deixando os meliantes como edificante lição de moral, na beira da estrada:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SmOuWOfKhII/AAAAAAAAAWA/P0NaxvQBvYY/s1600-h/V7.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360319678370186370" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 400px; cursor: pointer; height: 193px; text-align: center;" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SmOuWOfKhII/AAAAAAAAAWA/P0NaxvQBvYY/s400/V7.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Não sei por que não foram fiéis à anedota que provavelmente inspirou a cena: conta-se que um comerciante resolveu passa a noite em Tirgoviste, sendo informado que podia deixar sua carruagem na rua, pois não havia risco de furto. Na manhã seguinte, dez ducados de ouro haviam sido furtados da carruagem do comerciante que, inconformado, foi reclamar com o voivode. Drácula, fiel adepto da filosofia de que "contra a força bruta não há argumentos", usou um método dos mais eficientes para resolver o problema: divulgou que, caso o larápio não lhe fosse entregue em 24 horas, julgaria toda a população da cidade responsável e agiria de acordo. O ladrão foi logo entregue ao voivode, sendo prontamente empalado, e o ouro, devolvido ao comerciante. Este, porém, observou que havia um ducado a mais do que havia sido furtado e o devolveu ao príncipe. Drácula, satisfeito observou que a moeda a mais havia sido colocada de propósito e que, se o comerciante não a tivesse devolvido, acabaria empalado junto com o ladrão. Acredito que a história não foi contada assim porque, como todos sabem, comunistas não têm senso de humor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SmOzDxZz-zI/AAAAAAAAAWI/bJTkwSKL0sw/s1600-h/V8.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360324858883603250" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 275px; cursor: pointer; height: 263px; text-align: center;" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SmOzDxZz-zI/AAAAAAAAAWI/bJTkwSKL0sw/s400/V8.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Em seguida, temos um fato histórico distorcido que é a maior picaretagem do filme. Na verdade, é a segunda maior picaretagem, mas é de uma cara-de-pau tão grande que chega a ser admirável. Fato histórico: Vlad Tepes odiava profundamente mendigos e vagabundos de qualquer espécie. Ele os julgava pior que os ladrões, porque, em suas palavras (paráfrase, pois, por mais interessante que ache a figura, não vou ficar decorando o que ele dizia) "se você for mais ágil ou mais vigoroso que salteador da floresta, pode escapar do assalto; mas esses indivíduos, pedindo insaciavelmente, roubam o dinheiro conseguido com o suor do trabalhador tão destrutivamente quanto qualquer ladrão." Para resolver tal problema, o monarca adotou uma solução tão simples quanto a utilizada para localizar o ladrão do episódio anterior: mandou a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;armaş &lt;/span&gt;reunir todos os mendigos da Valáquia e trazê-los para um grande banquete. Enquanto os mendigos lambiam os beiços, Drácula resolver marcar presença e, após muitas saudações empolgadas, indagou: "Vossas Senhorias gostariam de jamais ter preocupações ou pesares novamente?" A resposta foi um sonoro "Sim", ao que o voivode replicou "Pois assim será" e mandou trancar a sala com todos os mendigos dentro e incinerá-la, queimando os pedintes vivos e resolvendo o "problema social". Realmente, fica meio difícil falar em defesa do príncipe neste caso, mas há quem especule que a medida teria um caráter sanitário: o número elevado da população de mendigos na Valáquia, à época, facilitava a proliferação de epidemias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Versão do filme: aparentemente, o roteirista levou a equiparação que o Empalador fazia entre mendigos e ladrões ao pé-da-letra: logo após resolver o problema dos comerciantes, Drácula fica emputecido com os ladrões, que, explica um diálogo entre o príncipe e seus homens de confiança, passam o dia disfarçados de mendigos e praticam crimes à noite. E, assim, reúne todos os mendigos do país para um banquete. Isso mesmo: numa chicana tão descarada que chega a ser linda, o roteiro do filme afirma que sim, Drácula matou todos os mendigos da Valáquia, mas isso foi besteira, pois eles eram mendigos de dia e assaltantes à noite e, como todos sabem, bandido bom é bandido morto. Caramba, eu sou o único sujeito que conheço que defende o homem e nem eu conseguiria me sair de cara lisa com uma racionalização tão obviamente furada. É sério: tem até uma cena em que um mendigo "perneta" tira a perna de pau, revelando, por baixo dela, uma perna perfeitamente saudável e outra em que um mendigo "cego" tira a venda dos olhos, revelando não ser cego porra nenhuma. Desse jeito, fica impossível não torcer pros putos serem queimados. Mal sabem os cretinos que Drácula está entre eles, disfarçado. Testemunhando toda essa canalhice e concluindo que tinha razão, o príncipe resolve concluir o banquete com o mesmo desfecho da história real (menos a "charada" de mau gosto, pois como eu já disse, comunistas não têm senso de humor).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SmO_-1p-Q_I/AAAAAAAAAWY/VY39CYCOPuE/s1600-h/V10.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360339067776943090" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 400px; cursor: pointer; height: 180px; text-align: center;" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SmO_-1p-Q_I/AAAAAAAAAWY/VY39CYCOPuE/s400/V10.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SmPAPzyQqlI/AAAAAAAAAWg/dP549EZmPwM/s1600-h/V10.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360339359332608594" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 400px; cursor: pointer; height: 192px; text-align: center;" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SmPAPzyQqlI/AAAAAAAAAWg/dP549EZmPwM/s400/V10.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SmPDSdDLF_I/AAAAAAAAAWw/R5ZcC-5XG5U/s1600-h/V12.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360342703304022002" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 400px; cursor: pointer; height: 192px; text-align: center;" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SmPDSdDLF_I/AAAAAAAAAWw/R5ZcC-5XG5U/s400/V12.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Seguimos para a MAIOR picaretagem do filme. Os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;boyars&lt;/span&gt;, concluindo que o novo príncipe está radical demais para seu gosto, resolvem conspirar para dar cabo do voivode, planejando pegá-lo de surpresa, dar um golpe de Estado e colocar outro príncipe, mais maleável, em seu lugar. A primeira pergunta que vem à cabeça do espectador é "por que, exatamente?" Ora, até agora, a única coisa "ameaçadora" que ele fez à aristocracia foi dar esporro. Ele empalou ladrões e queimou um monte de mendigos vivos, mas não logro vislumbrar como isso seria uma ameaça ao &lt;span style="font-style: italic;"&gt;status quo&lt;/span&gt;. E, na vida real, a situação era idêntica (a diferença é que os mendigos que Drácula queimou eram só mendigos mesmo, de modo que ele é um precursor intelectual daqueles moleques de Brasília que tocaram fogo no índio pataxó "achando que era um mendigo"). Mas eis que, enquanto os monopolizadores dos meios de produção e exploradores do campesinato estão com a farinha, Drácula já vem com o bolo não mão... ou a pizza, ou seja lá o que for. Enfim, Drácula chega de supresa e pega todo mundo no flagra, barbarizando geral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns dos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;boyars&lt;/span&gt; mostram toda sua bravura correndo para uma igreja e se escondendo debaixo da batina do padre. O voivode, entretanto, não se curva diante desses sacerdotes, que, afinal, nada mais são do que um instrumento de alienação das massas, prendendo imediatamente os covardões.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SmT16rcfzQI/AAAAAAAAAW4/udNE_keMYNo/s1600-h/V13.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360679844921199874" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 400px; cursor: pointer; height: 193px; text-align: center;" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SmT16rcfzQI/AAAAAAAAAW4/udNE_keMYNo/s400/V13.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O padre se revolta com a falta de respeito de Drácula, mas este parte para um bate-boca teológico com o traficante do ópio do povo. Tudo bem, piadinhas anti-comunistas à parte, a cena é muito boa e realmente faz justiça à personalidade de Vlad Tepes: os argumentos utilizados pelo príncipe para rebater o discurso religioso manjado do padre (em síntese "Vossa Alteza está desrespeitando a casa de Deus e atentando contra os Dez Mandamentos") realmente se coadunam com o que o personagem real utilizava como "fundamentação teológica" para suas práticas, quando travava discussões com alguns clérigos que o repreendiam (geralmente antes de dar cabo dos mesmos). Ele alega, por exemplo, que "eles deviam ter buscado a Igreja antes de errar, não depois", que "a vontade de Deus é que os homens sejam retos, mas não se obtém retidão através de pedidos. É através do medo e de exemplos, assim como os fiéis vêm à Igreja por temor ao inferno, não por amor a Deus", finalizando com "se for necessário matar 10 homens para que 100 se turnem justos ou 100 para que 1000 corrijam sua conduta, assim será feito" e acrescentando que está apenas castigando aqueles que descumprem os dez mandamentos e que o país deve estar fortalecido quando a ameaça muçulmana chegar, o que não será logrado através de boas ações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SmT6rAHXDDI/AAAAAAAAAXA/mErgmHgYGf0/s1600-h/V14.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360685073149922354" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 400px; cursor: pointer; height: 230px; text-align: center;" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SmT6rAHXDDI/AAAAAAAAAXA/mErgmHgYGf0/s400/V14.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Presos os conspiradores, Drácula condena todos à mesma pena: execução por empalamento, provando de forma inequívoca que, na Valáquia do século XV, bandido, literalmente, tomava no cu. Um de seus homens, cujo irmão é um dos condenados, tenta dissuadir o príncipe, alegando que "empalamento é punição para ralé". Realmente, trata-se um argumento dos mais sólidos e é uma supresa que não faça o príncipe mudar de idéia. Bom, na verdade, faz (e esse "gracejo" é mais um fato histórico): inspirado pelo comentário, Drácula decide que a altura da lança com que cada infeliz será empalado corresponderá a seu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;status&lt;/span&gt;, "para que todos vejam de longe que minha justiça é a mesma para todos". E assim, o Empalador se livra da aristocracia que tanto detesta. Inexplicavelmente, assim que as execuções vão começar, o filme corta para um bando de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;boyars&lt;/span&gt; que tiveram a sorte de chegar atrasados à reunião dos conspiradores e, portanto, tiraram o deles da seringa. Ou, para ser mais literal, de estaca de madeira. Pela maneira tosca que a transição é feita (apesar de todas as minhas reclamações sobre a falta de exposição e "licenças dramáticas" do filme, tenho que reconhecer que a edição é muito competente), e pelo logotipo de televisão visível na cópia que vi, acredito que se trata de uma edição censurada. O que, há de se concluir, é meio imbecil, tento em vista que a TV era estatal e o filme foi financiado pelo Estado. Eles censuraram um filme cuja produção eles mesmo supervisionaram? Vá lá que lógica, coerência e bom-senso não são o forte de ditaduras marxistas, mas até para a turma de um maníaco desvairado como o Ceausescu, isso é tabacudo demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, os aristocratas sobreviventes, notando, sagazes, que a atual situação não é das mais favoráveis à continuidade de suas existências, chegam ao consenso de que é melhor procurar outras vizinhanças e vão atrás de um "pretendente" ao trono que decidem apoiar. O filme também não deixa muito claro no momento, mas esse pretendente era Dan III, do clã Daneşti, o mesmo do falecido Vladislav II e rivais históricos da família de Drácula (os Draculeşti; pois é, o pessoal não era dos mais criativos) na reivindicação do trono da Valáquia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas paremos por um instante e retornemos cinco parágrafos. Lembra que eu falei que os eventos narrados acima são a maior picaretagem do filme? "Como assim?" alguém poderia indagar. "Quer dizer que Vlad, o Empalador, não matou mesmo toda a aristocracia de seu país. Hmmm... Bem que eu achei esse negócio meio exagerado". Não, isso é verdade. Drácula realmente empalou praticamente toda a aristocracia da Valáquia. A picaretagem é que não houve nenhuma conspiração que motivou o castigo. Lembra quando eu falei, no começo da resenha, que Drácula é retratado no filme como bem mais misericordioso com os inimigos do que, de fato, era?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que aconteceu na realidade foi o seguinte: desde que assumiu o trono, Vlad III já tinha um profundo ódio pelos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;boyars&lt;/span&gt; - o que é perfeitamente compreensível, levando em conta que os escrotos mataram seu pai, cegaram seu irmão mais velho a ferro em brasa e o enterraram vivo - e, tudo indica, nenhuma intenção de dar a outra face. Ele simplesmente esperou algum tempo para consolidar seu poder antes de dar o bote. Este bote ocorreu na Páscoa de 1457, quando o príncipe convocou a maior parte dos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;boyars&lt;/span&gt; da terra para uma suntuoso banquete, bem como os cidadãos de Tirgovişte. E os debilóides foram. Sinceramente, depois daquele episódio com os mendigos, eu evitaria qualquer festividade promovida pelo monarca. Talvez por isso eu seja um mero funcionário público que escreve abobrinhas sobre filmes quando tem tempo livre, e não um aristocrata europeu na iminência de conhecer intimamente a extremidade pontiaguda de uma estaca. Servido o banquete, quando todo mundo estava curtindo a vida e comendo do bom e do melhor, Vlad fez uma triunfal entrada a cavalo, cumprimentando todos com um aceno de seu chapéu. Que era o sinal para seus soldados marcarem presença, estragando a festa, subjugando todos os boyars e os principais cidadãos da capital (que estiveram envolvidos na execução de Vlad II e Mircea) e dando início ao verdadeiro festejo que o príncipe tinha em mente: dar cabo de todo mundo. Drácula, contudo, era um homem prático: a princípio, ele só empalou os idosos, os inválidos e as crianças. Os adultos com alguma aptidão física ele levou acorrentados até o Castelo Drácula, em Poenari (a cerca de 300 quilômetros). Os que não morreram no caminho foram obrigados a fortificar e ampliar o castelo (o que levou, especula-se, de dois a três meses). Ao final do suplício, os que tiveram a força e determinação para sobreviver foram recompensados com o já popular empalamento. Um pouco diferente do "eles conspiraram e tiveram o castigo merecido", mas, sinceramente, não acho o fato tão horripilante assim. Afinal, os adultos e idosos participaram do brutal assassinato do pai e do irmão mais velho de Drácula. As crianças... bom, é foda, mas o velho argumento fazia perfeito sentido para a época: elas provavelmente buscariam vingança quando crescessem. E quanto ao trabalho forçado... tenho que admitir que dei boas risadas quando soube dessa história pela primeira vez. Para que simplesmente matar um bando de almas sebosas quando, antes disso, você pode utilizá-los como mão-de-obra em um trabalho de importância estratégica e sem custar um centavo ao erário? Além de picaretagem, achei a distorção covarde e desnecessária - posso até entender que omitissem a morte das mulheres e crianças para tornar o personagem mais simpático, mas os boyars eram um bando de filhos-da-puta que, além de terem matado a família de Drácula, estavam há anos abraçando a política do "vamos encher o bolso de grana enquanto o resto do país se fode". Alguém realmente tem pena desse tipo de gente?&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SmUMIJNnNrI/AAAAAAAAAXI/Xfmt6N-wrPo/s1600-h/V15.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360704265505945266" style="margin: 0px auto 10px; display: block; width: 400px; cursor: pointer; height: 192px; text-align: center;" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SmUMIJNnNrI/AAAAAAAAAXI/Xfmt6N-wrPo/s400/V15.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Resolvido o problema, o príncipe resolve reorganizar seu ministério. Mais uma vez distorcendo a história para torná-la mais "ideologicamente pertinente", o filme mostra um Drácula que, ao invés de escolher criteriosamente os novos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;boyars&lt;/span&gt; entre seus homens de confiança (como fez, com boa dose de sensatez, na vida real), convoca sua rapaziada e solicita que aqueles que se julgarem dignos se ofereçam para os cargos. É verdade que ele deixa claro que, quem não cumprir suas funções com o máximo de presteza vai ser punido, como diria o Borat, da maneira sentida por 9 entre cada 10 condenados da Valáquia, mas mesmo assim... é um negócio meio idiota, bonitinho demais e difícil de engolir até mesmo para quem não sabe nada sobre o personagem. Alguns intrépidos indivíduos (e digo isso sem nenhum ironia, pois o homem, evidentamente, era adepto da política do "tolerância zero" com trabalho feito nas coxas) se oferecem e assim o novo conselho é composto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corta para representantes do capitalismo imperalista, reacionário e opressor das massas (tudo bem, vou parar com essa babaquice; estou começando a parecer com aquele camponês anarcossindicalista de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Monty Python em Busca do Cálice Sagrado&lt;/span&gt;), os governantes de Braşov (cidade saxônica da Transilvânia, de onde vieram os mesmos comerciantes cuja mercadoria roubada Drácula recuperou, os quais, só para não deixarmos de perceber como esses filhos da puta são ingratos, estão presentes), em reunião, ficam indignados com as novas e absurdas normas impostas pelo príncipe da Valáquia: de agora em diante, só será admitida a entrada de mercadorias que não tenham equivalente nacional (Drácula já era um adepto do protecionismo!) e desde que seja permitida a entrada de mercadorias valáquias (que igualmente não tivessem equivalente nacional no principado vizinho, pois o príncipe é justo) mediante o pagamento de igual tributação. "Ora, porra!" exclamam os comerciantes (não exatamente nessas palavras) "Tudo de valor que a gente vende aos turcos tem na Valáquia! E agora? Como vamos auferir lucro e comprar bens caros e supérfluos através de livre-comércio com os filhos da puta que querem invadir nosso continente?" O diálogo não é exatamente assim, mas a sutileza não é muito maior. O roteiro deixa bem claro que os comerciantes de Braşov são um bando de miseráveis mercenários sem um pingo de patriotismo, que pensam unicamente no lucro e em nada mais. E é por isso que eles decidem difamar Drácula por todo o Ocidente, espalhando histórias sobre como ele é um tirano sanguinário e maligno, praticamente um demônio, cujo único prazer é empalar gente inocente e que matou 300 comerciantes de Braşov, com suas mulheres e filhos. "Contemos essas histórias uma, dez, cem vezes, e as pessoas acabarão acreditando," diz um dos comerciantes, quando alguém suscita a possibilidade de acharem a história meio mentirosa. "E é por isso, espectador ocidental cujos olhos foram tapados pela propaganda capitalista", explica o filme, "que o virtuoso príncipe Vlad III é visto como um monstro em seus países, quando na verdade ele era bom, simples e justo. E adorava criancinhas, cachorrinhos, a beleza da natureza e passear pela praia em dias de sol. Tal como o nosso glorioso líder, Nicolae Ceauşescu." Assim, os parasitas sociais resolvem se aliar a Dan III, rival de Drácula na reivindicação do trono da Valáquia e, segundo o filme, igualmente vendido. Enquanto isso, para complicar a situação de Vlad Tepes, os turcos começam a invadir o país e saquear aldeias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A verdade sobre os saxões era bem mais simples: Drácula realmente era protecionista, estipulando tributação que tornava a vida dos comerciantes das colônias alemãs na Transilvânia bastante difícil. Estes, descontentes, resolveram apoiar e dar guarida a dois dos rivais do Empalador ao trono: o supracitado Dan III e Vlad, o Monge, um filho bastardo de Vlad Dracul. Com a diplomacia que o tornou um astro, Drácula respondeu invadindo a Transilvânia e destruindo várias cidades colonizadas pelos alemães, além de atacar caravanas de comerciantes saxões que adentravam a Valáquia. Mais uma vez: para os padrões da diplomacia contemporânea, pode não parecer a coisa mais bela do mundo, mas, no seu devido contexto, foi uma maneira mais ou menos padrão de resolver atritos de natureza econômica. Poder-se-ia alegar isso e, ainda assim, mostrar o príncipe como um governante que colocava os interesses de seu país em primeiro lugar. Mas, claro, isso poderia dar a impressão de que um sujeito que recebeu a alcunha de "o Empalador" não era exatamente um docinho de côco e resultaria em ambiguidade moral complexa demais para ser abordada em propaganda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prosseguindo, Drácula recebe uma convocação do rei da Hungria, que mediará um armistício entre o príncipe e a Transilvânia. O representante enviado, entretanto, acaba amarelando ou sendo enrolado (não fica muito claro) e celebrando um tratado de paz altamente favorável aos comerciantes por tempo indeterminado, contrariando os desejos do princípe, que queria, no máximo, um armistício (mentira: na vida real, Drácula, a fim de manter uma boa relação com o rei da Hungria, cujo apoio político era essencial para manter o trono e resistir à ameaça otomana, acabou concordando em rever sua política tributária e reembolsando os prejuízos causados por seus ataques nas cidades saxônicas; mais tarde, o príncipe romeno acabaria violando o tratado). Drácula engole a raiva e poupa o representante (quando, na vida real, provavelmente executaria o idiota brutalmente).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrementes, alguns dos boyars do lado de Vlad, de saco cheio com essa vida de trabalho, decidem se mancomunar com os nobres da Transilvânia. O plano dos traidores é executar o voivode quando ele está fazendo suas orações, na capela do castelo. O príncipe, entretanto, dá uma de Vincent Price e deixa um boneco encapuzado ajoelhado diante do altar, o qual os conspiradores atacam a espadadas, sendo flagrados no ato e tendo destino previsível (esse episódio, embora não seja historicamente preciso, pelo menos é plausível - Drácula tinha um dom quase sobrenatural para farejar complôs).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Irado com a sacanagem dos turcos, que continuam invadindo e atacando aldeias próximas ao Danúbio, apesar de a Valáquia continuar pagando "tributo" de vassalagem ao sultão, para mantê-lo satisfeito, Drácula decide mandar a diplomacia para a profissional do sexo que lhe deu à luz e parar de pagar. Três anos se passam e emissários de Mehmed II vem cobrar satisfações sobre a inadimplência do voivode.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;Aqui finalmente temos uma cena em que o filme não adocica o fato em que se baseia. As vítimas variam conforme a fonte (alguns dizem que foram emissários do Vaticano, outras que foram turcos), mas a essência é a mesma: os três emissários adentram o salão do palácio do príncipe para indagar o motivo de não ter havido pagamento do tributo nos últimos três anos. Drácula, curiosamente bem humorado, indaga por que os cidadãos não tiraram seus turbantes, como mandam os bons costumes. Os três zebas respondem que sua religião o proíbe, "especialmente diante de infiéis". Após uma aparentemente gratuita discussão ("E se o vento tirar seus turbantes? Será pecado também?", indaga Vlad. "Sim, mas não muito grande, pois teria sido contra nossa vontade." "Mas se vocês saem ao vento, assumem o risco de ter os turbantes arrancados. Alá não deve ser ofendido, nem proposital nem acidentalmente."), Drácula mostra ser um um homem à frente de seu tempo, mandando uma resposta ao sultão que sintetiza, com perfeição, a máxima de que "uma imagem vale mais do que mil palavras".&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Smz96Ob8EII/AAAAAAAAAXQ/kKdPaNuhjJE/s1600-h/V16.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 203px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Smz96Ob8EII/AAAAAAAAAXQ/kKdPaNuhjJE/s400/V16.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5362940433040937090" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;HAHAHAHAHAHAHA!!! &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Badass!&lt;/span&gt; Ainda lamento que o filme não contenha a frase de efeito proferida por Vlad antes de mandar pregar os turbantes nas cabeças dos manés ("Eu respeito suas crenças. E quero reforçá-las." O príncipe era praticamente um Bruce Willis medieval.), mas só o fato de terem mantido a história assim (da maneira como o roteiro anda, eu temia que mostrassem os emissários tentando atacar o príncipe, e este fincando pregos nos turbantes "em legítima defesa") já é um ponto positivo para o filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Extremamente desgostoso com o rumo das negociações, o sultão manda Yunus Bey (nome islâmico de Thomas Catavolinos, mercenário grego que foi capturado pelos turcos em combate, ficou em cativeiro com Drácula quando este era adolescente e, mais tarde, se converteu ao Islã e se tornou homem de confiança de Mehmed II) para a Valáquia. Quando Catavolinos chega a Tirgoviste, depara-se com uma caravana de carruagens repletas de mercadoria, aparentemente abandonadas. Inquirindo um velhote transeunte sobre o motivo de aquela mercadoria estar abandonada, o grego descobre que não se trata de abandono: os mercadores apenas fizeram uma pausa para almoçar e, como não há mais furtos no país, deixaram, tranquilos a mercadoria desprotegida (fato, ao que tudo indica, verídico; por outro lado, quando se considera a pena para furto e o índice quase inexistente de impunidade na Valáquia de Vlad III, não é de se admirar).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recebido por Drácula, Catavolinos explica que o tributo foi criado por Murad II, pai do atual sultão, que não tinha vontade de mantê-lo, mas não podia deixar de cobrá-lo, sob pena de demonstrar fraqueza. A proposta de Mehmed II para resolver a desinteligência, explica o grego, é um negócio da China: basta que Drácula não se oponha à passagem de soldados turcos pela Valáquia rumo à Transilvânia e a Hungria. Quando esta for finalmente conquistada, o sultão garante que a Valáquia não será tocada. Tanto era um negócio da China, aliás, que o Empalador histórico, durante um determinado tempo (quando estava consolidando seu poder em casa e eliminando rivais ao trono), aderiu a tal tratado, somente deixando de cumprí-lo quando tinha deixado as coisas suficientemete em ordem para se dedicar integralmente a combater os turcos. Pode parecer hipocrisia, ainda mais quando se leva em consideração que Vlad Tepes se tornou um herói nacional na Romênia basicamente porque impediu que o país fosse ocupado pelos turcos, mas dentro do contexto, era uma questão de bom senso e pragmatismo político: o príncipe chegou ao poder em um país caótico, com uma aristocracia hostil e traiçoeira, vários rivais ao trono, criminalidade vultosa, economia estagnada e forças armadas ínfimas. O apoio da Hungria morreu com Hunyadi e a vizinha Transilvânia não só não ajudava, como apoiava rivais do voivode ao trono. Torna-se perfeitamente compreensível que, em tais circunstâncias, o homem entrasse temporariamente em acordo com os turcos, por mais que lhe desagradasse. Contudo, como já falei reiteradas vezes, o objetivo do filme não é contar uma boa história, com questões intrigantes e personagens complexos, mas apenas fazer propaganda do regime romeno. O Drácula do filme, portanto, responde com um firme "NÃO", alegando que a Valáquia se tornaria "uma ilha num mar muçulmano" e que, mais cedo ou mais tarde, os turcos quebrariam a palavra. Catavolinos insiste, sem sucesso, e, vencido, acaba propondo uma reunião com o sultão na fronteira, em Giurgiu, onde, conversando, os dois governantes acabarão se entendendo. O príncipe acede, pois, afinal, é um homem de extrema boa vontade e sempre aberto ao diálogo com seus opositores. Como era o grande líder, Nicolae Ceauşescu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho que comentar, ainda, que a cena mostra Catavolinos como um tremendo covarde, que só passou para o lado turco porque achava que o Império Otomano acabaria dominando o mundo. Sem nenhum exagero, todos os diálogos são proferidos pelo ator que o interpreta com uma voz trêmula, tímida e insegura - parece que o homem está prestes a chorar diante de qualquer ameaça. A idéia é que só um pusilânime desprezível acabaria se convertendo à religião do inimigo e se tornando um servo deste. Pelo pouco que sei sobre o personagem, estou inclinado a acreditar que tal retrato é injusto: Catavolinos não era um bundão frouxo que passou para o lado do inimigo por medinho; ele era um mercenário (portanto, só estava defendendo o próprio bem-estar financeiro) dos mais competentes que, após um longo período aprisionado pelos turcos, acabou aderindo à religião destes e adotando sua causa. Parece-me mais plausível que essa conversão tenha ocorrido por convicção genuína (em caso contrário, por que porra um mercenário "mudaria de causa" e permaneceria fiel a esta? À primeira oportunidade, o indivíduo acabaria se voltando contra seu novo empregador, coisa que Catavolinos não fez), tal como se costuma retratar de forma "edificante" em filmes como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Dança com Lobos&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Último Samurai&lt;/span&gt;. A ótica limitada deste filme, contudo, não consegue conceber tal possibilidade - se o cara foi pro lado dos turcos, só pode ser um covarde sem um pingo de fibra ou princípios. Trata-se, por outro lado, de uma bela lição para aqueles pseudointelectuais que ejaculam na cueca toda vez que um filme iraniano insuportavelmente chato entra em cartaz e criticam o cinema norte-americano por ser "ignorante", "intolerante" e "etnocêntrico".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Drácula vai à reunião e (por essa eu não esperava!), trata-se de uma cilada: um exército de centena de otomanos está esperando o voivode. Mal sabem eles que Drácula, com seu inimitável detector de roubadas, tem uma cilada ainda maior preparada (e se Mel Gibson não viu essa cena antes de dirigir &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Coração Valente&lt;/span&gt;, eu sou Spartacus).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="560" height="340"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/OIBK0QpvSDw&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/OIBK0QpvSDw&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="560" height="340"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os soldados valáquios perseguem os turcos até a fortaleza de Giurgiu, um memorável quebra-pau se segue, com derrota dos otomanos e avanço do exército do empalador Império Otomano adentro, capturando várias fortalezas estratégicas dos turcos às margens do Danúbio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez, o roteiro "reimagina" fatos históricos, para fazer Vlad III parecer a epítome da perfeição: na verdade, não houve tentativa de emboscada nenhuma. Drácula simplesmente concluiu, após colocar a casa em ordem e passar três anos sem pagar o tributo ao sultão, que uma invasão otomana em grande escala era inevitável. Astucioso, o príncipe decidiu fazer, na surdina, um ataque preventivo: aproveitando que a maior parte do exército otomano estava do outro lado do mundo, no cerco de Coríntio, o Empalador fez uma estratégica série de ataques-surpresa a fortalezas mantidas pelo inimigo dos dois lados do Rio Danúbio, minando consideravelmente a vantagem que o sultão teria em uma tentativa de invasão da Valáquia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No meio da diversão, o Empalador é informado que, do outro lado de seu reino, uma invasão comandada por Dan III e um exército de mercenários está ocorrendo (é, esse indivíduo o roteiro deixa claro que tentou tomar o trono com o auxílio de um exército de mercenários). Tendo em vista a desvantagem numérica dos soldados valáquios que resistem à invasão (já que a maior parte do exército está esculachando os turcos), Drácula manda que estes recuem e criem obstáculos para os invasores até sua chegada, em dois dias. Anuncia, ainda, que quer Dan e seus boyars capturados vivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não vemos a batalha entre os homens de Vlad e Dan III, só o resultado: o segundo e seus boyars são derrotados e capturados e, num raro momento de fidelidade histórica, Drácula determina que Dan cave sua própria cova, enquanto seus ritos fúnebres são lidos por um padre. "Se ele não soube morrer como um voivode", justifica o príncipe, "que pelo menos seja sepultado como um".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corta para o sultão, que, emputecido, convoca Radu, irmão de Vlad, e o ameaça de morte. Borrando-se de medo, a alternativa que o mancebo encontra para tirar o seu da reta é se oferecer para combater o irmão. Mais uma vez, o roteiro simplifica a situação e deixa uma porrada de perguntas sem resposta. Em primeiro lugar, quem é Radu e por que ele está entre os turcos? Radu Drácula, ou Radu, o Belo, como o rapaz era conhecido (porque... bom, acho que o apelido é auto-explicativo), era o irmão mais novo e bem-apessoado de Vlad III, que ficou em cativeiro otomano com este. É inegável que a história demonstra uma certa fraqueza de caráter do príncipe - afinal, ao contrário do irmão, ele se deixou aculturar no cativeiro. Por outro lado, Radu tinha oito anos de idade quando se tornou refém dos turcos, o que torna mais fácil  assimilar sua conversão. Mas, enfim, Radu acabou se tornando um dos assessores mais próximos de Mehmed II (acredita-se que essa confiança decorria do fato de os dois serem mais do que simples amigos, se é que vocês me entendem, e acredito que entendem) e pretendente ao trono da Valáquia (em parte porque It's Good to be the King, e, em parte, porque ele e Vlad se detestavam desde crianças) e, como sua conversão ao Islã tornava praticamente impensável qualquer apoio europeu à sua pretensão, se apresentou ao sultão como um voivode valáquio bem mais viável que seu irmão inflexível. Foi assim que, quando Drácula finalmente emputeceu o Mehmed, Radu participou, ao lado deste, da invasão da Valáquia. Não porque o sultão deu um faniquito, ameaçou matá-lo e o jovem, desesperado, apelou pra qualquer negócio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os turcos cruzam o Danúbio e Drácula parte para lhes dar boas-vindas. Emputecido, o voivode toma conhecimento de o exército não compareceu todo porque parte dos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;boyars&lt;/span&gt; (sempre eles) amarelou e não quis marcar presença. O proletariado, contudo... digo, os camponeses, inclusive idosos e crianças, compareceram em massa (outra lorota). O rei da Hungria, Matthias Corvinus (filho de João Hunyadi, embora o filme não faça menção a isso) também está se dirigindo para ajudar a Valáquia, mas, observa o príncipe, ainda se encontra na metade do caminho e provavelmente não chegará a tempo de influir decisivamente no combate. Mais uma vez, Drácula constata que terá que se virar sozinho para defender sua pátria da agressão imperialista estrangeira, como Cuba faria cinco séculos mais tarde... HAHAHAHAHA, mais uma piada de comunista. Eu me mato de rir. Estou sacaneando, claro: se Fidel não tivesse corrido pra barra da saia da mãe, a URSS, sua "revolução socialista" não teria durado três anos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A maneira como a resistência à invasão otomana é retratada no filme é um dos poucos momentos de fidelidade histórica do roteiro e mostra o brilhantismo de Drácula como estrategista militar. Percebendo que a inferioridade numérica de seu exército tornaria suicida uma guerra travada nos moldes tradicionais, o voivode bateu estrategicamente em retirada e, conhecendo a geografia de seu país muito melhor que o invasor, utilizou, para enfraquecer a máquina de guerra turca, táticas de guerrilha e o equivalente medieval de guerra biológica: ordenou que seus homens queimassem todas as aldeias e plantações, matassem todo o gado e envenenassem todos os poços d'água, deixando o exército invasor privado de água e alimentos. Qualquer destacamento de soldados que se afastasse do exército (como ocorre, no filme, com um pelotão que Mehmed envia para buscar água no Danúbio) era emboscado pelos valáquios, caravanas de suprimentos eram aniquiladas e os acampamentos do exército otomano eram assolados por constantes ataques-surpresa noturnos. Só lamento que tenham deixado a tática mais sacana de fora: colocar portadores de doenças contagiosas para se infiltrar entre os turcos, espalhando moléstias entre os soldados inimigos. Mas tudo bem. Contribuindo ainda mais para derrubar o moral dos invasores, Mehmed e seu exército se deparam, no meio da marcha, com a legendária "floresta dos empalados", a mais famosa obra de Vlad Tepes, erigida com os corpos de Thomas Catavolinos e seus homens, agora em avançado estado de decomposição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sm5C69oUKMI/AAAAAAAAAX4/q-45-A2mwFo/s1600-h/V17.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 204px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sm5C69oUKMI/AAAAAAAAAX4/q-45-A2mwFo/s400/V17.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5363297786988341442" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Lamentavelmente, o orçamento dedicado aos efeitos especiais da produção parece ter sido o equivalente a uma semana de ração... digo, alimentação... de um cidadão da Romênia de Nicolae Ceausescu. O momento em que o exército turco se depara com a floresta dos empalados é excelente - a marcha se interrompe abrutamente, a câmera dá um zoom no rosto de Mehmed e, em seguida, corta para o motivo de seu estarrecimento: uma quantidade considerável de abutres sobrevoando a área e, descendo, revela, abaixo destes, as centenas de corpos empalados (reza a lenda que a "floresta" era composta por vinte mil cadáveres, mas provavelmente se trata de exagero). Quando o exército passa por entre os corpos, entretanto, fica patente que os "cadáveres" são aqueles esqueletos de plástico vagabundos, encontrados em qualquer festa de Halloween. Para ser justo, a iluminação até tenta disfarçar, mas a tosqueira é óbvia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sm5Fci_hSYI/AAAAAAAAAYA/kp5f8KrLLYo/s1600-h/V18.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 180px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sm5Fci_hSYI/AAAAAAAAAYA/kp5f8KrLLYo/s400/V18.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5363300562976721282" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Aproveitando o declínio do entusiasmo dos turcos, o Empalador decide dar o golpe de misericórdia que encerrará de vez a invasão: seus homens capturam uma caravana que trazia água do Danúbio, mata os soldados e rouba os uniformes. Disfarçados, os soldados, liderados por Drácula (que, lembre-se, passou quatro anos vivendo entre os turcos e fala o idioma fluentemente), se infiltram no acampamento do sultão. Quando cai a noite, o voivode invade a tenda de Mehmed, desce a punhalada no ocupante da cama, e incendeia a tenda, sem saber que seu alvo, na verdade, havia saído para fazer sabe-se lá o que e o mané adormecido era só um zeba qualquer (provavelmente um amante do sultão, que, apesar da fé islâmica, era chegado também num oba-oba com ambos os sexos). Entrando no clima de "já matou", Drácula, ainda disfarçado, sai pelo acampamento anunciando que os infiéis se disfarçaram e mataram o sultão, provocando uma tremenda desordem, que o exército valáquio aproveita para desferir mais um ataque surpresa, numa cena de batalha extremamente bem-dirigida, a despeito da fotografia escura. O resultado é uma tremenda sova sofrida pelos muçulmanos, seguida por uma estratégica batida em retirada dos valáquios. Embora o filme não mostre e nenhuma fonte histórica respalde minha tese, acredito que os romenos saíram com uma mão segurando as rédeas dos cavalos e a outra voltada para trás, punho cerrado exceto pelo dedo médio erguido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sm5KOb5JbGI/AAAAAAAAAYI/TtRsbNemS54/s1600-h/V19.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 192px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sm5KOb5JbGI/AAAAAAAAAYI/TtRsbNemS54/s400/V19.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5363305818110913634" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Amanhece o dia e Drácula está feliz da vida, seguro de ter dado cabo do sultão. Segue-se uma ridícula cena em que o voivode, alegre, lampeiro e, pela primeira vez no filme, exibindo um sorriso que não esconde a segunda intenção de matar algum mané, observa seus soldados dançarem e cantarem (parece que os diretores achavam que o Empalador era adepto da mesma escola de RP que Boris Ieltsin).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, tudo é tristeza entre o exército invasor: com o moral dos homens em baixa e sua superioridade numérica severamente reduzida, Mehmed resolve dar para trás e voltar para a terrinha. Persistente, contudo, o sultão ainda não se dá por vencido e o roteiro se sai com mais uma picaretagem: é revelado que um destacamento de soldados turcos, liderado por Radu, sequestraram as famílias dos &lt;span style="font-style: italic;"&gt;boyars &lt;/span&gt;que apoiaram Vlad III.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No acampamento de Drácula, este leva um chute nos bagos seguido, rapidamente, por outro ainda mais severo: é informado por um de seus homens que Mehmed ainda está vivo e, pouco depois, seus &lt;span style="font-style: italic;"&gt;boyars&lt;/span&gt; são confrontados por Radu e colocados diante do seguinte dilema: ou traem Drácula e passam para o lado do inimigo, condenando o príncipe ao exílio, ou suas mulheres e filhos viram comida de minhoca. Altruísta, o príncipe não suporta ver seus homens sofrerem o peso de tamanha decisão e os ordena que o abandonem, aduzindo que vai fugir e buscar apoio junto ao rei húngaro, e, assim, retornar e recuperar o trono. É tudo muito comovente e mais mentiroso do que os comerciais do Walter Mercado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na verdade, o que ocorreu foi o seguinte: Drácula, de fato, acabou botando os turcos para correr, mais ou menos da maneira como o filme mostra. Mehmed II, entretanto, não entregou completamente os pontos. Ele deixou Radu na Valáquia com um contingente de soldados para tentar conseguir o que não foi possível através das armas mediante diplomacia. A tática funcionou: por mais que Drácula tenha contribuído para a prosperidade da Valáquia e protegido seu principado de invasores estrangeiros, a verdade é que ninguém se sentia 100% seguro ao lado do príncipe. Entre ficar com um príncipe que podia, a qualquer momento, num surto de paranóia ou simplesmente um acesso de mau-humor, empalar o infeliz que estivesse por perto e a lábia de Radu - que prometia manter a autonomia da Valáquia em relação ao Império Otomano e uma liderança mais "flexível" - os aristocratas acabaram sendo convencidos a optar pela segunda alternativa. Pois é, eram um bando de cretinos covardes. Como já dizia a Madre Teresa, eu odeio gente. Drácula, diante de tal sacanagem, fugiu para a Hungria, buscando o apoio de seu, então, aliado, o rei Matthias Corvinus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De volta ao filme: mal sabe o príncipe que forças ocultas conspiram contra seu plano. Com "forças ocultas", claro, quero dizer "a burguesia detentora dos meios de produção e opressora das massas": os comerciantes de Brasov recebem uma carta de Radu solicitando seu apoio para impedir que o rei húngaro se alie ao Empalador. Inescrupulosos, os filhos da puta forjam uma carta de Drácula para o Sultão, na qual aquele se rende às forças otomanas e oferece sua vassalagem e colaboração na invasão da Transilvânia e da Hungria. Em seguida, dão um jeito de a carta cair na mão de Corvinus. Drácula chega à Hungria achando que vai ser recebido de braços abertos e acaba sendo recebido com um baculejo e aprisionado como traidor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SnD8ToC7ojI/AAAAAAAAAYQ/gqbjKfcZRWE/s1600-h/V20.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 192px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SnD8ToC7ojI/AAAAAAAAAYQ/gqbjKfcZRWE/s400/V20.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5364064570295689778" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O filme se encerra assim, com legendas nos informando que Drácula passou doze anos como prisioneiro do rei húngaro, voltando ao poder novamente em 1476, com o apoio de Corvinus e de seu primo, Stefan, príncipe da Moldávia. Seu reinado, contudo, só duraria dois meses, encerrando-se com seu assassinato. Fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa conclusão é... mas ou menos verdadeira. De fato, Drácula foi buscar refúgio na Hungria, esperando que o rei lhe desse o apoio militar necessário para retomar seu principado. De fato, o voivode acabou sendo preso por Matthias Corvinus, em razão de correspondências que - tudo indica - foram forjadas por seus inimigos políticos, para sabotar qualquer possibilidade de retorno do Empalador ao trono da Valáquia. Com "tudo indica", entretanto, quero dizer que era óbvio para praticamente todo mundo que a correspondência era forjada. Os termos com  que ele suplicava o perdão de Mehmed II nas cartas eram exageradamente submissos, exagerados e distintos do tom utilizado pelo príncipe em suas correspondências; comparados com a atitude radical e inflexível de Drácula, tornavam-se risíveis. Eram o equivalente medieval aos "fundamentos" de teorias conspiratórias retardadas que circulam por aí hoje em dia (como a história de que foi o governo Bush quem arquitetou o ataque ao World Trade Center ou aquela série idiota de livros e filmes "Deixados Para Trás", que sustenta que o Anticristo vai ser [pffffff] o Secretário-Geral da ONU). E, também ao que tudo indica, "todo mundo" incluía o rei húngaro. À época, Matthias Corvinus estava tendo conflitos internos para consolidar seu poder e não estava muito interessado em travar uma guerra em dois fronts. A idéia de deixar Radu Drácula no comando da Valáquia (que permaneceria independente e, ao mesmo tempo, em razão das boas relações entre o novo voivode e o sultão, impediria uma invasão turca), parecia, a curto prazo, mais conveniente. Foi, em síntese, por isso que, apesar de todo mundo achar as "correspondências traiçoeiras" uma fraude gritante, Corvinus preferiu dar-lhes credibilidade e sacanear com seu aliado. É óbvio que nem a pau um filme maniqueísta e obviamente destinado a ser utilizado como propaganda nacionalista/comunista insinuaria tal coisa contra os companheiros socialistas da Hungria, de modo que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vlad Tepes&lt;/span&gt; prefere retratar Matthias Corvinus como um inocente manipulado pela burguesia mercenária. Enfim, doze anos mais tarde, com o poder consolidado, o rei húngaro ficou de saco cheio com o voivode valáquio, Basarab Laiota (sucessor de Radu, que morreu de sífilis), que estava sendo amistoso demais com os otomanos para seu gosto. Drácula, nesse ínterim, havia feito o possível para conquistar a confiança de Corvinus, tendo, inclusive, se convertido ao catolicismo romano e se casando com uma aristocrata húngara - provavelmente uma prima ou sobrinha do rei. Assim, Tepes finalmente conseguiu apoio militar húngaro e moldávio para retomar seu trono. Como o filme aduz, contudo, ele só durou dois meses no trono, sendo assassinado em circunstâncias obscuras, que abordarei depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem costuma ler os &lt;span style="font-style: italic;"&gt;message boards&lt;/span&gt; da IMDB sabe que, sempre que fazem um filme americano sobre personagens ou eventos históricos de outro país (como o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Alexandre&lt;/span&gt; de Oliver Stone), há sempre um bando de idiotas desocupados que, imbuídos de orgulho patriótico, tratam de expressar sua insatisfação, geralmente através de textos escritos com a irretocável verve de um semi-analfabeto com paralisia cerebral, com o que julgam ser a "distorção de nossa história pelos ianques ignorantes". O caso mais hilariante que me vem à mente foi a histérica revolta dos iranianos com &lt;span style="font-style: italic;"&gt;300&lt;/span&gt;, que, alegavam os "descendentes dos persas", era "uma declaração de guerra" ao seu país e ao Islã.  Porque, como qualquer pessoa sensata pode perceber ao ver o filme, a intenção de Frank Miller e Zack Snyder era retratar a batalha de Termópilas priorizando o realismo e a fidelidade histórica. E o Irã contemporâneo e o islamismo têm tudo a ver com o Império Persa. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vlad Tepes&lt;/span&gt; é o filme que todos esses  manés com excesso de sensibilidade deveriam assistir. Parece que a obra foi a maneira que a Romênia encontrou para dizer: "Viu? Nós conseguimos distorcer nossa história e inventar lorotas com a mesma criatividade que qualquer ianque ignorante!" Aposto que, se John Wayne estivesse vivo e disposto a trabalhar por um prato diário de papa, eles teriam colocado &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Duke&lt;/span&gt; para interpretar Drácula. O filme consegue ser mais fantasioso que o americano &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Dark Prince&lt;/span&gt; e, ao contrário deste, tem um roteiro praticamente ininteligível para quem não vai ao filme sem saber alguma coisa sobre Vlad Tepes e o contexto histórico em que este viveu. E quem sabe vai apenas se irritar com as "licenças dramáticas".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como já falei, boa tarde da infâmia atribuída a Vlad Tepes se deve, em parte, à propaganda disseminada por seus inimigos desde sua própria época. O filme, entretanto, sustenta que TODA  má fama da figura decorre de propaganda inimiga, o que já é demais para engolir, e acaba sendo o primo romeno de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Patriota&lt;/span&gt;. Como o "épico sobre a Revolução Americana" de Roland Emmerich, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vlad Tepes&lt;/span&gt; pega um personagem histórico de inegável importância a seu país (Francis Marion, no caso de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Patriota&lt;/span&gt;), mas de métodos brutais e valores moralmente questionáveis, e o eleva a uma condição de retidão moral tão  extrema que se torna implausível e, francamente, risível para quem já estudou a figura (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;O Patriota&lt;/span&gt;, pelo menos, teve o senso de ridículo de mudar logo o nome do personagem e torná-lo uma figura fictícia "inspirada em fatos reais"). O Drácula do filme é um personagem que sempre toma as decisões corretas, nunca comete uma injustiça, nunca peca pelo excesso e só usa da violência e da intimidação quando estes recursos se tornam a única alternativa possível. É praticamente um Billy Jack romeno. Não há qualquer ambiguidade moral, qualquer momento em que a superioridade ética do homem seja colocada em dúvida. E é até bom, porque, caso houvesse, seria impossível para o espectador chegar a qualquer conclusão, por falta de fundamento:  sua infância, sua adolescência em cativeiro turco, a deposição e assassinato de seu pai,  enfim, tudo que poderia contribuir para entender como sua personalidade se formou são deixados de lado. Pensando bem, eu fui injusto: o personagem de Mel Gibson em "O Patriota" podia não ser um enigma, mas pelo menos o filme deixa brecha para que o público questione algumas de suas ações. E até aquela história manjada de "homem com um passado sinistro que encontrou a paz interior nas coisas simples da vida" é mais instigante que o maniqueísmo que vemos aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mais triste é que, assim como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Dark Prince&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Vlad Tepes&lt;/span&gt; não é um filme tosco. Percebe-se que havia potencial para fazer algo de respeito. A reconstituição de época é bastante autêntica e o fato de as filmagens terem sido feitas na região onde a história se passou também não atrapalha. A edição faz o filme fluir com um bom ritmo (com exceção de algumas transições toscas que, creio eu, decorreram de censura) e as cenas de batalhas são bem dirigidas, realistas e, por vezes, empolgantes - coisa surpreendente para um filme feito na  Romênia comunista de 1979.  Stefan Sileanu está excelente como o protagonista - a interpretação do ator corresponde, pelo menos superficialmente, à imagem que eu tinha do Drácula histórico (ao contrário do Empalador de Rudolf Martin, que parece fantasia de alguma adolescente gótica) e é lamentável que roteiro não confira um mínimo de complexidade ao personagem. E aquele bigodão gigantesco é totalmente &lt;span style="font-style: italic;"&gt;badass&lt;/span&gt;. O resto do elenco não chama a atenção. O problema, contudo, não é com os atores (que fazem o trabalho com profissionalismo), mas com os personagens, que são estereótipos (como se pode inferir do texto, não lembro do nome de nenhum dos companheiros de Drácula e só lembro de figuras como Radu e Catavolinos porque já tinha lido sobre eles): temos "os aristocratas covardes e traiçoeiros", "os burgueses gananciosos", "o braço-direito leal", os "camponeses puros e honestos" e assim por diante. Personagens relevantes à história, como Matthias Corvinus e seu pai, Janos Hunyadi, são ignorados ou entram em cena perfunctoriamente, sem deixar qualquer impressão. Mehmed II,  que poderia ser um vilão brilhante, não tem qualquer traço de personalidade marcante: a única coisa que se sabe é que ele quer dominar o mundo e manda matar os subalternos que não atendem às suas expectativas. Tudo bem, ele era assim mesmo, mas também era um muçulmano bissexual, um mecenas, um entusiasta da cultura  renascentista e um megalomaníaco que queria entrar para a História ao lado de figuras como Alexandre, Júlio César e Aníbal. Dava para transformar o personagem em algo mais que "vilão barbudo de turbante". E, apesar da excelente interpretação de Sileanu,  o roteiro não trata Drácula de forma muito diferente: ele é simplesmente um sujeito fodão de bigode. A única diferença é que ele é "do bem" e "está preocupado com o bem-comum", enquanto seus inimigos "só pensam em acumular bens materiais". Por mais entusiasmo que eu eu tenha por heróis fodões e bigodudos (uma raça em trágica extinção, mas que um dia renascerá; então, ao invés de Keanu Reeves e Tom Cruise, teremos novamente heróis de ação como Franco Nero, Maurizio Merli, Burt Reynolds e Tom Selleck), é um desperdício. Sei que estou batendo na mesma tecla e que minhas críticas não fazem sentido, pois a intenção dos produtores nunca foi fazer um épico histórico, mas usar um personagem histórico para fazer propaganda política. Mesmo assim... porra... Será que não dava para fazer um filme decente e apresentar a abobrinha ideológica de forma um pouco mais sutil? Como em, digamos, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Profecia &lt;/span&gt;(que, segundo certas &lt;a href="http://www.1000misspenthours.com/reviews/reviewsn-z/omen.htm"&gt;teorias&lt;/a&gt;, bastante interessantes, é propaganda anti-católica).  Mesmo com todos os defeitos de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Dark Prince&lt;/span&gt;, sou obrigado a concluir que os ianques ignorantes acabaram fazendo um filme mais fiel à vida de Vlad, o Empalador, do que seus conterrâneos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E... porra, dava para acabar o filme de forma menos broxante do que um letreiro explicando o que aconteceu com o protagonista? Principalmente porque a morte de Drácula é o tipo de negócio mal contado que qualquer escritor com um mínimo de imaginação poderia explorar (como já fizeram em livros como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Children of the Night&lt;/span&gt;, de Dan Simmons, e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Lord of the Vampires&lt;/span&gt;, de Jeanne Kalogridis). Há pelo menos duas versões: segundo a primeira, Drácula teria se disfarçado de turco durante um combate e sido, por um mal-entendido, morto por um de seus homens. A outra versão, mais aceita, é a de que os turcos infiltraram um assassino entre a guarda do príncipe, o qual o assassinou. Qualquer que seja a versão, o fato é que a cabeça de Drácula foi levada a Constatinopla,  para exposição pública em uma estaca, e o corpo decapitado, enterrado no monastério de Snagov. Ambas as versões fedem a lorota, pois 1) Vlad Tepes não era um débil mental e 2) o detector de emboscadas do homem era tremendo. Considerando-se que o século XV não era, precisamente, a era da informação (dificilmente alguém ia comparar minuciosamente a cabeça decepada com o Orkut de Vlad) e que não era muito difícil arranjar uma cabeça romena bigoduda e nariguda (que provavelmente estaria apodrecendo ao chegar em Constantinopla), as possibilidades de teorias conspiratórias mirabolantes são imensas. E o filme reduz tudo isso a um letreiro de 30 segundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seria, então, uma perda de tempo ver o filme? Não. Embora o filme não seja propriamente tosco, a propaganda política descarada é hilária. Eu diria que, como o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Superman IV&lt;/span&gt;, é um filme ideologicamente trash, feito por gente que achava que o público era totalmente idiota e não perceberia as "mensagens" óbvias. E gente que defende o comunismo/marxismo/blábláblá com um misto de convicção inabalável e argumentos de adolescente emputecido porque ficou de castigo é sempre fonte de humor involuntário da melhor qualidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;disclaimer&lt;/span&gt;: antes que algum débil mental... digo, marxista orgulhoso me envie uma mensagem mal redigida, acusando-me de ser um fascista reacionário  ou um burguesinho alienado, adianto que minha orientação política coincide com o que a maioria das pessoas costuma associar à esquerda. A título de exemplo (e tenho certeza que alguns de meus colegas blogueiros vão me sacanear incansavelmente depois de ler isso), votei no Lula duas vezes (e provavelmente votarei no candidato que ele apoiar), acho que o bolsa-família é um programa bem estruturado que só não funciona como devia por causa das administrações municipais, sou defensor da legalização do casamento gay, da regulamentação jurídica da prostituição como profissão legítima, da descriminalização do comércio de entorpecentes, da Lei Maria da Penha e, se fosse americano, provavelmente estaria entre aqueles manés que festejaram a vitória de Barack Obama como se fosse  a segunda vinda de Cristo. Não concordo, contudo, com o sociologismo generalizado da esquerda sobre política criminal (em outras palavras: acho que investir no social pode gerar redução de criminalidade daqui a trinta anos, mas com o que já está podre, acredito que a prática mais sadia é excluir do convívio social e, se possível, do plano material) e odeio a abominação fascista que se convencionou chamar de "politicamente correto". Há, contudo, uma nítida diferença entre ser "progressista" e ser tapado. Eu sei que aquelas baboseiras de Karl Marx fazem sentido quando analisadas dentro do contexto histórico em que foram redigidas, que ainda se pode destilar algo de útil daquele amontoado de baboseiras (nada, porém, que o bom senso não ensine de forma bem menos trabalhosa) e blábláblá, mas que se foda. Usar hipérbole é mais divertido. Aquilo é uma bosta. É o equivalente ideológico a defender que a Terra é quadrada. E se Vlad Tepes estivesse vivo hoje, certamente concordaria comigo. Com a diferença que, ao invés de escrever um blog divagando interminavelmente sobre filmes, ele empalava gente. Reflitam sobre isso, amigos.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6296516219389701823-8076090402276449487?l=monsterwerebritishyouknow.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://monsterwerebritishyouknow.blogspot.com/feeds/8076090402276449487/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://monsterwerebritishyouknow.blogspot.com/2009/07/vlad-tepes-ou-dracula-segundo-marx.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6296516219389701823/posts/default/8076090402276449487'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6296516219389701823/posts/default/8076090402276449487'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://monsterwerebritishyouknow.blogspot.com/2009/07/vlad-tepes-ou-dracula-segundo-marx.html' title='Vlad Tepes (ou &quot;Drácula Segundo Marx&quot;)'/><author><name>Kurt Breichen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11129034358393773414</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sm3V5ffY7YI/AAAAAAAAAXY/2_hYe6Hm6tU/S220/Cool+Guy5.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SmD8bJDCSfI/AAAAAAAAAVQ/AVoxCYjJ7RE/s72-c/V1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6296516219389701823.post-1862376001769043928</id><published>2009-06-21T18:08:00.000-07:00</published><updated>2009-07-23T17:35:56.094-07:00</updated><title type='text'>Terminator Salvation: Você Não Vale Nada, Mas Eu Gosto de Você</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sj7aUVvfqFI/AAAAAAAAASg/0iSwnApf-R0/s1600-h/T1.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5349953450331318354" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 269px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sj7aUVvfqFI/AAAAAAAAASg/0iSwnApf-R0/s400/T1.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Isso mesmo. Pode sacanear. Estou escrevendo um post usando o título de uma música de Dorgival Dantas. Pode ser considerado (e eu considero) bastante imbecil, mas explica perfeitamente minha relação com este filme. Podia ser pior: se eu tivesse escolhido um hino de corno do Amado Batista ou alguma mela-cueca do Alexandre Pires, a pertinência temática seria a mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme, submetido a uma análise mais detida, é uma porcaria. A primeira vez que assisti, minha conclusão foi, basicamente: "as cenas de ação são do caralho (inacreditável que tenham sido dirigidas por um picareta do calibre do tal "McG"), Bryce Dallas Howard e Moon Bloodgood são gostosas, Christian Bale e Sam Worthington são fodões, o Arnoldão CGI e Michael Ironside são totalmente kickass, mas a premissa do roteiro é essencialmente imbecil e a caracterização é quase nula." Enfim, terminei com a sensação de que o filme até que deu pro gasto (principalmente porque minhas expectativas não eram das melhores), mas não o suficiente para ver outra vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, uma série de fatores conspiraram para resultar na minha doentia relação de atração/repulsa por esta "obra". Primeiro, foram as súplicas desesperadas de milhares de fãs deste blog. Com "milhares de fãs", quero dizer, na verdade, o Just Daniel, do &lt;a href="http://bornonmarch29th.blogspot.com/"&gt;Nascido em 29 de Março&lt;/a&gt;, um dos quatro ou cinco bem-aventurados que, creio eu, acompanham este site quando a única alternativa viável de entretenimento é ver tinta secar. Por "súplicas desesperadas", entenda-se que o Danny Boy deixou uma mensagem perguntando se ia ter post sobre o filme e dizendo que estava a fim de debater a série com alguém. Respondi com um comentário sucinto (para meus padrões), não muito diferente do parágrafo anterior, ao que o JD replicou suscitando alguns pontos bastante interessantes. Em seguida vieram os posts do &lt;a href="http://demmentia13.blogspot.com/"&gt;Ronald Perrone&lt;/a&gt; e do &lt;a href="http://filmesparadoidos.blogspot.com/"&gt;Felipe Guerra&lt;/a&gt;. O primeiro apresentou uma visão bem mais positiva do filme que a minha; o segundo apontou buracos ainda mais escabrosos no roteiro do que eu havia percebido. Tudo isso, somado à minha compulsão de sempre ver qualquer filme pelo menos duas vezes (minha opinião definitiva geralmente só se forma assim), acabou me levando a assistir a &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Terminator Salvation&lt;/span&gt; mais uma vez. E para minha surpresa, um estranho fenômeno, até então inédito em meu contato com o cinema, ocorreu: concluí que o filme era uma porcaria ainda mais lastimável do que eu havia pensado da primeira vez e, ao mesmo tempo, percebi que também gostei ainda mais do filme na segunda vez que assisti. E tenho certeza que voltarei a vê-lo. E acabarei comprando o DVD.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Devo esclarecer que não gostei do filme da maneira como gosto, por exemplo, de &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;The Incredible Melting Man&lt;/span&gt;. Gostei genuinamente desta porcaria. Poucas vezes na vida meu intelecto e meus sentidos sofreram tamanho conflito. Como um corno manso que insiste em manter seu "relacionamento" com a maior vadia do bairro, embora esta ataque descaradamente qualquer coisa que tenha um pênis, cheguei à amarga conclusão de que adoro este filme, mesmo reconhecendo que se trata de uma típica porcaria caça-níqueis hollywoodiana. Como explicar tamanha inconsistência? Não sei. Só sei que é para desvendar tal mistério que, cerca de dois meses após praticamente todo mundo já ter visto e esquecido o filme, vou analisá-lo em mais um "texto interminável", como costumam dizer meus milhares de fãs (mais uma vez: "milhares de fãs"="JD e Ronald Perrone, que passam bem longe do conceito convencional de 'fã' " e "costumam dizer"="comentaram uma ou duas vezes").&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme se inicia em 2003, com uma cena onde somos apresentados a Marcus Wright, (Sam Worthington), hóspede do corredor da morte na iminência de descobrir se a injeção letal é mesmo indolor, e a Dra. Serena Kogan (Helena Bonham-Carter), que tenta convencê-lo a assinar um documento permitindo que seu presunto seja usado em pesquisas científicas após sua execução. Marcus, ao contrário da maioria dos inquilinos de sua ala, não está nem um pouco interessado em procrastinar o cumprimento da pena e nem em ter uma "segunda chance" (argumento utilizado pela cientista para persuadí-lo) - o rapaz parece concordar plenamente com a sentença que recebeu. Finalmente, ele acede, em troca de um beijo da obviamente moribunda Dra. Kogan ("Então é esse o gosto da morte", observa o cidadão, após o amasso), e encerra a conversa afirmando, com todo seu &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;joie de vivre&lt;/span&gt;: "Sou culpado. Corte-me até não restar nada." Segue-se a execução do personagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É uma boa sequência de abertura. Em primeiro lugar, deixa o espectador perdido - a cena se passa em 2003, aproximadamente pouco antes ou durante os eventos do T3, mas nenhum dos personagens parece ter qualquer relação com a continuidade da série - até Kogan sair e percebermos que a autorização assinada por Marcus cede seu corpo à Cyberdine Systems. As interpretações são decentes e o personagem de Wright, em particular, é intrigante. Trata-se de um daqueles raros casos em que o ator faz os sentimentos de remorso e repugnância por si mesmo do personagem parecerem genuínos e não uma frescura &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;emo&lt;/span&gt;. O único outro caso recente que me vem à cabeça é o Budd de Michael Madsen em &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Kill Bill&lt;/span&gt;. Contribui para prender a atenção do espectador o fato de nunca ficar claro em que consistiu seu crime - ele apenas alude ao fato de ter provocado a morte de seu irmão e dois policiais. E, é óbvio, o personagem deve ter algum papel relevante na trama - afinal, por que outro motivo começariam o filme com essa sequência?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corta para 2018, quando o holocausto nuclear provocado pelas máquinas já aconteceu e a guerra entre estas e a humanidade (com franca desvantagem para a humanidade) está em andamento. John Connor (que ainda não se tornou o líder previsto nos outros filmes da série, mas é visto por alguns como "um falso profeta" e por outros como um salvador) e uma tropa de soldados da Resistência chegam a uma base da Skynet para obter informações (o que, exatamente, não se sabe) e o pau come: após sua unidade cumprir a missão (descobrindo, de quebra, que há vários humanos aprisionados na base, além do desenvolvimento do projeto do T-800), Connor sobe para verificar por que os colegas que ficaram na superfície não estão respondendo e descobre que estes foram emboscados e massacrados por uma daquelas naves gigantescas da Skynet vistas nos "flashbacks para o futuro" dos filmes anteriores. Connor tenta perseguir a nave num helicóptero, uma explosão imensa se sucede e o helicóptero do herói, para usar uma expressão de &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;South Park&lt;/span&gt;, imita a carreira de David Caruso no cinema, caindo numa cena espetacularmente filmada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sl51XVW0TCI/AAAAAAAAAUA/_No7iJqThAg/s1600-h/T2.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358849650347756578" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 170px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sl51XVW0TCI/AAAAAAAAAUA/_No7iJqThAg/s400/T2.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Após escapar da queda do helicóptero e de um mano-a-mano com um exterminador partido ao meio, mas ainda assim extremamente anti-social (que é resolvida num mano-a-metralhadora, com óbvia vitória de Connor, o portador da metralhadora), Connor vai à base da resistência chefiada por seu superior, General Ashdown (Michael Ironside, &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;badass!&lt;/span&gt;), onde descobre o motivo de toda a operação: a Resistência descobriu um sinal eletrônico que consegue paralisar o funcionamento das máquinas, dando aos humanos a carta na manga que precisavam para vencer a guerra. Tal sinal, explica Ashdown, estava na base de dados invadida pelos soldados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, no local da operação, um sobrevivente emerge do subterrâneo, coberto de lama e puto da vida: Marcus Wright, o extremo oposto do Drácula de Leslie Nielsen - ele está inexplicavelmente vivo e nem um pouco feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sl51irphikI/AAAAAAAAAUI/ozt84HMcGgI/s1600-h/T3.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358849845310360130" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 180px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sl51irphikI/AAAAAAAAAUI/ozt84HMcGgI/s400/T3.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Enquanto Connor vai testar a nova arma, Marcus vaga sem rumo, tentando descobrir que porra aconteceu com o mundo e como ele foi parar na peculiar posição de condenado à morte que cumpriu a pena e continuou vivo. Chegando a uma Los Angeles deserta e em ruínas, o atormentado mancebo se depara com um vulto. Ao chamá-lo, pensando se tratar de um humano, Wright descobre, da maneira mais desaconchegante possível (qual seja, escapando de uma saraivada de balaços de grosso calibre), que se trata de um T-600 , sendo salvo da situação desagradável graças à engenhosa mente de um pirralho que acaba dando cabo do exterminador: o adolescente Kyle Reese, interpretado por Anton Yelchin, que, no primeiro filme da série, acabará sendo enviado ao passado por Connor e se tornando pai deste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui, temos mais um ponto em favor do filme: minha primeira reação ao ver Yelchin interpretando o personagem foi "Puta merda, ele parece demais com o Michael Biehn!" Quer dizer, não parece muito, mas as expressões, o timbre de voz e os maneirismos do ator tornam bastante crível que, dez anos mais tarde, ele se tornará o personagem interpretado por Biehn no primeiro filme - sua primeira frase ("Come with me if you want to live", a mesma de Reese no primeiro Terminator) é interpretada com perfeição e provoca exatamente a sensação que, acredito, o diretor visava - imediata identificação do personagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sl51vwjdDaI/AAAAAAAAAUQ/Ci0YbArAbu8/s1600-h/T4.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358850069965376930" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 180px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sl51vwjdDaI/AAAAAAAAAUQ/Ci0YbArAbu8/s400/T4.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Por outro lado, temos também aqui um ponto negativo: a quase inútil coleguinha muda de Reese, Star, uma pirralha de (acho) cinco ou seis anos que não faz muita coisa ma história e nos deixa com a nítida sensação de que colocaram a personagem no filme só para agradar ao "público infanto-juvenil". Ou aos adultos babões que não podem ver uma criança que se derretem. Eu gosto de crianças, não tenho nada contra crianças em filmes (desde que em um contexto que faça sentido), mas essas baboseiras sempre me irritam. Não é nada demais, não prejudica muito o filme, mas me enche o saco. Pra que colocar um personagem infantil "fofinho" onde não tem cabimento? Aposto que o roteirista que concebeu a personagem, se indagado, regurgitaria alguma embromação sobre como seu propósito é mostrar a verdadeira dimensão humana do horror que foi o holocausto nuclear, reduzindo até mesmo crianças a um estado animalesco, onde só a sobrevivência importa, mas tal roteirista que vá fazer amor com sua genitora. Fora o fato de não falar, Star é uma criança bonitinha, aparentemente bastante sadia (nem a pau ela estaria desse jeito num mundo pós-nuclear e se alimentando de "coiote de dois dias") e psicologicamente sã. Talvez um pouco tímida, mas nada fora do normal para uma criança de sua idade. É óbvio que a verdadeira intenção de quem criou a personagem foi que todo mundo no cinema exclamasse "Aahhh... que tosinha más fofa!" quando ela entrasse em cena e que todo espectador com idade de um dígito se identificasse com ela. Quanto ao primeiro grupo, o efeito, comigo pelo menos, não funcionou. Não sei quanto ao segundo, mas eu já pertenci a ele e, na minha época, também não funcionava. Vão pra porra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sl515WJJG3I/AAAAAAAAAUY/E1Vvsp285Dw/s1600-h/T5.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358850234674387826" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 279px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 324px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sl515WJJG3I/AAAAAAAAAUY/E1Vvsp285Dw/s400/T5.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Através de Reese, Marcus toma conhecimento do que aconteceu com o mundo, da Skynet, da Resistência e de John Connor, que volta e meia transmite mensagens de rádio para dar apoio moral aos membros da Resistência. Aqui, à semelhança do &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Alien&lt;/span&gt; de Ridley Scott, o roteiro não entra em detalhes, mas sugere várias possibilidades interessantes sobre o mundo pós-apocalíptico em que se passa a história. Fica implícito, por exemplo, que a Resistência não é uma força militar bem coordenada, mas, basicamente, uma organização descentralizada de células de guerrilheiros que operam de forma mais ou menos autônoma, colaborando para a consecução do mesmo objetivo - ao contrário das máquinas, que seguem rigidamente um comando central (a Skynet). Isso fica óbvio quando Reese afirma, sem nenhuma ironia, que ele e Star são a "unidade da Resistência em Los Angeles" e nos discursos de Connor pelo rádio (que sempre mencionam algo na linha de "se está ouvindo isso, você é parte da Resistência"). Trata-se de um universo bastante plausível - lembra, por exemplo, as táticas usadas pelos comunistas (com sucesso) em Cuba, no Vietnã e (sem nenhum sucesso, o que eu não lamento) na América do Sul. Em ambos os casos, um confronto tradicional resultaria, sem sombra de dúvida, no massacre do lado mais fraco (os humanos, no caso do filme), de modo que a tática utilizada por este, embora pareça um improviso caótico, é, em última análise, a mais eficiente possível, dadas as circunstâncias. E, como dito, o roteiro não entra em detalhes - como o funcionamento do comércio intergaláctico e a interação com habitantes de outros planetas em &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Alien&lt;/span&gt;, todos esses aspectos sobre a organização da Resistência ficam nas entrelinhas. É aqui, contudo, que qualquer vestígio de sofisticação ou profundidade do roteiro acaba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcus decide colocar um carro para funcionar e cair fora de Los Angeles, que apresenta condições de sobrevivência pouco animadoras. Reese quer ir para o Leste; Marcus para o Norte, para "encontrar alguém" (obviamente, a Dra. Kogan, que poderia explicar que diabos aconteceu com ele), idéia fortemente contrariada por seu novo amiguinho - um dos centros de controle da Skynet fica ao norte, em São Francisco. Em meio ao bate-boca, temos uma cena que consegue ser, simultaneamente, excelente e completamente retardada: quando Marcus finalmente consegue ligar o carro, o &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;cd player&lt;/span&gt;, toca-fitas ou seja lá qual for o aparelho de som deste liga automaticamente e começa a tocar &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Rooster&lt;/span&gt;, do Alice in Chains. Wright fica em silêncio, ouvindo a música por alguns instantes. "O que é isso?", indaga Reese; "Algo que meu irmão costumava ouvir", responde Marcus, antes de desligar a música. O excelente? A música combina perfeitamente com a situação de Wright e seu tom melancólico, associado à expressão de pesar do personagem ao lembrar do irmão (o qual, mais uma fez, consegue evocar remorso e culpa com poucas palavras e sem parecer um mané &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;emo&lt;/span&gt;), torna a cena genuinamente tocante, sem ser melosa ou forçada - lembre-se que o crime que levou Marcus ao corredor da morte provocou a morte de seu irmão. A idiotice? "O que é isso?" Tudo bem que Kyle é um adolescente, cresceu num mundo devastado pela guerra, mas... puta que o pariu, aí também, como diria o Shakespeare cearense, Falcão, não tem cu que aguente. O moleque não sabe o que é música? Nunca topou com um cd player que funcionava antes? Ninguém jamais cantou uma música pra ele? Nem quando ele era criança? Parece aquelas propagandas ecológicas ridículas que mostram algo como uma criança no futuro, visitando um museu e vendo uma árvore pela primeira vez. "O que é aquilo, vovô?". "É uma árvore, meu filho. Antes, o mundo era cheio delas, até que o homem, em sua infinita insensatez, permitiu que a poluição acabasse com todas." É o tipo de diálogo que não ficaria deslocado numa pérola trash como o &lt;a href="http://www.bocadoinferno.com/romepeige/artigos/guerreiros.html"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;The New Barbarians&lt;/span&gt;&lt;/a&gt; de Castellari ("Eles acreditam em algo chamado... Deus!"). Com a diferença que Fred Williamson consegue fazer até uma abobrinha dessa categoria ficar &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;cool.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O debate dos personagens sobre o roteiro de viagem se encerra abruptamente com a chegada de um "não-sei-o-que Terminator" (confesso que não lembro exatamente da nomenclatura do modelo, mas é basicamente uma nave em miniatura), que leva nossos heróis a bravamente baterem em retirada e a mais uma cena de perseguição que termina quando Marcus, mostrando ser um homem que não gosta de ficar de frescura, derruba a máquina com o lançamento de uma chave-de-roda. Felizmente, a Skynet, como Hollywood e as novelas da Globo, abraça a diversidade, empregando tanto centenas de máquinas praticamente indestrutíveis do porte do Arnoldão quanto alguns poucos discos voadores nanicos e de inteligência artifical questionável, que não conseguem evitar colisão com um "projétil" facilmente contornável por qualquer passarinho ou até mesmo urubu, por mais bem-alimentado que estivesse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcus, Kyle e Star acabam topando com um refúgio de humanos (que nos leva a outro momento de reflexão: esse pessoal não está saudável demais para quem sobreviveu a um "holocausto nuclear"?) que, por sua vez, é atacado por uma máquina gigante totalmente fodástica, resultando em um tremendo pandemônio e em mais uma cena de ação empolgante, envolvendo a tentativa (fracassada) dos heróis de explodir o colosso com um caminhão de combustível; uma fuga de exterminadores-motocicletas (não, não é assim que eles são chamados no filme, mas eu não vou ficar memorizando bobagens como a "classificação" de cada tipo de Terminator e vocês não podem me obrigar) que saem do monstrolão, a bordo de um guindaste; a queda de personagens de uma ponte, a captura de Kyle e Star pelo Terminator gigante, que se converte ou entra (até agora não sei direito) em em uma daquelas naves gigantescas (mais uma vez, não vou ficar decorando o nome dessas porras: elas voam, são grandes pra cacete e soltam bombas - vocês sabem do que estou falando); a intervenção de Connor e a força aérea da Resistência, que não ajuda muito a situação; e, finalmente, a queda de Marcus num rio, redefinindo a expressão "cair de mau jeito".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sl52J-Zz9GI/AAAAAAAAAUg/EzCu6T4Sx34/s1600-h/T6.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358850520359629922" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 180px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sl52J-Zz9GI/AAAAAAAAAUg/EzCu6T4Sx34/s400/T6.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sl52N3YnYOI/AAAAAAAAAUo/tSc6CZBFxas/s1600-h/T7.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358850587195039970" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 180px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sl52N3YnYOI/AAAAAAAAAUo/tSc6CZBFxas/s400/T7.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sl52S8a0O0I/AAAAAAAAAUw/gttrDIcEgXk/s1600-h/T8.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358850674445794114" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 180px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sl52S8a0O0I/AAAAAAAAAUw/gttrDIcEgXk/s400/T8.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Finda a diversão, Marcus sai do rio e acaba encontrando Blair Williams, interpretada por Moon Bloodgood (se esse não for um nome artístico, aposto um olho que os pais da moça eram um casal de hippies que conceberam o nome após uma vigorosa sessão de consumo de cogumelos de legalidade controvertida), uma delícia anglo-coreana que devia ser garota-propaganda das virtuosas repercussões sociais da miscigenação. Lamentavelmente, o escroto mentiroso do McG, apesar de toda sua conversa mole sobre como o filme seria R-rated e Moon mostraria dois de seus fantásticos talentos, acabou cedendo, o filme levou a classificação PG-13 e a moça passa o filme todo vestida. Felizmente, a roupa é bastante justa, o que já é algum consolo - Bryce Dallas Howard, por outro lado, passa o filme inteiro usando o tipo de roupa que certos círculos da &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;a href="http://www.thebestpageintheuniverse.net/c.cgi?u=fashion"&gt;haute couture&lt;/a&gt; &lt;/span&gt;batizaram de &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;tit curtains&lt;/span&gt;, me levando a ponderar se a moça estava grávida durante as filmagens ou coisa parecida. E há sempre a possibilidade de sair um &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;director's cut&lt;/span&gt; com Moon Bloodgood (e talvez até Bryce, porque, como diria Paulo Coelho, sonhar é preciso) mostrando o que realmente mantém o moral da Resistência em alta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A beldade faz parte da resistência e escapou da queda de um dos caças utilizado por Connor e sua turma para barbarizar as máquinas. Após ajudá-la a se desenroscar do pára-quedas, Marcus resolve seguir com a moça atrás de Connor - apesar de Blair afirmar que o pessoal que foi levado pelas máquinas pode ser praticamente dado como morto, o rapaz acredita que o aspirante a líder da Resistência pode&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;/span&gt; ajudá-lo a resgatar Kyle e a pirralha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois seguem viagem, são atacados por um bando de maloqueiros que tentam estuprar a moça (sendo frustrados em seu propósito por uma violenta e admirável surra aplicada por Marcus) e...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom... para quem não viu o filme ainda, vem &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;spoilers&lt;/span&gt; por aí. Muitos. Avisei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A base da Resistência onde Connor e sua turma estão entocados é protegida por um campo de "minas magnéticas" (que, em tese, só explodiriam caso a área fosse invadida por máquinas). Wright, contudo, acaba atraindo uma delas e provocando sua explosão, conduzindo à reviravolta do filme:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sl52uDJlAZI/AAAAAAAAAU4/Vld7qmxGgd8/s1600-h/t9.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358851140109009298" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 180px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sl52uDJlAZI/AAAAAAAAAU4/Vld7qmxGgd8/s400/t9.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Pois é. Marcus é uma máquina. Um cyborg, tecnicamente, já que ele combina órgãos humanos (como um coração turbinado) com componentes mecânicos, além de um "córtex híbrido", parte humano, parte "chip interface", segundo a descrição de Kate Connor (Bryce). Resumindo: o infeliz é um robô que não sabe que é robô. Não obstante as alegações de incompreensão do rapaz, a recepção de Connor não é das mais calorosas, conforme se pode inferir da foto acima: Marcus é acorrentado e acusado pelo herói de ter sido enviado para matá-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei do público em geral, mas eu não achei essa revelação tão surpreendente assim. Afinal, o filme começa com o personagem concordando em doar seu corpo para a empresa que vai acabar criando a Skynet e sendo executado. Quinze anos depois, quando as máquinas estão em guerra com a humanidade, o rapaz ressuscita inexplicavelmente (saindo de uma base da Skynet, diga-se de passagem) e passa cerca de quarenta minutos aguentando baculejos que deixariam qualquer ser humano normal em pedaços (o mais inacreditável é a queda de Wright no rio). Além de tudo isso, há a cena em que ele cobre de porrada os orebas que tentavam estuprar Blair: em um momento que faz parece que McG estava morrendo de rir atrás da câmera, pensando "hihihihihihi... O pessoal nem vai se ligar!", Wright leva um soco na cara que derrubaria qualquer um e reage apenas virando o rosto para o lado e, em seguida, voltando-se novamente para o agressor, sem esboçar qualquer incômodo, e tratando de cobrí-lo de pancadas. A cena é idêntica a várias similares vividas pelo exterminador interpretado pelo Governator nos três primeiros filmes e, para mim, deixa bem óbvio o que a Cyberdine tinha feito com o cadáver de Marcus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda assim, o momento de "revelação" é muito bem executado. Tanto Bale quanto Worthington estão excelentes, interpretando com intensidade plausível a reação dos personagens à situação: o primeiro deixando evidente o ódio que sente pelas máquinas e a indignação com a criatura que julga ter sido enviada para matá-lo e com a Skynet em geral; o segundo, demonstrando, primeiro, incredulidade; depois, desespero diante de sua atual condição; e, por fim, revolta com a acusação. O confronto chega a um impasse quando Marcus, ao ser acusado de ter "matado meu pai, Kyle Reese", afirma que, se quisesse, o teria feito há dois dias, em LA, e aduz que Reese está sendo levado para uma base da Skynet.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: center"&gt;&lt;div style="TEXT-ALIGN: justify"&gt;Enquanto Connor entra em conflito, remoendo-se de dúvidas sobre a possibilidade de Marcus estar falando a verdade ("Eu olhei nos olhos daquela coisa e ela acredita em tudo que está dizendo", afirma ele a sua esposa, enquanto eu me pergunto se teria sido este o momento em que o diretor de fotografia resolveu, imprudentemente, ficar mexendo na iluminação, ensejando o célebre e hilariante &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=ssoZzNmD0I8"&gt;faniquito&lt;/a&gt; de Bale no set). Blair, por seu turno, convencida de que Marcus é um cara legal (fazendo-me repreender mentalmente o personagem por não ter aproveitado seu momento "heróico" para dar uns pegas na agradecida beldade), decide sacanear e libertar o prisioneiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma cena de ação repleta de balaços e explosões é desencadeada. O conflito se encerra com Wright e Connor chegando a um trégua relutante: o primeiro, a fim de descobrir e se vingar de quem o transformou no que é (não sei vocês, mas se eu acordasse de manhã e descobrisse que ganhei superforça e fiquei praticamente invulnerável, a última coisa que ocuparia minha mente seria desejo de vingança contra quem fez essa "maldade" comigo; por outro lado, eu, ao contrário do personagem, não provoquei a morte de meu irmão nem estou ansioso para ser punido por meus pecados, de modo que minha perspectiva talvez não seja a mais adequada para julgá-lo), se compromete a chegar à base da Skynet em San Francisco e viabilizar a entrada do segundo no local, para que este possa resgatar Kyle. É lá onde ocorrerá o clímax do filme, com mais uma fodástica sequência de ação que inclui a revelação do verdadeiro "plano da Skynet" (a suprema imbecilidade do roteiro, que tratarei mais adiante), uma participação especial do T-800, encarnado por um dublê com rosto CGI do Schwarzenneger, um quebra-pau entre este, Connor e Marcus e o trágico final de Marcus, que resolve se sacrificar para salvar o futuro líder da Resistência e, assim, encontra a redenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bom, parafraseando a Tiazinha, "a vida é muito difícil porque tem muitas dificuldades", mas vamos lá. Em primeiro lugar, as sequências de ação do filme são, para minha incredulidade, realmente espetaculares e extremamente bem dirigidas. A primeira coisa que pensei quando soube que o tal McG dirigiria o filme foi "lá vem merda". Bom, na verdade, a primeira coisa que pensei foi o que sempre penso quando escuto ou leio o "nome de guerra" do diretor: "Que porra de nome retardado é esse? Quem esse imbecil pensa que é? Cantor de hip-hop? Você é um adulto, sua besta quadrada! Deixe de ser mané e se chame de Joseph McGinty, como seus pais queriam. Pare de se portar como um adolescente debilóide que se acha o máximo porque inventou um apelido ridículo e quer que todo mundo passe a usá-lo. Ou como um apresentador brasileiro xarope, mas inexplicavelmente popular, que insiste em ser chamado de 'Faustão' só porque não consegue se livrar da obesidade. Por que você não morre? MORRA, PORRA, MORRA! AHHHHHHHHHHH" Mas a segunda coisa que pensei foi "lá vem merda". É comum colocarem o McG na mesma categoria de gente como Brett Ratner, Francis Lawrence ou Marcus Nispel: aquele tipo de diretor bovino, submisso e sem personalidade que os estúdios chamam quando querem alguém para dirigir, sem dar trabalho nem manifestar "frescura de artista", um blockbuster concebido por comitê para vender brinquedos e atrair adolescentes ou render dinheiro fácil em cima da popularidade do astro ou de personagens já famosos (e.g., &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;X-Men 3&lt;/span&gt;, &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Dragão Vermelho, Eu Sou a Lenda &lt;/span&gt;e as "reimaginações" de &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Sexta-Feira 13 e O Massacre da Serra Elétrica&lt;/span&gt;).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sou uma dessas pessoas. Sempre achei que McG era um diretor muito pior do que os outros mencionados e ainda mais cínico e picareta. Independentemente dos defeitos dos demais (tais como falta de qualquer nota autoral em seus trabalhos, preponderância de estilo sobre substância, submissão fácil a qualquer imposição de executivos que não sabem porra nenhum sobre cinema), é inegável que seus filmes, pelo menos, são dirigidos com um mínimo de profissionalismo. Digo mais: contrariando o que parece ser um consenso, acho o &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Dragão Vermelho&lt;/span&gt; de Ratner excelente e o considero uma adaptação da obra de Thomas Harris quase tão boa quanto o &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Manhunter&lt;/span&gt; de Michael Mann (já achei até superior, mas, depois de rever &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Manhunter&lt;/span&gt; recentemente e fazer uma comparação, mudei de opinião). Já o McG, para mim, sempre foi a epítome de tudo que eu mais detesto em videoclipeiros (sendo superado apenas pela outra abominação de um nome só, Pitof) e, até ver este filme, eu achava até generosidade chamá-lo de "diretor". Era o tipo de sujeito cujos filmes não tem graça nem como diversão trash: em minha opinião, eles são simplesmente desinteressantes, medíocres e só tem apelo para quem nunca teve oportunidade de ver um filme realmente bom. O sucesso de suas duas asneiras inspiradas pelo seriado "As Panteras" sempre foi um enigma para mim: nunca achei que aquelas porcarias funcionassem nem como filme de ação, nem como paródiasde filme de ação, nem como paródia da série de TV, e suas únicas virtudes são as protagonistas gostosas - e se eu quiser ver filme só por causa de mulher gostosa, vou ver um pornô dos anos 70, onde pelo menos elas tiram a roupa. É o tipo de injustiça que sempre me emputeceu: caras como William Friedkin, John Milius e Michael Cimino estão praticamente no limbo hollywoodiano (apesar de Milius ter escrito para a HBO o que considero a melhor série de TV de todos os tempos, &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Roma&lt;/span&gt;), Enzo Castellari, Michele Soavi e Sergio Martino estão virtualmente aposentados ou dirigindo bobagens para a TV italiana e um jacu como o McG continua dirigindo filmes com orçamentos milionários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por tudo isso, fiquei estarrecido com a competência do indivíduo na direção do filme. Todas as vezes que descrevi alguma cena de ação de &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Terminator: Salvation&lt;/span&gt; como "espetacular", "fodástica" ou análogos, o fiz sem nenhuma ironia: o homem demonstra uma habilidade inédita na condução das cenas de ação, que são todas (por mais implausíveis) completamente convincentes, despidas de qualquer dos tiques de videoclipeiro que infestam o cinema de ação atual e provocam uma imersão completa do espectador. Nada de câmera tremendo, dez cortes por segundo ou floreios estilísticos retardados e sem propósito que impedem o espectador de entender o que está se passando (a título de exemplo, veja &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Quantum of Solace&lt;/span&gt;). A fuga de Reese, Marcus e Star no reboque, por exemplo, me fez lembrar cenas de perseguição prolongadas e espetaculares de filmes como &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Operação França&lt;/span&gt; e &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Viver e Morrer em LA&lt;/span&gt;, de Friedkin, &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Os Implacáveis&lt;/span&gt;, de Peckinpah e &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;La Polizia Incrimina, La Legge Assolve&lt;/span&gt; de Castellari. Não me entendam mal: não estou comparando T4 a nenhum desses filmes. As cenas de ação, entretanto, têm o mesmo espírito: embora auxiliadas por uma caralhada de efeitos digitais, nenhuma das sequências pauleira de &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Terminator: Salvation &lt;/span&gt;vai deixar você pensando coisas como "porra, é óbvio que isso foi um efeito especial" , "peraí, que aconteceu aqui mesmo?", "cara, esse negócio já rendeu o que tinha que render" ou "Puta que o pariu, eu não estou conseguindo entender nada!" Lembram, enfim, os bons filmes de ação das décadas de 70 e 80, onde os diretores não achavam necessário ficar sacudindo a câmera ou cortando para outro ângulo a cada dez segundos para deixar manter a atenção do público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As interpretações, na medida do possível, são igualmente eficientes. Pelo menos as de Bale, Worthington e Yelchin. Como já falei, Anton Yelchin faz uma emulação perfeita do personagem interpretado por Michael Biehn no primeiro filme da série. Os outros dois atores foram, em geral, esculachados pela "crítica profissional de cinema", mas, como Tolstoy já escreveu, "a 'crítica profissional de cinema' pode ir para a morada da genitália masculina".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O problema não são as interpretações, mas ao roteiro que investe pouco em caracterizações. E nem isso considero grande defeito, dentro dos padrões em que se enquadra o filme: trata-se de um blockbuster de ação. A trama e as situações não deixam margem para que os atores façam muito além do necessário. Não se pode dizer, por exemplo, que seja uma "má caracterização" o fato de Connor não sofrer conflitos com a necessidade de enviar o próprio pai ao passado, sabendo que isso vai provocar a morte do genitor - ele só encontra Kyle Reese no final do filme, de modo que não há, propriamente, uma relação entre os dois na história. A crítica de que Bale passa a maior parte do filme falando grosso, gritando e basicamente parecendo puto da vida é vazia: de que outra maneira seu personagem deveria se comportar? Ele está no meio de uma guerra e de um lado que está em imensa desvantagem. Seria meio ridículo que o personagem parasse para ter momentos de ternura ou refletir sobre as complexidades da existência. Alguém, sinceramente, achou que os momentos de "interesse humano" de Neo, Trinity, Morpheus e Link acrescentaram alguma coisa a &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;The Matrix Reloaded&lt;/span&gt;, além de minutos de duração? O mesmo se pode dizer do personagem interpretado por Sam Worthington. O ator contribui com o necessário: ele tem uma presença forte, convence como um sujeito que está confuso e amargurado a maior parte do tempo e seu momento de altruísmo no final do filme é totalmente coerente com as motivações do personagem. Mais uma vez, não é nada fantástico, mas atende ao propósito do filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde, então, está o problema? No roteiro. A trama, quando analisada com mais cuidado, é profundamente imbecil em vários níveis. É inacreditável que tantos roteiristas tenham "polido" o texto e ninguém tenha percebido isso. E cada análise deixa mais um buraco evidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em primeiro lugar, vamos ao "grande plano da Skynet": ressuscitar Marcus Wright como um robô que não sabe que é robô, para que o dito cujo a) encontre Kyle Reese, para que este acabe sendo capturado; b) se infiltre na Resistência e encontre John Connor; c) convença John Connor de que não tem a intenção de matá-lo, que Kyle Reese foi capturado e está correndo risco de vida; e d) invada uma das bases da Skynet, permitindo a entrada de Connor, a pretexto de salvar Kyle, para que este possa ser emboscado e morto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo isso acontece no filme. O problema é que tudo acontece como fruto do acaso. Como Marcus encontra Kyle? Por acaso. Como ele conhece Blair e acaba descobrindo o esconderijo de Connor? Sorte. Ele convence Connor de toda a história? Sim. Era previsível que isso acontecesse? Nem fodendo. Wright só não vira sucata porque Blair tem um fraco por ele, o que também não era previsível. Querer convencer o espectador de que tudo faz parte de um plano minuciosamente arquitato pelo maligno vilão cibernético é mais ou menos como eu querer convencer alguém de eu determino quando vai chover e quando não vai, apontando como prova o fato de que, toda vez que chove, eu encho a boca para dizer "eu sabia que ia chover".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em segundo lugar, vamos ao papel de Kyle Reese. Tenho que, preliminarmente, fazer uma observação já feita pelo Felipe Guerra: o filme se passa em 2018; o primeiro Exterminador (bem como Reese) foram enviados ao passado em 2029. Sendo assim, como caralho a Skynet sabe que Reese vai se tornar pai de Connor? Ela é onisciente? Consegue ver o passado e o futuro? É a única explicação. Caso contrário, por que Connor arriscaria a vida para salvá-lo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo bem, esqueçamos esse detalhe por um instante e abordemos outra idiotice: já que a Skynet sabe que Reese é o futuro pai de John Connor, por que, ao capturá-lo, não o mata logo? Pela lógica, isso não impediria o nascimento de Connor, tornando desnecessária toda a emboscada, já que a existência do personagem seria simplesmente anulada? Suscitei esse ponto ao falar sobre o filme com o Just Daniel, que rebateu com os seguintes argumentos: "Cara, mas eu acho que isso tem até uma explicação coerente e simples: Quem garante que John Connor não vai nascer apenas pq Kyle Reese não será o pai da criança? Uma das coisas que o Cameron criou até meio q sem querer foi as "intervenções temporais" que ocorre na série. O destino da história é mudado conforme quem é mandado ao passado (Ou no caso desse filme, no futuro) E acho isso uma das coisas mais fascinantes do filme! Se vc pensar bem, por mais louco que seja para o cérebro assimilar, todos os filmes depois do primeiro, podem ser considerados uma espécie de "prequel" para o primeiro filme! Vamos finalmente descobrir como foi o relacionamento entre John e Reese, contado no primeiro filme! Outra coisa bizarra que vc precisa pensar sobre o esquema-Reese-Connor: O primeiro terminator mandado para o passado em 84 foi mandado para matar o JÁ existente John Connor, independente da resistância humana ter mandado o Reese ou não. Ou seja, Connor já existia. Aconteceu a "intervensão do tempo" com Reese sendo o pai, mas ele teria nascido de qualquer forma." A explicação faz sentido, mas tenho um contra-argumento bem mais singelo: "Seguro morreu de velho." A Skynet podia muito bem matar logo Reese, só por precaução, &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;sem que Connor tomasse conhecimento disso&lt;/span&gt; (e como ele poderia saber se Reese está ou não vivo antes de cair na cilada?). Era ganhar ou ganhar: ou a existência do herói era anulada e o problema estava resolvido, ou ele continuaria existindo por algum outro motivo e cairia na emboscada. Seja como for, um fato é incontestável: não havia qualquer motivo minimamente razoável para manter Kyle Reese vivo. Quanto ao fato de um John Connor já existente ter enviado Kyle Reese para o passado no primeiro filme (significando que, de uma maneira ou outra, ele teria nascido)... bom para falar sobre isso, vou ter que falar sobre a série como um todo, e na verdade foi isso que realmente me fez decidir (após ler o &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;post&lt;/span&gt; do JD) a publicar um post sobre o filme, ao invés de simplesmente responder à mensagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tenho que confessar um coisa quase tão bisonha quanto minha afeição por este filme: eu gosto mais do &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Terminator 3&lt;/span&gt; do que do segundo, mesmo achando o segundo melhor. Deve ser difícil assimilar (na verdade, imagino que quem ler isso vai questionar meu nível de inteligência, não necessariamente com tanta diplomacia), mas minha justificativa é que acho o terceiro mais fiel ao espírito do &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Teminator&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;original (que considero o melhor da série) que o &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Judgment Day&lt;/span&gt;. O que conduz a uma assertiva das mais contraditórias (pois é, eu sou um homem extremamente complexo): embora, basicamente, eu goste de todos os filmes da série (até mesmo desta bomba), minha opinião é que a melhor continuação para o primeiro &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Terminator&lt;/span&gt; seria nenhuma continuação. O final do primeiro filme, para mim, conclui da história de maneira perfeita e qualquer continuação seria contraditória (como foi o caso do &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;T2&lt;/span&gt;) ou desnecessária (como as outras duas). Por que?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque, apesar de toda a conversa sobre "não há destino além do que fazemos", a idéia que se pode tirar do primeiro filme é que, naquele universo, o futuro está, sim, escrito, e que qualquer tentativa de mudá-lo é inócua. A Skynet envia um Exterminador para dar cabo de Sarah Connor antes que esta tenha a chance de ter o filho; Connor envie Reese para protegê-la. Dois são os resultados: 1) Sarah, inicialmente uma garçonete cabeça-de-vento, desenvolve a personalidade forte e a obsessão militarista que vai ser crucial para a formação do futuro líder da humanidade; 2) Reese acaba partindo para o oba-oba com Sarah, resultando na concepção de Connor. Em resumo: a tentativa da Skynet em evitar o nascimento de Connor acaba &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;provocando&lt;/span&gt; a existência deste. A cena final do filme encerra a história com uma elegância ímpar: "There's a storm coming." "I know." Sarah sabe que o holocausto nuclear está por vir e que este é inevitável; resta-lhe apenas proteger a si mesma e cuidar da criação do filho, garantindo o futuro da humanidade. Fim. E o filme tinha aquele tom fatalista muito comum no cinema sci-fi e policial da década de 70 (que chamei de "clima de &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;shit happens&lt;/span&gt;" ao falar sobre &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;The Incredible Melting Man&lt;/span&gt;) que sempre me pareceu mais fiel à realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Considero o &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Terminator 2&lt;/span&gt;, devo adiantar, um dos melhores filmes de ação/ficção científica de todos os tempos. O roteiro é excelente, as interpretações são ótimas e os efeitos especiais, pioneiros à época, ainda hoje impressionam. A relação entre o John Connor adolescente e o exterminador "bonzinho" do Arnoldão (que poderia ser um troço pra lá de piegas) é totalmente envolvente, equilibrando drama e humor com maestria e sendo, ao final, geuinamente comovente, até para um puto insensível como eu; Sarah Connor é uma das heroínas mais fodonas do cinema (aquela, ao contrário das "panteras" do McG, me convence de que consegue arrombar um macho na porrada); o vilão é igualmente &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;badass&lt;/span&gt; e não deixa o espectador incrédulo quando está batendo a poeira do Schwarzenegger; e as cenas de ação, como era típico nos filmes de Cameron, são todas fantásticas. Como o primeiro filme da série, é um espécime raríssimo hoje em dia - o &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;blockbuster&lt;/span&gt; de ação inteligente, mesclando cenas de ação espetaculares e boas caracterizações sem jamais perder o ritmo ou insultar a inteligência do espectador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas... entre um e outro filme, Cameron envelheceu. E a tendência da maioria das pessoas (gente como eu e o augusto &lt;a href="http://renzomora.wordpress.com/"&gt;Renzo Mora&lt;/a&gt; sendo óbvias exceções), à medida em que envelhece, é amolecer, especialmente quando são bem sucedidas. Mesmo quando a pessoa em questão é um notório &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;control freak&lt;/span&gt; e escroto sádico, porém extremamente talentoso, como o Cameron. Não se pode dizer que T2 seja um filme para pessoas com sensibilidades delicadas, mas é inegável que é um filme feito por alguém mais sensível do que quem dirigiu &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;The Terminator.&lt;/span&gt; Via de conseqüência, a atmosfera pessimista (embora extremamente coerente) do primeiro filme é substituída por uma visão mais Disney (repito: em comparação ao primeiro filme), com um final feliz incluindo até narração que pode ser sintetizada como "ainda há esperança para a humanidade". Então, eu admito que o filme é excelente, mas esse "estado de espírito" completamente antagônico ao antecessor sempre me incomodou e me deixou com a sensação de que o sentimentalismo falou mais alto do que a consistência para o "King of the World". Não é nada demais, não é coisa tão braba quanto o melô de &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Titanic&lt;/span&gt;, pode até ser considerado frescura minha, mas me incomoda. E convenhamos, a história é, essencialmente, um repeteco do primeiro filme, mas anabolizada, com efeitos especiais muito melhores e um tom mais light. De qualquer maneira, com aquele final, a história estava, definitivamente encerrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que nos leva ao terceiro filme. E, antes de mais nada, essa história de que Mostow é um picareta capacho de executivo e que o filme foi idéia de um bando de idiotas que só queriam ganhar dinheiro fácil é bobagem. O filme seria feito de qualquer jeito e, se não fosse o sucesso de &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Titanic&lt;/span&gt; (e a subseqüente desnecessidade de trabalhar), Cameron seria o diretor. O roteiro talvez até tivesse algumas babaquices a menos, mas a história, creio eu, não seria muito diferente. Quando se tem em vista que o roteiro foi escrito por Michael Ferris e John Brancato (autores de preciosidades como &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Catwoman &lt;/span&gt;e &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;The Net&lt;/span&gt;), a qualidade do texto se torna até surpreendente. A mesma generosidade não se conceder ao T4, que, apesar de inicialmente escrito pela dupla dinâmica supracitada, foi recauchutado por uma porrada de roteiristas, inclusive o celebrado Paul Haggis e Jonathan Nolan, co-autor de &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;The Dark Knight&lt;/span&gt;, e continuou sendo podre. Mas, enfim, como eu disse ao falar to T1, qualquer sequência seria contraditória ou redundante. E neste último caso que se enquadra o T3. Gosto mais deste do que do segundo porque ele é bem menos sentimental, tem mais a ver com o espírito do primeiro (eu gosto especialmente da maneira como John Connor é retratado no início do filme - agora que o futuro e seu destino heróico foram, presume-se, anulados, o personagem se torna basicamente um mané fracassado), o Exterminador bonzinho não é tão bonzinho assim (só programado para não fazer mal a certos humanos; eu sempre dou uma risada com o desinteressado "I killed you" do personagem) e o final espírito-de-porco me lembra exatamente aquela atmosfera de &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;shit happens&lt;/span&gt; que o primeiro filme capturou tão bem. E Kristanna Loken é gostosa pra caramba. Não é uma vilã do calibre do T-1000, mas gostei do estilo &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;"&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Barbie Assassina" da T-X e nunca achei a interpretação da moça ruim como parece ser a opinião geral. Certo, ela não é tão fodona quanto o T-1000, mas convence. Além do mais, é bem mais plausível ela se aproximar de mim e arrancar meu cérebro de surpresa do que um Robert Patrick mal-encarado. As cenas de ação do filme são excelentes, máxime quando comparadas com o "padrão" dos filmes de ação da época - em 2003, a mania chata de filmar toda cena de ação imitando a série &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Matrix&lt;/span&gt; ainda estava em alta. E o já referido final nem um pouco feliz, em minha opinião, retoma a idéia do original - de que o futuro já está escrito e que qualquer tentativa de alterá-lo será inócua. O argumento de que "não é possível mudar o futuro, no máximo adiá-lo" não é tão elegante quanto a inevitabilidade retratada no primeiro (nem poderia, pois o Cameron tornou isso impossível com o T2), mas acho bem menos irritante do que "não há futuro além do que fazemos" - que, convenhamos, já era um clichê muito manjado mesmo à época do original. Claro que o filme tem vários defeitos: o principal deles é que John Connor, apesar de toda a criação espartana que, presume-se, teve da mãe até esta ser internada, se torna um tremendo oreba, que leva uma rasteira até de Claire Danes e começa a choramingar diante do menor sinal de perigo. Por outro lado, pode-se argumentar que o fim da idéia de que o seu destino seria se tornar o grande líder da humanidade fez o personagem perder toda a motivação para se tornar alguma coisa que preste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Embora alguns critiquem o fato de o filme torna nulo tudo que aconteceu no segundo (e torna mesmo), há de se levar em consideração de que, se o &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;T2&lt;/span&gt; tivesse tanta consistência assim, John Connor teria deixado de existir no final do filme. Vejamos: Connor do futuro manda Kyle Reese para proteger sua mãe do Terminator no passado, Kyle engravida Sarah e Connor nasce. No segundo filme, a Skynet manda mais um exterminador; Connor manda outro, "reprogramado" para protegê-lo; no final do filme, os Connor e cia. impedem a existência da Skynet. Para o filme ser inteiramente lógico, no momento em que a criação da Skynet foi impedida, Connor, o T-800 e o T-1000 se desintegrariam. Afinal, sem Skynet, não haveria exterminadores, não haveria envio do T-800 para matar Sarah Connor, não haveria bem-bom entre esta e Kyle Reese e, por conseguinte, não haveria concepção de John Connor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas como não, se Kyle Reese foi enviado pelo passado por um John Connor já existente, como sugeriu o JD? Porque passado, presente e futuro já estão preordenados. Eu poderia citar Stephen Hawking e parecer inteligente e culto pra caramba, mas não vou mentir: não tomei conhecimento da idéia de que o tempo é simultâneo, sendo apenas a percepção humana limitada que nos leva a vê-lo de forma linear, lendo Física Quântica ou Cosmologia. Foi lendo &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Watchmen&lt;/span&gt;. Não sei se essa teoria corresponde à realidade ou não (embora a idéia explique várias coisas que parecem não fazer sentido, de forma bem mais lógica do que crença no sobrenatural), mas acredito que o universo do primeiro filme se encaixa perfeitamente nela. Assim, embora &lt;a href="http://filmesparadoidos.blogspot.com/2009/06/o-exterminador-de-roteiros.html"&gt;certas pessoas, cuja opinião respeito bastante&lt;/a&gt;, reclamem que o filme torna sem propósito tudo que ocorreu no segundo filme, pode-se dizer que tudo que ocorre no segundo filme após a explosão da Cyberdine torna o próprio segundo filme nulo. Logo, o terceiro filme não me incomoda por isso, nem o quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda essa embromação, contudo, torna um fato inequívoco: conforme escrevi reiteradas vezes, o roteiro de &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Terminator Salvation&lt;/span&gt; é, essencialmente, uma bosta. Não há um motivo razoável para as máquinas manterem Kyle Reese vivo. A Skynet, no universo do quarto filme, é basicamente um Dr. Evil digital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos a outras falhas: reparem que, na minha "síntese" da história, pouco mencionei a personagem de Kate Connor. Isso é porque a única função de Bryce Dallas Howard é embelezar o cenário - a personagem não faz praticamente nada e, ao contrário de sua colega Moon Bloodgood, nem usa roupa que valorize seus talentos infradramáticos. Fora Connor, Marcus, Reese, e Blair, os "personagens" são tão despidos de personalidade que é difícil lembrar seus nomes (mesmo o Ashdown de Michael Ironside só causa alguma impressão porque é interpretado por Michael Ironside, que é totalmente foda. Star só é memorável porque é a única criança da história). Nunca fica claro por que a Skynet está levando uma reca de gente para São Francisco (só para acobertar o fato de que o verdadeiro objetivo era capturar Kyle? Não engulo. O encontro deste com o monstrolão também foi inteiramente casual. E também havia um monte de humanos aprisionados naquela base no início do filme.) A insinuação de que tudo que Marcus viu em sua incrível jornada estava sendo "filmado" pela Skynet é igualmente sem nexo: não seria mais fácil, então, a Skynet simplesmente ter invadido o "underground lair" de Connor e dar cabo do rapaz? Ou ter capturado Kyle quando eles estavam em LA, sem todo aquele trabalho? Aliás, como caralho Kyle sabe dirigir um carro? A cena em que Marcus consegue botar um veículo para pegar deixa implícito que o moleque provavelmente nunca tinha sido passageiro em um veículo automotor, quanto mais motorista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E temos, claro, o Arnoldão CGI que, posso presumir, todo mundo acha absolutamente &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;badass&lt;/span&gt;. E é. Mas, como já observado por terceiros, no primeiro filme da série, Reese e o Exterminador são enviados à década de 1980 em 2029; &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Terminator Salvation&lt;/span&gt; se passa em 2018. Quer dizer que a Skynet passou onze anos utilizando o mesmo T-800 que vemos em aqui? Porra, em cerca de quatro anos, o mané do Steve Jobs conseguiu lançar uns quatro modelos diferentes de iPhone (todos igualmente fuleiros); não vamos nem contar quantas versões de iPod o cidadão e sua empresa conseguiram inventar. A super-hiper-ultra-foderosa vilã digital Skynet, por seu turno, só consegue produzir um modelo mais moderno de Terminator depois de mais de dez anos? E, assim que consegue, sai com um modelo mais espetacular que o outro? E as conversas de Reese no primeiro filme sobre como precisava esperar o Exterminador atacar Sarah para identificá-lo? Como isso se conforma com a sugestão, contida no &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Salvation&lt;/span&gt;, de que todos os T-800 são idênticos ao Schwarzenegger? E a história, no primeiro filme, sobre os T-600 terem uma pele de borracha, claramente de fajuta, que tornava fácil identificá-los, quando os T-600 que vemos aqui nunca tem qualquer arremedo de pele?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sl52-ZVle0I/AAAAAAAAAVA/lSVsxLOVDy8/s1600-h/T10.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358851420942859074" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 400px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 180px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sl52-ZVle0I/AAAAAAAAAVA/lSVsxLOVDy8/s400/T10.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Mais bobagens? Se toda a jornada de Marcus foi um plano minuciosamente arquitetado pela Skynet (e isso é tão plausível quanto a teoria de que o ataque de 11 de setembro ao WTC foi uma conspiração tramada pelo governo americano ou que o Red Bull é um estimulante desenvolvido pela CIA durante a guerra do Vietnã para "bombar" os soldados), por que porra todas as máquinas que ele encontra até seu "segredo" ser descoberto por Connor tratam o rapaz com a mesma cortesia que o T-600 na foto acima? Por que esse comportamento muda assim que ele descobre o que é e decide invadir a base da Skynet? E pra que porra Helena Bonham-Carter queria tanto, especificamente, o corpo dele, no início do filme? Não servia outro defunto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posso passar mais várias páginas falando sobre outros detalhes estapafúrdios do roteiro, mas nada disso responde às questões que me atormentam: por que, mesmo compreendendo plenamente que o roteiro deste filme é uma afronta a qualquer pessoa com um semblante de inteligência, eu adoro esta porcaria? Por que já vi quatro vezes (invariavelmente com exclamações do tipo "essa cena foi totalmente do caralho" e, em seguida, resmungando, para o tédio de minha esposa e de qualquer pessoa que esteja por perto, coisas como "bicho, isso é muito idiota" ou "esse 'plano' é tão retardado que não dá nem pra falar" e provocando questionamentos válidos como "então por que raios você está vendo esse filme de novo?")? Por que já estou prestes a abrir a carteira assim que o DVD sair? E voltar a abrí-la quando o Director's Cut sair? E por que nada disso decorre do fator trash do filme (que, convenhamos, é inexistente em face de preciosidades como &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;The Incredible Shrinking Man &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:+0;"&gt;ou &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Blackenstein&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;)?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu posso especular. Talvez seja porque, em uma época de filmes de ação com heróis sensíveis, politicamente corretos (porra, até o James Bond deixou de tratar as mulheres como objetos na época do Pierce Brosnan, até Daniel Craig mostrar como um 007 de verdade se comporta) e metrossexuais (veja, por exemplo, Tom Cruise e Jonathan Rhys-Meyers em &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Missão Impossível III&lt;/span&gt;), em que as gatinhas chamadas de Jonas Brothers levam menininhas à loucura e e em que é socialmente admissível (e até encorajado) um homem heterossexual passar horas num salão de beleza ou escolhendo sapatos e condicionadores, seja um alento ver um filme onde os homens são homens e as mulheres são gostosas. Onde os heróis são uma dupla de brucutus mal lavados que passam o filme inteiro com a cara amarrada ou gritando e dando tiros e porradas (isso talvez também explique o fato de eu achar Jason Statham totalmente foda). Talvez seja porque, numa época de filmes de ação cujos cineastas acham que a náusea provocada por uma câmera trêmula e a impossibilidade de entender o que está se passando guardam relação de sinonímia com "empolgação do espectador", seja um alívio finalmente ver um blockbuster de ação onde as cenas de ação são de espectaculares e bem dirigidas, podendo ser acompanhadas do começo ao fim sem um momento de tédio, confusão ou vontade de encontrar o diretor e espancá-lo até a morte com um instrumento contundente. A última hipótese se torna ainda mais convincente quando eu lembro que, pouco antes de ver &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Terminator Salvation&lt;/span&gt;, vi seu extremo oposto, &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Quantum of Solace&lt;/span&gt; - uma obra com roteiro decente que poderia ser um filme muito bom, se não tivesse um diretor "sofisticado" que não entende merda nenhuma de cenas de ação e acha que tremer a câmera e inserir cortes aleatórios e "simbolismo" sem propósito vão mostrar toda a sua inteligência e habilidade. Ou talvez seja, simplesmente, porque eu gosto de filmes com explosões, robôs, Christian Bale quebrando o pau e chamando um T-800 de "filho da puta", Michael Ironside dando esporro nos outros, Moon Bloodgood e Bryce Dallas Howard.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última possibilidade, admito, é um contradição inaceitável de minha parte. Afinal, eu escrevi mensagens, cuja descrição mais benevolente seria "prolixas", esculachando impiedosamente a paixão do JD pelo &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Drácula&lt;/span&gt; de Coppola e reduzindo a admiração do rapaz pelo filme a, basicamente, "confusão de incoerência com complexidade" e "se deixar levar por excesso de estilo sobre ausência completa de substância". Isso faz de mim um hipócrita? Provavelmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em minha defesa, posso apenas afirmar que &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Bram Stoker's Dracula&lt;/span&gt; não tinha explosões, robôs, Schwarzenegger, Christian Bale dando porrada, Michael Ironside, Bryce Dallas Howard ou Moon Bloodgood.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sl57ZElsBEI/AAAAAAAAAVI/htisF4fiE7o/s1600-h/T11.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5358856277276230722" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 312px; CURSOR: pointer; HEIGHT: 400px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sl57ZElsBEI/AAAAAAAAAVI/htisF4fiE7o/s400/T11.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Por outro lado, a supracitada obra, que eu odeio profundamente, tem Sadie Frost e Monica Bellucci seminuas, ao passo que as duas moças do T4 permanecem vestidas durante todo o filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas talvez não permaneçam no &lt;span style="FONT-STYLE: italic"&gt;Director's Cut&lt;/span&gt;. &lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6296516219389701823-1862376001769043928?l=monsterwerebritishyouknow.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://monsterwerebritishyouknow.blogspot.com/feeds/1862376001769043928/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://monsterwerebritishyouknow.blogspot.com/2009/06/terminator-salvation-voce-nao-vale-nada.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6296516219389701823/posts/default/1862376001769043928'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6296516219389701823/posts/default/1862376001769043928'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://monsterwerebritishyouknow.blogspot.com/2009/06/terminator-salvation-voce-nao-vale-nada.html' title='Terminator Salvation: Você Não Vale Nada, Mas Eu Gosto de Você'/><author><name>Kurt Breichen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11129034358393773414</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sm3V5ffY7YI/AAAAAAAAAXY/2_hYe6Hm6tU/S220/Cool+Guy5.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sj7aUVvfqFI/AAAAAAAAASg/0iSwnApf-R0/s72-c/T1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6296516219389701823.post-1094877668422491762</id><published>2009-05-21T14:49:00.001-07:00</published><updated>2009-05-28T16:09:54.933-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='frankenstein'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='william levey'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='trash'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='blaxploitation'/><title type='text'>Blackenstein: The Black Frankenstein</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/ShXMiQsS7NI/AAAAAAAAAPw/SH2S3LxLbU0/s1600-h/B1.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 277px; height: 400px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/ShXMiQsS7NI/AAAAAAAAAPw/SH2S3LxLbU0/s400/B1.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5338397822285966546" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Ed Wood, Al Adamson, Phil Tucker, Sam Katzman, Bruno Mattei, Albert Pyun, William "One-Shot" Beaudine... Todos fazem parte de um seleto grupo de cineastas cujas obras são caracterizadas por uma completa ausência de valor artístico, contraposta a um inestimável valor humorístico que jamais (há de se presumir) foi a intenção dos artistas. Há um nome pouco conhecido, contudo, que, por um memorável instante, integrou essa augusta elite. Seu momento neste Olimpo foi breve e sua queda foi tão célere quanto sua ascenção - logo após dirigir a obra que o elevou ao topo das montanhas do cinema teratológico, tal homem descambou para o sombrio vale de uma carreira de filmes &lt;span style="font-style: italic;"&gt;softcore&lt;/span&gt; e melodramas medíocres dos quais ninguém ouviu falar. Mas, parafraseando Chuck Palahniuk, um instante é o máximo que se pode esperar da perfeição e um instante de perfeição vale todas as penas que custou. Por um efêmero e cintilante instante, o indivíduo de quem falo atingiu essa perfeição, contruindo uma obra consistente em autêntico vácuo de virtudes e, paradoxalmente, magnífica, tal como os titãs da ruindade supracitados. O homem é William A. Levey e sua obra é &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Blackenstein&lt;/span&gt; (subtítulo, para esclarecer a idéia aos menos sagazes: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Black Frankenstein&lt;/span&gt;).&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;O título, em si, já é indício das qualidades da obra. Um cinéfilo incauto, ao lê-lo, poderá pensar: "Evidentemente, trata-se de uma versão blaxploitation de Frankenstein." Neste aspecto ele estará correto. O hipotético cinéfilo poderá pensar, ainda: "A trama deve ser sobre um cientista negro que, em suas experiências bem-intencionadas, acaba criando um monstro." ("Negro não" poderá tal cinéfilo dizer, corrigindo-me, se ele for politicamente correto, "cientista afrodescendente". Ao que eu replicarei: "Eu não sou politicamente correto e o blog é meu, então foda-se. Você é fruto de minha imaginação e vai pensar o que eu quiser, da maneira que eu quiser. Isto não é um debate. Eu sou Deus e você é Jó, então tome uma centena de doenças horríveis, para aprender a controlar sua insolência!") Neste aspecto, o (agora moribundo) cinéfilo estará errado: provando que não leu o livro, nem viu nenhum dos filmes e que a única referência que tinha de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Frankenstein&lt;/span&gt; era a icônica imagem de Boris Karloff nos filmes da Universal, o roteirista Frank R. Saletri escreveu (na acepção amplíssima do termo) um filme sobre um cientista branco que cria, acidentalmente, um monstro negro. Inobstante, o cinéfilo poderá pensar: "É uma premissa intrigante. Talvez o filme seja bom." Neste aspecto, o indivíduo imaginário estará profunda e verdadeiramente equivocado. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Blackenstein&lt;/span&gt; não é um filme bom. É ruim. Muito ruim. Ruim como ser masturbado por Edward Mãos-de-Tesoura. Examinemos os fundamentos de tal constatação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começamos com uma sequência de créditos pra lá de original: uma mansão em noite de tempestade e, no interior desta, um indivíduo trabalhando num recinto repleto de máquinas cuja utilidade desconhecemos, mas que emitem ruídos dos mais diversos e soltam raios, o que só pode significar que se trata de um cientista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/ShcU39ERHsI/AAAAAAAAAP4/subTZ5RlWjU/s1600-h/B2.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 313px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/ShcU39ERHsI/AAAAAAAAAP4/subTZ5RlWjU/s400/B2.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5338758834788835010" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/ShcVl8ieWBI/AAAAAAAAAQA/NjlmU6ZH7uo/s1600-h/B3.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 313px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/ShcVl8ieWBI/AAAAAAAAAQA/NjlmU6ZH7uo/s400/B3.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5338759624921077778" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Os créditos indicam, ainda, que a aparelhagem é de Kenneth Strickfadden - o mesmo responsável pela do  Frankenstein de James Whale. Estou me repetindo, mas tenho que indagar: Strickfadden ficou viciado em heroína no crepúsculo de sua vida? Perdeu tudo em jogatina e foi morar debaixo da ponte? Primeiro "Drácula vs. Frankenstein" e, agora, isso? Caramba...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de 2 minutos e 36 sólidos segundos do cientista mexendo em seus brinquedos (sim, eu contei), totalmente imprescindíveis à trama, a sequência de créditos continua com um avião pousando (em tempo real) em Hollywood e os passageiros descendo, ao som de uma melosa música &lt;span style="font-style: italic;"&gt;soul&lt;/span&gt;. Acompanhamos uma das passageiras, uma atraente jovem negra, enquanto esta aluga um carro, espera colocarem a bagagem na mala deste, entra no carro, espera fecharem a porta, dirige por uma estrada até chegar à mansão da abertura, estaciona o carro em frente à mansão, desce, toca a campainha e é recepcionada pelo mordomo Malcomb (mais uma vez, tudo é mostrado em tempo real, o que é essencial à trama e, de modo algum, pretexto para encher linguiça e aumentar a duração do filme).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mordomo Malcomb, vale referir, é uma figura ímpar: um negro enorme, com uma voz de deixar James Earl Jones orgulhoso, que destoa de sua expressão de... ehhh... pessoa excepcional. A jovem, descobrimos, se chama Wininfred Walker e quer falar com um certo Dr. Stein (criativo). Suspense é ensejado: será que o Dr. Stein é aquele cientista da abertura? É, sim. Obviamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto Malcomb vai chamar o cientista, Winnifred fica sentada numa poltrona ao lado de uma imensa estátua da Virgem Maria e de uma escada em espiral; no teto, pende um grande candelabro, no meio do poço da escadaria e logo acima da mocinha. Enquanto tais detalhes são observados por Winnie, uma estrondosa música genérica de filme de terror explode, inexplicavelmente, na trilha sonora. Isso demanda um trabalho de interpretação da cena. Será que se trata de simbolismo cristão? Talvez. Podemos interpretar o candelabro, que pode cair a qualquer momento, como a morte, e a imagem de Maria e a escadaria (que simbolizaria Cristo) como a redenção e a ascenção ao Paraíso. Ou simbolismo ateu: a imagem e a escadaria podem significar a falsa idéia de vida após a morte que trazem conforto ao ser humano e o deixam incauto, à mercê da morte (representada pelo candelabro), que está sempre espreitando. Uma terceira interpretação seria a de que a cena tem toques autobiográficos: talvez a mãe de William Levey tenha morrido esmagada por um lustre, mas o diretor, um católico devoto, espera que seu espírito permaneça vivo, tendo ascendido ao paraíso através da fé em Jesus Cristo (mais uma vez, a escadaria) e da intercessão da Virgem Maria. Ou talvez a cena não signifique porcaria nenhuma, a música estrambólica tenha sido usada só para criar tensão infundada e encher linguiça e eu esteja escrevendo um monte de bobagens. Você decide.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/t2IgaTXDwCc&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/t2IgaTXDwCc&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dr. Stein é avisado pelo mordomo através de um gigantesco alto-falante e a mocinha é levada ao laboratório para encontrá-lo. Tomamos conhecimento de que Winnie foi aluna do cientista e acabou de tirar seu Ph.D em Física (ela não é meio nova para isso? Tudo bem, é mais plausível que a "Dra." Christmas Jones). Descobrimos, também, o motivo da visita da jovem ao seu antigo mentor: seu noivo foi ao Vietnã, pisou numa mina e ficou seriamente desaconchegado. Winnie quer que Stein a auxilie a fazer o possível para ajudar seu amado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após mais uma tomada da mansão numa noite de tempestade e relâmpagos (embora Winnifred tenha chegado em plena luz do dia), passamos a uma cena de jantar entre Winnie e o cientista, ao som de ópera, onde descobrimos que Dr. Stein ganhou o prêmio Nobel, e Winnie reitera seu pedido de ajuda ao cientista. Indagada sobre a natureza dos ferimentos do rapaz, a moça apenas diz que "prefere não dizer agora", mas que seu noivo chegará "amanhã". Mais uma cena inteiramente necessária ao desenrolar da trama, que se encerra com o médico pedindo licença para "continuar com seu trabalho" e Winnifred, sozinha, caminhando até uma das janelas e possibilitando que notemos que é dia. Cadê a tempestade? A trama é permeada de enigmas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ôpa! Mais uma cena de Winnie dirigindo, até chegar ao Hospital de Veteranos. Off-screen, ouvimos um diálogo em que ela explica a Stein o que, exatamente, ocorreu a seu noivo, Eddie: o rapaz, provando ter mais azar do que Catrionna McColl num filme de Lucio Fulci, teve os dois braços e as duas pernas arrancados pela explosão da mina. Nas palavras de James Coburn, "Man, that´s just mean. That´s &lt;span style="font-style: italic;"&gt;mean&lt;/span&gt;, man!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Winnie e o doutor entram no hospital, vão à recepção, perguntam pelo quarto de Eddie Turner a uma atendente, que pergunta a outra, que diz em que ala e quarto o rapaz se encontra. Mais uma vez, concisão no roteiro e dinamismo na edição .&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente encontramos o infeliz Eddie, que está, educadamente, pedindo a um enfermeiro obeso e grosseirão por um pouco de sorvete. Na verdade, "educadamente" é um eufemismo: o rapaz está praticamente implorando. O enfermeiro filho-da-puta, ao invés de atender o pedido, fica fazendo piadinhas escrotas com a situação do rapaz, esculachando com o exército e fazendo pouco dos militares - porque tentou seguir carreira no exército e não conseguiu provar aptidão física (talvez por ser um gordo escroto?). Hmmm... Será que alguma coisa ruim vai acontecer com esse enfermeiro, fazendo-o pagar por esse momento de crueldade? A única maneira de desvendar esse enigma intrigante é continuar lendo ou ver o filme. Eu sugiro que você continue lendo. Antes de prosseguirmos, porém, devo observar que, durante toda a cena, Eddie aparece coberto do pescoço para baixo com um cobertor, o que nos impede de ver o estrago provocado pela explosão. Isso se deve, presumo, a William Levey ser um diretor sensível, que certamente achou que seria apelativo e de mau gosto mostrar de forma explícita a horrenda mutilação sofrida pelo rapaz. De jeito nenhum foi por falta de recursos para maquiagem e efeitos especiais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/ShfWu7OIn6I/AAAAAAAAAQI/SDMWKa8B-sE/s1600-h/B5.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 313px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/ShfWu7OIn6I/AAAAAAAAAQI/SDMWKa8B-sE/s400/B5.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5338971984930316194" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Finalmente, Winnie e Stein chegam, interrompendo a escrotice do enfermeiro balofo. Eddie, num toque de criatividade do roteiro, repreende Winnie por ter vindo - o rapaz não queria ser visto pela amada em tal estado. O amor, entretanto, vence todas as barreiras, e ela está determinada a ajudar o mancebo a se recuperar. Stein, embora não prometa nada, explica que tem feito experiências com substituição de membros e que pode mudar o atual quadro médico do infeliz soldado. Este, contudo, permanece cético. Mas Winnie assevera que Dr. Stein é o maior fodão, tendo, inclusive, recebido o "prêmio Nobel da Paz por decifrar o código genético do DNA".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pfffffffff....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prêmio Nobel da Paz.&lt;br /&gt;Por decifrar o código genético do DNA.&lt;br /&gt;Ou, no original, para que minha tradução não deixe obscuridades: "received the Nobel Peace Prize for solving the DNA genetic code".&lt;br /&gt;Parem por um momento para assimilar esta preciosidade. Degustem esta iguaria de diálogo.&lt;br /&gt;HAHAHAHAHAHAHA! Puta que o pariu! Saletri realmente fez uma pesquisa minuciosa para escrever o roteiro desta maravilha. Aposto todos os meus bens que o homem não fazia a menor idéia do que significava "código genético", "DNA" e talvez nem mesmo o que é um "Prêmio Nobel da Paz".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Convencido pela segurança transmitida pelo cientista ("Não prometo nada, mas tenho obtido bons resultados. Se você for capaz de suportar horas e horas de procedimentos cirúrgicos... se Deus ajudar... se a Era de Aquarius finalmente tiver chegado... se eu jogar uma moeda e der coroa... e não chover... talvez, mas não estou garantindo nada, você tenha uma surpresa!" Parafraseei um pouco - um pouco mesmo: apenas acrescentei alguns exageros - as palavras do doutor, mas é nessa linha a confiança que ele passa) e pela genialidade inerente a um homem que ganhou o "Prêmio Nobel da Paz por decifrar o código genético do DNA" (e quem não ficaria?), Eddie acaba concordando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao som da mesma música soul mela-cueca, mais uma vez nos deparamos com filmagens da fachada da mansão de Stein até que, finalmente, uma ambulância chega e, em tempo real, os enfermeiros retiram Eddie da mesma, numa maca, e o levam até a porta. Em seu laboratório, Stein é avisado por Malcomb, através dos colossais alto-falantes, que a ambulância chegou  e autoriza o mordomo a permitir a entrada dos enfermeiros. Cada segundo neste filme conta. Se você piscar, poderá deixar passar um detalhe essencial e perder o fio da meada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Numa cena comovente, marcada por brilhantes interpretações, Winnie explica a Eddie que, se o trabalho de Stein der certo, ele ficará novinho em folha e declara seu imenso amor pelo noivo. Este, por sua vez, exibe um entusiasmo contagiante com a possibilidade de voltar a ter pernas e braços. Com "brilhantes interpretações", quero dizer que Winnie está lendo suas falas de um cartão com a mesma desenvoltura de alguém nas primeiras fases da alfabetização e Eddie fala com a entonação de alguém que acabou de ver um documentário de dez horas sobre as repercussões do sono das codornas no ecossistema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após mostrarem que sabem manipular as emoções do espectador com maestria, LeVey e Saletri passam a mostrar seu igualmente titânico saber científico: Malcomb chega e Winnie explica a Eddie que este receberá "sua primeira injeção de DNA", que preparará seu corpo para a operação. A "aplicação de DNA", como a cena da escadaria, é acompanhada por uma inexplicável trilha sonora sinistra/bombástica (sim, a trilha sonora parte do sinistro para o bombástico sem nenhum motivo), seguida por mais imagens da fachada da mansão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/ShffV_AZmaI/AAAAAAAAAQQ/LgjuZZHymcM/s1600-h/B6.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 177px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/ShffV_AZmaI/AAAAAAAAAQQ/LgjuZZHymcM/s400/B6.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5338981452054370722" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Enquanto aguarda o início do "trabalho" em seu noivo, Winnie resolve acompanhar o  progresso dos demais pacientes de Stein. Podemos dizer que o trabalho do cientista é versátil: a primeira paciente é uma senhora que, através de injeções da fórmula do código genético do DNA (pfffffff), rejuvenesceu dos 90 para, aparentemente, uns quarenta e poucos anos. É necessário, contudo, que ela receba injeções da fórmula do código genético do DNA (HAHAHAHAHA!!!) a cada 12 horas, sob pena de voltar aos 90 anos e envelhecer ainda mais, rapidamente. Hmmm... Além de não ser muito encorajador, não vejo o que o experimento tem a ver com transplante de membros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O próximo paciente é Bruno, que teve as pernas amputadas. Stein implantou novos membros com raios laser (hehehehehe), ministrando periodicamente injeções da fórmula do código genético do DNA (HAHAHAHAHA!!! Aí é foda! Eu morro!) para evitar rejeições. Tais injeções, contudo, não impediram um pequeno contratempo: uma das pernas do infeliz sofreu uma "involução" e Bruno agora tem uma perna normal e a outra, inexplicavelmente... essa é pra se lascar... listrada. Como a de uma zebra. Como diria aquele cara do "The Thing" de John Carpenter, "You´ve gotta be fuckin' kidding." Desde quando o ser humano pode "involuir" para uma zebra ou onça-pintada? Se eu não tivesse evidência fotográfica, ninguém acreditaria em mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Shkr1Wm9YjI/AAAAAAAAAQY/Gt-mggVMvDQ/s1600-h/B7.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 313px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Shkr1Wm9YjI/AAAAAAAAAQY/Gt-mggVMvDQ/s400/B7.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5339347028826481202" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Mas não se preocupem: o doutor está trabalhando em uma fórmula de RNA para reparar o que a de DNA não foi capaz de realizar. Hehe. Hehehe. Hehehehehe... HAHAHAHAHA...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chega o momento que todos estávamos esperando: a "primeira fase" da operação de Eddie. Ele leva uma injeção para dormir, o doutor liga as máquinas cacofônicas e pirotécnicas e implanta os braços (da maneira como é mostrado, parece que ele simplesmente pegou uns braços que estavam largados por aí e colou com superbonder). E a operação se encerra, sem mais detalhes. Winnie, contudo, exclama que foi tudo "incrível". Teremos que acreditar na palavra dela, pois nada foi mostrado com clareza. De qualquer maneira, consideremos o seguinte: a operação consiste em implantes de membros, com injeções da fórmula do código genético do DNA (tudo bem, isso já não tem mais nem graça. É covardia) para evitar rejeições. O que nos conduz à seguinte indagação: qual é a função de todos aqueles aparelhos barulhentos? Só posso concluir que eles tem utilidade análoga àquela fantástica máquina que faz "PING!" na cena do parto de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Monty Python's The Meaning of Life.&lt;/span&gt; Mas quem sou eu para questionar a sapiência de um homem que ganhou o Prêmio Nobel da Paz por decifrar o Código Genético do DNA?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corta mais uma vez para a nebulosa fachada da mansão de Stein, à noite. LeVey realmente adorou essa fachada...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Winnie e Dr. Stein, em seus quartos, escutam uma gritaria e correm para ver o que se passa: Bruno está tendo um piripaque, rugindo como uma pantera e forçando os profissionais a colocá-lo em uma camisa de força.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais um corte para a fachada. Agora, mostrando a versatilidade de seu diretor de fotografia e sua própria originalidade, LeVey mostra também a lua cheia, ao som de cães uivando. Winnie vaga pelos corredores da mansão e vai ver Eddie, cuja operação, ao contrário de todas as probabilidades, parece estar sendo um sucesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre uma e outra cena da fachada da mansão, Malcomb aproveita um momento a sós com Winnifred para declarar à moça que, desde que a viu pela primeira vez, ficou perdidamente apaixonado. Evidentemente, ele leva um chega pra lá, ouvindo aquela original conversa de "gosto de você como amigo". O sujeito é um idiota. A mulher só está lá por causa do noivo e ele acha oportuno dar em cima dela? Aparentemente, o mané se conforma, mas seu coração está em pedaços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enlouquecido pela rejeição, Malcomb resolve que, se não pode triunfar como amante, haverá de triunfar como um vilão, e mistura... alguma coisa... com o soro que vai ser injetado em Eddie. Caramba, isso está começando a parecer uma tragédia shakespeariana. Percebemos isso porque o soro que vai ser injetado em Eddie está em uma garrafinha de plástico com o rótulo (escrito à mão, de pincel) "Eddie Turner". A organização do laboratório de Stein é, sem dúvida, impecável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/ShkyWY3_ELI/AAAAAAAAAQg/fnl_iCqMQXY/s1600-h/B8.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 313px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/ShkyWY3_ELI/AAAAAAAAAQg/fnl_iCqMQXY/s400/B8.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5339354193440215218" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Partimos para a segunda fase da operação de Eddie: Mais faíscas! Mais barulho! Mas, desta vez, não vemos as pernas serem coladas com superbonder, o que  tira um pouco da magia da cena. Eddie dá um repentino piripaque e Stein injeta alguma coisa. Stein anuncia que a "fusão" parece ter sido bem sucedido, ao que Winnie exclama "Great, Doctor!", com &lt;span style="font-style: italic;"&gt;o gusto&lt;/span&gt; de sempre (isto é, com uma interpretação digna de filme pornô DTV. Começo a entender por que LeVey, posteriormente, enveredou pelo ramo do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;softcore&lt;/span&gt;&lt;span&gt;)&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;.&lt;/span&gt; É aqui que começa a tragédia: seguindo instruções do cientista, Winnie injeta duas doses da "fórmula de DNA de Eddie" adulterada por Malcomb.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corta para o que, suponho, sejam alguns dias depois. À mesa, Stein anuncia que "hoje" é o dia em que Eddie poderá sair caminhando sozinho, ensejando apáticas exclamações de entusiasmo de Winnie (você pode achar que "apáticas exclamações de entusiasmo" seriam um paradoxo, mas mudará de idéia após ver a interpretação da moça). Quando os dois vão ver Eddie, porém, este afirma que não se sente bem... e o horror tétrico gerado pela nefasta interferência de Malcomb começa a mostrar sua face.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Shk007ohcMI/AAAAAAAAAQo/1aspIRkmvq0/s1600-h/B9.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 300px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Shk007ohcMI/AAAAAAAAAQo/1aspIRkmvq0/s400/B9.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5339356917189931202" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Alarmado, Stein ordena que seja preparada a sala de cirurgia, pois "devemos começar a trabalhar rápido". Nenhum dos testes indica erro na operação (e não houve: apesar do título e de todos aqueles exemplos de que o trabalho de Stein não é, digamos, irretocável, o problema não decorreu de equívoco do cientista, mas de um ato premeditado do mordomo mal-amado).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na próxima cena, Winnie vai aplicar novas injeções em Eddie (que agora, inexplicavelmente, está em uma cela, numa masmorra) e Stein constata que seu paciente está ainda menos bem-apessoado e comunicativo, decidindo que vai aumentar as injeções em 50 cc. Isso vai resolver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Shk2lAExSVI/AAAAAAAAAQw/2GIo2KQUCa0/s1600-h/B10.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 149px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Shk2lAExSVI/AAAAAAAAAQw/2GIo2KQUCa0/s400/B10.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5339358842527500626" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Várias cenas se passam, mostrando Winnie no laboratório, a fachada da mansão, os tubos de ensaio do laboratório, Winnie indo à masmorra ministrar as injeções, tubos de ensaio e máquinas do laboratório, Winnie indo ao laboratório de novo, Winnie desligando o equipamento do laboratório, Winnie saindo do laboratório... tudo isso contribui para construir uma tensão crescente (hehehe), culminando com a empolgante sequência em que o monstro desperta pela primeira vez e sai para semear o terror:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/XkzhVcbseiY&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/XkzhVcbseiY&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É brincadeira. Por 3:17 sólidos minutos, vemos o "monstro" (repare que, na verdade, só vemos um vulto) grunhindo e vagando pela masmorra, pelo laboratório, pela rua, até entrar em um prédio qualquer. "Bem", o espectador incauto pode estar se perguntando, "pelo menos, agora que ele entrou no prédio, alguma coisa vai acontecer, certo?" Certo. "Alguma coisa", nesse caso, significa mais cenas do monstro vagando e grunhindo sem rumo. Pelo menos, agora, podemos ver o semblante da horrenda criatura claramente:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/ShmsE19zi1I/AAAAAAAAAQ4/iWORD43EsP0/s1600-h/B11.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 300px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/ShmsE19zi1I/AAAAAAAAAQ4/iWORD43EsP0/s400/B11.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5339488032430197586" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Pois é. O ator que interpreta Eddie, só que com um cabeção quadrado, um black power igualmente quadrado e a pele pintada de cinza. Em favor de William LeVey, pode-se afirmar que a maquiagem não é tão ruim quanto a da criatura de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Dracula vs. Frankenstein&lt;/span&gt; e... É só isso mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após mais alguns segundos, descobrimos que o prédio onde o monstro entrou é o Hospital de Veteranos onde Eddie esteve internado. O suspense se instaura. Será que o enfermeiro gordo escroto finalmente pagará por sua crueldade? &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Flashbacks &lt;/span&gt;dos insultos do enfermeiro se passam. Várias vezes. Caso tal possibilidade não tenha ocorrido ao espectador. Se você ficar com a impressão de que William LeVey não primava pela sutileza, lembre-se que o título completo do filme é &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Blackenstein:&lt;span style="font-style: italic;"&gt; The Black Frankenstein.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt; Talvez LeVey achasse que alguém poderia supor que se tratava de uma versão blaxpoitation sobre a vida de Einstein e preferiu não deixar margem para dúvidas. Da mesma maneira que ele supôs, aqui, que ninguém iria imaginar que ia sobrar pro enfermeiro que foi mostrado, no início do filme, esculachando gratuitamente o indefeso Eddie.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após mais intermináveis segundos do Blackenstein cambaleando pelos corredores do hospital, (se a idéia de ver um grandalhão cambaleando interminavelmente por corredores escuros parece empolgante, você vai se divertir à beça com este filme) a perguntar que não quer calar finalmente é respondida: sim, o enfermeiro escroto é a primeira vítima da fúria do monstro, numa sequência que mostra toda a influência do expressionismo alemão sobre a obra de Levey.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/lOR4O5aShWY&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/lOR4O5aShWY&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas o horror está apenas começando: a próxima vítima é um fofo cachorrinho encontrado pelo monstro em suas andanças sem rumo. Os donos do totó (uma loira peituda e um coroa pelancudo) escutam os gemidos de dor do cão e, após insistência da patroa, o cara acaba concordando em sair para ver o que aconteceu com o bicho. Um grito ecoa na noite, alarmando a loira, enquanto vemos duas pernas pálidas e peludas no chão, se debatendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/ShnhIvSDzrI/AAAAAAAAARA/ErmFxL-fZFg/s1600-h/B12.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 313px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/ShnhIvSDzrI/AAAAAAAAARA/ErmFxL-fZFg/s400/B12.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5339546373471850162" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Loiruda vai verificar o que ocorreu e se torna mais uma vítima da fúria homicida da criatura, sendo atacada e eviscerada numa cena que é um primor de edição: a moça sai da casa, com uma lanterna; ouvimos as batidas de coração que sempre indicam a presença do monstro; ela dá mais uns passos; corta para a loira, já sendo agarrada pelo monstro (que parece ter se materializado diante dela), vemos os pés da vítima se arrastando no chão; o monstro se atraca com ela por mais alguns segundos; escutamos o barulho de algo sendo estourado ou rasgado; a moça cai toda ensanguentada e percebemos que seu ventre foi rasgado e o monstro está brincando com suas tripas. Eu sei que esta crítica está cheio de vídeos, mas, sinceramente, não dá para fazer justiça à cena com meras palavras.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/CM5LxVq-nyE&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/CM5LxVq-nyE&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Deixando mais uma vítima para trás, Blackenstein (The Black Frankenstein) vaga de volta à mansão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;À mesa de jantar, Malcomb lança um olhar apaixonado para Winnie, enquanto esta retribui a paixão, à princípio, com um olhar que parece dizer "eca!" e, em seguida, com uma expressão de desconfiança. Stein, enquanto isso, lança um olhar sinistro sobre toda a situação, através do espaço entre os braços de uma estátua, colocada sobre a mesa, de dois amantes se beijando. É tudo muito intrigante e não contribui em nada para o progresso da trama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/ShnmZmtXboI/AAAAAAAAARI/FOU4OdKp0jE/s1600-h/B13.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 313px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/ShnmZmtXboI/AAAAAAAAARI/FOU4OdKp0jE/s400/B13.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5339552160786378370" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Após mais uma cena inteiramente supérflua no laboratório, Winnie vai à masmorra e... Eddie está na cama. A moça injeta mais da tal "fórmula do DNA" e sai, fechando a porta da cela, mas não trancando. O que torna meio sem propósito toda a idéia de ter uma masmorra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Partimos para mais uma vibrante cena de laboratório, onde a moça mistura alguns líquidos de cores diversas num tubo de ensaio. Intrigada por alguma coisa que nós, meros leigos, não logramos compreender, Winnifred pega a garrafinha da "fórmula de DNA" de Eddie, pousa, pensativa, sua cabeça sobre a mesa e cai no sono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A criatura previamente conhecida como Eddie aproveita o ensejo para sair de sua cela e curtir a noite hollywoodiana. Aqui, vemos novamente aquele espetacular trajeto, percorrido lentamente pelo monstro, de sua cela até a rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corta para o monstro no que parece ser um parque, grunhindo e cambaleando. A transição é essa mesma: num instante, o monstro está passeando pelo laboratório; no momento seguinte, vagando entre árvores. Um jovem casal chega ao local, num carro conversível. O rapaz começa a xavecar a moça, que não está nem um pouco interessada e rejeita rapidamente a lábia infalível do Don Juan, pedindo para ser levada para casa. O garotão, entretanto, parte da clássica premissa (origem da situação de incontáveis presidiários mundo afora) de que "quando uma mulher diz 'não', ela quer dizer 'sim'" e continua falando abobrinhas e tentando apalpar a garota. Esta perde a paciência e sai do carro, restando ao rapaz apenas sair em disparada, certamente com a intenção de chegar logo em casa e fazer justiça com as próprias mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A donzela, por seu turno, é atacada pelo monstro (aposto que por essa ninguém esperava) e somos brindados por mais uma cena de pernas sendo arrastadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na mansão, no dia seguinte, Winnifred, à mesa de jantar, é convidada ao laboratório por Stein. O inimitável Malcolmb (em uma cena "hilária") aproveita a ausência dos dois e come o que sobrou do almoço do cientista, feliz da vida. O que não tem qualquer repercussão sobre a trama, mas, a essa altura, já contribui, estranhamente, para a manutenção do ritmo da obra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No laboratório, antes que qualquer conversa ocorra, o monstro, em sua cela (que agora parece estar trancada), ataca o doutor e sua amada. Nenhum dos dois parece estar surpreso com o estado do rapaz, embora seja a primeira vez que o filme mostre os dois encontrando o monstro acordado. Será que foram filmadas cenas dos dois se deparando com a transformação do gentil Eddie em uma criatura monstruosa e LeVey, profundo conhecedor da arte cinematográfica que é, decidiu, a fim de tornar o filme mais ágil, cortá-las na edição, deixando espaço para as imprescindíveis cenas do monstro vagando por corredores escuros por vários segundos e de Winnifred, Stein e Malcolm trocando olhares enigmáticos? Jamais saberemos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um novo elemento contribui para aumentar o intenso suspense da trama: uma dupla de policiais (um branco e um negro com um luxuoso black power, para que ninguém esqueça que estamos na década de 70) chega à mansão de Stein. O motivo da visita é saber se o cientista viu alguém estranho pela vizinhança que possa estar ligado à série de homicídios ocorrida recentemente. Basicamente, o médico diz que não e os dois policiais se dão por satisfeitos e vão embora. Essa foi por pouco. Não sei vocês, mas eu fiquei com o coração na mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais uma cena de Blackenstein grunhindo e cambaleando pelas ruas, ao som de música estrondosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos agora uma cena num nightclub. Para minha surpresa (embora seja mais uma cena totalmente desnecessária à trama), um humorista vai ao palco e conta duas piadas que até me fizeram sorrir (é tudo uma questão de contexto: levando-se em consideração a boa interpretação do humorista e o tédio excruciante do resto do filme, as piadas se tornam hilariantes). O comediante vai para os fundos degustar um cigarro após sua apresentação e acaba testemunhando a passagem do monstro. Felizmente, o rapaz, que foi o único ator minimamente decente a aparecer no filme até agora, escapa incólume.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os próximos a cruzarem o caminho de Blackenstein, entretanto, não tem a mesma sorte. Trata-se de um casal que está num beco e a cena já começa errada: não há como saber ao certo se o casal estava simplesmente pretendendo mandar ver nos fundos do clube (e a moça, ao ver o monstro, faz uma expressão de horror) ou se a moça estava sendo estuprada (o que justificaria sua expressão de horror antes mesmo do monstro entrar em cena). Não vale a pena especular, pois tudo é interrompido pelo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Frankenstein Negro&lt;/span&gt;. Após uma bem coreografada luta entre este e o amante-ou-estuprador (o cidadão é jogado no chão, levanta, dá umas duas porradas no monstro, é jogado no chão de novo, dá mais duas porradas no monstro e é jogado mais uma vez, caindo morto), a moça, ao invés de correr, adota o comportamento testado e reprovado em incontáveis filmes de terror vagamento: fica paralisada num canto, esperando pacientemente a criatura se aproximar e, em mais um momento de edição irretocável, é estripada pela criatura - num segundo, a moça está encostada na parede, tremendo; no outro, o monstro desfere uma pancada e a moça cai, abdomem e ventre rasgados, enquanto o Blackenstein se diverte com suas tripas. A criatura, aparentemente, não é das mais criativas na hora de escolher como barbarizar suas vítimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Shn0h32dq-I/AAAAAAAAARQ/pmwQiemddnY/s1600-h/B14.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 313px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Shn0h32dq-I/AAAAAAAAARQ/pmwQiemddnY/s400/B14.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5339567695989681122" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Agora a coisa fica preta: galvanizada pela série de hediondos assassinatos, o Departamento de Polícia de Hollywood mostra todo o seu peso, colocando uma força-tarefa de 2 (dois) veículos e cerca de sete policiais  para deter a abominação homicida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre esses bravos agentes da lei está o policial black power, interrogando o comediante, única testemunha viva dos horripilantes acontecimentos. Mostrando uma tendência a reimaginar a realidade, o humorista descreve ter ouvido um terrível grito e, em seguida, visto uma imensa criatura de três metros de altura. O que nos deixa um pouco confusos, pois 1) não foi assim que a coisa aconteceu (ele primeiro viu o monstro e, depois, o ataque ocorreu) e 2) nem fodendo aquele bicho tem três metros de altura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Blackenstein retorna ao lar, onde, pela janela, flagra Malcomb tentando (após não lograr sucesso com o romantismo) conquistar o amor de Winnie mediante a única outra forma concebível pela sofisticada mente do mordomo: estuprando a moça. Inflamada pela fúria, a criatura sobe lentamente a escadaria, grunhindo, adentra o quarto e, diante do incrédulo olhar da moça... dá umas cambaleadas pra cima de Malcomb, que foge. E o monstro se volta para Winnie. A expressão da moça certamente deveria indicar pavor paralisante, mas só posso imaginar que a frase que a moça está pensando é "You fuckin' pansy!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/ShstGTQDS7I/AAAAAAAAARY/GRUWXGH6Cy8/s1600-h/B15.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 313px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/ShstGTQDS7I/AAAAAAAAARY/GRUWXGH6Cy8/s400/B15.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5339911369447918514" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/ShstOpZQm9I/AAAAAAAAARg/QhwYKzxVWIA/s1600-h/B16.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 313px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/ShstOpZQm9I/AAAAAAAAARg/QhwYKzxVWIA/s400/B16.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5339911512831073234" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Malcomb, porém, não se deu por vencido. Corroborando nossas considerações sobre seu intelecto, o mordomo apaixonado retorna com uma pistola, disparando vários tiros contra Blackenstein e descobrindo, tarde demais, que devia ter imaginado um "Plano B".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/ShsuALzl_PI/AAAAAAAAARo/_WgFky3g9XM/s1600-h/B17.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 313px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/ShsuALzl_PI/AAAAAAAAARo/_WgFky3g9XM/s400/B17.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5339912363881921778" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Stein, alertado pela barulheira, sobe a escadaria em espiral. O simbólico lustre aparece uma vez, significando, concatenado com a escalada do cientista, que este está flertando com a morte.  Encontrando o doutor, Winnie exclama que "O monstro é Eddie!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Peraí... que porra é essa? Se a memória não me falha, essa maria cebola foi vista várias vezes dando injeções em Eddie após este ter se transformado no Black Frankenstein. Vimos, também, ela sendo atacada pelo mutante, bem como o cientista, e sabemos (como ambos devem saber) que a cela onde Eddie ficava "preso" estava sempre destrancada. Sinceramente... quem ela achava que estava cometendo uma série de homicídios nos arredores? Ali Babá e os Quarenta Ladrões? E por que Stein desconversou quando a polícia veio investigar? Por que Ali Babá, por coincidência, era parente dele? Puta merda, isso é tão idiota que adquire uma beleza transcendental...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, a debilóide e o cientista (que decifrou o código genético do DNA, não esqueçamos) saem correndo em disparada. Blackenstein, enquanto isso, aproveita o embalo para matar Bruno,e descer lentamente as escadas, grunhindo. Na metade da descida, entretanto, ele escuta os gritos de pavor da incrível mulher que rejuvenesceu, pensa melhor (não estou sacaneando, a cena é exatamente assim: o monstro escuta os gritos, pára por um instante e [só faltou dar um grunhido de reflexão] parece pensar melhor e mudar de idéia) e sobe as escadas para continuar a diversão. Mais uma vítima da vagarosa ameaça, que desça vez desce mesmo as escadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Blackenstein: The Black Frankenstein&lt;/span&gt; chega ao laboratório e percebemos que Winnie é tão ágil quanto seu noivo mutante: a moça está freneticamente (isto é, despreocupadamente) preparando uma injeção da "fórmula do DNA de Eddie" (cuja eficácia, como sabemos, já foi evidenciada reiteradamente). Mostrando uma percepção tão aguda quanto sua agilidade, Winnifred só percebe a presença do monstro gigantesco e barulhento quando este já está a alguns centimetros de distância e, para a surpresa de todos que nunca viram um filme de terror fuleiro antes, se encolhe num canto e fica gritando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em um momento de estonteante originalidade, Eddie, mostrando que ainda resta algo de sua humanidade no âmago de seu ser arruinado, reconhece sua amada e hesita. Stein, que estava sabe-se lá onde, aproveita a situação para atacar o monstro, confiante na impressionante capacidade de combate de que gozam todos os idosos. O resultado é pirotécnico, porém previsível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Shs0NldSmlI/AAAAAAAAARw/l0VXiv9PL60/s1600-h/B18.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 328px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Shs0NldSmlI/AAAAAAAAARw/l0VXiv9PL60/s400/B18.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5339919191175764562" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Essa distração parece arrefecer o interesse do monstro em Winnie, fazendo-o retornar a dar vazão a seu verdadeiro amor: vagar lentamente pela rua e atacar uma cidadã que, até então, nunca tínhamos visto e jamais saberemos quem é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A polícia chega ao laboratório e encontra Winnie. As peças estão no tabuleiro: tudo está em posição para um confronto apocalíptico entre o Frankenstein Negro e as forças policiais. Pelo menos era isso o que pensaria aquele cinéfilo hipotético que mencionei no início do artigo (se ele não tivesse falecido em razão das cem doenças que o fiz contrair). Mas não foi, entretanto, o que pensaram LeVey e Saletri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Longe de se renderem a tal clichê, a obra segue uma direção mais interessante: o monstro carrega a vítima anônima para um depósito vazio. A moça se debate e consegue se libertar, sendo perseguida pelo monstro em mais uma eletrizante sequência onde Eddie caminha lentamente e rosna. Blackenstein não é, porém, páreo para a astúcia da vítima não identificada, que encontra um esconderijo infalível e passa despercebida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Shs2XlnDloI/AAAAAAAAASA/281sqzshgFs/s1600-h/B19.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 299px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Shs2XlnDloI/AAAAAAAAASA/281sqzshgFs/s400/B19.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5339921562038670978" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A moça aproveita a oportunidade para fugir da maneira mais eficiente possível: subindo dois degraus de uma escada e emitindo gemidos audíveis a um quarteirão de distância. E, assim, para a surpresa de ninguém, Blackenstein encontra a intrépida jovem e faz mais uma vítima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando tudo parece perdido, a polícia de Los Angeles recorre a uma tática inédita. Sabe aqueles "cães demoníacos" na capa do filme? Eles são (e isso não é piada; o negócio é tão retardado que qualquer piadinha seria redundante) os "Los Angeles County Canine Corps", que a polícia solta no depósito. Os bélicos totós atacam o mutante e, após um "apoteótico" confronto, evisceram a criatura. Percam o fôlego diante do clímax da obra, que os deixará empolgados como &lt;a href="http://renzomora.wordpress.com"&gt;Renzo Mora&lt;/a&gt; após ler uma autobiografia de Preta Gil de 1500 páginas e narrada em terceira pessoa:&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/xoWZs2Fsanw&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/xoWZs2Fsanw&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Após esse momento de intenso horror, Levey resolve adoçar a coisa com um "momento romântico" e totalmente sem pé nem cabeça entre Winnie e Policial Black Power, evidenciando que a moça ainda terá um longo caminho a percorrer na dura estrada para esquecer a morte de seu amado Eddie.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Shs7OtkWtPI/AAAAAAAAASI/vtKb7mT4Dms/s1600-h/B20.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 326px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Shs7OtkWtPI/AAAAAAAAASI/vtKb7mT4Dms/s400/B20.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5339926907114140914" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;E, assim, todos vivem felizes para sempre. Não, porém, sem que sejamos brindados com uma última imagem da fachada da mansão de Stein.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Shs71L_0UUI/AAAAAAAAASQ/jf-DjDW58iY/s1600-h/B21.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 313px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Shs71L_0UUI/AAAAAAAAASQ/jf-DjDW58iY/s400/B21.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5339927568117420354" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Muito pode ser dito sobre esse filme. E eu já disse um bocado, é claro. Mas, além do que eu já disse, muito pode ser dito sobre &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Blackenstein.&lt;/span&gt; Dizer, porém, que o filme é uma porcaria, que a maquiagem é patética, que os atores são podres, que a "ciência" da história é digna de L. Ron Hubbard, que a fotografia faz uma novela da Globo parecer &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Suspiria&lt;/span&gt;, que a edição tem todo o vigor de quem acabou de ser atropelado por um ônibus e que toda a história pode ser resumida em questão de segundos é como dizer que levar um tiro no joelho dói. Embora eu tenha tentado reduzir a escrito a experiência surreal que é assistir a esta bomba, é preciso testemunhá-la pessoalmente (o que não é difícil: o trambolho está disponível em torrent e, creio eu, ninguém quis carregar a desonra de manter a "propriedade intelectual" da obra).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É óbvio que o único interesse dos culpados por &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Blackenstein&lt;/span&gt; foi faturar em cima do sucesso de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Blacula&lt;/span&gt;, lançado no ano anterior. O problema é que, embora, à primeira vista, o "modelo" de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Blackenstein &lt;/span&gt;pareça ser um besteirol do mesmo calibre, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Blacula&lt;/span&gt; é um filme bastante decente, com um elenco geralmente competente, um vilão trágico interpretado com brilhantismo por William Marshall e um romance que, apesar de recorrer ao artifício de "amor reencarnado" que eu tanto odeio, consegue convencer. Quer dizer, o pessoal que fez &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Blacula&lt;/span&gt; decidiu sentar, pensar, escrever um roteiro e fazer um filme de verdade. Já Levey e sua turma viram um cartaz do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Frankenstein&lt;/span&gt; de James Whale, pensaram, basicamente, "Ei, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Drácula&lt;/span&gt; é tipo esse filme e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Blacula&lt;/span&gt; é mais ou menos tipo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Drácula&lt;/span&gt;, só que com um cara negro fazendo papel do Drácula. Então, se a gente pegar um cara negro, colocar uma maquiagem esquisita e um cabeção quadrado nele, o filme pode se chamar &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Blackenstein&lt;/span&gt; e também vai render uma porrada de dinheiro" e convenceram um bando de otários a financiar o "empreendimento". É altamente provável que ninguém envolvido em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Blackenstein&lt;/span&gt; tenha visto uma das inúmeras versões cinematográficas da história.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa, entretanto, não é a beleza do filme, nem explica a experiência ímpar que é contemplá-lo. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Black Frankenstein&lt;/span&gt;, sinceramente, parece ter sido feito por gente que nunca assistiu a um filme antes e nem sabe exatamente o que é isso. A primeira vez que vê um personagem fazendo um monte de bobagens prosaicas e irrelevantes à trama, você pensa: "Hmm... alguém está querendo encher linguiça". Na segunda vez, a reação é a mesma. Já na terceira, o espectador começa e ficar intrigado e a ter a estranha sensação de que o "cineasta" e sua turma achariam que isso era genuinamente interessante. E na quarta (se o espectador já não ficou de saco cheio e parou de assistir) o processo se torna hipnótico. A mesma coisa com o monstro: depois de vários segundos da criatura cambaleando diante da câmera estática,  você começa a ter a impressão de que algo finalmente vai acontecer; depois de dois minutos, o espectador já começa a ficar impaciente; após três minutos, a sensação é a de que a cena vai continuar assim eternamente; após quatro, tal sensação se torna estranhamente confortável, e, quando alguma coisa finalmente acontece, é quase decepcionante, por mais ridícula e hilariante que seja a técnica utilizada por Levey para filmar as "atrocidades" do monstro. O espectador começa a desenvolver um prazer masoquista com a idéia de que as andanças do monstro vão se estender eternamente. Em minha crítica de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Incredible Melting Man&lt;/span&gt;, comentei que o roteiro era praticamente inexistente; comparado a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Blackenstein&lt;/span&gt;, porém, aquele filme parece uma trama de James Ellroy.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Temos ainda, claro, a "ciência" do filme. A quantidade de asneiras é tão imensa e intensa que leva o espectador a questionar sua própria percepção da realidade: "Será que eu estou mesmo vendo isso?", indaga-se a vítima, intrigada. "Será que alguém achou que era possível ganhar um Prêmio Nobel da Paz por 'decifrar o código genético do DNA'? Será que outra pessoa, após ler o roteiro, não percebeu o tamanho da besteira e pensou que ninguém mais no mundo tinha noção do que é levado em conta para se receber um prêmio Nobel da Paz? Ou que o público também não sabia o que era 'código genético' nem 'DNA'? Ou que nada disso tem a ver com Nobel da paz e muito menos com um monte de máquinas barulhentas que emitem raios de eletricidade?" A resposta é um enfático "Sim, tudo isso é possível" e aspectos da realidade que o espectador sempre julgou evidentes começam a se tornar questionáveis. Nenhuma dessas bobagens foi um lapso: os personagens falam reiteradas vezes (como tentei mostrar ao longo deste texto interminável) no fato de Stein ter "decifrado o código genético do DNA" e nas injeções da "fórmula de DNA de Eddie".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A edição é igualmente desconcertante: enquanto um cineasta normal tentaria cortar cenas de exposição e se concentrar na ação, Levey faz questão de  dedicar vários minutos a cenas de exposição absolutamente retardadas e ao monstro trôpego vagando por corredores escuros. Quando, entretanto, finalmente há uma cena de ação, cortes inexplicáveis turvam a compreensão do espectador. E não é o tipo de corte que evita efeitos especiais e, consequentemente, poupa dinheiro (Levey não hesita em monstrar barrigas rasgadas e tripas arrancadas, com efeitos que fazem o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Nights of Terror&lt;/span&gt; de Andrea Bianchi parecer o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Zombie &lt;/span&gt;de Fulci) - estou falando de cenas do monstro estrangulando alguém, trocando tapas, ou simplesmente arrastando a vítima, cujo acompanhamento se torna incompreensível graças a cortes durante a "ação". Para um exemplo típico, veja a morte da loiruda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trata-se, enfim, de um filme com fator trash dos mais elevados. Esqueça o bom senso e veja &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Blackenstein. &lt;/span&gt;William Levey tentou fazer uma tosca versão blaxploitation de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Frankenstein&lt;/span&gt;, mas acabou fazendo o equivalente blaxploitation de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Manos: The Hands of Fate.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6296516219389701823-1094877668422491762?l=monsterwerebritishyouknow.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://monsterwerebritishyouknow.blogspot.com/feeds/1094877668422491762/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://monsterwerebritishyouknow.blogspot.com/2009/05/blackenstein-black-frankenstein.html#comment-form' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6296516219389701823/posts/default/1094877668422491762'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6296516219389701823/posts/default/1094877668422491762'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://monsterwerebritishyouknow.blogspot.com/2009/05/blackenstein-black-frankenstein.html' title='Blackenstein: The Black Frankenstein'/><author><name>Kurt Breichen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11129034358393773414</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sm3V5ffY7YI/AAAAAAAAAXY/2_hYe6Hm6tU/S220/Cool+Guy5.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/ShXMiQsS7NI/AAAAAAAAAPw/SH2S3LxLbU0/s72-c/B1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6296516219389701823.post-6208680798143421102</id><published>2009-05-20T15:02:00.001-07:00</published><updated>2009-05-20T15:15:28.822-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Sam Peckinpah'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Stephen King'/><title type='text'>Só Para Não Passar em Branco: Sam Peckinpah sobre "The Wild Bunch"</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/ShR-ChYrpyI/AAAAAAAAAPo/c_AAHVncpTI/s1600-h/Wild+Bunch.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 294px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/ShR-ChYrpyI/AAAAAAAAAPo/c_AAHVncpTI/s400/Wild+Bunch.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5338030040127612706" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Revi o clássico acima hoje e lembrei de uma boa contada por Stephen King em "Dança Macabra". Segundo o relato, um jornalista, à epoca do lançamento de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Meu Ódio Será Sua Herança, &lt;/span&gt;indagou ao diretor por que este dirigiu um filme "tão violento". "I like shoot 'em ups", respondeu Sam Peckinpah, tranquila e definitivamente. Parece que o saudoso mestre, ao contrário de mim, era um adepto da máxima shakespeariana segunda a qual "concisão é a alma da sagacidade."&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6296516219389701823-6208680798143421102?l=monsterwerebritishyouknow.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://monsterwerebritishyouknow.blogspot.com/feeds/6208680798143421102/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://monsterwerebritishyouknow.blogspot.com/2009/05/so-para-nao-passar-em-branco-sam.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6296516219389701823/posts/default/6208680798143421102'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6296516219389701823/posts/default/6208680798143421102'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://monsterwerebritishyouknow.blogspot.com/2009/05/so-para-nao-passar-em-branco-sam.html' title='Só Para Não Passar em Branco: Sam Peckinpah sobre &quot;The Wild Bunch&quot;'/><author><name>Kurt Breichen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11129034358393773414</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sm3V5ffY7YI/AAAAAAAAAXY/2_hYe6Hm6tU/S220/Cool+Guy5.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/ShR-ChYrpyI/AAAAAAAAAPo/c_AAHVncpTI/s72-c/Wild+Bunch.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6296516219389701823.post-1537067574044665407</id><published>2009-05-17T04:41:00.000-07:00</published><updated>2009-05-26T17:19:59.594-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Richard Lester'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Richard Donner'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Christopher Reeve'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Superman'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Marlon Brando'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ilya Salkind'/><title type='text'>Superman II: The Donner Cut; Richard Lester: vá praticar um ato libidinoso consigo mesmo; Ilya Salkind: vá você também.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sg_5whMw4lI/AAAAAAAAAO4/ZNiO9N59Dmw/s1600-h/Supeman+2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 289px; height: 400px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sg_5whMw4lI/AAAAAAAAAO4/ZNiO9N59Dmw/s400/Supeman+2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5336758695398269522" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Tenho que deixar uma coisa clara: faço parte da maioria de fãs de gibis que considera os dois primeiros filmes da série &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Superman&lt;/span&gt; duas das melhores adaptações de todos os tempos e que o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Superman II, &lt;/span&gt;&lt;span&gt;embora inferior ao primeiro, ainda assim é muito bom&lt;/span&gt;. Isto posto (e talvez eu seja um fã retardatário), só ontem vi &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Superman II: The Richard Donner Cut&lt;/span&gt; e tenho que concluir: a culpa do segundo ter sido inferior ao primeiro é do diretor Richard Lester e acho que nunca mais vou querer ver a versão "original" novamente.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;A história é manjada, mas tentarei resumir para quem não conhece: desde o início, a idéia dos dois filmes era um só épico dividido em duas partes. Segundo alegações de Donner, o roteiro original, escrito por Mario Puzo e reescrito por David e Leslie Newman e Robert Benton, seguia uma orientação &lt;span style="font-style: italic;"&gt;camp&lt;/span&gt;, mais ou menos no estilo da série &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Batman&lt;/span&gt; com Adam West. Donner trouxe Tom Mankiewicz para a produção, creditado como "consultor criativo". Na prática, Mankiewicz reescreveu o roteiro, reduzindo drasticamente o fator &lt;span style="font-style: italic;"&gt;camp&lt;/span&gt; e imprimindo à história o tom sério e épico desejado por Donner. Posteriormente ao lançamento do primeiro filme, com cerca de 75-80% da fotografia principal já feita por Donner, o pau comeu entre este e os produtores Ilya e Alexander Salkind. A verdade sobre a esculhambação é obscura, mas há várias versões: Marlon Brando, baseando-se no fato de o segundo filme ter várias cenas já gravadas com seu personagem, processou (e ganhou) para receber uma porcentagem da bilheteria; os produtores optaram por simplesmente suprimir as cenas com seu personagem, o que teria emputecido Donner. Os produtores, segundo este, estariam fazendo pressão para uma filmagem mais rápida e mais barata. Ilya Salkind, por seu turno, alega que Donner excedeu o orçamento e os prazos, demandava controle criativo total e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;final cut&lt;/span&gt; do filme e exigia a manutenção das cenas com Brando, sob pena de, à moda de Eric Cartman, "screw you guys, I'm going home". A conclusão da dramática baixaria é que Donner foi dispensado e a direção foi assumida por Richard Lester. Para este manter o crédito de diretor, segundo o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Director's Guild&lt;/span&gt; (sindicato da categoria), teria que filmar pelo menos 51% do filme, resultando na maior parte das filmagens de Donner sendo limadas (estima-se que somente 25% do que este filmou foi mantido, e ainda assim só porque Hackman teria se recusado a participar de novas filmagens sem Donner na direção). Mankiewicz também caiu fora e, em conseqüência, praticamente todas as partes do roteiro que ele reescreveu retornaram à sua forma original.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não posso falar por todo mundo, mas o que nunca gostei no versão original do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Superman II&lt;/span&gt; (e acho que não estou sozinho) foi o excesso de "humor" acrescentado à história. Na verdade, mesmo no primeiro filme, já achei o Lex Luthor o ponto fraco justamente pelo roteiro tê-lo caracterizado de forma mais cômica. A interpretação de Hackman é excelente, e a dinâmica entre o personagem e seu capanga Otis, pelo menos, é genuinamente engraçada, mas nunca achei o personagem ameaçador - não obstante seu plano para se tornar o "proprietário" da Costa Leste dos EUA seja monstruoso, nunca assimilei aquele Luthor como um vilão de verdade. Achei o Luthor de Kevin Spacey muito mais eficiente. Neste aspecto, o segundo filme tinha o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;plus&lt;/span&gt; de ter três vilões de verdade. Não faço questão de que toda adaptação de gibi seja tratada com o tom de um drama sobre a Serra Leoa (o recente "Homem de Ferro", por exemplo, que tem um tom mais light, é excelente). O que acho difícil de encarar é um filme de super-herói cujo único adversário é um bufão. Mas, pelo menos, nunca achei o personagem insuportável e as virtudes do primeiro filme, em minha opinião, em muito superam as fraquezas. No segundo, porém, forçaram a barra com o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;camp&lt;/span&gt; e torna-se fácil entender por que Donner insistiu em trazer Mankiewicz para reescrever o filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A versão de Richard Donner, lançada em 2006, utilizando as cenas que ele já havia filmado e, para manter a continuidade e na ausência dos 20%-25% que ele nunca chegou a filmar, gravações de ensaios e testes. Não sei como foi solução jurídica para o problema após a morte de Brando, mas as cenas de Jor-El (cuja função, na versão original, foi substituída por Susannah York, que interpreta Lara, a mãe de Kal-El) foram restauradas. E os momentos mais xaropes do filme de Lester foram eliminados. Para evitar spoilers, tentarei ser breve ao mencionar as alterações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabem aqueles inúmeros momentos "cômicos" em que Non tenta usar sua visão para queimar coisas e falha várias vezes, além de outras que fazem o personagem parecer não o psicopata animalesco descrito por Jor-El, mas um vilão da série "Esqueceram de Mim"? Fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/ShK8vVt2v2I/AAAAAAAAAPA/-YeVnPxnU-0/s1600-h/S1.bmp"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 164px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/ShK8vVt2v2I/AAAAAAAAAPA/-YeVnPxnU-0/s400/S1.bmp" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5337536029856808802" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Sabem toda aquela sequência com os terroristas em Paris e as trapalhadas de Lois Lane para conseguir um "furo" sobre o incidente, sendo resgatada pelo Super-Homem, que acaba, ao eliminar a ameaça dos terroristas, involuntariamente libertando Zod, Non e Ursa? Nada disso aparece na edição de Donner - a forma como os três vilões se libertam é bem mais sucinta e ligada diretamente ao primeiro filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma piada muito batida sobre os gibis e filmes do Super-Homem é que todo mundo no Planeta Diário deve ser imbecil, já que a "transformação" de Clark Kent no herói consiste, basicamente, em trocar de roupa, tirar os óculos e mudar o penteado. Pois é, isso não foi ignorado por Donner e Mankiewicz e é assim (mais o fato de que os dois nunca estão no mesmo local simultaneamente) que Lois Lane chega à sua teoria de que Kent é o Super-Homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/ShP_bRAqVfI/AAAAAAAAAPI/7VjhZD1wbHY/s1600-h/S2.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 180px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/ShP_bRAqVfI/AAAAAAAAAPI/7VjhZD1wbHY/s400/S2.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5337890827251897842" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Sabem aquela idiotice supostamente cômica e sem propósito de Lois Lane ter fixação por suco de laranja espremida na hora? Fora.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tudo bem, a cena em que Lois Lane se joga na cataratas do Niágara para forçar Clark a se revelar era bem legal, mas foi substituída por outra muito melhor, e logo no começo do filme. Sabem aquela cena ridícula em que Lois finalmente descobre que Kent é o Super-Homem? Em que o herói, depois de vários malabarismos para convencer a moça que ela está errada, acaba, como um mané estabanado, tropeçando no tapete do quarto de hotel e enfiando a mão na lareira? Fora. É substituída por outra muito mais plausível e realmente cômica - ao contrário de Richard Lester, Donner e Mankiewicz não tinham o senso de humor estilo "Os Trapalhões".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/ShQBXp1cQuI/AAAAAAAAAPQ/J0YNjpqJx4M/s1600-h/S3.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 95px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/ShQBXp1cQuI/AAAAAAAAAPQ/J0YNjpqJx4M/s400/S3.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5337892964219503330" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;As cenas entre o Super-Homem e sua mãe foram substituídas pelas originalmente filmadas por Donner com Brando. É uma alteração que faz enorme diferença: Jor-El e seu filho tem um debate que realmente enfatiza a natureza egoísta e as consequências da decisão que o Super quer tomar (no original, era basicamente um, "Manhê, mas eu quero ter uma namorada!" e "Meu filho, pense bem!") E quando, após levar uma série de porradas num bar e tomar conhecimento sobre a chegada de Zod, Ursa e Non, o herói se dá conta da merda que faz e decide voltar atrás e recuperar seus poderes... Porra, enquanto no original, Clark simplesmente encontra o cristal verde na Fortaleza de Solidão e não temos nenhuma outra explicação sobre sua recuperação, aqui temos uma cena com um show de interpretação de Brando e Reeve, que aborda e intensifica ainda mais as alegorias cristãs do primeiro filme e torna aquela frase de Jor-El sobre "o filho se torna o pai e o pai se torna o filho" algo muito mais que um diálogo bonito. Eu sugiro a todo mundo que veja o filme completo, mas, para quem não se incomoda com &lt;span style="font-style: italic;"&gt;spoilers&lt;/span&gt;, eis a cena:&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="560" height="340"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/GyFzE9omSsw&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/GyFzE9omSsw&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="560" height="340"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A batalha entre o herói e os três vilões em Nova York é mais prolongada e todos aqueles ridículos momentos pastelão foram excluídos (como o cara que, com o tufão provocado pelo sopro de Zod, Ursa e Non, leva uma "sorvetada" na cara e o imbecil que, mesmo em meio ao caos, continua falando no telefone e rindo como um débil mental).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/ShQKQpYwVHI/AAAAAAAAAPY/CyuMViiC3GU/s1600-h/s4.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 96px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/ShQKQpYwVHI/AAAAAAAAAPY/CyuMViiC3GU/s400/s4.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5337902739444749426" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O confronto final também é muito mais sucinto e lúcido, sem nada daquelas palhaçadas sobre os superpoderes holográficos ou o "S" gigante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/ShQLlUw7CrI/AAAAAAAAAPg/BXqh5BgdV6M/s1600-h/s5.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 95px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/ShQLlUw7CrI/AAAAAAAAAPg/BXqh5BgdV6M/s400/s5.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5337904194197850802" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Aquela idiotice sobre o "beijo mágico que faz esquecer" também é excluída, sendo substituída por... tudo bem, a solução aqui também é bastante idiota, mas pelo menos é coerente com primeiro filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, mesmo que todas as queixas do produtor fossem a verdade absoluta, Ilya Salkind devia ter pago o que Brando queria e mantido Donner na direção, por mais insuportável que este estivesse sendo. Eu só toquei nos pontos principais. Todo o filme tem um ritmo muito melhor que o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;theatrical cut&lt;/span&gt;, mantém o tom épico do primeiro (apesar de ser cerca de dez minutos mais curto), a fotografia é muito superior e, francamente, embora tenha lido em vários sites sobre o estado precário das cenas "alternativas" utilizadas no lugar das que nunca foram filmadas, não notei tais discrepâncias. É a versão definitiva do filme e, depois de vê-la, você também não vai ter mais o menor interesse de rever o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;theatrical cut&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente - e eu gostaria muito de ter escrito isso primeiro, mas tenho que atribuir o crédito a quem é devido - vale mencionar essa consideração feita pela &lt;a href="http://www.cracked.com/article_16258_5-awesome-movies-ruined-by-last-minute-changes.html"&gt;Cracked.com&lt;/a&gt;: seria justo dizer que todas as virtudes do &lt;span style="font-style: italic;"&gt;theatrical cut&lt;/span&gt; de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Superman II &lt;/span&gt;foram mérito de Donner e todos os defeitos, culpa de Richard Lester? Bom, quando Lester teve a oportunidade de dirigir sozinho e da estaca zero um filme com o personagem, o resultado foi &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Superman III&lt;/span&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6296516219389701823-1537067574044665407?l=monsterwerebritishyouknow.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://monsterwerebritishyouknow.blogspot.com/feeds/1537067574044665407/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://monsterwerebritishyouknow.blogspot.com/2009/05/superman-ii-donner-cutrichard-lester-va.html#comment-form' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6296516219389701823/posts/default/1537067574044665407'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6296516219389701823/posts/default/1537067574044665407'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://monsterwerebritishyouknow.blogspot.com/2009/05/superman-ii-donner-cutrichard-lester-va.html' title='Superman II: The Donner Cut; Richard Lester: vá praticar um ato libidinoso consigo mesmo; Ilya Salkind: vá você também.'/><author><name>Kurt Breichen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11129034358393773414</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sm3V5ffY7YI/AAAAAAAAAXY/2_hYe6Hm6tU/S220/Cool+Guy5.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sg_5whMw4lI/AAAAAAAAAO4/ZNiO9N59Dmw/s72-c/Supeman+2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6296516219389701823.post-3192733475632635012</id><published>2009-05-12T09:21:00.000-07:00</published><updated>2009-05-28T16:21:04.261-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='satanismo'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='christopher lee'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='terence fisher'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='dennis wheatley'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='charles gray'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='hammer horror'/><title type='text'>The Devil Rides Out (1968): Kickass!!!</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sgmkb58mVFI/AAAAAAAAAN4/kb5eZbe_dXI/s1600-h/D1.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 267px; height: 399px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sgmkb58mVFI/AAAAAAAAAN4/kb5eZbe_dXI/s400/D1.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5334976032915477586" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como diria Nelson Mandela, "this fucking movie kicks unbelievable amounts of ass".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lançado no Brasil com o estapafúrdio título "As Bodas de Satã" (não tem nenhuma casamento demoníaco na história), este é um dos melhores (senão &lt;span style="font-style: italic;"&gt;o melhor&lt;/span&gt;) filmes já produzidos pela Hammer, com uma das mais memoráveis interpretações de Christopher Lee (empolgante em um de seus poucos papéis heróicos); um roteiro enxuto, onde a ação parece nunca parar, embora não haja qualquer deficiência na exposição; uma seita satânica baseada em conhecimento considerável de magia cerimonial (não estou dizendo que acredito nisso, só que tenho um interesse acadêmico sobre o assunto e sei que o filme não saiu tirando sua mitologia do nada) e Charles Gray como o vilão satanista mais &lt;span style="font-style: italic;"&gt;cool&lt;/span&gt; da história do cinema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A trama tem início com a chegada do duque de Richleau (Christopher Lee) à Inglaterra, onde é recebido por seu amigo de guerra, o americano Rex Van Ryn (Leon Greene). O terceiro membro do grupo de compadres, Simon Aron (Patrick Mower), não comparece à reunião anual do trio. Tal ausência, tomamos conhecimento, é consistente com o comportamento retraído que o rapaz tem adotado ultimamente. Seus dois amigos, a fim de verificar o que está ocorrendo, resolvem fazer uma visita-surpresa ao rapaz, que se isolou numa mansão nos arredores de Londres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá chegando, de Richleau e Rex percebem que entraram, involuntariamente, de penetras numa festa; Simon alega que não os esnobou, mas que se trata de uma reunião de uma "sociedade  astronômica" a que ele se filiou recentemente. De Richleau e Rex, ignorando que sua presença não é bem-vinda (o duque ignora porque, já desconfiado, quer sondar o ambiente; Rex, porque realmente é meio sem noção), resolvem dar uma circulada e trocar umas idéias com a turma, que se revela um aglomerado de ricaços das mais diferentes nacionalidades, entre os quais o parrudo e enigmático Mocata (Charles Gray), que, aparentemente incomodado com a presença dos dois caras-de-pau, chama Simon para uma conversa particular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aproveitando o ensejo, de Richleau continua a sondar a área, captando fragmentos de várias conversas entre as diversas panelinhas da festa; Rex, enquanto isso, tenta xavecar uma jovem, Tanith (Nike Arrighi).  A investida do "galã" se revela infrutífera: a moça, ao perceber que Rex não é membro da sociedade e, portanto, está excedendo o "grupo de treze" que deveria estar ali na ocasião, dá um célere chega-pra-lá no sedutor frustrado e se afasta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, Simon (claramente sob pressão de Mocata) percebe que os amigos não vão se mancar e resolve, delicadamente, sugerir que eles se retirem, dado que se trata de uma reunião exclusiva, prometendo entrar em contato  em breve para que os três possam "tomar umas" mais à vontade. O duque não se ofende, pedindo apenas para dar uma olhada no observatório astronômico da casa. Ansioso para se livrar dos dois pentelhos, Simon concorda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O observatório, é, digamos assim, meio suspeito, sugerindo que sutileza não é uma das notas características da tal "sociedade astronômica".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SgsoP0Y1WzI/AAAAAAAAAOA/7HSoiPdRNmY/s1600-h/D2.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 249px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SgsoP0Y1WzI/AAAAAAAAAOA/7HSoiPdRNmY/s400/D2.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5335402435776437042" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Os símbolos que adornam o recinto, associados a uma galinha branca e um galo negro (bom, pelo ocultismo, era para ser negro, mas na verdade é mesclado, negro e pardo) que de Richleau encontra em um dos armários confirmam suas suspeitas: sociedade astronômica é o escambau - Simon está envolvido em uma seita de magia negra. Resolvendo deixar a conversa de bêbado para delegado de lado, o duque vai direto ao ponto e confronta o jovem sobre o fato, recebendo o típico "a vida é minha e eu faço dela o que eu quiser" como resposta. De Richleau tenta, racional e calmamente, persuadir o rapaz, apelando para sua experiência e idade e explicando que, durante toda a sua vida, estudou esoterismo, e que o amigo está sendo induzido, ingenuamente, ao culto ao Maligno. Não logrando êxito em convencer Simon a abandonar suas "novas experiências", o duque perde a paciência e parte para uma abordagem mais convencional:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sgsr5aI_W6I/AAAAAAAAAOI/za5eMDqqpMo/s1600-h/d3.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 250px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sgsr5aI_W6I/AAAAAAAAAOI/za5eMDqqpMo/s400/d3.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5335406448820050850" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Aplicando um certeiro soco no jovem, que desmaia, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;le Duc&lt;/span&gt; abduz o rapaz e, na saída da casa, ainda bate a poeira do mordomo. Só pra sacanear. Isso é massa: menos de quinze minutos de filme e já temos Christopher Lee perdendo a compostura e descendo a porrada duas vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De Richleau conduz o rapaz a sua casa, onde o submete a uma sessão de hipnotismo para reverter a "lavagem cerebral" que teria sido feita pela seita e o deixa em um dos quartos de hóspedes, com a sugestão hipnótica de dormir por oito horas e acordar "de mente clara". E com um crucifixo em torno do pescoço. Rex, claro, não entende nada e acha que o duque está levando o negócio a sério demais. Lamentavelmente para os rapazes, Mocata, líder da seita, também não é homem de ficar punhetando, e usa seus poderes sobrenaturais para fazer o rapaz fugir na calada da noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Percebendo a sacanagem que lhes foi aprontada pelo satanista, de Richleau e Rex retornam à mansão de Simon, onde não encontram o mancebo. Mas, no observatório, são confrontados diretamente, pela primeira vez, por uma manifestação física dos superpoderes de Mocata, escapando por um triz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sgsv0GP7f2I/AAAAAAAAAOQ/yi8PxbBRA-g/s1600-h/d4.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 249px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sgsv0GP7f2I/AAAAAAAAAOQ/yi8PxbBRA-g/s400/d4.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5335410755627614050" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A situação, evidentemente, deixa Rex mais propenso a acreditar nas teorias de seu amigo. De Richleau, explica, então, o significado dos símbolos, do casal de &lt;span class="descricao"&gt;galináceos, do antigo tomo de ocultimo que eles encontram na desagradável segunda visita à casa de Simon e tudo o mais: o jovem está prestes a ser induzido numa seita satânica, provavelmente liderada por Mocata, e seu batismo de sangue, que deveria ter sido realizado naquela noite, tornaria praticamente definitiva a perda de sua alma para o Tinhoso. É então que o duque se dá conta que a noite seguinte, véspera do primeiro de maio, é o maior Sabbath do ano, quando certamente Mocata aproveitará a ocasião para celebrar o batismo satânico de Simon.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As possibilidades de a dupla impedir o fatídico batismo melhoram quando Rex se lembra que já havia encontrado Tanith, a jovem que tentou xavecar na "festa", em outra ocasião e os dois, munidos do nome completo da moça, conseguem localizar onde está hospedada. Usando, presume-se, cantadas provavelmente mais eficazes que suas abordagens anteriores, Rex basicamente sequestra Tanith (que também ainda não foi "batizada") e, conforme acordado com o duque, a leva para a casa de de Richard e (Paul Eddington) Marie Eaton (Sarah Lawson), sobrinha de De Richleau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A abdução, porém, não dura muito tempo: assim que chegam à casa, é só Rex estacionar e virar as costas que a beldade, sob a influência de Mocata, furta o carro e foge em disparada. Rex, sem muita cerimônia, pega o carro do casal emprestado e segue a fujona. Após uma frenética perseguição (bons tempos aqueles, em que ninguém achava necessário dez cortes por segundo para tornar uma cena de perseguição automobilística "mais emocionante"), Tanith, auxiliada pelos poderes malevólos do vilão e contrariando toda a sabedoria popular sobre mulheres na direção, acaba levando o herói a bater o carro e ficar comendo poeira na beira da estrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sgs4mex4vfI/AAAAAAAAAOY/Y_5yixTeufQ/s1600-h/D5.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 251px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sgs4mex4vfI/AAAAAAAAAOY/Y_5yixTeufQ/s400/D5.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5335420417298972146" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Por sorte, o destrambelhado herói, após quase ser atropelado na estrada por outro membro da seita, também a caminho do Sabbath, consegue seguir o autor do atropelamento fracassado até os portões de uma mansão (porra, todo mundo nesse filme é podre de rico e tem uma mansão...), em cujo jardim se encontram estacionados uma cacetada de carros, e testemunha Mocata, Simon e mais uma porrada de gente usando capas pretas saírem da casa  e seguirem em carreata com os veículos. Sorrateiro, Rex consegue se entocar na mala de um deles, identificar o local onde ocorrerá a carimônia satânica e entrar em contato com De Richleau, que se apressa em chegar a tempo de impedir a sua realização.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mocata realiza a liturgia que, para quem tem algum conhecimento de esoterismo e ocultismo é bastante autêntica, desde a indumentária aos apetrechos utilizados e invocações. E bastante atmosférica e sinistra, ao contrário de 99% dos rituais satânicos mostrados em filme, que geralmente são risíveis. Segue-se, broxantemente, a orgia satânica mais recatada da história do cinema (no livro, o negócio é um tremendo bacanal; aqui, é só um bando de manés vestidos, enchendo a cara e dançando, mas temos que dar um desconto: a censura britânica, à época, era tão cheia de frescuras que foi um milagre terem sequer permitido a produção, que a Hammer tentava tirar do papel desde 1964), culminando com a presença do Coisa-Ruim em pessoa...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SgtBKNVqs4I/AAAAAAAAAOo/rAlEmITWR0Y/s1600-h/D7.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 127px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SgtBKNVqs4I/AAAAAAAAAOo/rAlEmITWR0Y/s400/D7.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5335429827185521538" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sgs7ZOMI_qI/AAAAAAAAAOg/lGEiokEM2Tc/s1600-h/D6.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 250px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sgs7ZOMI_qI/AAAAAAAAAOg/lGEiokEM2Tc/s400/D6.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5335423488042270370" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SgtCPQip6lI/AAAAAAAAAOw/99m_pXNDsUA/s1600-h/d8.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 250px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SgtCPQip6lI/AAAAAAAAAOw/99m_pXNDsUA/s400/d8.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5335431013456276050" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;De Richleau e Rex, entretanto, não perdem tempo e interrompem a farra na base de faróis, tentativas homicídio com veículo automotor, porradas e lançamento de crucifixos, finalmente resgatando Simon e Tanith, fugindo no carro de um dos satanistas e os levando para a segurança do lar do casal Eaton.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mocata, contudo, é persistente como um adolescente lutando para se livrar do estigma da virgindade. De Richleau vai à cidade, fazer algumas pesquisas, deixando Simon e Tanith sob a guarda de Rex e Richard.  O satanista aproveita a deixa e resolve fazer uma visita, a pretexto de devolver o carro do duque, que ficou no local do ritual após a fuga. E temos aqui uma das melhores cenas do filme, em que Charles Gray dá um show de interpretação e Mocata, de competência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A princípio, de forma bastante razoável e persuasiva, o vilão tenta convencer Marie Eaton a permitir-lhe conversar com Simon e Tanith, aduzindo que as idéias do duque sobre suas práticas são baseadas em preconceitos supersticiosos; a conversa, entretanto, não convence a moça. Mocata, então, parte para uma demonstração ao vivo de seus poderes, e usa de hipnose para descobrir onde os dois se encontram, quase provocando a morte de Rex e Richard, deixando de lograr êxito por mero azar e saindo de cena com uma das melhores (tanto em teor quanto em entonação) ameaças do cinema de horror de todos os tempos: "I shall not be back, but something will. Tonight. Tonight something will come for Simon and the Girl." ("Eu não voltarei. Mas algo virá. Esta noite. Esta noite algo virá atrás de Simon e da garota.") O homem é foda! E a maneira casual como ele profere a ameaça (com a mesma despreocupação de quem diz "Então tá, amanhã a gente se encontra no boteco do Chico pra tomar umas") consegue ser, simultanemente, intimidadora e hilária. O sujeito é o Dean Martin do satanismo. Testemunhem:&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="560" height="340"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/j2cesAqXFEw&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/j2cesAqXFEw&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="560" height="340"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A coisa toda culmina com um confronto de poderes esotéricos e de forças de vontade entre Mocata e De Richleau, envolvendo este, Simon, Richard e Marie, protegidos por um "círculo mágico" contra o "algo" que Mocata vai enviar. O "algo" abrange variados tipos de aparições, chicanas sobrenaturais, monstros gigantes e até o próprio anjo da morte. E isso ainda é antes do clímax do filme, que consiste numa corrida contra o tempo para impedir o sacrifício de uma criança. A conclusão da história, embora pareça extremamente "viajada" à primeira vista, faz bastante sentido dentro da lógica interna do filme e é extremamente satisfatória (ao contrário de reviravoltas de merdas recentes como "Identidade" e praticamente tudo que M. Night Shyamalam fez depois de "Unbreakable").&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não vou dizer que "não se fazem mais filmes assim", porque 1) ainda fazem, embora raramente; e 2) porque corro o risco de parecer um saudosista rabugento. Mas vou dizer que é extremamente difícil encontrar filmes assim hoje em dia. A trama é muito densa e repleta de reviravoltas, mas a direção e o roteiro, respectivamente, dos veteranos Terence Fischer e Richard Matheson conseguem condensar tudo em 95 minutos de filme, sem em momento algum perder a coerência. O ritmo é acelerado do início ao fim, mas não se deixa nada a desejar em caracterização ou exposição. Ao final, o espectador fica surpreso com com a curta duração - trata-se de um daqueles raríssimos casos em que você tem a impressão de que o filme é mais longo não porque ficou de saco cheio, mas porque  parece improvável que tenha acontecido tanta coisa em tão pouco tempo. É uma experiência fascinante ver &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Devil Rides Out&lt;/span&gt; logo após assistir a uma merda interminável e cheia de embromações como "Piratas do Caribe 3".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme é baseado num livro de Dennis Wheatley, que era amigo pessoal de Christopher Lee, extremamente prolífico e um best-seller à sua época, mas pouco lido hoje em dia. Só li três obras do autor (&lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Devil Rides Out&lt;/span&gt;, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;To the Devil... a Daughter&lt;/span&gt; e &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Satanist&lt;/span&gt;) e entendo perfeitamente  o motivo de sua atual falta de popularidade: apesar de ser um contador de histórias decente, baseadas em enciclopédico (embora, em meu entender, ideologicamente equivocado) conhecimento de ocultismo, Wheatley era também um racista virulento, um entusiasta do imperialismo britânico como instrumento de civilização de "culturas inferiores" e, suspeito eu, com base no que li, um defensor da eugenia em sua pior acepção. É sério: nos três livros citados, os vilões eram sempre estrangeiros (geralmente oriundos da Ásia ou da África), geralmente portadores de alguma deformidade ou deficiência física. O Mocata literário, por exemplo,  ao contrário de sua sofisticada e  inglesa versão cinematográfica, é um estrangeiro (de onde, não se sabe, mas fica claro que ele não é caucasiano) extremamente obeso e padece de  uma língua presa que torna muito difícil levá-lo a sério; na primeira "reunião", praticamente todos os convidados, com exceção de Simon e Tanith, têm algum defeito físico berrante. Fica implícito, também, que foi o fato de Simon Aron ser judeu (e, pela lógica do autor, "mais fraco") que o teria deixado mais "vulnerável" à sedução do satanismo. Na verdade, na primeira página do livro há uma frase totalmente sem propósito a respeito de Richleau estar indo visitar seu amigo Simon Aron, "o judeu de Londres". Os mocinhos, por outro lado, eram invariavelmente britânicos, brancos e tradicionalistas. Eu detesto o "politicamente correto", mas esse é um daqueles casos extremos mesmo: o racismo do homem era um negócio tenebroso e acabava transformando histórias com tremendo potencial em palhaçadas. Seu anti-comunismo histérico também não ajudava. Compreendam: eu tenho uma profunda repulsa pelo comunismo e acho o apego historicamente retardatário da esquerda latino-americana às baboseiras marxistas um dos fatores que contribuem para o atraso da região. Mas Wheatley era daqueles que achavam que comunista come criancinha. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Satanist &lt;/span&gt;é o caso mais ridículo: toda a trama da história parte da premissa de que havia uma conspiração internacional envolvendo a União Soviética e o satanismo. Mas &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Devil Rides Out&lt;/span&gt; ainda tem um parte chatíssima (felizmente ausente no filme) envolvendo a tentativa de Mocata localizar um tal talismã esotérico para levá-lo à URSS, o que ensejaria a hegemonia desta no cenário internacional. Matheson fez exatamente o que se espera de um escritor de seu calibre: expeliu tudo que havia de racista, fastidioso e ridículo no livro e fez um dos melhores filmes de terror sobre satanismo de todos os tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fisher não fica atrás, dirigindo com a segurança que o fez responsável pelos filmes que tornaram a Hammer um nome de peso no cinema de horror. A fotografia e cenografia, como de hábito nos filmes da produtora, são excelentes, e a recriação do período (o filme se passa na década de 30), é convincente e naturalista (ao contrário do visual dos góticos clássicos, que tinham um certa aparência artificial, típica de filmes totalmente filmados em estúdio, que lhes dava uma atmosfera de contos de fada macabros). A trilha sonora é, simplesmente, a melhor obra de James Bernard.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o elenco, com exceção de Nike Arrighi (não sei se é o sotaque chato, não sei se é sua "beleza exótica", mas eu acho a personagem absolutamente xarope e não entendo o "amor à primeira vista" de Rex pela moça). Charles Gray, como já dito reiteradamente, compõe um vilão extremamente estiloso e carismático, inspirado no  célebre (ou infame, dependendo do ponto de vista) Aleister Crowley. Francamente, o personagem se porta com tanta classe e expõe suas convicções de forma tão razoável, civilizada e inteligente que o espectador tende a se perguntar se os satanistas não teriam razão - até o momento em que ele mostra  a verdadeira natureza de tais convicções, que incluem homicídio de quem contrariá-lo e sacrifício de crianças. Christopher Lee se destaca num papel atípico, conferindo a De Richleau, ao mesmo tempo, um ar de autoridade, integridade, decência e simpatia (o personagem poderia facilmente se tornar um xarope santarrão) que fazem o espectador a acreditar em suas suspeitas mirabolantes, de forma similar ao Van Helsing de Peter Cushing. Leon Greene, apesar de dublado para esconder o sotaque australiano, também convence, interpretando um indivíduo comum, basicamente decente, meio bronco, mas que jamais, felizmente, descamba para o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;comic relief&lt;/span&gt;. Sarah Lawson e Richard Eddington, apesar dos papéis reduzidos, não fazem corpo mole e tem especial relevância em momentos cruciais do filme. E nem a criança da história enche o saco. O fato de toda a trama ser tratada com extrema seriedade por todos, sem um vestígio de ironia, aliás, é um dos motivos que fazem o filme funcionar: assim como outro clássico do gênero, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Night of the Demon&lt;/span&gt;, trata-se do tipo de história que poderia facilmente descambar para o ridículo caso não houvesse comprometimento total dos envolvidos com o tom sério do filme. E tal tom ajuda a engolir alguns efeitos especiais meios toscos (repare que eu nem os mencionei, pois os julguei desprezíveis em face da excelência do resto do filme).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resumindo: Este filme é fuderoso. Assistam.&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6296516219389701823-3192733475632635012?l=monsterwerebritishyouknow.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://monsterwerebritishyouknow.blogspot.com/feeds/3192733475632635012/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://monsterwerebritishyouknow.blogspot.com/2009/05/devil-rides-out-1968-kickass.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6296516219389701823/posts/default/3192733475632635012'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6296516219389701823/posts/default/3192733475632635012'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://monsterwerebritishyouknow.blogspot.com/2009/05/devil-rides-out-1968-kickass.html' title='The Devil Rides Out (1968): Kickass!!!'/><author><name>Kurt Breichen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11129034358393773414</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sm3V5ffY7YI/AAAAAAAAAXY/2_hYe6Hm6tU/S220/Cool+Guy5.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sgmkb58mVFI/AAAAAAAAAN4/kb5eZbe_dXI/s72-c/D1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6296516219389701823.post-7164578889944950799</id><published>2009-05-05T16:03:00.000-07:00</published><updated>2009-05-10T14:59:40.172-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Herbert Lom'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='christopher lee'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jess Franco'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Soledad Miranda'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='drácula'/><title type='text'>El Conde Drácula: Jess Franco Picareta? Sem dúvida.</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SgDGr_qXMpI/AAAAAAAAAK4/Va0ESY-a3G0/s1600-h/D1.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 285px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SgDGr_qXMpI/AAAAAAAAAK4/Va0ESY-a3G0/s400/D1.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5332480417932456594" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cara, eu adoro este filme!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para não iludir ninguém (como fui iludido ao comprar esta bomba pela primeira vez), devo deixar claro, de plano, que "El Conde Drácula" é uma porcaria. A primeira vez que tive contato com esta "obra" foi através da Amazon.com. Minha principal fonte de informação foi a seção de comentários de usuários, alguns dos quais defendiam o filme como "a mais fiel adaptação da obra de Stoker de todos os tempos" e "carregado da atmosfera e os cenários góticos do clássico". Mal sabia eu que, geralmente, quando alguém comenta um filme ou livro na Amazon,  é para elogiar, por menos virtudes que tenha a obra. Não vá por mim, veja lá: é raro algum produto com nota abaixo de três estrelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, enfim, eu não sabia disso à época. Tudo que sabia era que, através das minhas astuciosas buscas pela "rede mundial de computadores", eu havia descoberto uma pérola do cinema de terror até então desconhecida pelo meu círculo de amigos, fãs do gênero. E com Christopher Lee interpretando Drácula! Se ele já era o fodão naqueles filmes da Hammer (menos naqueles dois últimos, em que ele se limita a, respectivamente, ficar nas ruínas de uma igreja, mordendo hippies [pelo menos uma das hippies era a Caroline Munro], e posando de vilão de filme de 007, querendo destruir o mundo), imagine na "mais fiel adaptação da obra de Stoker"! Amigos, serei mais sincero que o necessário: quase ejaculei na cueca quando descobri a existência deste filme. Senti-me como Keanu Reeves se sente ao descobrir, no final de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Matrix&lt;/span&gt;, que ele é o Escolhido. Foi um momento de glória. De repente, toda a realidade que me cercava era uma mera cortina de fumaça, que agora se havia dissipado, e eu era um deus entre insetos. Não perdi tempo. Saquei o cartão de crédito, comprei o VHS, escolhi frete priotário via DHL (trinta dólares por encomenda, mais cinco dólares por cada produto) e paguei mais 70% do valor em tributação. Nada disso era importante. O importante é que eu seria especial. EU TERIA A MAIS FIEL ADAPTAÇÃO DA OBRA DE STOKER DE TODOS OS TEMPOS! COM CHRISTOPHER LEE INTERPRETANDO DRÁCULA! E ASSISTIRIA ANTES DE MEUS AMIGOS E FICARIA FAZENDO INVEJA, ANTES DE PERMITIR, MAGNÂNIMO, QUE ELES COMPARTILHASSEM DESTA PRECIOSIDADE. E, APÓS ASSISTIREM, TODOS SE PROSTARIAM DIANTE DE MINHA TREMENDA POTÊNCIA E SE DIRIGIRIAM A MIM COMO "MAJESTADE" E "ALTEZA". VOCÊ SE AJOELHARÁ DIANTE DE MIM, JOR-EL!!! VOCÊ E SEUS DESCENDENTES!!! MUAHAHAHAHA!!! Que posso dizer em minha defesa? Eu era jovem, arrogante, fútil e, principalmente, não sabia o que significava "produção de Harry Alan Towers", "direção de Jess Franco" ou "edição de Bruno Mattei". Tampouco que esta "raridade" já havia sido lançada em VHS no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda bem que, ardiloso, eu esperei para assistir o filme antes de contar vantagem aos amigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cópia do filme que eu tenho hoje é o DVD da Dark Sky Films, cuja abertura, tirada da edição francesa, é diferente da contida naquele antigo VHS, que há muito se perdeu numa mudança. Ambas têm, basicamente, a mesma sequência inicial de créditos: o Castelo Drácula filmado sob vários ângulos, ao som da trilha sonora de Bruno Nicolai (que, admito, é excelente). Comecei a ficar desconfiado quando percebi que tudo na sequência é obviamente filmado day-for-night. A segunda pista que me fez questionar a possibilidade de esta ser mesmo a "mais fiel adaptação", entretanto, só está presente no VHS da Republic, de modo que, infelizmente, não poderei colocar uma foto aqui. Trata-se de um texto que surge logo após os créditos, informando-nos (em letras garrafais e vermelhas), em síntese, que  "HÁ CERCA DE CINQUENTA ANOS, BRAM STOKER ESCREVEU UMA DAS MAIS ATERRORIZANTES OBRAS DE TODOS OS TEMPOS. PELA PRIMEIRA VEZ, ESTAMOS ADAPTANDO, EXATAMENTE COMO ELE ESCREVEU, UM DAS PRIMEIRAS - E AINDA A MELHOR - OBRA DO MACABRO". Calma aí... O filme é de 1970. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Drácula&lt;/span&gt; foi publicado pela primeira vez em 1897. De onde eles tiraram esses "50 anos" de idade? Os caras estão fazendo a "mais fiel adaptação" e nem sabem de quando é o livro? Segundo: a melhor obra de terror? Eu gosto bastante do livro, mas há uma diferença entre gostar de uma coisa e considerá-la uma obra-prima. Ok, gosto não se discute.  Mas "uma das primeiras"? E Poe, que estava escrevendo "obras do macabro" antes de Stoker nascer? E Mary Shelley? E "O Vampiro", de Polidori. E "Varney, the Vampire"?  E "Carmilla"? Fiquei meio desconfiado, mas tudo bem. Vai que o pessoal tinha feito um filme tão bom que acabou se empolgando e acabou escrevendo uma introdução meio desencontrada. Essas coisas acontecem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme começa como o livro, com o advogado inglês Jonathan Harker (Fred Williams) embarcando em um trem, a caminho de Bistritz, na Transilvânia. A produção parece ser "meio" barata, a fotografia lembra uma novela da Globo da década de 80, fica evidente que Jess Franco é meio chegado num zoom (ele dá um close até na madeira da parede de um dos vagões do trem, quando este parte), mas nada que faça supor que o filme é um desastre. Só há outro passageiro no vagão de Harker, com o qual este começa a puxar conversa (é surpreendente como, em todos os filmes que se passam no Leste Europeu do século XIX, sempre tem alguém que sabe falar "um pouco de inglês"). Após uma uma amistosa troca de amenidades, Harker acaba revelando que vai visitar seu cliente, o Conde Drácula, deixando seu companheiro de viagem atônito. É neste momento que o espectador começa a perceber que a sutileza não é uma das virtudes de Franco. Ele demonstra o estarrecimento do passageiro utilizando duas táticas: 1) o ator fica com a expressão de quem está tentando dividir 143698541235792 por 137,78; e 2) a câmera dá um zoom tão intenso na cara do cidadão que quase dá para ver os pêlos do nariz dele. Confiram:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/l8PzId41nw4&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/object&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/l8PzId41nw4&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Meu caro Senhor, que Deus o preserve, pois, se vai encontrar o Conde Drácula, você precisará da ajuda de Deus", diz o viajante, com a mesma cara de quem está tentando descobrir a raiz cúbica de 98768574362145698. Harker, por seu turno, limita-se a ficar com a expressão de quem acabou de detectar um acesso de flatulência. Nada de "Por que eu vou precisar da ajuda de Deus?" Só uma cara de quem acabou de perceber que pisou em esterco e silêncio absoluto. Se essa é a eloquência habitual de Harker, eu sugiro que ele repense sua decisão de ganhar a vida advogando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na próxima cena, as coisas parecem prestes a melhorar: Harker chega de carruagem ao hotel onde pernoitará em Bistritz, antes de seguir viagem. É uma tarde nublada e chuvosa, trovões ecoam e as ruas estão desertas. O proprietário do estabelecimento informa ao advogado que seu quarto está pronto e que o Conde deixou reservada uma passagem na carruagem do dia seguinte, que o deixará no Passo Borgo, onde a carruagem do conde o encontrará. Harker vai logo dormir. A esposa do proprietário, contudo, fica com uma atitude bastante suspeita, isto é, andando de um lado para outro e olhando esquisito pro inglês.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu sono, contudo, é conturbado, talvez por pesadelos, talvez pelo fato de haver um cachorro chato pra caramba uivando na vizinhança. E não se engane: o uivo é inserido na trilha sonora num volume muito superior ao resto dos efeitos, tornando-se extremamente irritante. "Bem", pensei eu, à época que vi o filme pela primeira vez, "talvez seja intencional. Talvez o objetivo seja provocar desconforto no espectador." Um relâmpago ilumina o quarto (coisa estranha, porque, pelas cenas externas, o céu está claro e limpo como a consciência de um imbecil, sugerindo que está amanhecer de um dia ensolarado se aproxima; mais uma vez, day-for-night vagabundo). Lentamente, a porta do quarto vai se abrindo e, no momento em que outro relâmpago ilumina o recinto, Harker desperta, flagrando a invasora: a esposa do proprietário. Assustada, a moça sai correndo, mas o inglês vai atrás tomar satisfação. Ela explica que, segundo seu esposo, não devia avisá-lo, mas a noite seguinte será a véspera do dia de São Jorge, quando, "à meia-noite, foi enterrado Antônio, que você matou, e à meia-noite, Zé, você sentirá o medo, porque eu virei buscar sua alma!" Não, eu estava lembrando de um filme melhor. Na meia-noite da véspera do dia de São Jorge (então, tecnicamente, já não seria dia de São Jorge?), segundo a fulana, todos os espíritos do mal ficam ao nosso redor. Ela solta mais umas baboseiras vagas a respeito do lugar aonde ele vai, mas nada de explicar exatamente qual é o perigo. Bela ajuda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na cena seguinte, testemunhamos o que acontece quando o direção perfeccionista de Jess Franco se funde com a edição detalhista de Bruno Mattei: primeiro, temos uma visão panorâmica de Bistritz, mostrando que o céu está claro; em seguida, vemos Harker caminhando rumo à carruagem, obviamente à noite ou, pelo menos, de madrugada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SgDapSbgV0I/AAAAAAAAALI/3zdXVssdaN8/s1600-h/d3.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 160px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SgDapSbgV0I/AAAAAAAAALI/3zdXVssdaN8/s400/d3.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5332502361663362882" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Todo mundo na carruagem fica estranhando Harker, o companheiro de viagem de trem (que, veja você, vai pegar a mesma diligência) solta mais mais abobrinhas vagas sobre a noite de São Jorge e o destino da viagem do inglês, mas, como sempre, ninguém fala nada claramente. Eram tempos diferentes, caracterizados por mais sutileza e polidez. Fosse hoje, eu simplesmente seguraria alguém pela gola e exclamaria, "Puta que o pariu, isso não é comercial do Walter Mercado! Falem logo que porra tem nessa merda de castelo!" Mas Harker é um &lt;span style="font-style: italic;"&gt;gentleman&lt;/span&gt;, e se limita a ficar emburrado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O colega de viagem conta que eles chegarão ao Passo Borgo após o anoitecer. A carruagem segue mata adentro, até parar numa área de denso nevoeiro (tão denso, aliás, que quase não dá pra ver nada). O cocheiro informa a Harker que "este é o Passo Borgo", deixando o advogado à própria sorte. A cena, tenho que admitir, é bastante atmosférica, até o momento em que a câmera se inclina para cima e flagramos o sol brilhando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SgDd67rUvPI/AAAAAAAAALQ/afQnfrrhLO0/s1600-h/d4.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 303px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SgDd67rUvPI/AAAAAAAAALQ/afQnfrrhLO0/s400/d4.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5332505963328224498" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Da névoa, emerge a carruagem do Conde, O cocheiro tem o inconfundível vozeirão de Christopher Lee, mas seu rosto está coberto por um lenço. À medida que o coche segue viagem rumo ao castelo, Harker se assusta com os cada vez mais próximos uivos de lobos. A carruagem pára e só então percebemos, enregelados de pavor, que ela está cercada pelos ferozes predadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SgDf1LusU8I/AAAAAAAAALY/8bxrtWXIuRc/s1600-h/D5.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 303px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SgDf1LusU8I/AAAAAAAAALY/8bxrtWXIuRc/s400/D5.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5332508063581361090" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Quer dizer, quatro simpáticos pastores alemães, com rosnados "raivosos" colocados de qualquer jeito na trilha sonora que, nem de longe, convencem. Se esses adoráveis totós estão mesmo rosnando, eles devem ser ventríloquos. É sério, dá vontade de chegar e dar um afago nos bichinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Paralisado pelo medo, Jonathan observa, incrédulo, o cocheiro descer da carruagem e, com um simples gesto e um olhar esbugalhado, fazer os "lobos" fugirem (e a fuga deles é hilária: é óbvio que alguém, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;off screen&lt;/span&gt;, começou a estalar os dedos e chamar os cachorros, que obedeceram alegremente). No livro (onde, de fato, a carruagem era cercada por lobos, não por pastores alemães ansiosos por um afago), tal episódio tem o condão dar uma amostra inicial dos tremendos poderes sobrenaturais do conde (e, se vocês não perceberam até agora que o "cocheiro" é Christopher Lee mal disfarçado, entrem em contato: estou vendendo terrenos na lua que certamente irão interessá-los); aqui, ficamos apenas com a impressão de que o vampiro é um sujeito ranzinza que detesta animais fofinhos. O cocheiro ecologicamente incorreto volta à carruagem e segue viagem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, a tensa (pfffffffffffffff) jornada chega ao fim e Harker é deixado às portas do imponente castelo. Mais uma vez, dá para ver que essa cena, que se passaria na calada da noite, foi filmada durante o dia, mas vou parar de comentar essas coisas pois já se tornou regra. Mas o castelo, devo admitir, realmente enche os olhos. Fica patente que se trata de um castelo de verdade, não de uma maquete vagabunda conjugada com sets fuleiros (como seria de se esperar). O que nos conduz à seguinte questão: como Franco e seu produtor notoriamente mão-de-vaca, Harry Alan Towers, conseguiram filmar no local? Tenho duas possibilidades em mente: uma, mais prosaica, seria a de que os dois encontraram algum aristocrata falido, ansioso por um dinheiro rápido para ajudar a pagar a hipoteca e resolver os problemas com o fisco (se foi o caso, aposto que a quantia paga ajudou muito pouco); outra é similar à minha teoria sobre a "locação" do equipamento de Kenneth Strickfadden para a produção de "Drácula vs. Frankenstein" - a dupla dinâmica conseguiu algumas fotos comprometedoras do hipotético aristocrata, provavelmente envolvento sexo com ovelhas. Enfim, apesar de ser porcamente filmada durante o dia, com filtros para tentar enganar os trouxas, a chegada de Harker ao castelo causa boa impressão. O negócio está começando a parecer "carregado de atmosfera gótica".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após observar os morcegos que voam ao redor das torres da construção (muito criativo; mais criativo ainda são os guinchos dos bichos: sinceramente, nunca vi um morcego fazer barulho de um gato sendo estrangulado), o advogado bate na porta. Esta, após alguns segundos, lentamente é aberta, rangendo, e, na entrada, saindo das sombras, finalmente assoma o famigerado Conde. E aqui a coisa &lt;span style="font-style: italic;"&gt;realmente&lt;/span&gt; começa a parecer que vai melhorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SgGIFJBeTjI/AAAAAAAAALo/T-wJfsr7jCw/s1600-h/D6.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 331px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SgGIFJBeTjI/AAAAAAAAALo/T-wJfsr7jCw/s400/D6.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5332693055686200882" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A César o que é de César: se há um aspecto em que o filme cumpre, plenamente, sua promessa de ser "a mais fiel adaptação" de "Drácula", é a excelente caracterização do conde. Em primeiro lugar, a aparência física de Christopher Lee está &lt;span style="font-style: italic;"&gt;idêntica&lt;/span&gt; à maneira como ele é descrito no livro. A interpretação não fica atrás: sua linguagem corporal, seu notório vozeirão, seu porte, em geral, é genuinamente aristocrático, conforme seu equivalente literário. À primeira vista, tudo que enxergamos é um ancião de descendência nobre, impecavelmente refinado, que aprendeu a se comportar segundo protocolos que, mesmo à época, já estavam se tornando obsoletos, mas que se orgulha da história de sua linhagem, apesar de reconhecer a necessidade de "acompanhar o progresso". Quase dá para engolir aquelas lorotas que Lee adora contar sobre como ele pode traçar sua arvore genealógica até Carlos Magno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Harker ingressa no castelo e o conde, explicando que os criados "já se retiraram", conduz o advogado até o quarto onde este ficará, no qual, aduz, o mesmo poderá se recompor após a cansativa viagem. E é nesse momento, quando os dois entram no quarto, que começamos a desconfiar de que o bom presságio inicialmente causado pela interpretação de Christopher Lee pode ser um engodo:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SgGMC_KS1QI/AAAAAAAAALw/i-Oh5SaWMAc/s1600-h/D7.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 148px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SgGMC_KS1QI/AAAAAAAAALw/i-Oh5SaWMAc/s400/D7.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5332697416725615874" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A "cena do espelho" já é muito manjada e foi mostrada em vários filmes, mas vamos relembrar como ela ocorre no livro. Após certo tempo de estadia, Harker percebe que, curiosamente, não há um espelho sequer no castelo. Para se barbear, acaba recorrendo a um pequeno espelho que trouxe em sua bagagem, o qual deixa pendurado na parede de seu quarto. Numa noite, ao fazer a barba, Harker toma um tremendo susto: uma mão pousa sobre o seu ombro e uma voz exclama "boa noite". Olhando para trás, ele percebe que se trata do conde, que entrou no quarto, se aproximou dele e colocou a mão em seu ombro &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sem refletir no espelho.&lt;/span&gt; Após olhar para o conde e para o espelho várias vezes, Harker acaba chegando à conclusão de que Drácula não tem reflexo, o que, evidentemente, sugere que o aristocrata é uma criatura sobrenatural.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Franco, por outro lado, tentou uma abordagem mais "inovadora": retratar o vilão do filme como uma besta quadrada que, sabendo não possuir reflexo, deixa um espelho gigantesco de frente à porta do quarto de hóspedes. E leva um hóspede para o referido quarto. E fica conversando com o hóspede na frente do espelho. Puta que o pariu... só faltou ele dar uma de Leslie Nielsen e chamar Harker para dançar uma polka na frente do espelho. Para mim, esse momento tornou nula toda a dignidade que Christopher Lee conferiu ao personagem: ainda bem que esse Drácula é um morto-vivo, pois, se ele fosse vivo, acabaria esquecendo de respirar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais tarde, Harker vai jantar e fechar a venda de uma casa em Londres. O conde vê a foto da noiva do inglês, Mina, e de sua amiguinha, Lucy, mas Christopher Lee aproveita a cena para nos fazer, por breves e preciosos segundos, esquecer a imbecilidade da cena do espelho, recitando, com verve, longos monólogos extraídos do livro. Harker, entrementes, começa a perceber detalhes perturbadores que não havia notado inicialmente, tais como as unhas pontiagudas e os dentes afiados do aristocrata. Lobos começam a uivar e Drácula solta o clássico "ouça-as, as crianças da noite. Que música elas fazem!". O problema é que os uivos (como o cachorro chato no hotel) são inseridos em volume tão alto na trilha sonora que quase esperamos que Drácula perca a compostura e grite "Calaboca, caralho!" De qualquer maneira, a cena é decente, é a interpretação de Lee é fantástica. Como eu disse, a mais fiel ao livro. Após comunicar a Harker que este deverá passar alguns dias no castelo (querendo ou não),  a pretexto de ensiná-lo mais sobre os costumes britânicos, o conde percebe que está amanhecendo e sugere que o advogado vá dormir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sozinho em seu quarto, Harker observa, pela janela, alguns ciganos carregando caixões no pátio do castelo e, tentando abrir a porta, percebe que está trancado. E o pior de tudo: ao encostar numa das colunas de sua cama, o inglês descobre que TEM UMA ARANHA PERTO DA MÃO DELE! AHHHHHHHHHHHH!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SgIqHVo_iMI/AAAAAAAAAL4/BrxB-YH5esU/s1600-h/D8.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 304px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SgIqHVo_iMI/AAAAAAAAAL4/BrxB-YH5esU/s400/D8.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5332871214316619970" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A coisa é ridícula: com uma repetina e histérica nota irrompendo na trilha sonora, Harker dá um pulinho pra trás e a câmera dá um zoom na aranha, como se esta fosse a coisa mais abominável que a mente humana poderia conceber. E nem é uma tarântula nem nada do tipo. Só uma pega-mosca vagabunda (de plástico, aliás). Começo a desconfiar da estabilidade mental desse Harker: ele vê um cara sem reflexo no espelho e não esboça qualquer reação, mas é só aparecer uma aranha pega-mosca e o homem dá um faniquito. Acerta essa porra com o sapato, rapaz!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais momentos de horror se concretizam quando o advogado vê a sombra de um morcego na janela (mas, quando ele viu os ciganos, o sol estava brilh... deixa pra lá), decide abrí-la e é atacado pela câmera de Jesus Franco, que ameaça várias vezes golpeá-lo no rosto com a lente. Ou será que a cena significava que ele foi atacado pelo morcego? Prefiro minha primeira interpretação, pois é mais interessante e, certamente, mais assustadora: como &lt;span style="font-style: italic;"&gt;você&lt;/span&gt; reagiria se Jess Franco partisse pra cima de você com uma câmera em punho?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Exaurido por tantas manifestações macabras, nosso intrépido herói acaba se conformando com a presença da aranha e vai dormir...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SgLNu1LIIAI/AAAAAAAAAMA/mwdqT51YJVY/s1600-h/d9.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 287px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SgLNu1LIIAI/AAAAAAAAAMA/mwdqT51YJVY/s400/d9.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5333051113191514114" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;... e corta para uma catacumba, onde, aparentemente, alguém deixou Harker, inconsciente. De três esquifes, três espectros se erguem, lentamente adquirindo forma física e revelando serem três beldades - as concubinas de Drácula. Quando estão prestes a morder o mancebo, Drácula surge do nada, puto da vida, e manda suas cachorras se afastarem, pois "este homem pertence a mim". Indagado pelas moças se não terão nada para degustar, o conde aponta, imperioso, para um saco no canto, onde algo se move - um bebê, pelo choro. As três vampiras se apressam em carregar o bebê para um cantinho onde poderão desfrutar de sua refeição mais à vontade e...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Harker desperta, com um sobressalto, em seu quarto. A sequência supracitada parece um raro momento de competência técnica do diretor, mas, após análise mais detida, chega-se à conclusão que o desleixo de Franco e seu editor preponderaram. Vamos às virtudes: a transição do quarto de Harker para a catacumba é feita com bela fluidez (difícil acreditar que Mattei foi responsável por isso): em um momento, Harker está deitado na cama; em seguida, vemos duas velas fora de foco, em close. Vagarosamente, à medida em que a câmara se afasta,  um tema sutilmente sinistro vai se elevando na trilha sonora, a imagem entra em foco e vemos que as velas estão em um candelabro coberto de teias de aranha. Vemos Jonathan inconsciente no chão. Vamos os três caixões e formas pálidas intangíveis se levantando destes e caminhando em direção ao segundo plano, onde Harker jaz inconsciente. Os espectros tomam forma sólida enquando andam. Percebemos, então que se tratam de três mulheres de longas camisolas. Corta para as três pairando sobre o inglês e decidindo  qual delas o "beijará" primeiro. A catacumba parece ser genuína e, acompanhada da situação e da trilha sonora, realmente imbui a cena com aquele "clima gótico" e a atmosfera sinistra de que os "resenhistas" da Amazon tanto falavam. Quando finalmente a "escolhida" está prestes a partir para o ataque, o Conde surge do nada, furioso, e manda as três se afastarem, contentando-se com o bebê que ele trouxe para jantar. Tudo funciona perfeitamente bem, mas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olha, quando se analisa bem toda a situação, a cena é idiota e só funciona fora de contexto. Em primeiro lugar, quem levou Harker para a catacumba? Drácula não foi, pois, obviamente, ele não tem o menor interesse em servir o visitante às suas concubinas. As vampiras? Também não, pois elas estão despertando quando Harker está inconsciente na cripta. E o personagem permanece inconsciente durante &lt;span style="font-style: italic;"&gt;toda a cena&lt;/span&gt;. Logo, por que porra ele acordou tão apavorado? A rigor, ele não viu nada do que aconteceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SgLQk1MOFBI/AAAAAAAAAMI/pw9Fhf59DLk/s1600-h/d10.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 288px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SgLQk1MOFBI/AAAAAAAAAMI/pw9Fhf59DLk/s400/d10.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5333054239932290066" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;No livro, o que ocorre é que Harker, passeando sozinho pelo castelo (onde quase todas as portas, com exceção das de seu quarto e da biblioteca) estão trancadas, encontra um quarto abandonado, onde senta num sofá velho e acaba pegando no sono. Quando ele desperta, percebe que três belas mulheres surgiram no recinto.  Rolam uns amassos entre ele, ainda meio grogue de sono (ou talvez sob efeito dos poderes hipnóticos das criaturas) e as vampiras. Quando elas finalmente estão prestes a mordê-lo, o conde aparece, mais puto que agentes do Mossad numa convenção neonazista, dá um esporro nas moças e as manda se servirem do bebê que ele trouxe. Vendo as três mortas-vivas atacando o bebê, Harker, compreensivelmente, surta e desmaia, acordando, horrorizado, em seu quarto, sem saber se o que ocorreu foi um pesadelo ou não. Neste filme, a cena simplesmente não faz o menor sentido: nem a presença de Harker na catacumba, nem a maneira como ele desperta. Pensando bem, a edição é mesmo típica de Bruno Mattei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nas circunstâncias, eu pensaria que tive um pesadelo. Mas algo convence Harker de que coisas sinistras se passam ao seu redor: espiando pela janela do quarto, ele vê Drácula abrir os braços, desaparecendo, e, logo depois, um morcego voando. Por que Drácula teria esse rompante de  exibicionismo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;logo em frente à janela do quarto de hóspedes, &lt;/span&gt;não faço a menor idéia. Mas releva lembrar que estamos falando de um vampiro que tem um espelho do tamanho de uma parede em casa, de modo que não se trata de um agir de todo incoerente. Somando dois mais dois, o jovem logo percebe que se meteu numa roubada. Abrindo a janela e descobrindo que  Jess Franco e sua câmera ameaçadora não estão mais na vizinhança, ele decide fugir do quarto da única maneira possível: através de um frágil parapeito de madeira e arame que fica entre a janela de seu quarto e outra, alguns metros à esquerda. Tenho uma ligeira impressão de que esse "parapeito" não fazia parte da arquitetura original do castelo. Na verdade, aposto que Franco, ao invés de fazer Harker sair do seu quarto como no livro (usando mãos e pés nas fendas entre os blocos de pedra da construção para se locomover), pois isso daria muito trabalho, simplesmente arranjou uns dois pedaços de pau, um pouco de arame farpado, algumas trepadeiras mortas e pregou entre as duas janelas. Confiram e decidam a plausibilidade de minha teoria:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SgMkuS46_bI/AAAAAAAAAMY/9kMHY8T5mZ0/s1600-h/d11.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 302px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SgMkuS46_bI/AAAAAAAAAMY/9kMHY8T5mZ0/s400/d11.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5333146761499966898" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;De qualquer maneira, um fato é incontestável: o clima de "tensão" da cena é completamente retardado. Porra, dava tranquilamente para ele sair caminhando a passos rápidos de uma janela para outra, dada a largura do parapeito. Por outro lado, trata-se de um homem que quase desmaiou por quase de uma aranha...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após essa perigosa travessia, o rapaz chega a uma ala do castelo lotada de caixotes de madeira e, acendendo um candelabro convenientemente colocado em uma mesa próxima, resolve explorar a área. E, de fato, o clima da cena é bastante sinistro. Ele acaba chegando à catacumba onde foi atacado pelas vampiras e percebe que, além dos caixões destas, há um gigantesco sarcófago de pedra, com o nome DRACULA talhado. Destemido, o jurista levanta, com esforço, a tampa do sarcófago e chega à conclusão de que seu cliente, de fato, não é um paradigma de normalidade...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SgMmaSQ5rVI/AAAAAAAAAMg/tG5dIukDJbA/s1600-h/d12.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 288px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SgMmaSQ5rVI/AAAAAAAAAMg/tG5dIukDJbA/s400/d12.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5333148616757980498" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Mais uma vez, brota no espectador a esperança de que o filme vai prestar: a trilha sonora, o ritmo, a iluminação, enfim, a construção de toda a sequência, culminando com essa cena, idêntica à do livro (inclusive no que tange ao fato de Drácula estar visivelmente mais jovem), quase nos faz esquecer algumas das tosqueiras prévias. Com as vozes das vampiras e do conde ecoando em sua mente, Harker demonstra tomar decisões com bem mais agilidade que sua versão literária. Como Sir Robin, ele galantamente dá no pé e salta janela afora, despencando do precipício à beira do qual fica o castelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SgMntHeiAZI/AAAAAAAAAMo/n00MRoHl9yA/s1600-h/D13.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 305px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SgMntHeiAZI/AAAAAAAAAMo/n00MRoHl9yA/s400/D13.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5333150039791501714" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;E é aqui que todo o xaveco de "mais fiel adaptação da obra de Stoker" é deixado  firmemente de lado e a, como diria o amigo &lt;a href="http://demmentia13.blogspot.com/"&gt;Ronald Perrone&lt;/a&gt;, genialidade picareta, desleixada e incompreendida de Franco assume totalmente as rédeas da produção. Harker acorda num leito de hospital, sendo informado pelo médico que o examina, Dr. Seward (Paul Müller), que ele está na "Clínica Particular do Professor Van Helsing", próxima de Londres; que seu corpo foi encontrado num córrego nas montanhas, a duzentos quilômetros de Budapeste (e quem o encontrou deu uma passadinha na clínica e deixou o rapaz, pois, como todos sabem, da Hungria para Londres é só um pulo). O moço começa a delirar sobre Drácula e sobre ter sido seguido por este e outros "disfarçados de morcegos gigantes, tão grandes quanto homens" (essa eu queria ter visto; infelizmente, Towers provavelmente não quis abrir a carteira para Franco mostrar), dá um piripaque e Seward, de saco cheio com o papo chato, resolve dopar o cidadão, que volta à inconsciência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Van Helsing (interpretado por Herbert Lom) entra no quarto e indaga sobre o estado do paciente; Seward conta a história de Harker e, ao ouvir o nome "Drácula", o professor demonstra certa desconfiança e verifica o pescoço de Jonathan, constatando a presença de duas marcas de mordidas (dan-dan-dan!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, Seward vai verificar outro paciente, Renfield (Klaus Kinski!), que está jogando comida contra a parede e a espalhando para atrair moscas. Não sei muito como entrar em detalhes sobre a interpretação de Kinski no filme, pois ele passa quase todo o tempo mudo, jogando comida na parede, comendo moscas, e  o personagem pouco influi na história. Só posso dizer uma coisa: a interpretação dele como o maluco é ótima (coisa que, pelo que dizem, não era muito difícil para o polonês). É difícil descrever, mas acredite: o miserável conseguia, só com a linguagem corporal, interpretar melhor que a maioria dos astros de Hollywood de hoje em dia. Pena que foi subaproveitado. O único propósito da visita de Seward à Renfield na narrativa é observar que a "velha mansão" ao lado da clínica foi alugada, enquando Renfield observa o movimento do casarão, onde caixotes de madeira estão sendo descarregados (mistério... quem será que se mudou para a mansão?) E, para parafrasear Austin Powers, é incrível como a vegetação dos "arredores de Londres" não lembra nem um pouco a da Espanha:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SgMwg67LuhI/AAAAAAAAAMw/qys7w5KOC_Y/s1600-h/D14.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 305px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SgMwg67LuhI/AAAAAAAAAMw/qys7w5KOC_Y/s400/D14.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5333159725868235282" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Enquanto isso, Mina (Maria Rohm) e Lucy (Soledad Miranda. Êba!) chegam para acompanhar o recuperação de Harker. Lembram daquela crítica que fiz quanto à caracterização "moderna" de Lucy na versão de Coppola? Pois é, Franco resolveu fazer o extremo oposto: a Lucy aqui é tão sensível, mas tão sensível, que eu teria medo até de falar alto perto da moça, sob pena desta entrar em pânico e desmaiar. Exemplo número 1: logo que as duas chegam à clínica, Lucy indaga, aterrorizada: "Mina, o que é aquilo?" "Aquilo" é um cachorro, latindo, preso num canil. Que porra é essa? A menina nunca viu um cachorro? Exemplo número 2: enquanto Mina e Seward discutem o diagnóstico de Jonathan (em síntese, o médico acha que Jonathan, segundo o jargão científico, ficou doido), um dos malucos internados começa a gritar e Lucy dá um revestréiz e desmaia. Impende lembrar que a "frágil e delicada" personagem é interpretada por Soledad Miranda, aquele saudoso monumento à exuberância cigana...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SgM-MFAHC7I/AAAAAAAAANA/GbSWyzlW6-g/s1600-h/d15.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 268px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SgM-MFAHC7I/AAAAAAAAANA/GbSWyzlW6-g/s400/d15.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5333174760958790578" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Graças a tal piripaque, as donzelas têm que passar a noite na clínica. E, por coincidência, elas trouxeram bagagem. Será que Lucy é, de fato, tão frágil? Será que esse piripaque  foi genuíno? Não teria sido o faniquito apenas um fraudulento pretexto para as duas beldades lograrem hospedagem gratuita? Você decide. Enquanto a moça se recupera de seu, como dizemos no sertão, pantim, Van Helsing discute o estado de saúde de Harker com Mina, transmitindo aquela segurança que todos almejam quando vão ver um médico (paráfrase do diagnóstico do médico: "ou ele está imaginando coisas ou está mentindo").&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se minha teoria sobre o verdadeiro motivo do desmaio de Lucy procede, o tiro sai pela culatra: na mesma noite, um morcego voa nas proximidades da janela do quarto da jovem, uma voz fantasmagórica chama seu nome e esta, num ataque de sonambulismo, sai da clínica (reparem na segurança do estabelecimento: nenhuma porta trancada). Mina percebe que sua parceira do crime sumiu e sai em seu encalço, seguindo-a ao que parece ser a ruína de um monastério. Infelizmente para Lucy, Drácula já fez o serviço: quando Mina alcança sua amiga, o conde largando a moça, desvanece, e tudo que a noiva de Jonathan vê é uma sombra desaparecendo. Após superar o choque, ela encontra Lucy inconsciente e a leva de volta à clínica. Sejamos justos: toda a sequência, do momento em que Lucy é acordada pela voz fantasmagórica até a cena em que Mina a encontra, é dirigida e editada com eficiência, transmitindo uma autêntica sensação de desconforto ao espectador. Para que nenhum fã do espanhol me acuse de ser injusto, vejamos um raro lampejo de competência de Franco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/0URGdFP8vFk&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/object&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/0URGdFP8vFk&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Não tão eficiente é a intervenção profissional de Seward, que verifica as duas marcas no pescoço de Lucy, afirma que não sabe o que houve, resmunga que "Hmmm... ela perdeu muito sangue... a situação é grave" e vai consultar Van Helsing. Sugere, ainda, que Mina contate o noivo de Lucy, o advogado Quincey Morris. Isso mesmo: como é de praxe em adaptações, fundiram os personagens de Arthur Holmwood e Quincey Morris. Este, porém, não é o problema. O problema é o ator escalado para encarnar o personagem:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SgQRtEMCBoI/AAAAAAAAANI/xFPwIetN8Lk/s1600-h/d16.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 219px; height: 257px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SgQRtEMCBoI/AAAAAAAAANI/xFPwIetN8Lk/s400/d16.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5333407324629501570" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Jack Taylor! Amigos, quem já viu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Ghost Galleon&lt;/span&gt; (o terceiro filme da tetralogia dos zumbis cegos de Amando de Ossorio) ou  &lt;span style="font-style: italic;"&gt;A Orgia Noturna dos Vampiros&lt;/span&gt; sabe do que eu estou falando: se houvesse um prêmio para "figura mais suspeita do cinema europeu", Taylor seria um dos favoritos. Sabe quando você olha para um sujeito e pensa imediatamente: "Bicho, eu aposto que esse cara molesta criancinhas"? Se você é mulher, sabe aquele tipo de homem com quem jamais tomaria um drinque, por medo que ele te passasse um "boa noite, Cinderela" e te estuprasse enquanto você está desacordada? Pois é, Jack Taylor é esse tipo de sujeito. Não há como descrever com precisão, mas ele tem, na falta de palavra melhor, uma aura de escrotice que torna altamente duvidosa a decisão de escolhê-lo para interpretar um dos heróis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Prosseguindo, Van Helsing se apressa em levar o rapaz a fazer uma transfusão de sangue para sua amada, resolvendo temporariamente o problema. Seward, mais uma vez deixando claro que é um dos melhores de sua área, profere o reconfortante prognóstico: "Agora ela tem uma chance. Vamos esperar e ver".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Drácula, contudo, não é adepto dessa filosofia de "deixa a vida me levar" e parte para o ataque. Desta vez, ele usa seus superpoderes para fazer uma Lucy sonâmbula abrir a janela do seu quarto e mete bronca, fazendo todo o trabalho voltar à estaca zero.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Harker, enquanto isso, despertou e está vagando pelos corredores da clínica (mais uma vez: segurança de primeira), sendo flagrado por um guarda (bom trabalho, parceiro!). Entrementes, Mina e Morris estão (com razão), aporrinhando Van Helsing, que, afinal, não fez porra nenhuma nem deu nenhum diagnóstico convincente até agora. "Você não pode deixá-la morrer por ignorância", afirma Mina, ao que o erudito Professor explica: "Talvez não seja ignorância, mas medo de admitir minhas próprias suspeitas". "Sei," retrucaria eu "então você não é inepto. Só covarde." O acadêmico procede a contar a história de Renfield: basicamente, este estava viajando com a filha pela Transilvânia, a menina ficou misteriosamente doente. Um dia, os vizinhos ouviram um grito terrível vindo do quarto de Renfield e, lá chegando, encontraram-no louco e sua filha, morta. O médico, cheio de autoridade, segue pontificando sobre as lendas da Transilvânia, asseverando que acredita haver um fundo de verdade em tais lendas e que Jonathan teve um vislumbre dessa "verdade". E é neste momento que Jonathan irrompe no recinto e, indignado, exclama, com a entonação de um Samuel L. Jackson do século XIX "Motherfucker!!!" Tudo bem, eu "reimaginei" essa última parte. Jonathan entra e pergunta: "Então por que você não acredita no que eu disse sobre o Conde Drácula?" Mas minha versão mentirosa seria mais merecida. Vejamos o comportamento de Van Helsing:  primeiro ele disse que Harker estava louco ou mentindo, agora já diz que ele teve uma experiência com o sobrenatural. Caralho, isso é um picareta muito cara-de-pau, atirando para todos os lados para ver se tira o dele da reta caso ocorra alguma merda. E olha que, diferente de sua versão literária, esse Van Helsing não se deparou a inusitada situação de Lucy, enfiou a cara nos livros e, finalmente, chegou a uma conclusão sobre o mal que pairava sobre sua paciente. Não, estamos falando de um sujeito que passou a vida estudando "as Artes Negras". Falaremos mais sobre o assunto depois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Confrontado com esta pergunta sumamente pertinente, o "professor" simplesmente responde, cheio de falsa austeridade: "Não posso dizer. Não ouso". Picareta...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na noite seguinte, Drácula, da varanda de sua mansão, usa seus superpoderes para fazer Renfield abrir as grades da janela de sua cela e se jogar, caindo uns três andares e se estabacando no chão (mais uma vez, sou obrigado a observar que a segurança dessa clínica é fantástica). Por que? Jamais saberemos com certeza, mas eu posso especular: talvez porque, apesar de sua eterna carranca, o conde tenha um senso de humor pra lá de escroto. Posso até imaginá-lo antes de sair na varanda, se estourando de rir e comentando sozinho "hehehehe... isso vai ser muito massa!"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mostrando que não é homem de enrolações, o conde, em seguida vai fazer mais uma visita a Lucy. No meio do bem-bom, Mina entra no quarto para verificar o estado de saúde de sua amiga e flagra o vampiro em pleno oba-oba. Confrontado com a empata-foda, Drácula vira um morcego e bate em retirada (quer dizer, a câmara desvia de Christopher Lee e corta para o vulto de um morcego na janela), mas o estrago já está feito: Lucy bateu as botas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SgSc3Cfl8QI/AAAAAAAAANQ/Dgl__rZSuAE/s1600-h/d17.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 305px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SgSc3Cfl8QI/AAAAAAAAANQ/Dgl__rZSuAE/s400/d17.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5333560328089628930" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Diante dos lamentos de Mina, Van Helsing exclama, numa cara-de-pau inacreditável: "Mas vocês estão vivos! Isso é um sinal! Talvez não seja tarde demais para eu agir." Ô, cagão, já é, sim, tarde demais pra você agir. Caso não tenha percebido, Lucy morreu.  Não se trata mais de "é tempo de agir", e sim de "é tempo de limpar a merda". Quem leu o livro sabe que a versão literária de Van Helsing faz de tudo em seu poder para frustrar os ataques do vampiro a Lucy, sendo derrotado por vários ardis do conde e vários golpes de azar. Lembre-se, ainda, que, no livro, Van Helsing nem está em cena quando Lucy é atacada pela primeira vez: ele vem de Amsterdã, a pedido de Seward, quando a situação já está grave, e, mesmo assim, quase consegue salvar a moça. Já o Van Helsing de Franco é um cretino preguiçoso: Lucy é atacada pela primeira vez &lt;span style="font-style: italic;"&gt;enquanto está hospedada em sua clínica&lt;/span&gt; e ele, mesmo alegando ter "estudado as artes negras" durante toda a vida, não move uma palha para solucionar o problema, salvo uma mísera transfusão de sangue. Nada de alho, nada de vigílias, nada de várias transfusões de sangue: esse oreba se limita a fica coçando a barba, exibir um ar de sabedoria e fazer absolutamente porra nenhuma. Nas palavras de do Reverendo Jesse Jackson, &lt;span style="font-style: italic;"&gt;fuck you, Van Helsing! Fuck you up your stupid ass!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mané prossegue, então, a proferir uma totalmente intempestiva palestra sobre a história do vampirismo e Drácula em particular. Tudo isso seria muito oportuno caso tivesse ocorrido antes de a "paciente" do bom doutor bater as botas. Confrontado com os fatos sobre o Conde, Harker indaga, cheio de indignação: "Por que esse homem não pode ser preso?" Trata-se de uma pergunta tão retardada que a melhor resposta, segundo a sabedoria de &lt;a href="http://maddox.xmission.com/"&gt;Maddox&lt;/a&gt;, é uma porrada na cara. Caramba, esse indivíduo é um advogado? Não é à toa que ele tem que atravessar a Europa para arranjar trabalho. Morris, contudo, convencido de que a cota diária de asneiras da cena ainda não foi alcançada, especula, mordaz: "Professor, se o senhor sabe tanto sobre as Artes Negras, talvez o senhor também seja um servo de Drácula." "Nunca encontrei o Conde", replica o homem de ciência, formulando uma resposta sem sentido para uma pergunta asinina, "e no entanto sinto que o conheço melhor que minha própria alma." São momentos assim que me convencem ser sensato não ter uma arma de fogo em casa. Caso contrário, este seria o instante em que uma bala atravessaria a televisão. Não vejo nem sentido em comentar que Morris parece não estar nem aí pro fato de que sua noiva acabou de morrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lucy é sepultada. Cena seguinte: algumas crianças estão brincando e uma delas se separa das demais, encontrando... Lucy! Toda vestida de preto e pálida. "Venha cá", diz a vampira, suavemente, e as duas adentram um matagal. Não vemos o que ocorre, mas a trilha sonora certamente sugera que é algo abominável. Vá lá. A cena é decente, apesar de ser obviamente filmada durante o dia. Mas a aparência de Soledad Miranda é realmente sinistra e a reação da criança, que parece hipnotizada, também convence. O momento em que ela sorri para a criança é particularmente enregelante. Se fosse em um filme melhor...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SgTPkadn9vI/AAAAAAAAANY/x5IkVoyZqUk/s1600-h/d18.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 302px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SgTPkadn9vI/AAAAAAAAANY/x5IkVoyZqUk/s400/d18.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5333616083199325938" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SgTQJgzDYoI/AAAAAAAAANg/R--9YuvSRVs/s1600-h/d19.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 302px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SgTQJgzDYoI/AAAAAAAAANg/R--9YuvSRVs/s400/d19.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5333616720554975874" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Mas vamos continuar lidando com a dura realidade: Van Helsing, a despeito de toda a conversa mole sobre "não ser tarde demais para agir", está desfrutando de um aprazível café da manhã, lendo e jogando conversa fora com Mina. Parece que todo mundo superou a morte de Lucy com celeridade. Aviso logo: se minha família e meus amigos se comportarem dessa maneira quando eu morrer, vou assombrar todo mundo. Todo esse júbilo acaba assim que o médico lê o jornal e descobre a morte da menina da cena anterior. Rapidamente, convoca Harker e Morris e solicita que estes o acompanhem, à noite, à sepultura de Lucy. Vale referir que os dois finos  moços, até o mórbido convite, estavam com uma aparência bastante sadia e jovial, o que é bastante curioso. Quer dizer, a noiva de um acabou de morrer e o outro, duas cenas atrás, parecia estar à beira da morte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na calada de noite... pfffffffff....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SgTUoxm5LiI/AAAAAAAAANo/ETaSj57T3Nw/s1600-h/d20.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 288px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SgTUoxm5LiI/AAAAAAAAANo/ETaSj57T3Nw/s400/d20.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5333621655689834018" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Prosseguindo... na calada da noite, os três intrépidos cavalheiros vão à necrópole onde Lucy foi sepultada. Van Helsing explica sua teoria sobre quem teria matado a criança e Morris fica puto (finalmente esboçando alguma reação além de apatia a respeito de sua falecida noiva), mas o nobre líder do grupo afirma que tudo será provado, desde que eles o obedeçam "absolutamente". Considerando os padrões de comportamento do professor, tal tarefa não será das mais árduas: eles provavelmente terão que passar a noite coçando o saco e caprichando nas expressões de seriedade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os três zebas entram na sepultura de Lucy, abrem o caixão e.... a moça sumiu! Oh! Seria uma surpresa, se já não soubéssemos, inequivocamente, que Lucy virou uma vampira. Como eu previ, os três passam o resto da noite, escura como breu (hahahahahaha), escondidos perto da cripta de Lucy, coçando o saco. Finalmente, um vulto é visto se aproximando da cripta e Van Helsing dá ordem de ataque. Os manés entram no mausoléu, abrem o caixão e encontram Lucy, sangue em seus lábios, olhos arregalados e uma ridícula dentadura que sugere não vampirismo, mas uma urgente necessidade de consultar um ortodontista. A coisa é lastimável e intrigante: por que raios Franco achou por bem usar essa papagaiada, quando, na cena em que Lucy ataca a menina, esta usava maquiagem e dentadura perfeitamente discretas e convincentes?  A mente do homem é um enigma que desafia os limitados conhecimentos científicos acumulados pela humanidade. A primeira vez que vi a cena, achei que fosse um boneco, mas não é o caso (conforme explicarei logo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A "descoberta", contudo, é suficiente para convencer os dois debilóides da teoria de Van Helsing: Lucy é uma morta-viva! Temos que destruí-la! Estaca no peito e decapitação já! Para quem não leu o livro, esses eventos ocorrem da seguinte forma em sua versão literária: Van Helsing, ao descobrir a ocorrência de uma série de ataques a crianças, os quais deixaram vestígios similares aos de Lucy, leva Seward para o túmulo desta durante a noite e abre o caixão, que está vazio. Seward levanta uma série de possibilidades bem mais plausíveis que o sobrenatural: talvez a moça tenha sido enterrada viva e conseguido se libertar ou talvez o cadáver tenha sido levado por ladrões de corpos. Van Helsing não discute. Ele leva o rapaz ao cemitério no dia seguinte e mostra que, agora Lucy não apenas está no caixão, como nem sequer parece estar morta - na verdade, ela parece estar mais sadia do que quando morreu. Finalmente, os três levam Arthur Holmwood e Quincey Morris para o cemitério na calada da noite e mostram que o caixão está vazio. Van Helsing veda a entrada da cripta com hóstia consagrada e os quatro ficam à espera do amanhecer, quando um vulto se aproxima do sepulcro: é Lucy, com uma aparência e um comportamento demoníaco e carregando uma criança - sua próxima vítima. A vampira tenta seduzir seu ex-noivo, Holmwood, mas Van Helsing impede o ataque, afugentando a vampira com um crucifixo, que a deixa completamente apavorada e impotente, e tira as hóstias da entrada da cripta. É então que Lucy, finalmente, consegue entrar no mausoléu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;pelas&lt;span style="font-style: italic;"&gt; frestas entre a porta e o umbral&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;. Olha, eu tenho, essencialmente, uma visão materialista do universo, mas, diante de uma situação dessas, eu seria obrigado a reconhecer a existência de vampiros e o fato de que Lucy se tornou uma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não nesse filme. O pessoal é mais fácil de convencer do que um crente da Igreja Universal: abriu o caixão, não tem ninguém; um vulto (totalmente indistinto) se aproximou da cripta, abriu o caixão, Lucy está dentro dele, com a arcada dentária totalmente deformada e sangue nos lábios. Conclusão: Lucy é uma vampira. Estaca nela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No que eu creio ser a pior versão da cena na história do cinema (e eu acho que já vi todas as adaptações cinematográficas de "Drácula", com exceção da versão para a TV inglesa de 1968 [com Denholm Elliot como Drácula]; aliás, se alguém soube como conseguir uma cópia, favor me avisar), Van Helsing crava uma estaca de madeira no coração da moça e Morris corta fora sua cabeça com uma pá (ou melhor, filmam Quincey Morris cravando a pá em alguma coisa e depois a câmera corta para Soledad Miranda, com uma faixa de tinta vermelha no pescoço e um a pincelada de tinta clara no meio, para indicar que a cabeça foi decepada). O troço é feito sem um pingo de estilo e não provoca qualquer impacto - parece que Franco estava doido pra encerrar logo o dia de trabalho e adotou a tática de "andem logo com essa porra! Corta! Beleza! Vamos ao bar!".  Quer dizer, quase não provoca impacto:&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/qJIbCBTEQHs&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/qJIbCBTEQHs&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O impacto que a cena provoca é fascinação diante de tanto desleixo. Caso ninguém tenha percebido, eis por que conclui que se trata, de fato, de Soledad Miranda no caixão, e não uma boneca: porque, após a "decapitação", é possível ver que a "vampira" ainda está respirando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resolvido o problema, os bravos caçadores de vampiros se reúnem para traçar planos. Nessa reunião, Harker exibe mais um indício de que seu diploma foi comprado: só então ele "lembra" que a casa que vendeu a Drácula fica ao lado do asilo. Isso mesmo: o cidadão fugiu do castelo porque descobriu que seu cliente, a quem havia vendido uma casa em Londres, era um vampiro; sabia que o vampiro tinha intenções de se mudar para a referida a casa e, internado na clínica ao lado da casa, onde alguém recentemente foi morta por um vampiro, o animal leva esse tempo todo para somar dois mais dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enfim, munidos de tal conhecimento três dos quatro jacus (Van Helsing, em mais uma demonstração de valentia, decide, sabe-se lá por que, ficar na clínica) decidem ir à mansão, dar cabo do vampiro e, caso não seja possível encontrá-lo, purificar seus caixotes de madeira. E... puta merda... é sério, esse é o Van Helsing mais bunda-mole da história do cinema. Enquanto Seward, Morris e Harker vão atrás do vampiro, o destemido professor tem um derrame, provocado por toda essa tensão. "Pussy!", sussura Wesley Snipes, cheio de desprezo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Invadindo a mansão do vampiro, numa cena repleta de suspense (os três orebas são filmados, em tempo real, pulando o muro e correndo, sem muita pressa, pelo longo jardim, até chegar à casa. Tudo isso numa cena que foi patentemente filmada durante o dia). E é agora, senhoras e senhores, que testemunhamos o "momento mágico" do filme, aquela cena que enche de júbilo o coração do amante do lixo reduzido a celulóide. Após percorrerem um curto corredor, os três guerreiros das forças do Bem contra o Mal se deparam com um horror lovecraftiano: uma raposa, um porco, uma coruja, um peixe-espada e uma marmota empalhados. E a trilha sonora tenta nos convencer de que os bichos são a coisa mais tétrica que alguém poderia vislumbrar. O conde, percebem os mancebos, já caiu fora. Mas o melhor está por vir: um estridente guincho ecoa, trovões soam, relâmpagos... ehhhhhh... relampejam e, diante dos olhares aterrorizados de nossos heróis...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pffffffffffff...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os animais empalhados começam a se mover e grunhir, fazendo os três intrépidos heróis dispararem, em vão, vários tiros, e quase borrarem as calças. HAHAHAHAHA... Caralho, essa cena é fantástica! Tem até uma avestruz empalhada satânica! É óbvio que o "efeito especial" consistiu em um ou mais manés, fora do alcance das câmeras, sacundindo e empurrando os bichos, com os barulhos colocados posteriormente na trilha sonora. Qualquer criança percebe isso. Os atores, entretanto, exibem expressões de profundo medo e repulsa, deixando claro que a cena foi filmada sem um pingo de ironia. Enquanto isso, num show do dinamismo do editor Bruno Mattei, Mina está, sabe-se lá por que cargas d'água,  tentando convencer Renfield a falar o que sabe sobre Drácula. O maluco, sob a influência do Conde (a sequência é intercalada por cenas de um Drácula totalmente rejuvenescido, isto é, Christopher Lee com o cabelo e o bigode pintados de preto,  fazendo uma cara de quem está com prisão de ventre), tenta estrangular Mina. Na mansão, Harker, tapando  a boca pra conter o terror (ou Fred Williams tentando abafar uma crise de riso), acidentalmente exibe um crucifixo cuja corrente estava amarrada a sua mão. Drácula (e nunca fica claro onde ele está) dá um chilique, intimidado pelo símbolo de fé cristã, o ataque dos bichos empalhados demoníacos cessa e Renfield larga Mina. Amigos, trata-se de uma sequência, com o perdão da frescura, divina. Meus escassos conhecimentos da língua portuguesa são incapazes de lhe fazer justiça. Destarte,   contemplem o horror de bichos empalhados e estremeçam:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/6cHgOkJHjtw&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/6cHgOkJHjtw&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os babacas "santificam" o local, Renfield acaba numa camisa de força e nada se conclui, salvo nosso juízo sobre os heróis da história serem um bando de frouxos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida, aparentemente sem motivo algum além da diversão, Mina vai a uma ópera. Aliás, eu sei por que: no contexto, não havia como Franco colocar uma cena em uma boate, cabaré ou bar, então ele apelou para o que julgava ser o equivalente para a alta burguesia inglesa do século XIX: uma casa de ópera. Drácula, enquanto isso, está passeando pela cidade. Jonathan e Morris, por coincidência, estão passando de carruagem pelo mesmo trecho que o vampiro (afinal, Londres é praticamente um vilarejo) e o advogado o reconhece o vampiro, observando que ele está "muito mais jovem". E o que faz Harker, diante desta oportunidade única de atacar o mal que assola o seu mundo? Porra nenhuma. Van Helsing, de fato, ensinou bem a seus pupilos como lidar com situações emergenciais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois vão encontrar Van Helsing, que está com o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;h&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;ome secretary&lt;/span&gt; (como esse bundão conseguiu esse tipo de prestígio?). O político avisa que todas as fronteiras do país já estão em alerta. Harker recebe um bilhete de Mina avisando algo sobre encontrá-lo na ópera. Ocorre que o zeba não mandou bilhete nenhum: foi Drácula, que, enquanto os patetas estão jogando conversa fora, ataca Mina em seu camarote. Pelo menos alguém nesse filme sabe usar seu tempo de forma produtiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corroborando minha opinião, enquanto os cabeças-de-bagre descobrem o que ocorreu com Mina, Drácula está num cais de porto. Adepto da filosofia de que "seguro morreu de velho",  o morto-vivo se utiliza de muito charme (a prepotência do conde é cativante: ele parece estar enojado pelo simples fato de ter que negociar com o sujeito)  e uma carteirada para convencer  um capitão a levá-lo em seu navio, clandestinamente, ao porto de Varna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, na clínica do Professor Van Helsing, Seward está tentando extrair alguma coisa de Renfield, que, finalmente, justifica sua presença no filme: ele diz "Varna" e morre. Adeus, Klaus Kinski. Foi bom tê-lo a bordo. Seu personagem só teve um instante de relevância, mas mesmo assim sua presença foi um alento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os heróis, com uma capacidade de dedução que, até então, parecia aquém de seus intelectos (e de fato é; o roteiro só usa essa jogada para deixar dentro dos 90-100 minutos, pois rolos de filme custam dinheiro) concluem, com fulcro unicamente na última palavra de um doido varrido, que o plano de Drácula é viajar pelo Mar Negro, desembarcar no porto de Varna e, de lá, seguir por terra para seu castelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Van Helsing, é claro, vai ficar na Inglaterra, usando sua temporária incapacidade como pretexto. O velho, porém, não está enganando ninguém: todos sabemos que isso é só desculpa pra tirar o dele na seringa. O Conde, contudo, não pretende bater em retirada sem deixar uma lembrança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Van Helsing está "estudando" quando alguém entra no recinto: é o Conde, determinado a terminar o serviço com Mina. Cara a cara com seu arquiinimigo e escondendo com certa eficácia que está se borrando de medo (Van Helsing certamente joga pôquer melhor que Le Chiffre), o douto cientista levante e comenta: "Por toda a minha vida, estudei as 'Artes Negras'. É estranho finalmente confrontar o Príncipe das Trevas em pessoa." O Conde, que não partilha do amor de Van Helsing pela conversa mole, é curto e grosso, dizendo, friamente, o que todos nós já concluímos: "Você aprendeu muito. Você não pode fazer nada." E parte para cima de Mina. Mas Van Helsing, em sua única demonstração de competência e agilidade em todo o filme (e eu &lt;span style="font-style: italic;"&gt;sabia&lt;/span&gt; que aquela cadeira de rodas era só uma desculpa para fazer corpo mole!), tira dois gravetos, em chamas, da lareira e os joga no chão, fazendo o sinal da cruz e afugentando o vampiro. Tenho que admitir que a cena foi bem editada, mormente quando se leva em conta que Christopher Lee e Herbert Lom nunca estiveram presentes nas mesmas locações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entrementes, na Transilvânia (ou não, pois, aparentemente, a cena se passa à beira do mar), um bando de leais ciganos já está levando uma carroça, contendo o "caixão" (é óbvio que o caixote de madeira é pequeno demais para conter o corpo do varapau Christopher Lee, que mede quase dois metros de altura) de Drácula ao castelo. Harker, Morris e Seward, entrementes, estão nas catacumbas do castelo (engraçado, Jonathan teve que pular de um precipício para fugir, mas entrar é tão fácil que nem vemos como eles conseguiram), dando cabos das três vampiras (sequência filmada com a mesma perícia que a da execução de Lucy) e consagrando o sarcófago do Conde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembra de toda a perseguição aos ciganos no livro, repleta de ação, tiroteios e facadas (cena, que, aliás, admito que Coppola, em sua versão, filmou com maestria)? Aqui teremos uma interpretação levemente distinta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Corta mais uma vez para os ciganos que já estão chegando ao castelo com o Conde. Mal sabem eles que, logo acima, nas muralhas, Harker e Morris estão de tocaia, aguardando o momento certo para atacar (cadê Seward?). Demonstrando toda sua bravura, virtude e devoção ao lema romano &lt;span style="font-style: italic;"&gt;virtus et honor&lt;/span&gt;, os dois, na maior covardia, jogam duas gigantescas rochas (obviamente de isopor; fosse de verdade, nem a pau dois caras conseguiriam morrer os troços) sobre a procissão. Aliás, Franco, com seu perfeccionismo de sempre, nem se esforçou para disfarçar que as "rochas" eram dois blocos de isopor: um deles acerta  um cigano e a cabeça do cavalo que ele está montando, quica e rola para longe. Nem o cigano, nem o pobre eqüino sofrem qualquer ferimento, evidenciando apenas que tomaram um tremendo susto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SgbRbJ13bUI/AAAAAAAAANw/dBXSsz-ki3c/s1600-h/d21.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 288px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SgbRbJ13bUI/AAAAAAAAANw/dBXSsz-ki3c/s400/d21.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5334181073095454018" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Os ciganos, por seu turno, demonstram que têm por seu mestre uma lealdade porporcional à bravura e cavalheirismo dos heróis: diante da ameaça, picam a mula e abandonam a corroça com o caixote.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os valentes caçadores de vampiros aproveitam o ensejo para descer e abrir o caixote. E lá está Drácula, que desperta e, indefeso durante o dia, exibe uma inconfundível expressão de "me fodi". E Morris pousa uma tocha acesa sobre o Príncipe das Trevas, revelando um fato pouco conhecido sobre os mortos-vivos: eles são altamente inflamáveis. Mal a tocha encosta no Conde e o caixão explode em chamas. Drácula, com a expressão facila de quem está sendo forçado a assistir, ininterruptamente, vários episódios de "Felicity", é gradualmente destruído pelas chamas, primeiro envelhecendo, depois se transformando num tosco boneco que sequer tem caninos afiados. Concluída sua missão, os heróis jogam o caixote penhasco (digo,  queda de um andar e meio) abaixo e contemplam o resultado de seu labor com ar de orgulho. A batalha foi árdua e suas vidas jamais serão as mesmas, mas nossos heróis terão a força para prosseguir, firmes na convicção de que o Bem sempre triunfa sobre o Mal. E assim, com este eletrizante clímax, se encerra um dos primeiros contos do macabro, exibido no cinema, pela primeira vez, exatamente como Stoker o escreveu.&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/7mHgzpkfueA&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/7mHgzpkfueA&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pois é, o filme é uma porcaria. Jess Franco não esconde que estava dirigindo com todo o entusiasmo de um paciente de câncer em estado terminal: é óbvio que todas as cenas "noturnas" foram filmadas, com pouco esforço para disfarçar, em plena luz do dia; afáveis pastores alemãos tentam passar por lobos; Fred Williams, Paul Müller, Maria Rohm e Jack Taylor (aaargh!!) esbanjam toda a versatilidade de atores do calibre de Steven Seagal e Keanu Reeves; Herbert Lom, apesar de dar uma boa interpretação, encarna o Van Helsing mais incompetente da história do cinema; Klaus Kinski é desperdiçado; Bruno Mattei, como editor, mostra tudo aquilo que o tornou legendário; Soledad Miranda aparece sempre vestida e a magnífica interpretação de Christopher Lee como o vampiro só serve para deixar o espectador ainda mais frustrado, porque foi completamente ofuscada pelo fator trash. É justamente essa tosqueira, entretanto, que torna o filme especial. Mesmo sendo um filme "sóbrio" para os padrões do espanhol, a inépcia do produção é surreal e certamente vai agradar os amantes do humor involuntário. E, só para não ser injusto, admito que, apesar de seus vários defeitos, o primeiro ato do filme, no castelo, até que funciona e tem uma bela atmosfera; a trilha sonora de Bruno Nicolai, apesar de estridente e risível em certos momentos, é, a maior parte do tempo, excelente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De bônus, o DVD da Dark Sky contém ainda uma interessante entrevista com Franco a respeito da produção. Ele fala sobre seus problemas com Lee (que, como eu sempre suspeitei, apesar de ser um de meus atores preferidos, parece ser um indivíduo dos mais indigestos) e compara sua obra com a versão 92. Tenho que admitir: apesar de ser uma abobrinha, o filme é mais fiel ao espírito do livro que a surperprodução de Coppola e Franco, com certeza, tinha uma compreensão muito melhor do texto. Pena que essa compreensão na prática, não serviu pra muita coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o mais deprimente de tudo: li em algum lugar na internet (não faço mais a menor idéia de onde tenha sido, de modo que talvez seja mero boato), que a idéia inicial era fazer uma produção italiana dirigida por Mario Bava e estrelando Lee e Vincent Price como Van Helsing. Suspeito que seja só conversa mole, afinal, jamais encontrei qualquer evidência para consubstanciar a parte relativa a Bava; Price, porém, realmente considerou aceitar o papel de Van Helsing, não o tendo feito, supostamente, por motivos de saúde. Mesmo assim, considerem a possibilidade de tal boato ter fundamento. É uma história quase tão triste quanto o cancelamento da adaptação que a Hammer faria de "Eu Sou a Lenda".&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6296516219389701823-7164578889944950799?l=monsterwerebritishyouknow.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://monsterwerebritishyouknow.blogspot.com/feeds/7164578889944950799/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://monsterwerebritishyouknow.blogspot.com/2009/05/el-conde-dracula-jess-franco-picareta.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6296516219389701823/posts/default/7164578889944950799'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6296516219389701823/posts/default/7164578889944950799'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://monsterwerebritishyouknow.blogspot.com/2009/05/el-conde-dracula-jess-franco-picareta.html' title='El Conde Drácula: Jess Franco Picareta? Sem dúvida.'/><author><name>Kurt Breichen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11129034358393773414</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sm3V5ffY7YI/AAAAAAAAAXY/2_hYe6Hm6tU/S220/Cool+Guy5.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SgDGr_qXMpI/AAAAAAAAAK4/Va0ESY-a3G0/s72-c/D1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6296516219389701823.post-8649232023540289841</id><published>2009-04-29T10:33:00.000-07:00</published><updated>2009-04-29T20:07:34.861-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Jess Franco'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gótico'/><title type='text'>The Sadistic Baron Von Klaus: Jess Franco Visionário?</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SfiUpWJFI2I/AAAAAAAAAJg/ZjSdEDFIzjc/s1600-h/K.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 283px; height: 383px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SfiUpWJFI2I/AAAAAAAAAJg/ZjSdEDFIzjc/s400/K.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5330173597032194914" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O espanhol Jesus "Jess" Franco é um homem polêmico para os fãs de cinema exploitation. Muitos o consideram um gênio incompreendido; outros, um picareta desleixado. Eu costumo me filiar à segunda corrente,  mas é inegável que o homem tem uma visão artística singular. Só creio que é uma péssima visão. Mas não tenho moral para falar, afinal, considero Lucio Fulci, outro papa da exploitation tido por muitos como um picareta, um gênio do cinema, apesar das muitas porcarias que ele dirigiu no final da carreira (para ter uma idéia, sustento, sem vergonha, que acho seu "Zombi 2" superior ao "Dawn of the Dead" de Romero e acho que "House by the Cemetery", além de funcionar como um filme de terror convencional, é uma genial alegoria freudiana).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, enfim, os filmes de Jess Franco, para mim, só tem valor, via de regra, como diversão trash. E essa opinião só contribuiu para o meu choque ao topar com a obra de que vou falar agora: &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Sadistic Baron Von Klaus/La Mano de un Hombre Muerto&lt;/span&gt;, décimo filme dirigido pelo espanhol, em 1962. Já havia me surpreendido com &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Awful Dr. Orlof&lt;span style="font-style: italic;"&gt;/Gritos en La Noche, &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;mas, este foi um filme que considerei apenas um gótico muito bom e feito com um profissionalismo que achava além da capacidade de Franco, mas nada à altura de coisas como o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Black Sunday&lt;/span&gt; de Bava ou o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Dr Hichcock&lt;/span&gt; de Riccardo Freda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A premissa do filme é bastante convencional: há vários séculos, donzelas do vilarejo de Holfen eram sequestradas, torturadas e mortas pelo fidalgo local, o Barão Von Klaus. Fatalmente, os aldeões acabaram se emputecendo com essa situação e invadiram o castelo para justiçar o nobre psicopata. Este, entretanto, escapou, fugindo pelos pântanos que cercavam o castelo, onde acabou morrendo afogado. Desde então, corre a lenda, uma maldição paira sobre a família: de tantos em tantos anos, o espírito do barão retorna, encarnando em um de seus descendentes, que procede a dar continuidade às atrocidades do aristocrata. O título de nobreza, atualmente, é portado por Max Von Klaus (Howard Vernon). A história é contada por um par de desocupados (até agora não logrei descobrir a profissão dos dois), Hanzel e Theo, a um escritor que se encontra hospedado no hotel do lugarejo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O drama se inicia com o jovem Ludwig Von Klaus retornando para o castelo da família a fim de ver sua mãe moribunda pela última vez e, antes que esta expire, apresentá-la a sua noiva, Karine. A velha bate as botas, mas não sem antes de deixar claro ao mancebo que a maldição, em seu entender, é uma realidade e que o avô do rapaz sucumbiu à mesma, tendo cometido vários homicídios e morrendo da mesma forma que seu antepassado infame. Extrai, ainda, a promessa de que Ludwig vai destruir os artefatos guardados pelo seu avô no porão do castelo e partir de Holfen para nunca mais voltar - a única maneira, segunda a geriatra, do mancebo escapar da maldição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na mesma manhã da chegada do membro mais jovem da família Von Klaus, dois fatos importantes para a história ocorrem: os dois vagabundos supracitados encontram o cadáver de uma moça que, tudo indica, pereceu de forma similar às vítimas do antigo barão, e Karl Steiner, um repórter de tablóide, é enviado por seu editor a Holfen, a fim de investigar a suposta maldição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sfj_MWEqBMI/AAAAAAAAAJ4/vh_YlFfXcjw/s1600-h/K3.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 176px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sfj_MWEqBMI/AAAAAAAAAJ4/vh_YlFfXcjw/s400/K3.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5330290746541606082" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Lá chegando, o mané conhece a gostosa garçonete do boteco local, Margaret, troca tiradas "espirituosas" com o policial encarregado do caso, Borowski, e, como todo repórter de filme, decide meter o bedelhos nas investigações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A próxima vítima é uma cantora de cabaré de passagem pelo Karnburg Hotel, que encontra em sigilo seu amante num dos quartos. No meio do bem-bom, o rapaz (cujo rosto nunca vemos, evidentemente) dá uma de Sharon Stone e mete facadas na moça. Como na vítima anterior, o único vestígio encontrado pela polícia são traços de um metal enferrujado, típico de uma adaga medieval.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SfkAP7QfcKI/AAAAAAAAAKA/lcB7Id2A5uc/s1600-h/k4.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 176px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SfkAP7QfcKI/AAAAAAAAAKA/lcB7Id2A5uc/s400/k4.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5330291907574591650" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Surpreendentemente para um filme desta espécie, Borowski adota uma medida que, sob o ponto de vista da criminalística, faz sentido: ele faz um levantamento de quem estava no hotel na noite do crime e interroga a todos, a fim de encontrar uma pista. Todos os depoimentos apontam como principal suspeito um tal "Monsieur Brenner", que se hospedou no hotel na noite do assassinato e que, aparentemente, saiu na mesma noite. "Brenner", acaba-se descobrindo, é ninguém menos que Max Von Klaus. Levado a interrogatório (que, numa dessas coisas que só acontecem em filme, é feito na presença do jornalista), o barão deixa óbvio que não tem álibi convincente  e nem sabe informar que horas chegou e saiu do hotel, nem por que estava lá (algumas respostas, entretanto, fazem sentido: indagado a respeito de horário em que saiu do hotel, Von Klaus retruca: "não achava que fossem me perguntar, por isso não olhei o relógio", para a irritação do comissário). Por conseguinte, Von Klaus é deixado a ver o sol nascer quadrado até segunda ordem. Steiner, porém, fica convencido de que o barão é inocente, alegando que, caso fosse culpado, o suspeito teria um álibi bem armado (lógica que, como bem aponta o policial, é muito interessante na ficção, mas não vinga muito na vida real; felizmente, para o repórter, ele está numa história fictícia).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois fatores, contudo, conspiram para sugerir a inocência do atual barão. Primeiro, a amante do moço,  proprietária do boteco local, comparece à delegacia e informa ao comissário Borowski que Von Klaus foi ao hotel para um sexy-time com ela. O motivo para todo o sigilo, explica ela, é que o "escândalo" poderia lhe causar problemas em seu processo de divórcio, ainda em juízo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo fator, ainda mais relevante, é que, ao voltar para casa, a moça é seguida por um indivíduo dos mais suspeitos, trajando sobretudo, chapéu e luvas pretas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sfj-PO8mknI/AAAAAAAAAJo/au0OXZRFIBY/s1600-h/K1.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 177px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sfj-PO8mknI/AAAAAAAAAJo/au0OXZRFIBY/s400/K1.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5330289696656757362" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sfj-aEsTTZI/AAAAAAAAAJw/gIK_Y920PCw/s1600-h/K2.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 177px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sfj-aEsTTZI/AAAAAAAAAJw/gIK_Y920PCw/s400/K2.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5330289882882592146" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Chegando em casa, ela começa a colocar trajes mais "confortáveis", quando o indivíduo (o assassino, obviamente) irrompe janela adentro e a ataca. Os desígnios do facínora, contudo, são frustrados pela vigorosa defesa da moça e da igualmente vigorosa gritaria desta, que atrai os vizinhos e obriga o homicida a picar a mula. Isso conduz a uma das melhores sequências do filme, na qual o assassino é perseguido por uma multidão pelas ruas, por uma floresta e, finalmente, pelo sinistro cemitério de Holfen, onde finalmente consegue despistá-la, desaparecendo, por coincidência, na cripta da família Von Klaus (Oooooh!).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SfkClWVMexI/AAAAAAAAAKI/xDvkGU-C1WM/s1600-h/k5.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 176px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SfkClWVMexI/AAAAAAAAAKI/xDvkGU-C1WM/s400/k5.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5330294474642586386" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A partir daí, não vou revelar mais nada. Quem será o assassino? Max von Klaus, que estava preso quando uma das tentativas de assassinato ocorreu? Ludwig, o outro homem da família, que chegou após o início dos homicídios? O escritor, que tentou, sem sucesso, investir na cantora pouco antes da morte desta? Será que há mais de um assassino? Será que a maldição é ainda mais literal do que se pensa, e o assassino é, de fato, o fantasma do falecido barão? A identidade do vilão é revelada numa cena em que Margaret, a garçonete boazuda, resolve partir para uma noite de oba-oba com seu amante e descobre, da pior maneira possível, quem anda matando as beldades da vila. E a cena em que a identidade do assassino é revelada é, sem dúvida, inacreditável para o ano em que foi produzida: ela envolve Margaret nua passando por uma (aparentemente, pela expressão da jovem) extremamente aprazível sessão de sexo oral e  sendo submetida, justamente quando está "no ponto", a uma série de violentas chicotadas, acorrentada ao teto e "finalizada" com instrumentos metálicos em brasa. É um negócio ainda mais transgressor do que Bava fez um ano depois, em &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Whip and the Body&lt;/span&gt;, e um prenúncio do que viria a ser uma das marcas registradas de Franco: a cena é fortemente erotizada e fica claro que o espanhol queria não só chocar, mas excitar o espectador. No meu caso, tenho que admitir que funcionou. Isso significa que eu sou um psicopata? Você decide.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SfkF8SwE1SI/AAAAAAAAAKQ/HGe4SL9SxQw/s1600-h/k6.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 176px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SfkF8SwE1SI/AAAAAAAAAKQ/HGe4SL9SxQw/s400/k6.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5330298167353464098" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SfkHLXLijgI/AAAAAAAAAKw/sbL7o67bGg4/s1600-h/k7.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 178px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SfkHLXLijgI/AAAAAAAAAKw/sbL7o67bGg4/s400/k7.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5330299525752065538" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SfkGZSaYqII/AAAAAAAAAKg/jRgkaqallNc/s1600-h/k8.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 176px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SfkGZSaYqII/AAAAAAAAAKg/jRgkaqallNc/s400/k8.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5330298665478695042" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SfkGfDEj3nI/AAAAAAAAAKo/W655Tcb3BXI/s1600-h/k9.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 177px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SfkGfDEj3nI/AAAAAAAAAKo/W655Tcb3BXI/s400/k9.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5330298764439838322" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;O que enriquece o filme, contudo, é a maneira como Franco mescla elementos clássicos do cinema de horror com inovações, de modo a lhe dar nota peculiar. É verdade que ele já havia feitos coisa semelhante em Orlof, onde havia uma forte influência visual dos filmes de terror da Universal, associado ao cinema expressionista alemão, à sanguinolência explícita (para os padrões da época) da Hammer e dos góticos italianos, histórias de cientista louco e uma trama mais ou menos plagiada de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Les Yeux Sans Visage, &lt;/span&gt;de Georges Franju. Diferente do filme anterior, contudo, Franco mistura um visual típico dos clássicos da Universal e do expressionismo com elementos de um gênero que ainda estava em formação (daí o "visionário" do título): o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;giallo&lt;/span&gt;. Vários dos caracteres que se tornariam típicos deste subgênero - o excesso de suspeitos; as aparições do assassino, caracterizadas apenas pelo vislumbrar, conforme a situação, do casaco, o chapéu ou as luvas; a atuação policial inepta; a motivação psicossexual do vilão, as cenas de perseguição em ruas desertas e a "herança familiar" ligada aos homicídios - embora tenham tomado forma ao longo da segunda metade da década de 60, só se solidificariam, de fato, na década de 70. Estão, contudo, todos presentes aqui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas essa é só a cereja do bolo. Como o já resenhado &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Whip and the Body&lt;/span&gt;, o filme certamente agradará a qualquer fã do horror gótico europeu da década de 60. Como no anterior &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Dr. Orlof&lt;/span&gt;, Franco exibe um domínio técnico que estaria morto e enterrado na fase mais "madura" de sua carreira, com excelente uso do cinemascope e da fotografia em preto e branco para a construção de uma densa atmosfera gótica. O &lt;span style="font-style: italic;"&gt;comic relief&lt;/span&gt; dos dois vagabundos e das interações "espirituosas" entre Steiner e Borowski é tolerável, jamais chegando chegando a ser excessivamente irritante. Aspectos que costumam ser criticados no filme são a maneira lenta como a trama se desenrola e o excesso de atenção dado a personagens aparentemente irrelevantes. Eu não sou um dos críticos de tais aspectos. Em minha opinião, eles contribuem para dar um panorama de como é a vida em Holfen e tornam mais palpável a paranóia instaurada pelos homicídios - mais ou menos como Stephen King sabia fazer no início da carreira. Ademais, nenhum desses personagens  a quem é dada atenção é realmente irrelevante - todos contribuem, de alguma forma para a trama (exemplo típico é Margaret, que parece estar no filme só para exibir o popozão e conversar com os bêbados, e acaba protagonizando a cena em que é revelada a identidade do vilão). E até a trilha sonora, mesmo quando descamba para uns floreios "jazzísticos", complementa perfeitamente a ação. O que realmente arrasta a história são os "momentos humorísticos" entre o jornalista e o policial, a cena do interrogatório no hotel (que devia ter sido mais resumida) e o surgimento de outro elemento que viria a ser marca registrada de Franco: os desnecessários "momentos musicais" em bares/boates. Nada, contudo, que prejudique severamente o filme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a história é concluída de forma excelente e satisfatória (ao contrário do final de &lt;span style="font-style: italic;"&gt;The Awful Dr Orlof&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;, que tem um espírito de "já matou o monstro, vamos encerrar logo esta porra").&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha intenção era deixar um clipe da cena de tortura, mas, como isso revelaria a identidade do assassino, optei pela cena em que o vilão é perseguido pelos moradores de Holfen.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="445" height="364"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/L4UcJfWNEiY&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;rel=0&amp;amp;border=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/L4UcJfWNEiY&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;rel=0&amp;amp;border=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="445" height="364"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6296516219389701823-8649232023540289841?l=monsterwerebritishyouknow.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://monsterwerebritishyouknow.blogspot.com/feeds/8649232023540289841/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://monsterwerebritishyouknow.blogspot.com/2009/04/sadistic-baron-von-klaus-jess-franco.html#comment-form' title='14 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6296516219389701823/posts/default/8649232023540289841'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6296516219389701823/posts/default/8649232023540289841'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://monsterwerebritishyouknow.blogspot.com/2009/04/sadistic-baron-von-klaus-jess-franco.html' title='The Sadistic Baron Von Klaus: Jess Franco Visionário?'/><author><name>Kurt Breichen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11129034358393773414</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sm3V5ffY7YI/AAAAAAAAAXY/2_hYe6Hm6tU/S220/Cool+Guy5.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SfiUpWJFI2I/AAAAAAAAAJg/ZjSdEDFIzjc/s72-c/K.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>14</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6296516219389701823.post-2805382013677890771</id><published>2009-04-28T14:18:00.001-07:00</published><updated>2009-04-29T10:04:27.488-07:00</updated><title type='text'>The Incredible Melting Man</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SfdyuukKPDI/AAAAAAAAAGw/-PGcoj-Fn44/s1600-h/M1.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 220px; height: 399px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SfdyuukKPDI/AAAAAAAAAGw/-PGcoj-Fn44/s400/M1.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5329854831115516978" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estou chegando à conclusão de que eu era uma criança meio idiota. A primeira vez que vi "O Incrível Homem que Derreteu", quando eu tinha uns oito ou nove anos, achei o filme o "maior legal". Tinha um monstro nojento, um monte de mortes,  uma intensa perseguição e efeitos especiais massa. Essa era minha percepção. Deparando-me, hoje, com a oportunidade de rever esta produção, percebo que minha credibilidade como crítico-mírim de cinema era, digamos, questionável. Não me interpretem mal: o filme continua muito divertido, mas por motivos inteiramente diferentes dos que eu percebi quando assisti pela primeira vez. Vejamos por que.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O filme se inicia com uma série de borrões de diversas cores e, em seguida, o brilho das estrelas, indicando, sutilmente, o lançamento e viagem de uma espaçonave, a Scorpio 5.  Passam-se os créditos do filme, através dos quais descobrimos que a maquiagem (e, provavelmente, toda a despesas do orçamento da produção) ficou por conta de Rick Baker.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três astronautas deitados em um tosco set "hi-tech", comunicam que estão adentrando "os anéis de Saturno". Um deles: "Ninguém jamais viu algo assim!" e o filme corta para algo que não sei se é uma maquete vagabunda ou &lt;span style="font-style: italic;"&gt;stock footage &lt;/span&gt;chibunga de um satélite orbitando em torno de algo que parece ser uma superfície cinzenta. O satélite fuleiro é intercalado com cenas dos astronautas apertando botões (essa tal de tecnologia é um negócio fabuloso) e trocando , com a base, mensagens que definem "função fática da linguagem", até que um deles, titular de um bigode digno de ator pornô dos anos 70, não se contém e exclama: "Magnífico! Você nunca viu nada até ver o sol através dos anéis de Saturno!" A empolgação da assertiva destoa da expressão do rapaz, típica de quem precisa urgentemente satisfazer necessidades fisiológicas. Tamanha hipérbole nos deixa aguardando um visual espetacular, mas , ao invés disso, somos  fulminados por um firme chute nos testículos: o "sol visto através dos anéis de Saturno" é só uma bola (aliás, uma esfera pela metade) cor-de-laranja opaca, o que nos leva a crer que o astronauta entusiasmado nunca se dedicou muito ao turismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sfd0THcYLPI/AAAAAAAAAG4/C1vU2Q8m5Vo/s1600-h/M2.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 238px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sfd0THcYLPI/AAAAAAAAAG4/C1vU2Q8m5Vo/s400/M2.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5329856555780680946" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Mais uma série de borrões avermelhados de significado dúbio surgem na tela. Presumimos que os  borrões significam a aterrissagem da nave em Saturno. Mais alguns borrões ocupam a tela e,&lt;br /&gt;em seguida, o cosmonauta com excesso de entusiasmo é mostrado fazendo caretas, com um filete de sangue escorrendo pelo nariz. São duas as alternativas: ou a aterrissagem não correu  às mil maravilhas (nem poderia, afinal, conforme meus exaustivos estudos de astronomia [isto é, dei uma olhada em "Saturno" na wikipedia] 97% do planeta é gasoso) ou a ânsia do rapaz em satisfazer suas necessidades fisiológicas estão ainda mais prementes. Qualquer das hipóteses é prenúncio de desgraça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sfd0-rCMQSI/AAAAAAAAAHA/zD2RiEtoc8M/s1600-h/M3.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 215px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sfd0-rCMQSI/AAAAAAAAAHA/zD2RiEtoc8M/s400/M3.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5329857304068899106" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Nada é explicitado, pois o filme corta para um quarto de hospital, onde uma enfermeira bem-alimentada e um médico black power verificam a situação de um paciente mumificado por bandagens. o prontuário do paciente está ilegível, exceto por um "RADIATION" em letras garrafais vermelhas. Como minha resenha de "Drácula vs Frankenstein" já demonstrou, meus poderes de dedução são notáveis, de modo que vou adivinhar o que se passa aqui: 1) o paciente é o astronauta outrora empolgado e intestinalmente comprometido, 2) ocorreu algum imprevisto na aterrissagem que resultou no atual quadro clínico e 3) ele é o único sobrevivente. O médico explica que nada está adiantando, que ele nunca viu nada assim antes e que não entende por que ele (o paciente, não o médico) foi o único sobrevivente. É assim que se escreve diálogo expositivo: com três afirmações, uma das quais não guarda qualquer correlação com as anteriores, que explicam tudo o que aconteceu até agora, mas que o orçamento do filme foi insuficiente para mostrar através de imagens. O doutor afirma que precisa chamar Ted Nelson e manda a enfermeira verificar os sinais vitais do rapaz a cada quinze minutos. Cauteloso, o médico acrescenta que "é imperativo que isso permaneça em segredo". É tudo muito misterioso...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sfd1KJDU-SI/AAAAAAAAAHI/wZLcSK0QWV8/s1600-h/M4.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 215px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sfd1KJDU-SI/AAAAAAAAAHI/wZLcSK0QWV8/s400/M4.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5329857501105289506" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sfd1VWmcyTI/AAAAAAAAAHQ/ejYOjmv7GQo/s1600-h/m5.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 228px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sfd1VWmcyTI/AAAAAAAAAHQ/ejYOjmv7GQo/s400/m5.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5329857693720824114" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Pouco depois de ambos se retirarem, o paciente desperta, se solta e percebe que suas mãos estão cobertas de perebas. Frenético, ele corre para o espelho, tira as bandagens e se desespera ao perceber que está se decompondo... está se derretendo, eu diria. Daí o título. E sim, trata-se mesmo do astronauta com bigode de John Holmes (o qual permanece, apesar de toda a RADIATION, embora tragicamente mutilado pela metade). Está comprovado: eu sou a reencarnação de Sherlock Holmes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sfd1p9HwjLI/AAAAAAAAAHY/uaRlyOchA8Y/s1600-h/M6.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 215px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sfd1p9HwjLI/AAAAAAAAAHY/uaRlyOchA8Y/s400/M6.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5329858047658462386" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sfd1zM3Vl6I/AAAAAAAAAHg/Xj8ECUUdCDo/s1600-h/M7.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 229px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sfd1zM3Vl6I/AAAAAAAAAHg/Xj8ECUUdCDo/s400/M7.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5329858206503376802" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A reação do rapaz não é serena: ele surta e sai quebrando tudo no quarto. A enfermeira tem o péssimo &lt;span style="font-style: italic;"&gt;timing&lt;/span&gt; de entrar no recinto justamente nesse momento de desabafo e, demonstrando um sadio instinto de preservação, sai correndo. E aqui William Sachs mostra que é um Artista com "A" maiúsculo, brindando-nos com um momento mágico que explica nosso amor ao cinema: a fuga da enfermeira pelo corredor é filmada, sem nenhum motivo minimamente razoável, em câmera lenta, mostrando, de forma fascinante, os efeitos da gravidade sobre tecido adiposo, com gritos incessantes acompanhando a ação, fora de sincronia. E ninguém pode acusar a moça de falta de empenho: diferente do personagem médio de filme de terror, ela não se detém para abrir uma porta de vidro. Não! Como um desenho animado de carne e osso, a moça atravessa a vidraça e continua com sua fuga rua afora, gritando durante todo o tempo (isso que é fôlego!). O Melting Man (vou chamá-lo assim daqui por diante) continua a seguí-la, mas o filme não mostra o desfecho dessa perseguição implacável, deixando-nos imbuídos com a frustração que só um coito interrompido pode igualar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sfd2LOxQjvI/AAAAAAAAAHo/Y0l0ChnyNXQ/s1600-h/M8.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 229px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sfd2LOxQjvI/AAAAAAAAAHo/Y0l0ChnyNXQ/s400/M8.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5329858619331612402" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sfd2Wvus6vI/AAAAAAAAAHw/LmB9HIQ0q5A/s1600-h/M9.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 229px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sfd2Wvus6vI/AAAAAAAAAHw/LmB9HIQ0q5A/s400/M9.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5329858817157819122" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Corta para uma ambulância a caminho do hospital e Dr. Black Power e o tal Ted Nelson, analisando o cadáver da enfermeira (aparentemente, o excesso de Big Macs consumidos ao longo dos anos foram mais decisivos na fuga do que o empenho da finada). Metade do rosto da moça foi arrancado e o cadáver está impregnado de radiotividade. Nelson, perspicaz, comenta que "ele não devia ter escapado" e Black Power acrescenta, com similar argúcia, que "eles não vão gostar disso". Não sei quem são "eles" (A NASA? Os militares? A família da moça? &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Ze Germans&lt;/span&gt;?), mas tenho certeza de que eles, de fato, não vão gostar disso. A conversa mole prossegue e eles decidem chamar o "General Perry", explicando que "Steve" fugiu, contando toda a história e acrescentando que Steve parece estar "ficando cada vez mais forte" (com base em que, não sei, mas eu não sou um cientista). Paráfrase da reação do general diante de tamanha ameaça: "tratem de encontrar esse porra".  E bate o telefone na cara do cidadão. Presume-se que o General Perry não seja um paradigma da aptidão dos militares em lidar com situações emergenciais. Como postulava Aristóteles, puta que o pariu! Um psicopata radioativo matou uma enfermeira e fugiu do hospital e o plano do debilóide é mandar dois cientistas amanezados resolver a situação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sfd3yGAWKbI/AAAAAAAAAIA/z1po_OS2B1w/s1600-h/M0.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 226px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sfd3yGAWKbI/AAAAAAAAAIA/z1po_OS2B1w/s400/M0.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5329860386505501106" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Enquanto isso, Melting Man está vagando por um matagal, grunhindo e deixando um rastro de gosma. O pegajoso encontra um pescador que, como todo personagem de filme de terror vagabundo que se depara com ruídos estranhos em um ambiente ermo, fica perguntando "quem está aí?".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sfd4AGCVDTI/AAAAAAAAAII/YDDBxBJwoY8/s1600-h/M10.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 229px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sfd4AGCVDTI/AAAAAAAAAII/YDDBxBJwoY8/s400/M10.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5329860627031985458" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Entrementes, mais conversa mole entre Black Power e Nelson, que comenta que a esposa está grávida , que o pobre Steve deve estar sofrendo muito e que seu cérebro deve estar completamente decomposto, despido de pensamento racional (Caralho! Eu jamais imaginaria essa possibilidade).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comprovando a exatidão de tal tese, cortamos para a cabeça do pescador sendo jogada no rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O General Perry liga para Nelson, informando que está a caminho. A cena é mostrada num "split screen" ridículo, típico de câmeras de video dos anos 80 (aqueles tijolões do tamanho de uma bazuca), com uma barra verde entre as duas cenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mostrando que sabe guardar segredo, Nelson, casualmente, conta a sua esposa toda a história de Steve, sempre com aquela mesma expressão típica de quem está sendo forçado a assistir um espisódio da "Turma do Didi". A cabeça do pescador, por sua vez, continua sua épica jornada rio abaixo, vivendo mil e uma aventuras e vendo coisas que jamais verá novamente, até cair de uma cascata. Uma pirralha que está brincando alegremente nos arredores acaba se deparando com Melting Man (ou "Mel", para os chegados, entendidos estes como pessoas que querem ter menos trabalho ao digitar um crítica), e sai correndo. Sua reação não é exagerada: Mel está cada vez menos formoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sfd4yNorbSI/AAAAAAAAAIQ/11Rv14Kibyk/s1600-h/m12.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 227px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sfd4yNorbSI/AAAAAAAAAIQ/11Rv14Kibyk/s400/m12.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5329861488065342754" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A pirralha corre por uns dois quilômetros, gritando mais que a porra, até encontrar sua mãe, para quem conta que viu "Frankenstein" no mato. A mãe acalma a pimpolha, dizendo que essas coisas não existem. Nelson, enquanto isso, está por aí, seguindo Mel (com a a ajuda de um contador Geiger e do rastro de carne decomposta deixado pelo monstro) e gritando que quer ajudá-lo, que ele não pode sobreviver sozinho e blábláblá. Tudo isso com aquele entusiasmo de sempre. Francamente, parece que o rapaz está procurando um cachorrinho perdido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cortamos para um casal que, aparentemente, está fazendo uma sessão de fotos. O jovem tenta convencer a moça a tirar a roupa para as fotos, levando a crer que ele está usando a "sessão" como desculpa para das uns pegas na beldade. Diante da resistência da jovenzinha, o cidadão resolver apelar para a coação, e, no empurra-empurra, eles acabam descobrindo o corpo decapitado do pescador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas tudo vai ficar bem! Uma fanfarra militar acompanha a chegada triunfal do General Perry no aeroporto, onde encontra Nelson. O General, diga-se de passagem, não trouxe reforços e veio sozinho, usando uma indumentária típica de turista americano no Brasil. Nossas dúvidas sobre o "profissionalismo" desses heróis se agravam cada vez mais. Os dois saem à caçada num jipe amarelo do tempo da onça, constituindo nova evidência de que todo o orçamento do filme foi gasto com o trabalho de maquiagem de Rick Baker. A trilha sonora retumbante, contudo, tenta nos convencer de que momentos de intensa emoção estão por vir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sfd5iygagSI/AAAAAAAAAIY/iVCyZpNxcng/s1600-h/m13.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 227px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sfd5iygagSI/AAAAAAAAAIY/iVCyZpNxcng/s400/m13.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5329862322596512034" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;No meio do caminho, os dois mosqueteiros encontram um carro de polícia e uma ambulância e decidem investigar. É a cena onde foi encontrado o pescador sem cabeça. Nelson, que conhece o Xerife, pede para dar uma verificada no presunto, descobrindo que, além de arrancar a cabeça, Mel ainda brincou um pouco com as tripas do finado. Criativamente, Nelson sugere que se trata de um "ataque de animal selvagem", mas percebe-se pela expressão escrota do xerife que este não está comendo corda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Experimentemos agora alguns momentos comoventes, enquanto Mel vaga, trôpego, pela mata, lembranças saudosas de sua gloriosa viagem ao espaço ecoando em sua mente. Tempo bom que não volta mais. E uma oportunidade para o filme encher linguiça e aumentar o tempo de duração sem despesas adicionais, reprisando cenas já gravadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, Nelson está dando satisfações à patroa pelo telefone, enquanto Black Power e o General estão, aparentemente, coçando o saco e e resmungando sobre como "perderam a pista do miserável". Observação curiosa, pois, até agora, a única coisa que eles fizeram foi perguntar ao xerife sobre um defunto encontrado. É impressionante a seriedade com que os heróis estão tratando a situação. O General acaba aceitando o convite de Nelson para jantar na casa deste. Também convidados para o jantar estão a sogra de Nelson e um "amigo" desta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O casal de velhinhos, ao que parece, é o temível comic &lt;span style="font-style: italic;"&gt;relief&lt;/span&gt; do filme, despertando memórias dolorosas do Jar Jar Binks, do Orlando Jones em "Primeval" e daquele inglês da sobrancelha de taturana da série "A Múmia". Eles estão a caminho do jantar, regurgitando um diálogo insosso que parte da premissa de que nada é mais hilariante do que o romance na terceira idade. Resolvem parar no meio do caminho para roubar uns limões que encontraram na beira da estrada, e o roteiro continua com seu humor debilóide, com a velhinha fazendo exclamações sobre como a lua está linda e como o clima é romântico. Tudo isso ao som de uma trilha digna de um episódio de "Chaves", só que menos divertido. Para nosso alívio, Mel calha de estar nos arredores do limoeiro, ainda mais deformado. Assustados com os latidos de um cachorro, os velhinhos voltam para o carro. Quando eu já estou ficando frustrado, achando que o casal de malas vai escapar e salpicar o resto do filme com momentos de humor... SURPRESA!  Melting Man está no banco de trás do carro, mostrando ao casal de idosos que gosta de pregar uma boa peça. A decomposição pode ter destruído seu corpo e sua capacidade de raciocinar, mas não seu senso de humor. Isso sim é que é &lt;span style="font-style: italic;"&gt;comic relief&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sfd6Z38f3NI/AAAAAAAAAIo/DufsgXXk_-0/s1600-h/m14.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 227px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sfd6Z38f3NI/AAAAAAAAAIo/DufsgXXk_-0/s400/m14.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5329863268949286098" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; Alheia a tudo isso, a mulher de Nelson está choramingando sobre suas preocupações com o atraso da mamãe, já que Steve está por aí surtando e tudo mais. O cientista, com o vigor de sempre, assegura que "deve haver uma explicação simples" para o atraso. Mas aflora o conflito: o General Perry escuta a conversa e tenta dar um puxão de orelha no cientista, já que, evidentemente, este deu com a língua nos dentes para a esposa sobre a "crise". O esporro do general sai pela culatra, pois a Sra. Nelson passa na cara dele o teria ocorrido a qualquer pessoa com um mínimo de bom senso: que essa "caça ao monstro" é o troço mais esfarrapado que ela já viu. "O que vocês esperam? Que ele venha bater em nossa porta?" E manda os dois orebas pararem de coçar o saco e continuarem a buscar o monstro. Ambos obedecem, rabos firmemente plantados entre as pernas. Sem, contudo, convocar soldados, a polícia, o FBI nem nada do tipo. É, isso vai dar um resultado da porra. A estratégia da dupla dinâmica continua a mesma: sair dirigindo no jipão amarelo, na esperança de topar com Melting Man por coincidência.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais momentos de drama com o pegajoso, que agora está em um cemitério, relembrando a viagem ao espaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais conversa mole entre Nelson e o General.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por essa eu não esperava! Melting Man acaba indo parar na casa de Nelson! Ouvindo o barulho de uma vidraça sendo partida, a Sra. Nelson vai investigar e acaba descobrindo que era só a gatinha do casal, que havia derrubado sua tigela de leite. Enquanto a moça limpa a sujeira, um vulto se aproxima por trás e... é Nelson, numa cena de susto das mais originais. Cacete, eu fiquei com o coração na mão!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O xerife encontra o carro dos velhinhos e descobre o serviço do Melting Man. Por motivos inexplicáveis, a primeira atitude do agente da lei é entrar em contato com Nelson (e não, digamos, com o legista ou a polícia científica), corroborando as suspeitas da esposa deste. Nelson deixa a esposa sedada, sob a proteção do general, e vai ao encontro do xerife.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, sem nenhum motivo o plausível para tal, o xerife ameaça prender Nelson por estar "acobertando o criminoso". Nelson acaba contando toda a história, após obter a promessa de que o xerife (Neil é o nome do cidadão) não conte a ninguém. E lá vão eles continuar a inepta caçada ao monstro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O general, nesse ínterim, está despreocupadamente batendo um rango na casa de Nelson. Do nada, ele resolve sair, aparentemente para admirar o luar (porra... não dava para criar uma situação mais fácil de engolir? Admirar o luar?), abre a porta e...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sfd7EwgOWqI/AAAAAAAAAIw/q17PRwBbadU/s1600-h/m15.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 214px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sfd7EwgOWqI/AAAAAAAAAIw/q17PRwBbadU/s400/m15.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5329864005686024866" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sfd7JYeTF8I/AAAAAAAAAI4/lo4G764I42I/s1600-h/m16.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 215px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sfd7JYeTF8I/AAAAAAAAAI4/lo4G764I42I/s400/m16.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5329864085134841794" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Nelson e o xerife resolvem passar na casa do cientista para dar uma verificada no estado da patroa (que, finalmente descobri, se chama Judy) e e encontram o que sobrou de Perry. Mel resolve bater estrategicamente em retirada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na próxima cena, um casal de idiotas que está voltando do cinema encontra a porta de casa aberta, a maçaneta coberta por uma meleca avermelhada. Não ganha prêmio nenhum quem  adivinhar quem entrou aqui. O cara (Matt, que, veja você, é interpretado por Jonathan Demme) resolve entrar para "investigar" o que está havendo, enquando a mocinha fica esperando do lado de fora. Impaciente com a demora de sua cara-metade, ela resolve entrar, constatando que a casa está completamente revirada e que... bom, o filme não mostra, mas pelo barulho e a reação da moça, é óbvio que ela vê Mel fazendo alguma coisa desagradável com Matt. Ela se tranca na cozinha, barra a porta com a geladeira, liga para a polícia e se arma com um cutelo. Ao que parece, contudo, a decomposição não afetou tanto assim a capacidade de raciocínio do Melting Man, pois, enquanto a moça se prepara o ataque, Mel contorna o obstáculo e ataca pela janela, demonstrando, mais uma vez, que é praticamente um ninja.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sfd7iWgefcI/AAAAAAAAAJA/3Ecge9-qEys/s1600-h/m17.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 228px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sfd7iWgefcI/AAAAAAAAAJA/3Ecge9-qEys/s400/m17.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5329864514103836098" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;A mocinha (Nell), contudo, não entrega os pontos e acerta um golpe de cutelo no braço de Mel, decepando o membro de infeliz monstro em decomposição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sfd7zcbv0NI/AAAAAAAAAJI/6j_PuXJNTnY/s1600-h/M18.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 228px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sfd7zcbv0NI/AAAAAAAAAJI/6j_PuXJNTnY/s400/M18.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5329864807752388818" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Melting Man foge e Nell passa uns vinte segundos dando um faniquito. Um retrato realista dos efeitos do stress pós-traumático ou só mais uma maneira de prolongar artificialmente a duração do filme? Você decide.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Informado do pedido de socorro de Nell, o xerife parte em busca do monstro. Enquanto os dois manés chegam na casa da moça, o monstro já partiu para outra vizinhança, deixando atrás de si um rastro de gosma, que é seguido por nossos heróis. A perseguição frenética (leia-se, tranquila caminhada pela linha de trem, seguindo a meleca), conduz os dois a Melting Man, que está chegando numa fábrica ou refinaria... sei lá, uma estrutura industrial. O xerife saca sua arma, mas Nelson, em mais um momento sem noção do roteiro, o impede de dar cabo do monstro. O xerife dá um tiro para cima; Melting Man, mostrando que não é otário, pica a mula fábrica adentro. Após uma caçada das menos intensas (é sério, parece uma brincadeira de esconde-esconde), Nelson, mais uma vez sem nenhuma base (e isso que o sujeito é um cientista) deduz que "ele parece estar ficando mais forte à medida que derrete! Temos que descobrir por que!". Num plano nada manjado, os dois resolvem se separar para efetuar a busca com mais eficiência (ou seja, um dos dois vai ser encurralado pelo monstro e morrer). Nelson, sabe-se lá por que, joga sua arma fora. Já desisti de entender as motivações do sujeito. A partir de agora, vou partir da premissa de que ele simplesmente é imbecil e pronto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente, após vários closes de pés subindos escadarias, os dois heróis encurralam o monstro no topo de uma torre. Inacreditavelmente, o xerife, que está com uma espingarda apontada para Melting Man, ao invés de fazer o óbvio (disparar vários tirambaços na cabeça do bicho), fica perguntando a Nelson o que fazer. Quando o monstro finalmente parte para cima dele, o retardado resolve disparar, mas aí o barco já zarpou: apesar de baleado, o monstro agarra Neil. Enquanto o pau come, Nelson se limita a ficar choramingando, sem muita convicção: "Steve, pare. Já chega." (Só faltou ele dizer, "deixa disso, os cara") até que Melting Man acaba jogando o xerife da torre. O infeliz homem da lei calha de cair sobre um monte de fios de alta tensão, resultando numa morte literalmente pirotécnica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sfd8i2r_TvI/AAAAAAAAAJQ/BgUzea3KzCE/s1600-h/M19.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 215px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sfd8i2r_TvI/AAAAAAAAAJQ/BgUzea3KzCE/s400/M19.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5329865622253686514" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Dois vigilantes da fábrica, que, numa cena anterior que não mencionei, encontraram rastros da gosma de Melting Man, se aproximam da torre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nelson, confrontado por Mel, tenta argumentar com o monstro, com previsível sucesso (Mel joga o rapaz por cima de um dos corrimões da torre). Segurando-se no corrimão, Nelson tenta apelar para o sentimentalismo, gritando reiteradamente que "Steve! Sou eu! Ted Nelson! Se u amigo! Eu estou caindo! Me ajude! Eu faço um boquete!" Certo, a última eu inventei. E, num comovente momento que vai trazer lágrimas aos olhos do espectador, Melting Man, demonstrando que ainda resta algo de sua humanidade no âmago de seu aspecto horripilante, acaba salvando o zeba.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tragicamente, os vigilantes chegam à torre no momento em que o dramático resgate está ocorrendo. A despeito dos apelos de Nelson, eles acabam abrindo fogo e matando o cientista, mas não o monstro, que dá cabo dos dois. Ok, eu admito que essa foi realmente surpreendente. Tenho certeza que, na cabeça do diretor, foi uma tentativa retardada de passar alguma mensagem pacifista, mas a morte casual do "herói" foi supreendente mesmo assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Melting Man sai da fábrica cambaleando e se derretendo cada vez mais, lembranças da viagem a Saturno e daquele singular e perfeito momento em que ele viu o sol "como ninguém jamais o havia visto", ressonando em sua mente, até se derreter completamente. Bem, pode-se acusar o filme de tudo, menos de publicidade enganosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto cenas das consequências nefastas da viagem anterior se passam (Nelson morto na escadaria, os seguranças, o xerife eletrocutado), ouvimos uma jornalista anunciando o lançamento de mais uma nave em missão a Saturno, e o filme se encerra com &lt;span style="font-style: italic;"&gt;stock footage&lt;/span&gt; de um foguete sendo lançado e de mais cenas cenas de borrões multicoloridos, intercalados com as imagens de um zelador jogado a meleca que restou do Melting Man numa lixeira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sfd9KykMMEI/AAAAAAAAAJY/ZYP7bm93Qxo/s1600-h/M20.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 226px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sfd9KykMMEI/AAAAAAAAAJY/ZYP7bm93Qxo/s400/M20.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5329866308342001730" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Tudo bem, talvez eu não fosse uma criança tão idiota. O filme certamente é uma porcaria, mas não deixa de ser divertido. O elenco é uniformemente péssimo, a fotografia é do nível de uma novela da globo e a "estratégia" dos heróis para capturar o monstro é completamente ridícula (Cadê o exército? O Perry não é general? E o resto da polícia?) deixando claro que minha tese sobre a destinação do orçamento não era piada. O roteiro era praticamente inexistente - basicamente, pode ser resumido como  "cara vai ao espaço, vira monstro, sai matando umas pessoas aleatoriamente, é seguido por um cientista, um general e um xerife  e acaba se derretendo no final". Mas a maquiagem da criatura é muito boa e extremamente asquerosa (claro, todo o dinheiro do filme foi pro bolso do Rick Baker), os diálogos são de uma ruindade sublime (mais artificiais que o Leão Lobo tentando seduzir a Juliana Paes), os dois velhinhos "cômicos" viram comida de monstro e o final é genuinamente desagradável, com aquele clima de "shit happens" que permeava o cinema de horror dos anos 70. E, claro, temos três momentos mágicos, cuja beleza não pode ser descrita em meras palavras. Senhoras e senhores, contemplem o esplendor de "Enfermeira em Fuga", "Cabeça à Deriva" e "O Incrível Xerife que Explodiu".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="560" height="340"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/xdZboNveFjg&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/xdZboNveFjg&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="560" height="340"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/4tSPkmR5gYs&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/4tSPkmR5gYs&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="560" height="340"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/yBSngn2VH3U&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/yBSngn2VH3U&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="560" height="340"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6296516219389701823-2805382013677890771?l=monsterwerebritishyouknow.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://monsterwerebritishyouknow.blogspot.com/feeds/2805382013677890771/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://monsterwerebritishyouknow.blogspot.com/2009/04/incredible-melting-man.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6296516219389701823/posts/default/2805382013677890771'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6296516219389701823/posts/default/2805382013677890771'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://monsterwerebritishyouknow.blogspot.com/2009/04/incredible-melting-man.html' title='The Incredible Melting Man'/><author><name>Kurt Breichen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11129034358393773414</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sm3V5ffY7YI/AAAAAAAAAXY/2_hYe6Hm6tU/S220/Cool+Guy5.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SfdyuukKPDI/AAAAAAAAAGw/-PGcoj-Fn44/s72-c/M1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6296516219389701823.post-5750370220173913129</id><published>2009-04-24T06:05:00.001-07:00</published><updated>2009-04-28T17:37:50.628-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='christopher lee'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='mario bava'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='horror italiano'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='daliah lavi'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gótico'/><title type='text'>Whip and the Body/La Frustra e Il Corpo</title><content type='html'>&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SfG5LlwIhqI/AAAAAAAAAFY/ovFOU3lSg_E/s1600-h/W1.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 259px; height: 400px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SfG5LlwIhqI/AAAAAAAAAFY/ovFOU3lSg_E/s400/W1.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328243442919704226" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"La Frusta e il Corpo/The Whip and the Body" é, em minha opinião, o melhor horror gótico de Mario Bava. Infelizmente, é também uma das obras menos vistas do diretor e um dos motivos pelos quais me irrita profundamente a "crítica profissional" de cinema. Quando Buñuel ou Polanski tratam de temas como distúrbios psicossexuais, a crítica se derrete e louva os cineastas como "transgressores" e "visionários". Quando Mario Bava dirige uma história de fantasmas magnificamente fotograda e com um brilhante roteiro que aborda temas semelhantes, é tratado como um velho depravado, o filme é censurado em todo canto, mutilado pelos distribuidores até se tornar irreconhecível quando comparado à visão original do diretor, e são necessários quase quarenta anos para que a obra seja restaurada (graças, principalmente, aos esforços de Tim Lucas e Joe Dante) e possa ser apreciada da maneira que o saudoso mestre a concebeu.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A trama se inicia com o retorno de Kurt Menliff (Christopher Lee) ao castelo de sua família. A chegada do cidadão suscita um turbilhão de sentimentos dignos de uma novela mexicana. Kurt, conforme vai revelando a história, foi exilado por seu pai, em razão de seu caráter duvidoso: anos atrás, o rapaz seduziu Tanya, filha adolescente da criada Georgia (Harriet Medin) e, depois de se divertir com a ingênua manceba, abandonou-a, levando-a ao suicídio. Georgia, compreensivelmente, até hoje não engoliu essa sacanagem e guarda como uma jóia o punhal com que sua filha se matou, jurando que um dia a arma será o instrumento da morte de Kurt.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outro motivo que torna o retorno do primogênito dos Menliff inconveniente é o fato de seu irmão, Christian (Luciano Stella, mais conhecido como Tony Kendall) estar casado com Nevenka (a espetacular beldade israelense Daliah Lavi), antiga amante de Kurt. Tal casamento, para tornar a situação ainda mais desconfortável, não foi fruto da livre e espontânea vontade do casal, mas imposição do Conde Menliff, patriarca do clã (Gustavo de Nardo). A verdadeira paixão de Christian é sua prima, Katia (Ida Galli), que também vive no castelo. Todas as famílias felizes são parecidas...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SfG_Dy40PHI/AAAAAAAAAFo/7n1PRMg_kKs/s1600-h/w2.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 360px; height: 261px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SfG_Dy40PHI/AAAAAAAAAFo/7n1PRMg_kKs/s400/w2.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328249906076597362" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Kurt, diga-se, é realmente um escroto de proporções épicas. O cidadão é um dos melhores vilões interpretados por Christopher Lee, exalando arrogância e ostentando desprezo por praticamente todos os outros personagens da trama, sob uma sutil fachada de elegância.  Alegando ter voltado para parabenizar o irmão pelo seu casamento e pedir perdão ao pai pelas transgressões passadas, o que o rapaz realmente quer é a restauração de seu título, de sua primazia na descendência da linhagem e de seus bens, dos quais foi destituído quando do exílio imposto por seu pai após a "indiscrição" com a filha da criada. Tais pretensões são reveladas quando Kurt adentra o quarto de seu pai enfermo através por uma passagem secreta na lareira do aposento (artifício também presente no clássico "Black Sunday", do diretor), levando imediatamente um chega-pra-lá do velho, o que muito irrita o filho pródigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, claro, o rapaz também quer Nevenka, cuja perda para o irmão ele nunca engoliu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que conduz à primeira cena que provocará uma reação "Puta que o pariu! Isso é inacreditável!": Nevenka está fazendo um idílico passeio de cavalo pela praia, abaixo do cume onde fica o castelo. Fazendo uma pausa para relaxar, a beldade traça desenhos na areia com o chicote do cavalo, quando, subitamente...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SfHkJGvcQFI/AAAAAAAAAFw/qpyrDsqbO4I/s1600-h/w3.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 134px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SfHkJGvcQFI/AAAAAAAAAFw/qpyrDsqbO4I/s400/w3.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328290679235559506" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Kurt entra em cena, fala sobre os velhos tempos e tenta dar uns malhos na moça, que, após ceder por alguns instantes, se esquiva e acerta tenta acertar uma chicotada no rapaz. Este não se dá por vencido e, tomando o chicote, acerta uma pancada na moça, que, acuada, recua até tropeçar e cair. E Kurt, exclamando, "Você não mudou. Você sempre adorou violência.", procede a desferir uma série de golpes de chicote nas costas da moça.  Ao que parece, Kurt sabe do que estava falando, pois Nevenka solta uma série de gemidos enquanto está sendo açoitada, mas não parecem ser exatamente gemidos de dor...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SfHmhTXe-7I/AAAAAAAAAF4/yugI2ZfXsTI/s1600-h/w4.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 134px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SfHmhTXe-7I/AAAAAAAAAF4/yugI2ZfXsTI/s400/w4.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328293293964852146" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Finda a sessão de chicotadas, Nevenka olha seu algoz com uma expressão de "vem pra mim"; sem hesitar, Kurt larga o chicote, quando o casal parte para o sexy-time... fade to black. Isso mesmo, colegas. O que temos aqui é uma autêntica e explícita cena de S&amp;amp;M, filmada em 1963. E foi principalmente isso que levou o filme a ser editado até se tornar, em certas versões, ininteligível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando cai a noite e Nevenka ainda não retornou de seu passeio, Christian está nervoso e preparando-se para iniciar uma busca pela sua consorte. Kurt chega alegre e despreocupado (claro, o cara acabou de dar umas pegas em Daliah Lavi), fazendo pouco da preocupação do corno, debochando da criada cujo suicídio da filha ele, indiretamente, provocou e zombando do amor reprimido entre Christian e sua prima Katia. O cidadão sobe para o seu quarto e prepara-se para dar uma relaxada, quando uma voz fantasmagórica, cortando o som da ventania que entra pela janela, começa a chamar seu nome. Perquirindo seus arredores em busca da origem da voz, Kurt é atacado por alguém que finca o punhal que matou Tanya em sua garganta...&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SfHrBGbagZI/AAAAAAAAAGA/i23SSAPkx7I/s1600-h/w5.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 134px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SfHrBGbagZI/AAAAAAAAAGA/i23SSAPkx7I/s400/w5.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328298238294000018" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Nevenka é finalmente encontrada pelo mordomo, Losat, ainda na praia, aparentemente levada à inconsciência pela sessão de amor violento com Kurt. Todos retornam ao castelo, onde descobrem o recente presunto. Quem terá sido o assassino? Christian, que estava desacompanhado durante a busca por Nevenka, talvez porque teria descoberto o par de chifres que foi recentemente afixado em sua testa? Georgia, a fim de justiçar a morte de sua filha? O velho Conde Menliff, que evidentemente detestava seu filho canalha e era a única pessoa que ficou no castelo com Kurt, a fim de "lavar a honra da família"? A própria Nevenka, cujo fetiche sexual reprimido (e que, no contexto histórico, certamente era fruto de intensa vergonha para a moça) foi forçosamente despertado por seu amante? Losat, que é mais esquisito que uma nota de três reais (e é interpretado por Luciano Pigozzi, o "Peter Lorre" italiano)? Katia, a quem Kurt tinha prazer de torturar psicologicamente, lembrando-lhe de sua paixão frustrada por Christian? Todas essas suspeitas já renderiam um interessante (embora convencional) mistério. Mas surge mais uma indagação:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estaria Kurt Menliff, de fato, morto?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pois, após o sepultamento do rapaz (e a cerimônia é pra lá de estranha: embora pareça se tratar de um velório cristão ortodoxo, o caixão é carregado por uns caras trajando o que só pode ser descrito como uma versão vermelha dos trajes da KKK), estranhos incidentes começam a ocorrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SfJEhQewYkI/AAAAAAAAAGY/FhkVndm7Hr0/s1600-h/w8.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 188px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SfJEhQewYkI/AAAAAAAAAGY/FhkVndm7Hr0/s400/w8.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328396647283057218" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Tocando piano, Nevenka vislumbra Kurt na janela, fitando-a impiedosamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SfJGEQYRfgI/AAAAAAAAAGg/qya-3Aidhqo/s1600-h/w9.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 188px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SfJGEQYRfgI/AAAAAAAAAGg/qya-3Aidhqo/s400/w9.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328398348062916098" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Depois, é despertada, na calada da noite, por um barulho que se assemelha ao estalar de chicotadas. Esgueirando-se pelos corredores sombrios do castelo, a beldade descobre que se tratava apenas do barulho de um galho sendo golpeado pela força do vento, contra uma das janelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SfJCJ9_gYoI/AAAAAAAAAGQ/tSa3WYJe8HI/s1600-h/w7.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 189px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SfJCJ9_gYoI/AAAAAAAAAGQ/tSa3WYJe8HI/s400/w7.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328394048159900290" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Mais tarde, porém, em seu quarto, ela se depara com Kurt, um lenço ensanguentado cobrindo o ferimento em sua garganta (um espectro ou Kurt fingindo ser um espectro?), que está prestes a atacá-la, quando os gritos da moça atraem Christian (sim, o mané é casado com Daliah Lavi, mas dorme em outro quarto), provocando o desaparecimento da aparição e levando à conclusão de que tudo não passou de uma alucinação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SfJHN8IPSwI/AAAAAAAAAGo/7nzlLYrmL2I/s1600-h/w10.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 189px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SfJHN8IPSwI/AAAAAAAAAGo/7nzlLYrmL2I/s400/w10.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328399613937273602" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Posteriormente, Nevenka é novamente assombrada por Kurt, e, dessa vez, o ocorrido não pode ser atribuído a alucinações, pois o ataque (se é que se pode se chamar de ataque; após superar o medo, a reação da moça conduz a uma cena muito semelhante à ocorrida na praia) deixa  visíveis marcas de chicote nas costas da jovem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E então o Conde aparece assassinado, sua garganta cortada. Para tornar o homicídio ainda mais tétrico, o punhal que provocou a morte de Kurt, e que havia sido guardado, desaparece, levando à conclusão de que a mesma arma foi usada no crime e reforçando a suspeita de que Kurt talvez tenha a simulado a própria morte e, agora, esteja em busca de sua parte do patrimônio da família.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Não vou adiantar mais detalhes sobre a trama porque trata-se de um mistério cuja resolução realmente surpreende e faz sentido, dando uma conclusão genuinamente satisfatória à história (diferente, por exemplo, de todas as "reviravoltas" dos filmes de M. Night Shyamalam desde &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Corpo Fechado).&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ademais, tão relevante quanto a trama é técnica de Bava na direção.   Como tentei demonstrar através de excesso de fotos ao longo do artigo, todas as cenas do filme são compostas de forma a criar um denso clima gótico. A fotografia do filme, com o perdão da boiolagem, é deslumbrante. Cada cena parece uma pintura em movimento e a maneira como o &lt;span style="font-style: italic;"&gt;maestro&lt;/span&gt; utiliza cores e sombras para criar atmosfera e refletir o estado emocional dos personagens faz produções caras e suntuosas da época parecerem ter sido fotografados com a perícia dos filmes direct-to-video de hoje em dia. Exemplos marcantes disso são a primeira vez em que Nevenka percorre os corredores do castelo, ouvindo o que pensa ser estalar de chicotes, bem como a visita desta ao túmulo de Kurt, onde, após ouvir ouvir um ruído, suspeita estar diante de uma manifestação sobrenatural, deparando-se com marcas enlameadas das botas do falecido no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SfJAwNIaWvI/AAAAAAAAAGI/2dn_9jI7x4g/s1600-h/w6.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 189px;" src="http://3.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SfJAwNIaWvI/AAAAAAAAAGI/2dn_9jI7x4g/s400/w6.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328392506035559154" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;Sou fã das produções da Hammer e dos filmes de Poe do Corman, mas, francamente, nenhum deles chega aos pés, em termos de opulência visual, a &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Whip and the Body&lt;/span&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Detalhe que &lt;span style="font-style: italic;"&gt;deve&lt;/span&gt; ser abordado, ainda, é que o filme é um genuíno romance gótico. A relação sadomasoquista entre Menliff e Nevenka pode parecer, superficialmente, uma perversão, mas é inegável que há genuíno &lt;span style="font-style: italic;"&gt;feeling&lt;/span&gt; além das chibatadas, que são, releva mencionar, sempre acompanhadas pelo belo tema romântico de Carlo Rustichelli. É patente que Kurt sente uma frustração mal disfarçada por ter perdido Nevenka para o irmão; igualmente evidente é que esta é apaixonada pelo vilão - e assim continua após a morte deste. As cenas em que a protagonista é açoitada por Menliff (tanto antes quanto após a morte deste) em momento algum o retratam como um vilão ou esta como uma vítima: é óbvio que a situação é sexualmente gratificante para ambas as partes. Kurt é o vilão da história não em razão de sua relação com Nevenka, mas em virtude de ser frio, cruel (como é demonstrado em suas interações com todos os demais personagens) e ganancioso (fica claro que sua principal motivação ao retornar ao lar é reaver seu título e sua parte no patrimônio da família). A aparente repulsa que a protagonista sente por ele é, na verdade, uma sublimação do sentimento de culpa causado por sua sexualidade "desviante" e reprimida. É tal repressão, na verdade (e SPOILERS daqui em diante, para quem não quer saber detalhes sobre o desfecho da trama) que desencadeia a série de desgraças que se abatem sobre a família Menliff. Neste contexto, o final trágico, é, paradoxalmente, feliz - Nevenka finalmente aceita lidar com os fatos e é, de certo modo, reunida com seu amante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixemos, porém, masturbações intelectuais de lado e vamos direto ao ponto: este filme é do caralho. Funciona como filme de terror sobrenatural (além das aparições e assassinatos, temos catacumbas sinistras, exumações, passagens secretas e tudo mais que faz a alegria dos fãs do cinema de terror macarrônico da década de 60) e funciona como romance gótico. Christopher Lee está excelente como o vilão (apesar de sua voz estar dublada)  e Daliah Lavi é um motivo válido para tomar partido dos israelenses nos conflitos no Oriente Médio. É o tipo de filme que Francis Coppola queria fazer (e não conseguiu) com "Drácula de Bram Stoker". Assista a esse filme. Creio que, a rigor, a obra está no domínio público e pode ser facilmente obtida via P2P, mas, sinceramente, não recomendo - você corre risco de baixar uma das horríveis cópias mutiladas que foram lançadas no EUA e em parte da Europa (sem as cenas de S&amp;amp;M). Sugiro desmbolsar um extra e importar o DVD da VCI, que, além de conter uma versão uncut do filme, com qualidade impecável, inclui, ainda, uma excelente faixa de comentário de Tim Lucas, obrigatória para qualquer fã de Bava ou do cinema de horror italiano do período.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6296516219389701823-5750370220173913129?l=monsterwerebritishyouknow.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://monsterwerebritishyouknow.blogspot.com/feeds/5750370220173913129/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://monsterwerebritishyouknow.blogspot.com/2009/04/whip-and-bodyla-frustra-e-il-corpo.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6296516219389701823/posts/default/5750370220173913129'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6296516219389701823/posts/default/5750370220173913129'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://monsterwerebritishyouknow.blogspot.com/2009/04/whip-and-bodyla-frustra-e-il-corpo.html' title='Whip and the Body/La Frustra e Il Corpo'/><author><name>Kurt Breichen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11129034358393773414</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sm3V5ffY7YI/AAAAAAAAAXY/2_hYe6Hm6tU/S220/Cool+Guy5.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SfG5LlwIhqI/AAAAAAAAAFY/ovFOU3lSg_E/s72-c/W1.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6296516219389701823.post-6277063759121442526</id><published>2009-04-23T16:26:00.000-07:00</published><updated>2009-04-23T16:30:40.823-07:00</updated><title type='text'>Só para não passar em branco...</title><content type='html'>Ficou tosco, mas eu tinha que deixar algum registro em homenagem ao gratificante quebra-pau entre os ministros do STF Gilmar Mendes e Joaquim Barbosa:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SfD522ZXaSI/AAAAAAAAAFQ/VuWB8OaR0n8/s1600-h/Barbaft2.jpg"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 311px; height: 400px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SfD522ZXaSI/AAAAAAAAAFQ/VuWB8OaR0n8/s400/Barbaft2.jpg" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5328033079889455394" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/6296516219389701823-6277063759121442526?l=monsterwerebritishyouknow.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://monsterwerebritishyouknow.blogspot.com/feeds/6277063759121442526/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://monsterwerebritishyouknow.blogspot.com/2009/04/so-para-nao-passar-em-branco.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6296516219389701823/posts/default/6277063759121442526'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/6296516219389701823/posts/default/6277063759121442526'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://monsterwerebritishyouknow.blogspot.com/2009/04/so-para-nao-passar-em-branco.html' title='Só para não passar em branco...'/><author><name>Kurt Breichen</name><uri>http://www.blogger.com/profile/11129034358393773414</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='25' height='32' src='http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/Sm3V5ffY7YI/AAAAAAAAAXY/2_hYe6Hm6tU/S220/Cool+Guy5.JPG'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SfD522ZXaSI/AAAAAAAAAFQ/VuWB8OaR0n8/s72-c/Barbaft2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-6296516219389701823.post-457239310723338877</id><published>2009-04-20T12:56:00.000-07:00</published><updated>2009-04-21T13:56:07.904-07:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='bram stoker'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='anthony hopkins'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='drácula'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='coppola'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='gary oldman'/><title type='text'>"Drácula de Bram Stoker"? Está mais para "Drácula de Anne Rice".</title><content type='html'>&lt;span style=";font-family:times new roman;font-size:100%;"  &gt;Versão curta: Eu odeio esse filme.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:times new roman;font-size:100%;"  &gt;É muito fácil sentar o pau numa podreira de Al Adamson, feita nas coxas, com um orçamento de dez dólares, um roteiro escrito numa mesa de bar, maquiagem e efeitos especiais que até meu sobrinho de quatro anos consegue fazer e a óbvia intenção de faturar dinheiro fácil. Já este filme tem um elenco classe A (tudo bem, tem também o Keanu Reeves e a Winona Ryder, mas vá lá), um orçamento que, à época, era o mais alto da história para um filme de vampiros, o diretor de “O Poderoso Chefão” e “Apocalypse Now” e, supostamente, a intenção de ser “a mais fiel adaptação da obra de Bram Stoker”. O resultado: um aborto cinematográfico.&lt;/span&gt;  &lt;span style=";font-family:times new roman;font-size:100%;"  &gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sei que esse “Drácula de Bram Stoker” é, em geral, respeitado pela crítica, tem uma legião de admiradores e é visto como uma “das mais fiéis adaptações do clássico de horror”, mas que se fodam. Eles não sabem do que estão falando. Minha teoria é que os fãs desta “obra” se deslumbraram com a bela fotografia, os cenários suntuosos e a excelente trilha sonora do filme e deixaram de prestar atenção ao resto. Ou é gente que tem ojeriza a filme de terror, mas gostou desta porcaria porque achou a obra “romântica” e imbuída de “qualidade artística”. Tenho que ser justo com as virtudes do filme. O visual é espetacular. A trilha sonora é de primeira. Tom Waits, lembrando um Boris Karloff entupido de cafeína, dá uma das melhores interpretações cinematográficas de Renfield, embora o personagem seja supérfluo. Sadie Frost é gostosa e passa boa parte do filme tentando tirar a roupa. Monica Bellucci aparece com os seios de fora. E é só. Excetuados esses raros momentos de alento, eu compararia esse filme a uma bosta folheada a ouro e cravejada de diamantes: pode até parecer bonita, mas não deixa de ser excremento.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SezTsAqe2XI/AAAAAAAAADo/s8YoANEvfWU/s1600-h/d0.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 372px; height: 265px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SezTsAqe2XI/AAAAAAAAADo/s8YoANEvfWU/s400/d0.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326865212318341490" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5Cx%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;o:smarttagtype namespaceuri="urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" name="PersonName"&gt;&lt;/o:smarttagtype&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if !mso]&gt;&lt;object classid="clsid:38481807-CA0E-42D2-BF39-B33AF135CC4D" id="ieooui"&gt;&lt;/object&gt; &lt;style&gt; st1\:*{behavior:url(#ieooui) } &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} a:link, span.MsoHyperlink 	{color:blue; 	text-decoration:underline; 	text-underline:single;} a:visited, span.MsoHyperlinkFollowed 	{color:purple; 	text-decoration:underline; 	text-underline:single;} @page Section1 	{size:612.0pt 792.0pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:36.0pt; 	mso-footer-margin:36.0pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-ansi-language:#0400; 	mso-fareast-language:#0400; 	mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A melhor maneira de sintetizar o espírito filme é parafraseando Ken Begg, do &lt;a href="http://www.jabootu.net/"&gt;jabootu.net&lt;/a&gt;, em sua crítica de “Prophecy”, de John Frankenheimer. Segundo Begg, esse é o tipo de palhaçada que costuma acontecer quando se tenta colocar um diretor “de prestígio” para fazer um filme de terror. O artista acaba concluindo que tal tarefa não está à altura de seus talentos – afinal, “qualquer idiota sabe dar susto” – e resolve fazer algo “mais ambicioso”. É como pedir a um &lt;i style=""&gt;chef de cuisine&lt;/i&gt; para fazer um cheeseburger com fritas. Achando que tal tarefa seria um desperdício de suas habilidades, ele não se contenta em simplesmente atender a seu pedido. Não! Ele decide fazer uma genuína obra de arte culinária e, quando finalmente tal obra é colocada diante do cliente, que queria apenas um lanche rápido, este, ao invés de se desmanchar em orgasmos gastronômicos, como esperava o autor da iguaria, limita-se a fitar o prato, com uma expressão de incompreensão, indagando “que porra é essa?”. E acaba indo pedir um sanduba gorduroso no boteco da esquina, onde pelo menos o pessoal sabe o que você quer.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Deixemos uma coisa bem clara: eu não sou purista em relação a adaptações, nem faço objeção a um filme ambicioso que tenta transcender as limitações da obra em que se inspira. “O Poderoso Chefão” é uma obra-prima que supera, consideravelmente, o livro em que se baseia. “O Iluminado”, de Kubrick, tem apenas uma vaga e superficial semelhança com o livro de Stephen King e, em minha opinião, é um dos melhores filmes de terror de todos os tempos. “Tubarão” é um excelente filme que tem quase nada em comum com o livreco tosco em teria se baseado. Até “Do Inferno”, que é, sem dúvida, uma PÉSSIMA adaptação da brilhante obra de Alan Moore e parte de uma premissa completamente oposta ao material em que alega se inspirar, pelo menos não tenta debochar de sua inspiração e funciona como um filme de suspense e terror.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O “Drácula” de Coppola, entretanto, nada tem em comum com os filmes supracitados. A atitude do diretor e do roteirista em relação à obra original é evidente: total desdém. Não se trata de uma situação em que eles leram o livro de Stoker (que é um clássico altamente influente e, em minha opinião, funciona como bom entretenimento, mas está longe de ser uma obra-prima) e pensaram: “essa história é interessante, mas a gente pode aperfeiçoá-la”. A atitude dos responsáveis por esta bomba em relação ao livro é “Poupe-me! Isso é uma porcaria. É uma velharia antiquada que ninguém mais lê, fruto de uma era ultrapassada cheia de pudores e machismo. Pra que adaptar essa bobagem, quando podemos fazer coisa muito melhor? Podemos modernizá-la! Adequá-la a nossas sensibilidades progressistas, à nossa visão de mundo sofisticada!” Porque, claro, Hollywood acha que é a epítome do pensamento progressista e da sofisticação. Ninguém tem uma visão de mundo mais sofisticada que aquela Meca do cinema. Eles são a vanguarda. E, por falar nisso, quantos blockbusters Hollywoodianos incluem, com naturalidade, um relacionamento amoroso interracial? Quero dizer, filmes que contenham um romance interracial e que não girem em torno dos conflitos gerados pelas “discrepâncias raciais” dos pombinhos? Will Smith e Eva Mendes em “Hitch” não conta. Eva Mendes, na ótica politicamente correta de Hollywood, não é branca; é “hispânica”. Só comentando. Quantas vezes alguém viu Denzel Washington fazer par romântico com uma atriz branca? “Progressista” é o caralho.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;E assim, desprezando a idéia de fazer um “mero filme de terror”, Coppola e o roteirista Jim Hart decidem “reinventar” a obra, transformando-a num “romance gótico”, numa “meditação sobre a imortalidade e os desígnios misteriosos de Deus, a perda de fé e o poder redentor do amor”. Em resumo, quiseram fazer tudo, menos um filme de terror. Só que tiveram que colocar vampiros, porque, infelizmente, não dá pra contornar o fato de que um filme chamado “Drácula” tem que ter vampiros na história. Mas, como ninguém é de ferro, saíram divulgando que fizeram “a mais fiel adaptação da obra de Bram Stoker”. E um bando de manés acreditou e saiu repetindo.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Como é notório, não é por esse motivo (a suposta “fidelidade” ao material em que se baseia) que o filme se chama “Drácula de Bram Stoker”. É porque a Universal, inacreditavelmente, e não obstante ambas as obras já estejam no domínio público, afirma ser titular dos direitos autorais dos títulos “Drácula” e “Frankenstein”. Na lógica irretocável do estúdio, você pode colocar a palavra “Drácula” no título, desde que acompanhada de qualquer outra palavra. Mas só “Drácula” não pode. É deles.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Enfim, essa é a mais fiel adaptação do livro de Stoker. A única diferença é que Drácula, no livro, era, indubitavelmente, o vilão. E não era um vilão psicologicamente complexo. Era o Mal absoluto (com “M” maiúsculo), um predador implacável que via os humanos somente como alimento ou, no máximo, como objeto de diversão sádica. Um monstro que seqüestra bebês para servi-los às vampiras que vivem em seu castelo. O único interesse dele, ao se mudar para Londres, é ter abundância de alimento e disseminar o vampirismo. O livro é extremamente maniqueísta. Aqui, ele é um “anti-herói romântico”, que vai a Londres em busca da reencarnação de seu amor perdido. Fica patente a fidelidade à obra original.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Começamos com um prólogo “inovador”, que não está no livro e consiste numa distorção de um história sobre o voivoda romeno Vlad, o Empalador. Costuma-se pensar que Vlad, também conhecido como Drácula, serviu de inspiração ao vampiro de Stoker. Não serviu: Stoker já tinha seu livro bem delineado (o nome do vampiro seria, sutilmente, “Conde Wampyr”) quando leu sobre Drácula, gostou do nome, pegou alguns fatos históricos aleatórios e colocou nos diálogos do personagem, para dar mais verossimilhança à história. E só. Enfim, no prólogo, Vlad, que é um cristão devoto (na vida real, não era; ele basicamente contava com o apoio da Igreja Ortodoxa porque era politicamente conveniente; posteriormente, também por conveniência política, se converteu ao catolicismo), vai combater os turcos otomanos em nome do cristianismo e ganha a batalha. Os turcos, só de sacanagem, lançam um flecha seu castelo, carregando um bilhete segundo o qual Vlad tombou &lt;st1:personname productid="em batalha. Elisabetha" st="on"&gt;em batalha. Elisabetha&lt;/st1:personname&gt;, a esposa do príncipe, decide que a vida não fez sentido sem seu amado e se joga das torres do castelo (na esperança de ser “reunida com seu Príncipe no céu”, se esborrachando no chão (mas deixando um cadáver perfeitamente intacto, salvo um filete de sangue que escorre do canto da boca). Drácula, quando chega em casa e é informado do ocorrido, fica totalmente puto com o senso de humor escroto de Deus, renuncia a sua fé e mete uma espadada numa cruz. Uma cachoeira de sangue começa a escorrer da cruz, Drácula bebe o sangue e BAM! Pronto, virou vampiro, só pra passar a eternidade sacaneando Deus.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Não sou cristão, mas tenho que questionar a inteligência de Elisabetha e o bom senso de Vlad nessa cena. Em primeiro lugar, como diabos cometer suicídio a faria “se reunir com seu amado no céu”? Que eu saiba, em qualquer vertente do cristianismo, suicídio leva ao inferno. Pelo que eu sei, no espiritismo, o suicídio também não é um caminho para a felicidade. Não vou me deter pesquisando a posição de outras religiões sobre o suicídio, pois o roteiro segue uma teologia (se é que se pode falar nisso) cristã. Então, Vlad não devia se revoltar com Deus, mas com a burrice de sua amada, que, nas circunstâncias, tomou a decisão mais retardada possível. Além disso, desde quando blasfemar e fincar uma espada numa cruz é o caminho para se tornar um morto-vivo (condição que o filme, claro, pinta como o cúmulo do sofrimento, mas que, em minha opinião, seria massa)? Blasfêmias muito piores já foram cometidas ao longo da história e nem por isso há vampiros saindo pelo ladrão por aí. Eu mesmo já blasfemei uma porrada de vezes e até agora, nada de imortalidade e superpoderes. Vi esse filme pela primeira vez quando era pirralho. Inspirado, tentei apunhalar uma cruz e nada. É verdade que era só um crucifixo de madeira e eu usei um canivete suíço, de modo que o problema, talvez, tenha sido minha falta de ambição, mas acho improvável. Nem a pau vou entrar numa Igreja com uma espada e correr o risco de levar um baculejo da polícia pra tirar a dúvida.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Enfim, 400 anos mais tarde, Jonathan Harker vai ao Castelo Drácula vender uma casa ao conde. Lá chegando, pouco a pouco começa a desconfiar que há algo de errado com seu anfitrião, até, gradualmente, descobrir que este não é um ser humano normal, mas uma criatura da noite. Quer dizer, no livro é assim, pois Stoker descreve Drácula como um ancião que, superficialmente, parece ser normal, até você prestar atenção em certos detalhes, que, à primeira vista, passam despercebidos - tais como o fato de ele ter dentes mais afiados que a regra, orelhas levemente pontiagudas, unhas afiadas, palidez cadavérica, um perpétuo mau hálito, além de nunca aparecer durante o dia e, pelo menos diante de Harker, nunca comer. Já o Drácula de Coppola...&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SezUEyDIoSI/AAAAAAAAADw/QHbwe-v__Do/s1600-h/d1.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 372px; height: 265px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SezUEyDIoSI/AAAAAAAAADw/QHbwe-v__Do/s400/d1.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326865637891940642" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt; &lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5Cx%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1 	{size:612.0pt 792.0pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:36.0pt; 	mso-footer-margin:36.0pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-ansi-language:#0400; 	mso-fareast-language:#0400; 	mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Puta que o pariu! Tenha santa paciência! Que porra é essa? Qual é o propósito dessa palhaçada toda? Em que universo um aristocrata eslavo de século XIX se veste desse jeito? Basicamente, &lt;i style=""&gt;a costume designer &lt;/i&gt;Eiko Ishioka decidiu adotar um estilo “teatro Kabuki”. Essa decisão foi inspirada por suas origens nipônicas. E daí? Isso não é justificativa. Eu sou nordestino. Seguindo essa lógica, se eu fosse o figurinista do filme, Drácula apareceria com trajes de cangaceiro. Isso faz sentido? Poupe-me. E o que mais me irrita é que praticamente&lt;i style=""&gt; todo&lt;/i&gt; crítico que resenha o filme finge que não achou esse negócio risível. Sempre se fala sobre como a maquiagem e o figurino conferem um aspecto “antinatural” ao vampiro, realçando sua dissociação da humanidade. Não, não é esse o efeito que o aspecto do Drácula de Coppola provoca. O efeito que ele provoca é vontade de rir e fulmina totalmente a imersão do espectador no filme – é óbvio que se trata de um cara coberto de maquiagem pesada e usando uma peruca bisonha e um quimono berrante. E o pior de tudo é que, como o “Drácula velho”, a interpretação de Gary Oldman seria bastante convincente, se não fosse totalmente anulada por esse aspecto de destaque de escola de samba. Podiam muito bem ter chamado o Ney Matogrosso da era “Secos e Molhados” para interpretar o conde. Seria igualmente eficiente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Em síntese: em momento algum dá pra acreditar que Harker, conservador jurista vitoriano, conseguiria levar a sério esse traveco Kabuki. Mesmo um Harker interpretado por Keanu Reeves, que é tão verossímil como um advogado inglês do século XIX quanto John Wayne como Genghis Khan. Nem vou me dar ao trabalho de esculachar a interpretação do Keanu, porque isso é bater em cachorro morto – até os fãs do filme acham a interpretação do rapaz uma porcaria; até Coppola lamenta a escolha do ator.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Enfim, Harker chega ao Castelo Drácula, vende a casa e derruba um retrato de sua noiva, Mina. Drácula vê o retrato e constata que a moça é idêntica à sua finada esposa. Aflora o sentimento. Keanu vaga pelo castelo, é atacado pelas três “noivas” do vampiro, Monica Bellucci mostra todo seu talento (ÊBA!). Drácula aparece para estragar o oba-oba, entrega um bebê para saciar, temporariamente, a sede de sangue de suas companheiras, e Harker surta geral, mostrando toda a pujança dramática de Keanu Reeves, numa cena hilária.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SezU-oZzQEI/AAAAAAAAAEI/Gd-L97jA2Zk/s1600-h/D3.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 150px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SezU-oZzQEI/AAAAAAAAAEI/Gd-L97jA2Zk/s400/D3.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326866631735066690" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5Cx%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;o:smarttagtype namespaceuri="urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" name="PersonName"&gt;&lt;/o:smarttagtype&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if !mso]&gt;&lt;object classid="clsid:38481807-CA0E-42D2-BF39-B33AF135CC4D" id="ieooui"&gt;&lt;/object&gt; &lt;style&gt; st1\:*{behavior:url(#ieooui) } &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1 	{size:612.0pt 792.0pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:36.0pt; 	mso-footer-margin:36.0pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-ansi-language:#0400; 	mso-fareast-language:#0400; 	mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;A fim de se livrar da concorrência, Drácula decide deixar Harker preso em seu castelo, com suas três companheiras vampiras, e parte para Londres em busca do amor.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Em Londres, encontramos Mina (Winona Ryder, pouco mais convincente que o Keanu, mas só “pouco”) e sua gostosa amiga Lucy Westenra. Lucy está deslumbrada porque recebeu três pedidos de casamento. Os pretendentes são Arthur Holmwood, um aristocrata boçal; Jack Seward, médico nerd dono de um manicômio, e Quincy Morris, texano inspirado no Marlboro Man. Tudo bem que Lucy é gostosa, mas eu admiro a bravura de um homem que tenha coragem de pedi-la &lt;st1:personname productid="em casamento. J￡" st="on"&gt;em casamento. Já&lt;/st1:personname&gt; vi prostitutas de beira de esquina se portando com mais decoro que a personagem. O roteirista tenta retratar Lucy como uma jovem audaciosa e independente para seu tempo, mas ela acaba saindo como uma ninfomaníaca psicótica, prestes a ter um orgasmo a cada cinco segundos e falando em sexo o tempo todo. A Dercy Gonçalves era mais recatada que essa moça. Vale lembrar que a Lucy do livro nada tem de audaciosa ou independente. Ela é, basicamente, uma chapeuzinho vermelho. A moça é tão sensível que acaba se entristecendo com os três pedidos de casamento, pois, inevitavelmente, terá que “partir o coração” de dois dos pretendentes, que são todos rapazes do mais elevado caráter. Mas tudo bem, dá pra entender que o roteirista queira dar uma personalidade mais distinta à personagem (mesmo porque Stoker é péssimo na caracterização). Agora, fazer uma personagem do século XIX se comportar de uma maneira que seria considerada escandalosa nos dias de hoje é uma idéia simplesmente asinina.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SezUWUHpBbI/AAAAAAAAAD4/y8n-Q2JTqgk/s1600-h/d2.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 380px; height: 280px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SezUWUHpBbI/AAAAAAAAAD4/y8n-Q2JTqgk/s400/d2.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326865939095422386" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5Cx%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1 	{size:612.0pt 792.0pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:36.0pt; 	mso-footer-margin:36.0pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-ansi-language:#0400; 	mso-fareast-language:#0400; 	mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Bom, como no livro, o navio que traz Drácula e seus caixões chega na Inglaterra com toda tripulação morta, mas parece que ninguém dá muita atenção a isso. O vampiro parte logo para o vamos ver e, transformado em lobisomem, procura sua primeira vítima, que calha de ser Lucy. Usando seus superpoderes, o vampiro a atrai para um cemitério e manda ver com a moça, antes de mordê-la. Sim, o Drácula-lobisomem come a mocinha antes de mordê-la. É interessante que o filme passe o tempo todo fazendo aquela surrada abordagem do vampirismo como uma metáfora para a sexualidade. O problema é que a metáfora meio que perde o propósito quando os personagens estão literalmente fazendo sexo. Parabéns pela sutileza, Francis Ford Coppola.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;    &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Blábláblá, Lucy fica doente, Seward não consegue identificar a causa e chama seu velho mentor, Professor Abraham Van Helsing, especialista em doenças obscuras. Van Helsing é interpretado por Anthony Hopkins, que, por breves instantes, passa a impressão que vai emprestar ao filme uma bem-vinda dignidade. Mera ilusão. Francamente, acho que o Van Helsing do livro é um personagem meio ridículo. A primeira vez que li uma versão em inglês de “Drácula”, tive muita dificuldade em entender os diálogos do Van Helsing. O homem mal consegue conjugar um verbo e, francamente, é muito difícil levá-lo a sério como um acadêmico de renome. A interpretação cinematográfica do personagem mais fiel ao livro é o Mel Brooks em “Drácula: Morto, Mas Feliz”. Seria perfeitamente compreensível que alterassem o personagem para torná-lo menos caricato – foi o que Peter Cushing e Frank Finlay fizeram. Mas Hopkins prefere seguir outra direção: seu Van Helsing consegue, sim conjugar verbos corretamente e usar artigos, mas passa o filme todo se comportando como um bufão, soltando piadinhas sem graça e grosserias, passa uma cantada em Mina e, num momento “humorístico” que acaba por fulminar toda a dignidade que ainda restava ao personagem, encoxa Quincy Morris.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SezVzfjKOYI/AAAAAAAAAEQ/wUXHzAmsvTc/s1600-h/d4.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 372px; height: 268px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SezVzfjKOYI/AAAAAAAAAEQ/wUXHzAmsvTc/s400/d4.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326867539891468674" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5Cx%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1 	{size:612.0pt 792.0pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:36.0pt; 	mso-footer-margin:36.0pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-ansi-language:#0400; 	mso-fareast-language:#0400; 	mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Como de praxe, Van Helsing faz algumas transfusões de sangue, solta pistas enigmáticas sobre a origem da “doença” e enrola até revelar que suspeita de que Lucy seja vítima de um vampiro, para a incredulidade de Seward, Holmwood e Morris.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Entrementes, o bom conde encontra Mina, confirmando que esta é a reencarnação de seu amor perdido. Após uma série de episódios que, numa ótica “moderna” (convenientemente deixada de lado, por ora, pelo filme), só posso descrever como assédio sexual dos mais inconvenientes, a moça acaba sucumbindo ao chamado de suas vidas passadas e se entrega aos encantos do exótico estrangeiro:&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SezWMSUsQiI/AAAAAAAAAEY/Rfg1KqkA46Y/s1600-h/d5.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 372px; height: 268px;" src="http://4.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SezWMSUsQiI/AAAAAAAAAEY/Rfg1KqkA46Y/s400/d5.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326867965837853218" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5Cx%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1 	{size:612.0pt 792.0pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:36.0pt; 	mso-footer-margin:36.0pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-ansi-language:#0400; 	mso-fareast-language:#0400; 	mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Algumas observações sobre toda a baboseira do “amor reencarnado”, que muitos apregoam ser a “inovação” do filme em relação à livro. Basicamente, não é. James Hart plagiou a idéia do roteiro do “Drácula” de Dan Curtis, de 1973, escrito por Richard Matheson (um romancista e roteirista de terror e sci-fi que tem mais talento no nariz do que Hart tem na família). A idéia de um monstro atraído por uma mulher que é a reencarnação de seu amor do passado, aliás, está presente na imensa maioria dos filmes de múmia (desde o clássico de 1932, com Karloff). A visão de Drácula como um personagem imbuído de &lt;i style=""&gt;sex appeal&lt;/i&gt; é bastante comum no cinema (em agudo contraste com o livro, que pinta o Conde como uma criatura, na melhor das circunstâncias, sinistra e, na pior, absolutamente asquerosa) e a inversão de papéis, convertendo o vilão em anti-herói romântico, já foi feita (com resultado muito superior, creio eu) no Drácula de 1979, estrelado por Frank Langella. E, finalmente, essa história de “amor de vidas passadas” já rendeu o que tinha que render. É um dos artifícios mais manjados e preguiçosos e devia ser aposentado até o fim dos dias. Trata-se do “Nissin Miojo romântico”. Coisa de roteirista que quer colocar um romance na história, mas não tem tempo, paciência ou habilidade para desenvolver o relacionamento entre os personagens de forma convincente. O filme em análise é o exemplo típico: Mina, até então, estava comprometida com Harker, aparentemente apaixonada pelo noivo e sem nenhum outro interesse. De repente, surge um estrangeiro esquisito que passa a segui-la e assediá-la insistentemente, até convencer a moça a ir ao cinema, deslumbrando-se com essa maravilhosa inovação científica (Meta-linguagem rasteira, a muleta do cineasta pretensioso!), doma um lobo fugido do zoológico (essa habilidade, tenho que admitir, é muito fodona, mas tenho minhas dúvidas sobre seu potencial afrodisíaco), leva a moça para jantar e solta umas abobrinhas mela-cueca sobre a beleza de sua terra natal e sobre a “princesa que foi roubada de seu antigo príncipe”, serve absinto à jovem (a versão vitoriana do rohypinol) e pronto: Mina começa a ter visões sobre sua “vida passada” e aflora o amor.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Não vou nem perder meu tempo discorrendo sobres as imbecilidades teológicas do filme. No prólogo, Vlad era cristão e se rebelou contra o Deus cristão; não sei, entretanto, o que cristianismo tem a ver com reencarnação, mas tenho a impressão de que passei mais tempo pensando nisso do que Hart ou Coppola.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:100%;"  &gt;Tudo é lindo e maravilhoso, até que Harker consegue fugir do castelo, cair num rio e, sabe-se lá como, chegar a um convento (admito que isso não é culpa do roteiro; o livro também nunca deixa muito claro como ocorre essa “fuga”). Não sei que raios levam o homem a trocar Monica Bellucci e duas vampiras taradas, pela possibilidade de se reencontrar com Winona Ryder, mas cada um sabe de si. Pelo menos respeito a fidelidade do personagem, que demonstra firmeza de caráter em face à tentação. Pena que noiva do mancebo não compartilha de tamanha integridade. Será que ele teria fugido se soubesse que Mina se desmanchou diante do primeiro mané de cartola que apareceu? Jamais saberemos. Enfim, Mina recebe uma carta das freiras, resolve reencontrar o noivo e manda uma carta para “Vlad” informando, para ser sucinto, que o bem-bom acabou. O conde dá um faniquito hilário, digno de uma menina gótica de treze anos que levou um chega-pra-lá do primeiro namorado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SezW2qcsAbI/AAAAAAAAAEo/cVz0FlQrstg/s1600-h/d6.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 144px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SezW2qcsAbI/AAAAAAAAAEo/cVz0FlQrstg/s400/d6.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326868693868347826" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5Cx%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1 	{size:612.0pt 792.0pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:36.0pt; 	mso-footer-margin:36.0pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-ansi-language:#0400; 	mso-fareast-language:#0400; 	mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Frustrado, o vampiro deixa de frescura e vai para a casa de Lucy, desce a pancada em Morris e Holmwood (Vigilância de qualidade é isso aí!), profere um discurso pretensioso de fazer inveja a Zandor Vorkov, vira um lobo (Por que? Porque fica estiloso!), finalmente mordendo e dando cabo da moça. Tudo isso é editado de forma intercalada com cenas do casamento de Mina e Harker (sim, eles decidiram se casar no convento mesmo) numa sequência que mostra que o homem que dirigiu “O Poderoso Chefão” também pode, sim, fazer cinema com toda a perícia de um videoclipeiro. E, Drácula: boa tática. Se há uma maneira eficaz de reconquistar uma mulher é matando brutalmente a melhor amiga dela.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Cabe agora ao Van Helsing mostrar aos seus companheiros que o pesadelo não acabou: após o velório, ele os leva à cripta onde Lucy foi sepultada, à noite, revelando que o caixão da finada está vazio. Enquanto nossos heróis estão ponderando esse mistério, a pseudo-morta aparece, carregando uma criancinha que está prestes a vitimar. A princípio, os pretendentes da moça estão perplexos, acreditando que houve algum engano e ela foi enterrada viva. Mas tal ilusão não perdura. Logo, fica evidente que a Lucy que está agora diante deles não é a mesma. Ela está... com caninos afiados e uma pesada maquiagem branca. A diferença é basicamente essa. No livro, a pura e inocente Lucy, após vampirar, se comporta de forma que, para os padrões vitorianos, era extremamente lasciva e vulgar, deixando clara a mudança de personalidade. Aqui, Lucy já aputalhada em vida, então a única diferença são os dentes e a maquiagem. Ela tenta enfeitiçar Holmwood, mas Van Helsing, intrépido, lasca um crucifixo na cara da criatura demoníaca, que, acuada, retorna para seu caixão, não sem antes dar uma violenta e inexplicável golfada de sangue em seus algozes (“homenagem” a “O Exorcista”, segundo o diretor). Resolvido o conflito, os heróis fincam estaca no coração da moça e cortam sua cabeça. Justiça seja feita, a cena da execução é bem executada e a transição da cabeça decepada para um suculento filé mal passado que Jonathan Harker está jantando é o único momento de humor negro genuinamente eficiente.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;E aqui, com a volta de Jonathan e Mina e a união destes com Van Helsing e seus três companheiros, é que o filme realmente se embanana. Porque, embora o roteiro opte por retratar Drácula como um anti-herói romântico, torturado pela memória do amor perdido, Hart parece também ter gostado da idéia da dos caçadores de vampiros se reunindo para combater o Maligno. E o filme fica, assim, em cima do muro, sem saber que partido tomar. Aliás, aproveitando a oportunidade, é irônico que Coppola se gabe de ter feito a única adaptação que “mantém todos os personagens” – tal “fidelidade” torna evidente a sabedoria de adaptações anteriores, que geralmente condensam Seward, Morris e Holmwood em um ou dois personagens: a presença dos três é completamente desnecessária, pois nenhum deles ultrapassa a densidade de um estereótipo – como eu disse antes: médico geek, cowboy texano e aristocrata pedante. No livro, embora a caracterização de Stoker seja fraquíssima, é fácil sentir uma certa empatia pelos três personagens, que, embora superficialmente, são retratados, pelo menos, como sujeitos decentes e amigos leais. Aqui, os personagens causam tão pouca impressão que só servem para arrastar a duração do filme.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Ah, e eu esqueci de mencionar que Jonathan e Mina, ao voltarem para Londres, se deparam, por acaso, com Drácula na rua. Mina não vê seu “príncipe”, mas Jonathan, de uma carruagem, vê o conde e dá um piripaque, reconhecendo a criatura da noite e observando que ele “ficou mais jovem!” O que é estranho, pois, ao contrário do que ocorre no livro, não há qualquer semelhança física entre o Drácula velho e o Drácula jovem.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SezWfx8rvsI/AAAAAAAAAEg/QeuwdcES9_Y/s1600-h/d7.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 143px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SezWfx8rvsI/AAAAAAAAAEg/QeuwdcES9_Y/s400/d7.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326868300744605378" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5Cx%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1 	{size:612.0pt 792.0pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:36.0pt; 	mso-footer-margin:36.0pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-ansi-language:#0400; 	mso-fareast-language:#0400; 	mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Foi só uma tentativa de ser fiel ao texto que, aqui, não funciona, porque no livro, Drácula realmente rejuvenesce à medida que vai consumindo mais sangue, mas não (como ocorre no filme de Coppola) muda radicalmente de aparência. O “Conde Drácula” de Jess Franco, embora seja uma tosqueira geral, pelo menos, nesse aspecto, acompanhou o livro com fidelidade.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SezXVgqo3jI/AAAAAAAAAEw/vFgOIC-IZZw/s1600-h/d8.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 143px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SezXVgqo3jI/AAAAAAAAAEw/vFgOIC-IZZw/s400/d8.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326869223818452530" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5Cx%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;o:smarttagtype namespaceuri="urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" name="PersonName"&gt;&lt;/o:smarttagtype&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if !mso]&gt;&lt;object classid="clsid:38481807-CA0E-42D2-BF39-B33AF135CC4D" id="ieooui"&gt;&lt;/object&gt; &lt;style&gt; st1\:*{behavior:url(#ieooui) } &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1 	{size:612.0pt 792.0pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:36.0pt; 	mso-footer-margin:36.0pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-ansi-language:#0400; 	mso-fareast-language:#0400; 	mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Enfim, voltando aos intrépidos caçadores de vampiros: combinando suas histórias, eles acabam descobrindo a toca do monstro: a “Abadia de Carfax”, próxima ao manicômio de Seward. Ao som de uma bombástica trilha sonora, para lá vão os heróis, consagrar com hóstia e água benta os caixões (ou melhor, caixotes) que Drácula trouxe de sua terra natal para impedir o vampiro de usá-los como abrigo. Mina fica hospedada no sanatório de Seward, onde conhece Renfield que, inexplicavelmente, sente-se compelido a advertir a moça que vá embora e se salve e tenta convencer Seward a tirá-lo de lá (o filme não deixa claro, mas a presença de Renfield no asilo permite a entrada de Drácula no prédio). E eu sei que não mencionei o personagem de Renfield antes, mas é porque a presença dele no filme, apesar da boa interpretação de Waits, é, fora essa cena, completamente desnecessária: ele se limita a dar faniquitos, fazer discursos desconexos sobre o “mestre” e comer insetos. As advertências do lunático, entretanto, são ignoradas, e Mina fica no manicômio enquanto os cinco mosqueteiros vão cumprir sua missão.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;E Drácula, aproveitando o ensejo, resolve adentrar o quarto onde Mina dorme, reiterar seu amor e revelar a sua verdadeira identidade à moça, em um momento totalmente “emo” (“Não há vida neste corpo. Eu sou o monstro que homens que respiram destruiriam. Eu sou Drácula. Ai de mim, condenado a uma eterna existência de trevas e solidão! Que eu, diga-se de passagem, escolhi voluntariamente, porque minha esposa se matou e eu&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;fiquei puto com Deus.”). E Mina, após um rápido momento de freakout (“Seu puto! Você matou minha melhor amiga só por causa de uma dor-de-cotovelo!”), acaba ouvindo seu coração, se rendendo ao amor e declarando seu desejo de ficar eternamente ao lado de seu amado. E segue-se uma ridícula cena romântica, &lt;st1:personname productid="em que Drácula" st="on"&gt;em que Drácula&lt;/st1:personname&gt; faz charme, alegando não querer levar a mocinha para uma “existência de horror” (Deixe de conversa! Por que você ficou atrás dela esse tempo todo, então? Só pra tirar uma casquinha?). E quer saber de uma coisa: que se foda quem escreveu esse negócio estapafúrdio. Essa “crise de consciência” de Drácula é totalmente impossível de engolir. Primeiro, o cara passa parte do filme atormentando Harker no castelo, servindo alegremente um fofo bebezinho de jantar pra suas concubinas vampiras (com direito a gargalhada de Dr. Evil) e matando Lucy só porque levou um fora da namorada e, de repente, ele se torna esse paradigma sensibilidade e consciência pesada? Que indecisão da porra é essa? Roteirista que quer ser fiel ao livro e “subverter” o material de origem ao mesmo tempo. E por que essa incoerência? Porque a única chance de o filme poder alegar “originalidade” é seguindo todos os principais pontos do livro; afinal, se ele simplesmente se limitasse a retratar Drácula como um anti-herói romântico e seguisse essa idéia com um mínimo de coerência, seria, em essência, um versão recauchutada e mais cara do Drácula de John Badham, que pelo menos segue a premissa de que “Drácula não é só um monstro sanguinário; ele também quer amor” com um mínimo de consistência. E sem fazer, em momento algum, o vampiro parecer um mané indeciso e chorão. E, de lambuja, ainda consegue ser assustador (se não acredita, veja a cena &lt;st1:personname productid="em que Van Helsing" st="on"&gt;&lt;st1:personname productid="em que Van" st="on"&gt;em que Van&lt;/st1:personname&gt; Helsing&lt;/st1:personname&gt; e Seward encontram a Lucy vampira naquel&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:times new roman;font-size:100%;"  &gt;e filme).&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal"  style="text-align: justify;font-family:times new roman;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style=";font-family:&amp;quot;;font-size:100%;"  &gt;Após muita lenga-lenga, Drácula acaba mordendo Mina e fazendo-a beber seu sangue, em um momento que, sem dúvida, o cineasta esperava ser romântico e comovente (a trilha sonora deixa óbvia essa intenção), mas que, na verdade, é constrangedor.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SezXmLC7DPI/AAAAAAAAAE4/naocL9CsitI/s1600-h/d9.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 360px; height: 275px;" src="http://2.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SezXmLC7DPI/AAAAAAAAAE4/naocL9CsitI/s400/d9.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326869510072503538" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5Cx%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;o:smarttagtype namespaceuri="urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" name="PersonName"&gt;&lt;/o:smarttagtype&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if !mso]&gt;&lt;object classid="clsid:38481807-CA0E-42D2-BF39-B33AF135CC4D" id="ieooui"&gt;&lt;/object&gt; &lt;style&gt; st1\:*{behavior:url(#ieooui) } &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1 	{size:612.0pt 792.0pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:36.0pt; 	mso-footer-margin:36.0pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-ansi-language:#0400; 	mso-fareast-language:#0400; 	mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Justamente no momento do oba-oba, Van Helsing e sua turma aparecem, Drácula se emputece e vira um morcego gigante totalmente fodão, faz um crucifixo pegar fogo e se transforma numa porrada de ratos, fugindo do recinto. O mais cômico na situação toda é que, quando o vampiro vira um monstro-morcego, o ninguém parece se assustar. Quando ele vira uma pluralidade de ratos, contudo, a reação deles é hilária: todos recuam, fazem expressão de “eca” e só faltam sair dando pulinhos e gritando “Ui! Socorro! Que nojento!”. E Mina, provavelmente para enrolar os bestas, começa a chorar e exclamar que está “Impura! Impura!”. Mais uma tentativa de ser fiel ao livro que não fez sentido no contexto. A primeira vez que li o texto, quando eu tinha uns dez anos de idade, achei a cena da “troca de sangue” profundamente incômoda e perturbadora, mas não consegui identificar por que. Mais tarde, acabei percebendo o motivo: a cena, no livro de Stoker, é o equivalente vampírico a um estupro, através do qual o estuprador, dolosamente, transmite uma doença à vitima. A atitude de Drácula, ao atacar Mina é, essencialmente, “Ah, então é você quem está ajudando esses porras a me caçar? Pois olha só o que eu vou fazer com a putinha deles. E não resista que eu sei que você vai gostar”. Daí toda a reação histérica da personagem. Aqui, a reação de Mina é completamente sem nexo: a mordida e a troca de sangue foi completamente consensual. Aliás, ela &lt;i style=""&gt;insistiu&lt;/i&gt; para que Drácula o fizesse. Então só restam três interpretações: ou ela está só fazendo uma encenação para enganar os bestas, ou Mina é uma idiota cabeça de vento que não sabe o que quer, ou James Hart e Francis Coppola não sabiam o que queriam fazer com a história. &lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Mais uma coisa: o ataque à Mina, no livro, traz tensão à história. Até então, os heróis estavam muito seguros de si, sabendo que, mais cedo ou mais tarde, conseguiriam localizar e destruir o conde. Com Mina mordida, tudo se torna mais urgente, pois eles têm que localizá-lo antes que a transformação da moça se complete e ela se torna uma vampira. Aqui... francamente, fica meio difícil decidir que atitude o espectador deve adotar: torcer para os caçadores de vampiros encontrem Drácula ou torcer para que o romance da mocinha e do vampiro sofredor se concretize? Francamente, eu acabo não me importando com o resultado. Mina foi mordida voluntariamente e quer “se unir” ao “seu príncipe”. Apesar de todas as tentativas de despertar a solidariedade do espectador por Drácula, este continua sendo um monstro que mata criancinhas e a melhor amiga de sua “amada” por causa de uma dor-de-cotovelo. Por outro lado, os caçadores de vampiros são, na melhor das hipóteses, palhaços (Van Helsing, Morris), manés (Harker, corno manso, e Seward, nerd do século XIX) ou simplesmente antipáticos (Holmwood). Mais uma vez, é risível a “inovação” de colocar todos os personagens do livro no filme. No livro, por mais fraca que seja a caracterização, o leitor acaba criando uma certa empatia por eles – todos são, basicamente, sujeitos decentes. No filme, eles são estereótipos sem qualquer densidade. Minha conclusão: que se danem. Tanto faz como a história vai terminar. Não me importa mais.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Prosseguindo, Van Helsing hipnotiza Mina para, através do “vínculo psíquico” que se formou entre ela e o vampiro após a mordida, descobrir o paradeiro de Drácula. É interessante observar, aqui, como a tentativa de “modernizar” as personagens femininas saiu totalmente pela culatra. Tudo bem, no livro, Lucy é só uma donzela indefesa, ansiosa para encontrar um cônjuge para protegê-la. Mina, contudo, apesar de todas as baboseiras machistas que Stoker utiliza para articular tal fato (coisas como “Madame Mina tem o coração de uma mulher aliado ao cérebro de um homem”) é, claramente, a personagem mais inteligente do grupo. Como todo mundo já deve saber, a narrativa do livro de Stoker é feita através da vários diários e cartas dos personagens. É Mina quem tem a idéia de reunir os diários de todos os personagens, datilografá-los e organizá-los cronologicamente, a fim de identificar os padrões de comportamento do vampiro. É ela quem, após ser mordida, decide que sua participação nas reuniões do “conselho de guerra” é perigosa, pois Drácula pode ler seus pensamentos. E é ela – não Van Helsing – quem sugere que a hipnose pode ser um meio eficaz de descobrir os planos do conde. É, enfim, uma personagem feminina surpreendentemente competente para os padrões da época, mormente quando se considera que o livro foi escrito por um homem bastante conservador. Ela contribui ativamente para o desenrolar da trama, ao invés de ser apenas uma mocinha indefesa. Não à toa, quando Alan Moore escreveu “A Liga Extraordinária”, ele colocou Mina Harker como a líder do grupo: a capacidade de organização e calculismo da personagem a tornam ideal para tal função. Coppola e Hart, entretanto, não conseguiram enxergar nada disso. Eles partiram, imediatamente da premissa que o livro era antiquado e baseado em uma visão de mundo ultrapassada. Tentaram “modernizar” a história e torná-la “psicologicamente complexa” transformando Lucy numa ninfomaníaca e inventando esse “romance” entre Mina e o vampiro. O que eles conseguiram, entretanto, foi ignorar tudo de interessante na personagem e a reduziram ao “interesse romântico” da história. Ironicamente, a Mina do filme é uma personagem cabeça de vento, frágil e indecisa, muita mais parecida com a mocinha romântica típica de um livro de José Alencar do que a personagem do livro de Stoker.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Divagações à parte, Van Helsing hipnotiza Mina, descobre que Drácula está voltando para a Transilvânia e lá vão eles Europa adentro, em perseguição ao vilão. O Professor e Mina chegam ao castelo com Mina antes dos demais caçadores de vampiros e resolvem acampar enquanto os outros não chegam. Mina começa a vampirar, baixa a pomba-gira e tentar seduzir o velho (o negócio é ridículo; só faltava “Let’s Get it On” de Marvin Gaye na trilha sonora), que, após um momento de fraqueza (Massa! Tudo que eu precisava era ver Anthony Hopkins dando uns malhos &lt;st1:personname productid="em Winona Ryder. E" st="on"&gt;&lt;st1:personname productid="em Winona Ryder." st="on"&gt;em Winona Ryder.&lt;/st1:personname&gt; E&lt;/st1:personname&gt; é interessante ver como o “alicerce moral” dos “heróis” da história só precisa ver um decote pra dar uns pegas na mocinha), resiste à tentação (ou melhor, toma um susto quando Mina tenta atacá-lo e acaba decidindo que o sexy-time talvez não seja uma idéia tão interessante). Ambos são atacados pelas “noivas de Drácula”, mas Van Helsing as repele com um plano engenhoso: traçando um círculo de fogo ao seu redor (no livro, ele traça uma trincheira e a enche de pedaços da hóstia; aqui, as vampiras são mais ou menos como escorpiões; basta um pouco de fogo é tá seguro). Funciona. Pode não fazer sentido, mas fica uma imagem estilosa, e é isso que importa.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;a onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}" href="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SezYIdPV1UI/AAAAAAAAAFA/FU40jcpoiis/s1600-h/d10.JPG"&gt;&lt;img style="margin: 0px auto 10px; display: block; text-align: center; cursor: pointer; width: 400px; height: 155px;" src="http://1.bp.blogspot.com/_26E_XTSk7-A/SezYIdPV1UI/AAAAAAAAAFA/FU40jcpoiis/s400/d10.JPG" alt="" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5326870099071980866" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt; &lt;meta equiv="Content-Type" content="text/html; charset=utf-8"&gt;&lt;meta name="ProgId" content="Word.Document"&gt;&lt;meta name="Generator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;meta name="Originator" content="Microsoft Word 11"&gt;&lt;link rel="File-List" href="file:///C:%5CDOCUME%7E1%5Cx%5CCONFIG%7E1%5CTemp%5Cmsohtml1%5C01%5Cclip_filelist.xml"&gt;&lt;o:smarttagtype namespaceuri="urn:schemas-microsoft-com:office:smarttags" name="PersonName"&gt;&lt;/o:smarttagtype&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:worddocument&gt;   &lt;w:view&gt;Normal&lt;/w:View&gt;   &lt;w:zoom&gt;0&lt;/w:Zoom&gt;   &lt;w:hyphenationzone&gt;21&lt;/w:HyphenationZone&gt;   &lt;w:punctuationkerning/&gt;   &lt;w:validateagainstschemas/&gt;   &lt;w:saveifxmlinvalid&gt;false&lt;/w:SaveIfXMLInvalid&gt;   &lt;w:ignoremixedcontent&gt;false&lt;/w:IgnoreMixedContent&gt;   &lt;w:alwaysshowplaceholdertext&gt;false&lt;/w:AlwaysShowPlaceholderText&gt;   &lt;w:compatibility&gt;    &lt;w:breakwrappedtables/&gt;    &lt;w:snaptogridincell/&gt;    &lt;w:wraptextwithpunct/&gt;    &lt;w:useasianbreakrules/&gt;    &lt;w:dontgrowautofit/&gt;   &lt;/w:Compatibility&gt;   &lt;w:browserlevel&gt;MicrosoftInternetExplorer4&lt;/w:BrowserLevel&gt;  &lt;/w:WordDocument&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if gte mso 9]&gt;&lt;xml&gt;  &lt;w:latentstyles deflockedstate="false" latentstylecount="156"&gt;  &lt;/w:LatentStyles&gt; &lt;/xml&gt;&lt;![endif]--&gt;&lt;!--[if !mso]&gt;&lt;object classid="clsid:38481807-CA0E-42D2-BF39-B33AF135CC4D" id="ieooui"&gt;&lt;/object&gt; &lt;style&gt; st1\:*{behavior:url(#ieooui) } &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;&lt;style&gt; &lt;!--  /* Style Definitions */  p.MsoNormal, li.MsoNormal, div.MsoNormal 	{mso-style-parent:""; 	margin:0cm; 	margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:12.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-fareast-font-family:"Times New Roman";} @page Section1 	{size:612.0pt 792.0pt; 	margin:70.85pt 3.0cm 70.85pt 3.0cm; 	mso-header-margin:36.0pt; 	mso-footer-margin:36.0pt; 	mso-paper-source:0;} div.Section1 	{page:Section1;} --&gt; &lt;/style&gt;&lt;!--[if gte mso 10]&gt; &lt;style&gt;  /* Style Definitions */  table.MsoNormalTable 	{mso-style-name:"Tabela normal"; 	mso-tstyle-rowband-size:0; 	mso-tstyle-colband-size:0; 	mso-style-noshow:yes; 	mso-style-parent:""; 	mso-padding-alt:0cm 5.4pt 0cm 5.4pt; 	mso-para-margin:0cm; 	mso-para-margin-bottom:.0001pt; 	mso-pagination:widow-orphan; 	font-size:10.0pt; 	font-family:"Times New Roman"; 	mso-ansi-language:#0400; 	mso-fareast-language:#0400; 	mso-bidi-language:#0400;} &lt;/style&gt; &lt;![endif]--&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;No dia seguinte, Van Helsing vai ao castelo, dá cabo das três vampiras e joga as cabeças num precipício, gritando, melodramaticamente, “DRACUL! DRACUL! DRACUL!” Sinto muito, mas Vlad DRACUL era o pai de Vlad DRÁCULA. Você se embananou aí, colega.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Perto do anoitecer, um bando de ciganos chegam carregando o caixão de Drácula, com Holmwood, Harker, Seward e Morris no encalço. Balas voam, trilha sonora bombástica ecoa, Drácula evoca uma tempestade, mas não sai de seu caixão pra se defender, porque ainda é dia. A questão é: por que não? O filme deixa bem claro que, “ao contrário da crença popular, os vampiros podem se locomover durante o dia”, o que também acontece no livro. Ocorre que, no livro, em determinados momentos (sabe-se lá por que), embora não diariamente, o vampiro precisa descansar em seu caixão. Nesses momentos, o morto-vivo fica indefeso, em estado de catalepsia, incapaz de esboçar qualquer reação. É o que acontece na versão literária dessa cena. No filme, entretanto, é evidente que Drácula está desperto e lampeiro: ele passa o tempo todo resmungando no caixão, ansioso. Logo, não faz sentido ele esperar o pôr-do-sol para sair e se defender.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Os destemidos aventureiros dão cabo dos ciganos, Morris leva uma facada nas costas, mas consegue abrir o caixote do vampiro, justamente quando o sol se põe. Drácula velho sai do caixão, numa explosão de madeira pra todo lado, trajando uma indumentária ainda mais espalhafatosa que o quimono vermelho; Morris corta sua garganta, leva uma porrada que o faz voar longe e Harker mete um facão no peito do vampiro. Quando ele está prestes a dar o golpe de misericórdia, Mina aparece, ameaçando-o com uma espingarda: “Quando chegar minha hora, você fará o mesmo comigo?”, indaga a mocinha. “Provavelmente”, pensa o corno manso, mas, certamente refletindo sobre a prudência de tal resposta diante de uma arma carregada, responde que “não”.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;Mina arrasta o Drácula moribundo pra um recinto do castelo. Os caçadores de vampiros tentam detê-la, mas Harker os impede, declamando “Não! Nosso trabalho aqui está encerrado. O dela apenas começou!” Que porra ele quer dizer com isso? Mais um momento pretensioso e sem sentido, através do qual o roteirista tenta contornar, com picaretagem, o inevitável (numa versão plausível, Mina ia ser atacada pelos caçadores de vampiros, que terminariam o serviço com Drácula e procederiam a cobrir a mocinha de pancadas). E, enquanto Morris morre, Van Helsing filosofa: “Nós nos tornamos os loucos de Deus.” Puta merda... quanta baboseira afetada e sem sentido.&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;o:p&gt; &lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;  &lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size:100%;"&gt;O recinto para aonde Mina carregou Drácula, vejam vocês, é a capela onde Vlad, no prólogo, renunciou a Deus a se tornou um vampiro (Genial! É como se tudo fosse parte de um ciclo traçado pelo destino!). A mocinha chora e Drácula lamenta “Onde está seu Deus? Ele me abandonou?” Mais uma vez, fricotagem emo que não faz o menor sentido. Se a memória não me falha, foi o contrário: Drácula é que ficou puto e declarou guerra a Deus. Francamente, o vampiro está se comportando como um adolescente que foge de casa e depois fica se lamuriando porque seus pais não estão tentando encontrá-lo. “Meu amor”, choraminga a jovem, beijando seu amado imortal. Subitamente, todas as velas da capela se acendem, uma luz celestial brilha sobre o casal, o buraco na cruz &lt;st1:personname productid="em que Drácula" st="on"&gt;em que Drácula&lt;/st1:personname&gt; tinha fincado a
